Most teachers would agree that it is important that students remember much of what they read. Yet one of the most common sights on high school and college campuses across the land is that of students poring over textbooks, yellow marker in hand, highlighting pertinent passages — which often end up including most of the page. Later in the semester, to prepare for their exams, students hit the textbooks again, rereading the yellow blocks of text.
Studies have shown that highlighting and rereading text is among the least effective ways for students to remember the content of what they have read. A far better technique is for students to quiz themselves. In one study, students who read a text once and then tried to recall it on three occasions scored 50 percent higher on exams than students who read the text and then reread it three times. And yet many teachers persist in encouraging — or at least not discouraging — the techniques that science has proved to fall short.
It is also important that insights provided by a clearinghouse come from basic science. Many teachers, for instance, need to be disabused of the notions children have different “learning styles” and that boys’ brains are hardwired to be better at spatial tasks than girls’. This job of bringing accurate scientific information about thinking and learning to teachers might arguably fall to schools of education, states, districts and teachers’ professional organizations, but these institutions have shown little interest in the job. A neutral national review board would be the simplest and quickest answer to a problem that is a big obstacle to broad improvement across many schools.
Arquivo mensal: Agosto 2012
E se fosse só a CNN
Chorar
Nos 25 anos da sua morte, na eternidade da nossa vida
MIMOSA BOCA ERRANTE
Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.
Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados,
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?
Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.
Já sei a eternidade: é puro orgasmo.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Coisas que acontecem quando mais se espera
O bla-bla dos palermas
Diz o diretor do jornal i, juntando-se a outros do mesmo jaez que por aí abundam, que a posição que o PS assumir na votação do próximo orçamento de Estado é muito importante para a imagem externa do país. Logo, em seu douto entender, o maior partido da oposição deveria abster-se. “Negociada e racionalmente”, mas abster-se.
Ora, estamos muito fartos desta conversa da direita, que, aliás, só é verbalizada porque Seguro é o que é. É fácil ver nele hesitação, falta de coragem, calculismo burro e valorização despropositada da amizade pessoal com este inenarrável primeiro-ministro, no fundo, permeabilidade à chantagem. Mas o facto é que as opções erradas, o experimentalismo e o fundamentalismo do atual governo são fortemente responsáveis pelos desvios colossais nas contas públicas deste ano. Amanhem-se, pois, com o orçamento.
Mas o argumento de que o partido socialista tem a obrigação de se abster porque é responsável por boa parte da situação negativa da economia e das finanças públicas devido às opções erradas tomadas nos últimos anos é o exemplo máximo da demagogia e da desonestidade. Que responder a isto se não um sucinto e malcriado “vão à m…”? Pela enésima vez, que teriam feito as luminárias da direita, se estivessem no poder, para aparar o choque de 2008/2009, quando começaram a falir empresas em catadupa e não só aqui, em toda a Europa, ao ponto de ter sido acordado por todos os Estados-Membros que se adotassem medidas de estímulo à economia, nas quais se incluíam investimentos do Estado, muitos deles com a comparticipação da UE, nem mais, e se desrespeitassem os limites dos défices, o que forçosamente aumentaria a dívida pública, como aumentou em todos os Estados? Teriam abandonado o Conselho Europeu em protesto, desafiando a Merkel da altura, toda ela ajudas públicas e flexibilidade, por quererem aproveitar o ensejo para chamar os chineses, fechar o que não lhes interessasse e mandar embora quem estivesse a mais?
Não estava José Sócrates a controlar as contas antes do eclodir da crise financeira internacional? Estava. E como se sentiam as luminárias então? Roídas de inveja com a preocupação de rigor e contenção, com o dinamismo, a determinação e a visão de futuro do novo primeiro-ministro, decidindo até, em desespero de causa, começar a manchar-lhe a reputação e honra por meio de golpes sujos nunca vistos. Tenham vergonha.
