Todo o orgulho será medalhado

Aquando do Euro 2012, Cavaco Silva disse oficialmente o seguinte a propósito do resultado de um jogo de futebol disputado por profissionais:

Por ocasião do apuramento para as meias-finais do Campeonato Europeu de Futebol, quero felicitar a Seleção Nacional pelo resultado alcançado, que é motivo de regozijo e orgulho para Portugal e os Portugueses.

Demonstrando desportivismo, determinação e vontade de vencer, os elementos da nossa Seleção voltaram a provar que, nos momentos mais difíceis, os Portugueses se agigantam e superam os grandes desafios que lhes são colocados.

Aos jogadores, equipa técnica e dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol, desejo a continuação, na próxima fase do EURO 2012, dos sucessos já alcançados até aqui, que dignificam o futebol português e contribuem para a projeção internacional do país.

Há neste condensado de provincianismo lastimoso duas provocações ao respeito próprio do cidadão e sua tão molestada inteligência: a de que correr atrás de uma bola em calções durante 90 minutos se pode equiparar aos grandes desafios que afligiram e afligem os habitantes de Portugal, e a de que passar uma eliminatória num torneio de futebol contribui para a projecção internacional de um qualquer país. Contudo, ninguém abriu o bico para criticar fosse o que fosse a sua excelência. A apatia é geral, Cavaco venceu-nos a todos.

Agora, dois bravos rapazes na genica da idade, gastando parte maior das suas vidas a mecanizar, sincronizar e acelerar um conjunto de movimentos com os braços, participaram numa prova internacional e perderam. O líder do maior partido da oposição é que não perdeu tempo, informou logo os nativos de que estava ali o exemplo a seguir. Um exemplo caracterizado pelo espírito de sacrifício, teve a bondade de explicar. E decretou um estado de orgulho obrigatório para todos os portugueses. Seguro, o valente que pediu transparência doesse a quem doesse a respeito das tropelias do seu amigo Relvas, e que depois quando lhe fizeram a vontade ficou sem palavras tamanha a comoção, remata o espasmo ditirâmbico com este repto:

Que esta medalha seja também um incentivo para todos os nossos atletas.

Seguro quer medalhas. Mais medalhas. Quer provas tangíveis dos sacrifícios. Quantas mais medalhas, mais sacrifícios, mais dor, mais ranger de dentes. E isto agrada-lhe. Ele compreende com todas as células do seu corpo essa lógica. Porque é essa a sua teologia, um mundo onde aqueles que sofrem acabam por receber o devido prémio. Sendo que este edifício axiológico oferece outra grande vantagem, senão mesmo a principal: permite concluir que aqueles que não triunfam igualmente não se esforçaram o suficiente ao ponto do sacrifício máximo, o tal que obriga a Nação a desfraldar as bandeiras do orgulho.

Aquela cena de os Jogos Olímpicos – senhores, pelo menos as Olimpíadas! – serem uma festa da confraternização entre os povos, e de que importa mais participar do que vencer, é tudo tanga, né? De políticos a jornalistas, passando pelos comentaristas encartados, o patrioteirismo histérico com o desporto é a prova de que os bárbaros invadiram a cidade. Não há nada mais decadente para o espírito helénico do que a luxúria idólotra.

Aceitam-se sugestões

A cobertura pelos media do julgamento do grupo de rock Pussy Riot em Moscovo tem-me dado que pensar. No noticiário em inglês, a causa das raparigas é notoriamente prejudicada pelo nome da banda. A seriedade da sua luta em prol da democracia vai pelo cano abaixo quando o nome da banda aparece em jogo. As agências noticiosas anglófonas, geralmente hostis a Putin e simpáticas para com o grupo rockeiro feminista, redobram de cuidados quando têm de redigir qualquer frase sobre as Pussy Riot que não tenha duplos sentidos ou ressonâncias esquisitas.

Após busca na net, constato que fora do espaço anglófono é raríssimo traduzir-se a expressão Pussy Riot. Com muito trabalho, descubro um site brasileiro onde corajosamente se traduz por Motim das Bucetas. Eu preferiria Revolta das Conas, mas não sei se isto soa muito bem em português. Alguém sugere melhor?