A democracia não está suspensa na Europa. Muito pelo contrário. Basta olhar para a Alemanha e para o modo como as suas instituições e trâmites democráticos tantas vezes mantêm o resto da Europa em angustiante expectativa. Além disso, os socialistas não são o Bloco de Esquerda. O voto contra o orçamento não representa nenhum radicalismo nem ameaça de nenhuma revolução sangrenta. Representa apenas discordâncias de princípio e vontade de fazer melhor pelo país (pelo menos os elementos mais bem preparados e competentes que por lá existem). O jogo democrático, não mais do que isso. Acresce que o fim da especulação com os juros das dívidas soberanas, grande causa dos desastres financeiros de alguns, resolve-se, sem prejuízo do saneamento das contas nacionais, com a intervenção do BCE, não com a morte da economia. Alegar também que o aligeirar das condições de financiamento conduziria a um suposto “regabofe” é querer ignorar o que eram os PEC. O controlo e a transparência são agora (e já eram) regras comummente adotadas e concretizadas. Tarda, por isso, uma guerra aos palermas. Aqui, o meu humilde contributo. E o Seguro, se quer ter uma vida fácil e pacífica, pois que tenha e não empate.
Nunca se tinha visto um PM tão corajoso
Passos Coelho, no Pontal, anunciou que será ele a dar as más notícias que constarão no próximo Orçamento de Estado. Não é a primeira que o faz e o objectivo é claramente o de atacar os seus antecessores. Ou melhor, o seu antecessor, esse cobarde que mandava sempre recado por terceiros. Passos avisou ainda que o fará quando chegar o momento certo, dando a ideia de que as tais medidas ainda estavam a ser estudadas. Mas eis que nos dias seguintes as tais más notícias que nos deveriam ser dadas em primeiríssima mão pelo primeiro-ministro surgem na imprensa. Como é óbvio não é nada oficial, mas a coisa comenta-se um pouco por todo o lado, há entidades que reagem, enfim, o terreno vai-se preparando. Não correu propriamente como previsto, mas era também essa a intenção de Marcelo, no passado domingo, a de ser mais um a preparar-nos para o que aí vem. Ou seja, o que Passos disse, tecnicamente, não é mentira, oficialmente será ele a dar-nos as más notícias, mas a verdade é que quando o fizer não haverá ninguém, nem no País nem por essa Europa fora, que não saiba o que tem para dizer. E o Governo também saberá exactamente o que todos pensam do que vai ser anunciado.
Mas, atenção, quando chegar o dia, será preciso muita coragem!
Sim, por favor, vamos a ele
Em Março de 2011 isto estava muita mal, mas para alguns podia e devia ficar muito pior
Nas três reuniões que já tivemos com a troika, ficou evidente que os seus funcionários nada querem saber do que sofre este país e os seus trabalhadores, espoliados em salários, pensões e impostos para enriquecer o privilégio. A crise é mesmo a sua política. O nosso povo sabe por isso que a esquerda só conduzirá o país quando rejeitar o Memorando da troika, impuser o cancelamento da dívida abusiva e recuperar uma política esforçada de emprego. Temos por isso uma responsabilidade imensa, constituir uma alternativa de governo contra a bancarrota.
Coisas que têm o seu preço
Qual é, afinal, o legado de Louçã?
Louçã deixa a liderança do BE, mas sai tão puro como quando entrou. Isto da democracia é tudo muito bonito, mas o lugar dos puros é sempre o mesmo: o mais longe possível do poder e de todas as consequências que daí advêm. E, justiça lhe seja feita, tantos anos passados, Louçã nunca vacilou, nunca o vimos tentado a experimentar o outro lado da barricada. Sai, portanto, com a certeza de ninguém o poder comparar com Passos, por exemplo. Ou, muito pior, com Sócrates! Embora muitos digam que Passos e Sócrates são iguaizinhos, farinha do mesmo saco, o centrão, etc., para a esquerda pura, Sócrates foi muito pior. Se assim não fosse não se teriam dado a tanto trabalho para substituir um pelo outro. Pior porque não se admite a um governante que se diz socialista que não crie emprego e riqueza para todos permanentemente, que feche escolas e hospitais, mesmo que tal traga vantagens, que aumente impostos, e todas as outras malfeitorias que todos os governantes, sobretudo os que se dizem socialistas, acabam por fazer, independentemente de quaisquer circunstâncias que a isso obriguem. Um governo que se diga de esquerda tem de manter a economia sempre em alta, se assim não for é porque é de direita e tem de ser substituído, ponto final. Nesse sentido, é pena que Louçã saia sem nunca nos ter mostrado, na prática, o que é um verdadeiro governo de esquerda. Bom, nem na prática nem na teoria. Afinal, apesar de ter fama de ser um brilhante economista, e de nos últimos anos a economia ter passado a dominar a política, nunca se viu um programa eleitoral com pés e cabeça apresentado pelo Bloco. Nem isso deixou. Deixa, isso sim, graças à sua magnífica estratégia, um partido reduzido a metade. E deixa também umas ideias muito inovadoras acerca do que deve ser a liderança de um partido no séc. XXI, mas que por lapso e por não ter reparado que o séc. XXI já começou há uma dúzia de anos, nunca pôs em prática. Ah, e deixa saudades, muitas.