Por favor, não envolvas o PS no teu populismo de alguidar

“Em meu nome pessoal e do Partido Socialista quero felicitar a dupla portuguesa Emanuel Silva e Fernando Pimenta pela medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos Londres 2012, na categoria de K2 1000 metros”, escreveu Seguro em dois telegramas enviados aos presidentes da Federação Portuguesa de Canoagem, Marques dos Santos, e do Comité Olímpico de Portugal, Vicente de Moura.

“O desempenho e esforço dos canoístas portugueses são naturalmente motivo de orgulho para todos os portugueses e dignificaram Portugal”, escreveu ainda o líder socialista, que pede aos dois responsáveis que transmitam as suas felicitações aos medalhados.

António José Seguro sublinhou que “pelo seu espírito de sacrifício e evolução desportiva, Emanuel Silva e Fernando Pimenta, a dupla mais jovem a competir na final de hoje, são um exemplo para os jovens e deixam uma marca histórica nestas olimpíadas”.

“Que esta medalha seja também um incentivo para todos os nossos atletas”, acrescentou.

Seguro felicita canoístas por medalha de prata que “orgulha” Portugal

Tribunal de Contas, Nuno Crato: embrulhem

Segundo o jornal Público de hoje, «a actual administração da empresa pública Parque Escolar (PE), nomeada em Março pelo ministro da Educação, Nuno Crato, apoiou as decisões tomadas pelos anteriores administradores referentes às obras de modernização em duas escolas do Porto, as quais, segundo o Tribunal de Contas (TC), se traduziram em despesas e pagamentos ilegais que ascendem a 18 milhões de euros.
Em Março, Crato exortou a anterior administração a demitir-se, depois de ter conhecido os resultados das auditorias à actividade da empresa realizadas pela Inspecção-Geral de Finanças e pelo TC. Os relatórios das auditorias às obras de modernização das escolas secundarias Sá de Miranda, em Braga, Rodrigues de Freitas e do Cerco, no Porto, foram divulgados pelo TC, ontem, e completam a auditoria à empresa iniciada em 2010.
» […]

[…]«Na sua resposta ao TC, o actual presidente da Parque Escolar, Pedro Marques, defende os procedimentos adoptados pela anterior administração, sustentando, no que respeita ao fraccionamento da despesa, que “do ponto de vista operacional era praticamente inviável a adopção de um único procedimento”. Quanto aos trabalhos a mais realizados argumenta que se tratou de “uma obra complexa, cujo edifício estava em vias de classificação pelo Igespar, de que resultaram diversos imponderáveis”

Sabemos que o relatório da IGF, ao contrário do que muitos pretendiam e os jornais alardearam, não «demolia» a Parque Escolar, muito pelo contrário, elogiava a seriedade da sua gestão (o que disse na altura Crato, em triste figura na Assembleia? Uma derrapagem de 400%?). Quanto ao Tribunal de Contas, lembramo-nos dos pinotes, rebolões e gargalhadas de vingativo prazer que o seu relatório provocou em tudo o que era deputado, ministro e comentador desta desgraçada maioria. Os jornalistas do costume ajudaram à orgia. Pois bem. Quem está agora no terreno não pode deixar de concordar com as decisões e opções da Parque Escolar.

Mais um génio das finanças

Se querem ter um álbum de fotografias artísticas emolduráveis dos 25 mais ricos de Portugal, não se esqueçam de comprar a Exame de Agosto, que o tio Balsemão quase vos oferece pelo preço de meia dúzia de bicas. Como brinde terão, entre outras coisas, uma entrevista com Pedro Trigo Pereira, sizudo professor de Finanças Públicas, que explica a sua já conhecida tese de que a dívida pública portuguesa é o resultado do défice democrático em que vivemos… desde 1974! Abdicando de outros € 3.15, podem também adquirir, da pena do mesmo génio, o último livrinho editado pela Fundação Pingo Doce (cotada pelo governo 5 pontos acima da Gulbenkian), obra intitulada precisamente Dívida Pública e Défice Democrático. Caso os tostões lhes façam falta, podem ver na net a apresentação do livro em causa pelo seu autor. É grátis e o ganho é o mesmo, se não for maior. A cassette debitada por Trigo Pereira pouco varia, mas há coisas curiosas que saltam boca fora ao improviso de uma apresentação oral. Por exemplo esta tirada, proferida com ar soturno de quem te avisa, a rematar a conversa no lançamento do seu livro: “Os partidos políticos têm que mudar e, se não mudarem, se calhar tem que surgir alguma coisa que os faça mudar.” Heil!

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O centro é onde as coisas acontecem

À esquerda, aparecem, em simultâneo, dois movimentos à margem dos partidos: o ‘seu’ Manifesto para Uma Esquerda Livre e o Congresso Democrático das Alternativas. Não há o risco de se anularem?

Não. Um reforça o outro. Metade dos subscritores do manifesto estarão também no congresso. Fazem parte de um sector que eu chamaria de ‘o meio da esquerda’. É o sector crucial da esquerda, assim como a alavanca do Arquimedes – quando se empurra numa ponta e na outra não se gera movimento nenhum. O ponto de apoio dessa alavanca [o seu ‘segredo’ para funcionar] é o ‘meio da esquerda’ e ele conseguirá – não levantar o mundo (risos) – mas o sistema político em Portugal.

Onde se situa essa zona do ‘meio da esquerda’?

É, sobretudo, a ala social-democrata do BE e a ala esquerda do PS. Apesar de ser o maior reservatório de ideias à esquerda, tem estado sobre tutela partidária. Há receio em levantar a voz. E quem quer fazer pontes, entendimentos interpartidários, é acusado por isso. Onde chegámos!

Rui Tavares

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Vale bem a pena ler a entrevista que Rui Tavares deu ao Sol. Estamos perante a exposição da desilusão de uma das coqueluches do BE, da comunicação social politizada e da esquerda em geral. O Rui tem representado essa promessa de renovo à esquerda que recusaria os supostos vícios e inércias de um PS anquilosado pela prática do poder e pela derrelicção ideológica, ao mesmo tempo que não caía na esterilidade soviética do PCP. Naturalmente, o seu espaço de afirmação seria ao lado de Louçã, alguém que reclamou a posse desse território imaginante já desde os tempos do PSR. Foi, com toda a naturalidade, seduzido para servir o BE num acto eleitoral que lhe valeu uma bolsa de estudo em política internacional no Parlamento Europeu. Todavia, logo em 2010, segundo conta, já o amor tinha dado lugar à traição e o casamento entrou em dissolução.

O Rui diz que está zangado com os partidos, mas continua a ser nos partidos que vê o caminho. Tratar-se-á, agora e sempre, de conseguir colocar as pessoas certas nos lugares certos. Ele sabe que essas pessoas existem, ou não fosse ele uma delas, pelo que se oferece para as identificar, convocar e juntar. Muito bem e felicidades nessa empresa, companheiro. Só me parece algo assim para o muitíssimo duvidoso que essa vontade de reforma partidária não venha acompanhada pelo diagnóstico histórico do que aconteceu em Portugal de 2005 a 2011. Afinal, o Governo de Sócrates que foi boicotado por toda a esquerda não democrática, incluindo a ala esquerda do PS, com as consequências de termos uma direita irresponsável e fanática com o poder absoluto na mão, não correspondia ao ideal social-democrata que se reclama para este novo centro da esquerda? É que se não correspondia, terá de considerar-se Sócrates – e quem com ele lutou por um Portugal de riqueza humana, desenvolvimento científico e excelência produtiva – como mais um malvado da malvada direita. E se Sócrates for julgado como pertencendo à direita por quem esteja no “meio da esquerda”, então, Rui, reinará uma enorme confusão na tua cabeça em relação a alguns dos nomes com que te identificas.

Não se pode fugir ao centro, pois o centro é inevitavelmente o lugar onde estamos, onde cada um está. Precisamos é de começar a medir a profundidade que suporta o centro que se queira habitar, a extensão do centro proposto como preferível a qualquer outro, a altura que cada centro permite atingir.

Da competência. Modesto contributo para o conflito norte-sul

Não gostando da arrogância, do moralismo e da total injustiça com que a atual liderança alemã lida com os países do sul da Europa (não obstante as férias agradáveis passadas num deles), nada me move contra os cidadãos alemães em geral. Não têm o mínimo sentido de humor, é certo, mas há pessoas razoáveis e outras insuportáveis como em todo o lado. Já o mito de que os alemães são o paradigma do rigor e da competência é que urge ser revisto. Não falo já de questões mais abstratas como a condução da política europeia em momento de crise, onde as vistas curtas e o egoismo os levará muito provavelmente a cair com estrondo, como tem acontecido, destruindo tudo à volta. Falo de um nível mais comezinho: transportes, obras. A circulação ferroviária é frequentemente interrompida por problemas técnicos e até acidentes. Agora são as derrapagens em grandes obras. Viria a propósito dizer que é como nos países do sul, mas não vem. É bem pior.