Cavalos cansados
O inacreditável engano de Marcelo, ao atribuir ao Governo PS a decisão de cortar metade do subsídio de Natal em 2011, é espectacular por se tratar de assunto tão recente e tão glosado. Foi Sócrates quem avisou que uma vitória do PSD nas legislativas levaria a saques desse calibre, foi Passos quem jurou que tal alerta não passava de um disparate, foi o Governo PSD quem invocou um colossal buraco nas contas que nunca ninguém chegou a perceber para o justificar, foi Gaspar quem reconheceu que o corte foi uma tonteira face à obtenção de receitas com a transferência do fundo de pensões da banca em 2011, foi qualquer um que o quisesse ver que viu a dimensão das mentiras da campanha eleitoral do PSD e a incompetência do Executivo numa altura especialmente crítica para o País.
Para agravar, e mesmo alarmar, o discurso de Marcelo não foi de improviso. Ele preparou com alguma antecedência a sua rábula, fosse apenas na hora anterior a ter entrado no estúdio ou ao longo da semana. Foi assim que chegou ao sound bite da “fórmula Sócrates” que lhe serviu para um exercício de pura desonestidade intelectual. Temos de agradecer à Judite e ao seu entorpecimento cognitivo ou deontológico não o ter interrompido mais cedo pois assim pudemos ser testemunhas de uma involuntária experiência laboratorial: Marcelo expôs o modus faciendi que rege as suas intervenções públicas, neste caso antecipando que Passos vai mesmo escolher o corte de um subsídio em 2013 que atingirá todos por igual e começando já a espalhar que o culpado é Sócrates, o qual pelo seu delirado precedente validado pelo Tribunal Constitucional obrigaria o pobre Passos a abdicar de alternativas muito mais justas e menos penosas.
Marcelo não estava a mentir quanto aos factos, atente-se; estava genuinamente convencido da história que contava e onde pela enésima vez gozava com o pagode, por isso ficou completamente perdido quando a Judite lhe sugeriu que ele podia estar a sonhar acordado. A sua expressão facial foi tão patética que desperta a comiseração. Eis alguém a precisar de ajuda. Talvez essa seja a explicação para o completo apagamento do sucedido na imprensa, a qual enigmaticamente não relata o episódio. Mas Marcelo não teve na sua paixão socrática o único momento de fragilidade intelectual. Também ao referir-se a Louçã como futuro candidato presidencial foi crua a manipulação: para Marcelo, ter Louçã numa corrida presidencial é óptimo pois fragmenta a esquerda e favorece o candidato da direita – quiçá, o próprio. Ora, ninguém dá um chavo para a presença do Anacleto numa corrida presidencial, onde estaria condenado a uma derrota humilhante para a sua megalomania. Já a ida para o Parlamento Europeu é o que parece beneficiar o BE em todas as frentes, com o bónus de permitir a Louçã afastar-se o suficiente para dizer que não estorva a nova liderança, e, ao mesmo tempo, ter espaço de manobra para intervir na política nacional sempre que lhe apeteça, coisa de que ele precisa para conviver em paz com os seus cada vez mais notórios traços paranóicos.
Em suma, estamos a assistir em directo à decadência de figuras que têm condicionado o espaço público e o regime ao longo de décadas. Elas agarram-se firmemente aos privilégios adquiridos e não querem abandonar o poder nem sequer quando o mero bom senso a tal aconselharia na forma de uma evidência. A continuada presença de Marcelo como artista de vaudeville político pode dizer muito a seu respeito, sejam as capacidades enquanto comunicador ou analista, mas diz muito mais de nós. Comemos o que nos põem na mesa e aplaudimos famintos ou apáticos a chegada da sopa dos cavalos cansados.