A notícia, lida na revista Der Spiegel, refere-se ao novo aeroporto de Berlim. Não um aeroporto qualquer, em Alguidares de Baixo “am Main”, mas o futuro aeroporto Willy Brandt, o da capital do império (Brandt está inocente). Devia estar pronto em 30 de Outubro de 2011. Estamos em Julho de 2012 e, após sucessivos adiamentos, a abertura foi novamente adiada, desta vez para a primavera de 2013 ou, na opinião dos mais avisados, sine die. A razão nada tem a ver com imprevistos no terreno nem com intempéries, muito menos com atrasos dos fornecedores.

Quem usa e abusa de frases como “Só mesmo em Portugal. Não há uma única obra pública que não derrape. É um escândalo!” devia pensar em retirar-lhe a primeira. O novo aeroporto, situado fora da cidade, no Estado de Brandenburgo, é uma obra orçada em milhares de milhões de euros. O projeto de arquitetura foi entregue a Meinhard von Gerkan, um arquiteto de renome mundial, cujo ateliê constituiu um consórcio com uma empresa de engenharia e uma outra de arquitetura, de Frankfurt, responsável pela área comercial do empreendimento (nome do consórcio pg bbi).

A empresa operadora do aeroporto, na qual estão representados o Governo Federal, a cidade de Berlim e o Estado de Brandenburgo, acaba de introduzir uma queixa contra o dito consórcio pedindo uma indemnização por danos no valor de 80 milhões de euros.

O que se passou? Segundo a revista, o projeto arquitetónico (supõe-se que concebido para deslumbrar) descurou completamente os aspetos técnicos, ao ponto de ter sido praticamente impossível aos elementos da Bosch instalar coisas tão fundamentais neste tipo de obra como os sistemas elétricos e de segurança – as câmaras de videovigilância e os sistemas contra incêndios. Planos deficientes e cálculos sistematicamente errados impossibilitaram a tarefa, para grande irritação de quem era chamado a lá trabalhar. Obrigado a revê-los (o que aconteceu repetidas vezes), Gerkan e o seu consórcio cometeram novos erros, coisas incríveis como confundir tubagens, cablagens, condutas, complicando uma situação já difícil e ingerível. Não previu, por exemplo, espaço suficiente para a instalação das ditas câmaras. Intervindo nas suas funções habituais, a autoridade reguladora do setor da construção acabou a discutir exaltadamente com os arquitetos. O próprio operador do aeroporto não teve outro remédio senão denunciar o contrato com Gerkan sem pré-aviso a 23 de Maio, enviando-lhe uma dura carta, em que diz que a confiança nele enquanto principal responsável pelo projeto estava de tal maneira abalada que não lhes era simplesmente possível prosseguir a colaboração. Isto sim é um escândalo.

Não admira, portanto, que haja grande interesse na Alemanha em engenheiros, e presumivelmente arquitetos, do sul. Convinha era que pagassem o seu fabrico.
Já agora, também a nível político, não seria mau darem ouvidos ao que lhes dizem os políticos mais competentes de alguns países onde passam férias. Monti e outros. Sócrates também teria algo a dizer-lhes, aposto. Tivesse a Alemanha de financiar-se a juros de 7% e passar a pente fino as continhas e obrinhas várias dos seus diversos Länder, muito nos iríamos rir com os esqueletos que sairiam daqueles armários…

Revolution through evolution

Note to Waitresses: Wearing Red Can Be Profitable
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Multiple Husbands Serve as Child Support and Life Insurance in Some Cultures
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Models of Diverse Ages, Races and Sizes Will Help Fashion Houses, Designers Increase Sales
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Being Paranoid About Office Politics Can Make You a Target
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Parents Can Increase Children’s Activity by Increasing Their Own
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Memory Improves for Older Adults Using Computerized Brain Fitness Program
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New Generation of Virtual Humans Helping to Train Psychologists
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Slower, Longer Sperm Outcompete Faster Rivals, Surprising Finding Shows
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Poor Mental Health Linked to Reduced Life Expectancy
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Study: Conciliatory Tactics More Effective Than Punishment in Reducing Terrorism
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The Aging Brain Is More Malleable Than Previously Believed

Assim nunca ganharás, Paulo

Assim não ganhamos, Carlos

Cristiano Ronaldo para Carlos Queiroz, Portugal-Espanha, Mundial de 2010

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Quando chegámos aos 80 minutos empatados a zero com a Espanha, e vendo os nuestros hermanos física e mentalmente cansados com duas substituições já feitas enquanto Portugal ainda não tinha feito nenhuma, estava semi-banzo. Seria o Paulo Bento, afinal, capaz de elaborar um plano inteligente que escapasse à sua monótona banalidade e contivesse elementos inesperados, ousados, geniais? No minuto seguinte, saiu Hugo Almeida (uma boa ideia) e entrou Nélson Oliveira (uma má ideia). Mesmo assim, não perdi o optimismo. Talvez essa troca inútil tivesse mesmo de ser feita, porque não? Ou talvez o Bento tivesse visto o Nélson a fazer rituais mágicos no balneário e acreditasse que era desta que eles iriam resultar. Nem só de racionalidade vive o futebol.

Aos 87 minutos, a Espanha esgota as substituições. O jogo terá prolongamento e o meu estado semi-banzo vai-se desequilibrando para o lado banzo. Raios, íamos para um prolongamento com duas substituições na manga. Duas substituições para fazer equivale a uma melhoria na qualidade da equipa que atinge 4 cabeças e 8 pernas, somando os que saem rebentados com os que entram cheios de gana e açúcares. Era desta, porque iam entrar aqueles que seria preciso meter lá dentro para vencer, óbvia e fatalmente. E nunca mais na minha vida de lagarto diria mal do Bento.

O prolongamento começa sem as substituições acontecerem. A causa só poderia ser do foro apocalíptico: elas viriam na tal hora H que apenas treinadores predestinados conseguem adivinhar. Nessa confiança, fiquei a ver os minutos passar. Mas não foram só os minutos que vi passar à minha frente, igualmente passaram espanhóis em direcção à baliza de Portugal. Muitos. E passavam com cada vez maior rapidez e frequência. Até que terminou a primeira parte do prolongamento. E, com 105 minutos de esforço, o único jogador fresco que o Bento tinha posto lá dentro era um tosco para substituir um cepo. O espectáculo não podia ser mais extravagante. Havia 6 ou 9 jogadores portugueses que se arrastavam pelo relvado já sem conseguirem suportar a camisola nos ombros, e o banco de suplentes continuava praticamente intacto a 1 metro de distância da lateral. Agora, sim, estava completamente banzo, porque de certeza absoluta, e com absoluta certeza, mais nenhum treinador do Mundo, nenhum treinador de nenhum mundo, teria sido capaz de um feito tremendo como aquele.

15 minutos para jogar. O melhor jogador da Real Madrid sem ter quem lhe passe uma bola e sem ter a quem passar as bolas. Espanhóis com total falta de respeito por um povo vizinho. Quem é que o Bento resolve meter a jogar? O Custódio. Tira o Veloso e mete um outro Veloso. Na meia-final de um Europeu. Com zero a zero. Com 15 minutos para jogar. O Bento que nunca ganhou campeonatos no Sporting, que era um maníaco da repetição ao serviço do futebol mais feio das últimas décadas em Alvalade, estava de volta ao Donbass Arena e fazia uma entrada estarrecedora. A substituição de Meireles por Varela, a 8 minutos das penalidades, fica como a coroa de glória de um homem alérgico à inteligência.

Varela, Hugo Viana e Quaresma, eis o trio que devia ter entrado para jogar com Moutinho, Nani e Ronaldo os 30 minutos do prolongamento. É tão básico que se fica envergonhado por ter de o dizer. Mas há que falar disto, há que lembrar Aljubarrota e explicar ao concidadão que a “táctica do quadrado” não consiste em entregar o poder a quem tenha todos os lados iguais.

Lembra-te

“Some people still develop a masochistic sense of honor about sleep deprivation. They even brag about how tired they are. Don’t be impressed. It’ll come back to bite them in the ass.”