O povo vai reconhecendo que o BE tem razão, mais mil anos e tomam conta disto
Porque tem essa coerência, o Bloco está hoje mais forte na opinião pública. Notaste que todas as sondagens do último ano nos vão indicando subidas do apoio popular e que em duas delas já ultrapassamos mesmo o CDS. O povo vai reconhecendo, na vida angustiante que a austeridade impõe, que temos razão ao rejeitar a devastação da troika, a ganância financeira e a estratégia do empobrecimento e do desemprego. Estamos por isso mais capazes de responder aos agiotas e ao governo das direitas.
Irmãos, amemo-nos, mas só de há um ano para cá
Recomendo vivamente a crónica do devoto João César das Neves hoje no DN. Decidirão se hão-de rir, suspirar ou, na ausência de uma mangueira, ir tomar duche. O postulado é o seguinte: nesta como noutras crises, há que conhecer os que apelidamos de “maus” ou inimigos. Veremos que são pessoas como nós. Dito assim, isto é bonito. «A maior parte acusa os políticos, os corredores do poder, salas de ministérios, gabinetes do Parlamento. Lá estão os manipuladores emproados que roubam o povo e destroem a liberdade.» Errado, para César das Neves, mas só agora. No entanto, ficamos rapidamente a saber que César das Neves tem também em mente as acusações aos especuladores financeiros, aos gestores bancários, à China, ao clube de Bilderberg, enfim, aos mais óbvios inocentes no meio do retrocesso económico e social a que assistimos no mundo ocidental. Mas trata-se, para César, de teorias da conspiração. Tais entidades não existem enquanto tal.
Ora é pena que haja quem assim descreia, porque, de facto, (digo eu) os interesses de uns ou outros não são necessariamente os interesses do grosso dos cidadãos comuns nem dos povos dos diferentes países, pelo que será, sim, a todos os títulos útil conhecer as razões, os objetivos, os instrumentos ou as armas de que cada grupo se mune para prosseguir os seus intentos ou políticas, nos quais se incluem a ganância pura, o prazer do jogo, o desafio das regras, o abuso ou a manutenção de poder ou simplesmente o aproveitamento de oportunidades. O colunista é, porém, mais cristão do que isso e também mais cego – neste mundo, para ele, não há colisões de interesses. Há apenas pessoas. Pede então César que se olhe para o nosso ódio de estimação, qualquer que ele seja. Nas suas palavras: «Apesar da propaganda cinematográfica, na vida real esses seres míticos (monstros, zombies, extraterrestres ou psicopatas (mas, dr. Neves, estes existem) não existem. Só cá estamos nós. No local de todos os males há apenas gente. Pessoas que tiveram pai e mãe, que amam, sofrem, têm sonhos, desilusões, medos e alegrias. Todo o mal do mundo é feito por gente.» Ah, se há um ano o espírito cristão não tivesse excluído o primeiro-ministro de então! Bom, mas há mal, ele, pecador, se confessa.
«Este é o ponto central do exercício: ver o inimigo como uma pessoa. Vê-lo como próximo. Alguém como eu, que olha as coisas de forma diferente da minha. Às vezes, é preciso dizer, sou eu mesmo. De facto, ao definir a causa suprema do mal, muitos incluem aí gente como nós. Árabes e chineses acusam os ocidentais e vice-versa, como patrões e sindicatos, alunos e professores, clientes e lojistas se vêem mutuamente como culpados. Ora no banco dos réus as acusações parecem bem diferentes.
Mas se são gente, como podem fazer as coisas horríveis de que os acusamos? Como podem ser tão sedentos de dinheiro e poder? Tão obcecados pelo lucro e glória? Tão insensíveis ao mal alheio, miséria, injustiça? Como podem ser como são? Há várias respostas para a questão, todas educativas.
A explicação simples é que, afinal, não sejam como eu os vejo, e a minha acusação seja falsa. O mundo é muito mais complexo que as minhas teorias. As certezas que obtive por extrapolação linear, e que acabam na acusação taxativa, estão bastante longe da verdade. Ver o ponto de vista do inimigo ajuda a perceber isso. Nesse caso eu terei de abandonar o que me é mais querido, o meu ódio de estimação.