This should be a no-brainer, but for all you workaholics out there: frequent all-nighters are a terrible idea! As much as you’d like to relive your undergrad years, too many sleepless nights will end in stubbornness, diminished morale, irritability, and worst of all, lack of creativity.

Fonte

Incompetência e manipulação

 

O relatório do governo sobre as fundações é um aborto. Pelas reacções dos reitores da Universidade do Porto e da Universidade de Lisboa à pontuação obtida pelas respectivas fundações, pode constatar-se o baixíssimo nível de qualidade da “avaliação” a que foram submetidas e os evidentes propósitos que presidiram a esta operação política do governo. Só nestes dois casos, há dúzias de erros grosseiros e de falhas incompreensíveis. A pontuação medíocre da Fundação Gulbenkian é um caso caricato de imbecilidade e analfabetismo governamental (os avaliadores nem sequer sabiam que era uma fundação privada, já tiveram que corrigir o relatório). Nem falo dos casos em que o sectarismo ou o preconceito ideológico foram o principal critério de avaliação.

Como um computador marado, o grupo de trabalho governamental distribuiu aleatoriamente às fundações universitárias mãos-cheias de pontuações ZERO incompreensíveis e anedóticas. Em carta aberta a Passos Coelho, o reitor da UL Sampaio da Nóvoa enumera os inúmeros dislates. Será que o novo presidente da Fundação Gulbenkian, Santos Silva, irá também reagir à “avaliação” que lhe cuspiram em cima, defendendo a imagem da sua casa, ou perdoará a inacreditável argolada a eventuais amigos do governo?

Como única atenuante, podemos imaginar que o grupo de trabalho do governo simplesmente não sabia o que estava a fazer. Estaria preparado, quando muito, para avaliar a subsidiodependência de um conjunto homogéneo de empresas, por exemplo do ramo agrícola, nunca para abordar uma realidade tão heteróclita como o universo das fundações. O relatório confunde, por exemplo, apoios ou subsídios financeiros do Estado às fundações universitárias com os valores referentes a projectos de investigação a que essas universidades se candidataram (e que ganharam) junto de entidades nacionais e estrangeiras. Pura ignorância, talvez, mas agravada pelo preconceito ideológico e pelo factor premeditação, pois o Crato já disse que quer acabar com as fundações universitárias. É o típico casamento da incompetência com a manipulação.

Perguntas simples

E aquela cena do super-espião que avisava Relvas sempre que Bush trincava um nacho ter andado a espiar Balsemão, já ’tá tudo resolvido? Voltaram todos a ser grandes amigos e agora até dá para pedir relatórios às secretas sobre a minha vizinha do 4º andar?

Palas

Há quem ache que ter um aeroporto perto de casa é uma coisa fantástica. Essas são as pessoas que terão provavelmente dificuldades em compreender os protestos dos habitantes de zonas vizinhas de aeroportos de muitas cidades europeias (muitas vezes sem razão, porque foram viver para lá já depois de construídos) e que já têm obrigado, entre outras coisas, a que os aviões dispersem as rotas de aterragem e descolagem, para que o incómodo seja igualitariamente repartido (às vezes desprezando os ventos), ou reduzam sistematicamente os motores mal atingem determinada altitude. Estas pessoas também terão dificuldade em compreender a razão por que se constroem aeroportos preferencialmente fora do perímetro das grandes cidades (mas nunca numa pérola periférica).

Depois há as pessoas que acham que é positivo ter o concelho que dirigem invadido por um aeroporto em cujas imediações nunca viverão. É o caso do atual presidente da Câmara de Sintra, que hoje escreve um artigo no Público em que aponta os constrangimentos ambientais das alternativas Montijo ou Alverca como fortes impeditivos ao estabelecimento do chamado aeroporto «+1» nessas localidades, ao contrário de Sintra, pasme-se. O problema dos dois outros locais serão as aves. Tem razão: apesar de descolarem de lá aviões há anos, as colisões com aves são sempre um perigo. Já as colisões com a serra de Sintra são muito menos perigosas. E as perdas de receitas correspondentes à perda do convidativo sossego também não constituem perigo algum, sobretudo para um presidente que pensa candidatar-se ao município de Lisboa.

Da base da Easy Jet, Ryan Air ou Vueling até à destruição dos paraísos de Cascais e Sintra será um instantinho.