O ódio é sempre mau conselheiro. Mesmo quando tem razão. Por muito simplista que a minha teoria seja, ela tem sempre um grão de verdade. Conhecemos casos de pessoas sedentas, obcecadas, insensíveis. Afinal os seres humanos podem ser horríveis. Eu sei, porque o sou há muitos anos. Os homens são capazes do melhor e do pior. Como eu.»
Pese embora o espírito reprovador e bondoso que perpassa nestas linhas no que respeita à irracionalidade dos ódios centrados em determinadas pessoas, que afinal são humanas como nós, a tese, no que concerne aos interesses de grupos de humanos bem precisos e organizados na sociedade, é totalmente ingénua, disparatada e sobretudo repudiável por convidar à resignação (tão cristã) e ao imobilismo. Quem assim pensa quer que concluamos que, no fundo, toda a gente é boa, toda a gente ama (Hitler, Estaline ou Idi Amin Dada amavam seguramente) e que a vida é mesmo assim, temos que nos conformar. Lembramo-nos, decerto, de quem nos contava essa história, convocando Morfeu.
João César da Neves, fique com a água benta. Vou dar um mergulho.
A fórmula Sócrates
Pode ser que o homem não esteja bem – e, se for o caso, votos de rápidas e completas melhoras. Mas também pode ser a monumental calinada de um soberbo fanático. A distorção mnésica de uma pulsão persecutória que saliva de gozo nas campanhas de assassinato de carácter em que é exímio artista. Recorde-se alguns exemplos do que ele já foi capaz de bolçar:
Para o professor, a atitude do primeiro-ministro em avançar para um PEC4 sem «um telefonema» ao Presidente da República ou aos partidos da oposição foi uma «forma infantil» de Sócrates reagir aos recados do discurso da tomada de posse.
O comentador político diz que José Sócrates tem “mentido sistematicamente”, ora socorrendo-se de mentiras “piedosas”, ora pelo impulso de “falsas convicções”.
Sócrates é o que se chama o “chico esperto” Fez um curso mais facilmente que o comum dos mortais e na casa comprou a mesma casa que os outros compraram mais cara, mais barata.
Sócrates é daqueles cães que filam as canelas.
Que diriam os direitolas raivosos se existisse um político do PS que tivesse este protagonismo exclusivo de Marcelo? Provavelmente, iriam viver para tendas de campismo à porta da Assembleia da República tamanha a asfixia que sentiriam, coitaditos. Pois esta super-vedeta da política-espectáculo está desde os anos 70 ao serviço da oligarquia e tem um tempo de antena permanente para trabalhar na defesa dos interesses do PSD e CDS sem qualquer contraditório. Para além disso, é um chungoso de Cascais, daqueles que passam o tempo na calhandrice, tendo insultado e ofendido Sócrates de todas as formas que a legalidade lho permitiu. Ao longo dos últimos anos, contribuiu feérico para empestar o espaço público com ataques difamatórios e caluniosos.
Repare-se no modo como reconhece ter-se enganado. Continua a malhar em Sócrates. E, de repente, o corte do subsídio de Natal para todos, que meia hora antes era um gamanço injusto, passa a ser uma medida que já não considera errada. O que nos leva para a fórmula Sócrates, de facto. Só que vamos ter de esperar. Esperar que alguém estude o efeito de Sócrates na sociedade portuguesa, investigando as paixões com que foi e é atacado por tantos e a timidez, ou até receio, com que foi defendido por tão poucos. Os ataques unem direita e esquerda, classe alta e pobretanas, cromos da academia e imprensa aos alienados e analfabrutos. Em comum, o frenesim moralista, a alergia à inteligência, o ódio como alimento e destino.
Sim, a fórmula Sócrates tem sido a nossa desgraça.
Revolution through evolution
Acceptance of Body Type Empowers Women, Study Finds
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Work Has More Benefits Than Just a Paycheck for Moms: Working Moms Are Healthier Than Stay-At-Home Moms
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Reclaiming the sacred gift: A postscript on humanities and science
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Organisms Cope With Environmental Uncertainty by Guessing the Future
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Secrets of ‘SuperAger’ Brains: Elderly Super-Agers Have Brains That Look and Act Decades Younger Than Their Age
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Feedback Can Have a Negative Impact On Performance
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Overconfidence Helps People Climb Social Ladder
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Why People Believe Conspiracy Theories
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Coffee good for you, but it’s OK to hold back
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Meditation Reduces Loneliness
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Interest in Arts Predicts Social Responsibility
A esquerda sou eu, diz ele
Discuti com cinco primeiros-ministros e disse-lhes do que é esta esquerda moderna e socialista. Discuti com candidatos a presidente e com adversários, como falei com amigos e aliados com quem temos tanto em comum. Gosto do confronto claro da esquerda contra a direita.
Neste tempo, publiquei onze livros de investigação científica ou de ensaio político ou histórico. Gosto do debate de ideias: escrevi o que pensava e fui à crítica.
[…]
Tu e eu fazemos parte de um movimento que luta para mudar a vida e o mundo. Engana-se dramaticamente quem nos confunde com um comité eleitoral: só constitui uma liderança para a esquerda e para o país quem estiver preparado para vitórias e derrotas, quem não se iludir com aquelas nem se amedrontar com estas. Um dirigente de esquerda nunca vira as costas.
O impossível é tão mais fixe!
Durante treze anos, dei tudo o que podia e sabia ao nosso movimento. Neste tempo, estive contigo nesse trabalho imenso de dar corpo a uma esquerda socialista, uma esquerda de valores e convicções. Estivemos na luta contra as guerras e na defesa da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social. Ajudámos o país a perceber a condenação que é a precariedade dos jovens. Estivemos em movimento. Fomos à luta. Gostei do que fizemos. Neste tempo, fiz mais de um milhão de quilómetros pelas estradas de tantas campanhas, comícios e reuniões. Encontrámo-nos lá. Provámos que se consegue o impossível.
Exactissimamente
Vemo-nos em Fátima. Ou em Évora Monte.
Viu a luz? Creio que não.
“Os desastres de 1834 (…)” – 1834? mas qual desastre de 1834? mas que horrendo Apocalipse considera o imperial César se terá passado em 1834?
Das duas uma: estará a referir-se à assinatura da Convenção de Évora Monte, onde lacaios do comunismo-ainda-por-nascer, esse bacocos que se batalhavam por ideais fraudulentos e despesistas forçaram Sua Real Majestade D. Miguel I, Rey de Portugal, dos Algarves e de Além-mar, a assinar, contra a vontade de Deus nosso-senhor, um pedaço de papel demoníaco, em que abdicava dos seus salvadores projectos absolutistas para a pátria e pró ‘sereno’ povo?
Ou estará o ártico das Neves referindo-se à socrática D. Maria II, brasuca de nascença (oh impura Bragança!), que, ao chegar ao fanado trono real nesse mesmo ano, decidiu, com um blasfemo desplante, renegar a magna e legítissima dívida contraída por seu nobre tio e ex-noivo junto de banqueiros da Santa Aliança com o intuito de custear a defesa da honra e pureza do rei de poder absoluto incontestável na guerra contra os fanáticos liberalistas?
Deduzindo que estamos a falar do segundo (estou de bom humor), S. João César, tutor na Apostólica Católica Romana Escola de Lisboa, acha mesmo correcto comparar tal momento do luso passado com o de 1890 (Ultimato Inglês) e 1926 (golpe de 28 de Maio), equiparando-os na escala de ‘desastres’? Pegar na história recente de Portugal, mandar uns pontos altos da wikipédia ao ar, e concluir que “não são azares externos, mas efeito directo das soluções milagrosas da elite, que depois compõe uma magna falsificação histórica para se desculpar e acusar os adversários”? Eu até assinava por baixo esta (tímida) declaração, não fosse o autor um ilustre membro dessa mesma elite, a que falsifica história (case & point), que turva o presente com o intuito de se desculpar a si e aos seus e, como corolário, crucifica os que lhe fazem oposição com o pensamento.
Ao Caro Dom Neves, proponho que se entusiasme menos com cada livrito que lhe apareça à frente a dizer menos mal da Inquisição numa caixa do Pingo Doce perto de si e pegue na sua sofistica conclusão e comece por aplicá-la à sua douta pessoa, como um mantra (credo, mil perdões, como um ‘salmo’) no qual poderia melhor desenvolver o seu enferrujado e beato raciocínio.
Deduzo que não o fará. Vemo-nos em Fátima. Ou em Évora Monte.
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Oferta do nosso amigo David Crisóstomo

