Thank God for Auto-tune. Altamente recomendado também a Ana Drago.
(via @bossito)
A falta de declarações de interesses da parte dos orgãos noticiosos nacionais e muitos internacionais, continua a vender gato por lebre aos leitores/ouvintes/espectadores menos informados ou mais distraídos, levando a que estes tomem opções erradas em momentos importantes.
A mim, por exemplo, causa-me uma estranheza tremenda ver que os privados andam à pancada para usufruir da propriedade de uma data de coisas, que andam para aí uns senhores a dizer quer não servem para nada a não ser delapidar o erário público!
Estranho ver interessados na aquisição dos estaleiros de Viana do Castelo que segundo o governo só dão prejuízo! Da RTP está a falar-se mas não há ninguém a dizer porque é que dá prejuízo, apenas vão apontando defeitos e malandrices como se isso fosse o essencial. A TAP é outra das historinhas da carochinha mal contada e que ninguém está verdadeiramente interessado em discutir a começar pela comissão europeia.
Talvez fosse interesssante saber porque raio é que os partidos da oposição em vez de falarem em generalidades não atiram com números para cima da mesa, questionam as decisões baseando-as em estudos acessíveis ao comum dos portugueses, distribuem panfletos sobre o assunto ou aproveitam as raras abébias que a CS lhes dá para expressarem o seu desagrado fundamentado, em vez de andarem a brincar às festas, comícios, encontros e outras atividades lúdicas que servem para entreter e passear os militantes, mas de pouco efeito no interesse nacional.
Living on the streets, but at home on Twitter
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Já falta pouco tempo para vermos e ouvirmos Marcelo a deitar abaixo o plano de Sócrates para entregar uma RTP sem gorduras de serviço público ao Correio da Manhã ou a uns amigos angolanos, mas continuando a ser paga pelo contribuinte. Está quase, ele até esgalhou um nome todo nice para a operação: “A tele-fórmula Sócrates”
A linguagem pouco polida, vulgar e popularucha utilizada por Passos Coelho, o inenarrável primeiro-ministro que leva a família a passar férias para a Manta Rota ao volante de um Opel Corsa para mostrar que é do povo, obrigando-nos a pagar para isso a “n” guarda-costas – joga na perfeição com o também inenarrável Correio da Manhã, cada vez mais o jornal do Governo para as massas iletradas que se pretende se mantenham como tal, não vá a educação abrir-lhes a pestana (Nuno Crato está de serviço a essa frente).
Mal estalou a polémica com as declarações de António Borges sobre a concessão do serviço público de rádio e televisão nas delirantes condições conhecidas, começaram a ser publicadas nesse jornal notícias sobre os gastos da RTP – ontem eram três mil e tal milhões desde 2003 (porque não 1958, ó Otávio Ribeiro, isso é que era um número de arromba!), hoje são os automóveis de luxo que a empresa possui, amanhã será talvez o ordenado da Catarina ou do José Rodrigues dos Santos. A estratégia não é nova. É baixa, é suja, revela a promiscuidade total entre o Governo e a comunicação social (no caso deste jornal levada ao extremo), mas, dirigida a quem embarca em populismos e demagogias por não ter tempo nem cultura nem conhecimentos para olhar melhor para os assuntos, funciona. Resta saber se as reações de outros quadrantes da sociedade ainda conseguem travar tal enormidade que consiste na atribuição graciosa, e com lucro garantido, de um canal de televisão histórico e respetivo património e “know-how” aos amigos.
O Correio da Manhã é uma espécie de Professor Marcelo. Tem uma apresentação simpática, colorida, notícias curtas, fáceis de ler, muitas imagens e uma cobertura inigualável dos casos sociais – assaltos, crimes, roubos, violações, tudo aqueles jornalistas conhecem e até se diria que têm um canal privilegiado de comunicação com as polícias. O pior é o basismo, o imediatismo e a superficialidade aplicados às questões políticas. E, em sintonia com o Governo, como Marcelo, a manipulação com determinados fins.
Quem nos idos de 2008 inventou uma “claustrofobia democrática” por alguém ter querido combater, ao sentir-se a primeira das vítimas, a verdadeira asfixia que já então se desenhava e agora plenamente se confirma mais não são do que os manipuladores mais impiedosos das mentes incautas em prol da divisão do por eles denominado pote. Prova-se assim que nem o controlo quase completo dos jornais lhes basta. As televisões e as rádios têm que vir a seguir.
Não sei o que anda a fazer o PS no meio disto tudo. Andará a debater-se com a bicuda questão da aprovação do próximo orçamento destas criaturas ou andará a estudar metodicamente, no meio da hecatombe, o programa para 2015, como referiu anteontem um dos membros da sua direção?
O conhecimento da desgraça humana é difícil para o rico, o poderoso, porque o mesmo é quase invencivelmente levado a crer que é alguma coisa. É igualmente difícil para o desgraçado porque o mesmo é quase invencivelmente levado a crer que o rico, o poderoso, é alguma coisa.
in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil
Ahmad Kavousian nasceu no Irão em 1948. Tem-se notabilizado pelas suas fotografias de pessoas que vivem na rua, na miséria. Desde 2010 reside em Lisboa, casado com uma portuguesa. Para o conhecer melhor: website e facebook
Esta foto que escolhi não teria merecido o meu interesse não fora o seu título: “Mr. T”. Quem será? Onde estará? Que histórias tem para contar? E será o único Mr. T que existe, ou o único que se deixa fotografar? What’s in a name?
A. O ministro da Solidariedade e Segurança Social garantiu ontem que os benefícios atribuídos aos elementos de um gang violento – nomeadamente o Rendimento Social de Inserção (RSI) – vão ser suspensos. Seis dos oito elementos do grupo – suspeito de 54 assaltos, de Norte a Sul do País, à mão armada, só este ano – ficaram em prisão preventiva. Um saiu em liberdade, com apresentações, e outro nem foi presente a tribunal por ter apenas 15 anos e não poder ser julgado criminalmente. O grupo, recorde-se, roubou mais de 500 mil euros, mas todos continuavam a beneficiar do RSI.
B. O ministro das Finanças garantiu ontem que os benefícios fiscais até agora atribuídos aos elementos de uma rede de fraude e evasão fiscal, facturas falsas e branqueamento de capitais vão ser suspensos e exigido o pagamento dos impostos devidos e a devolução dos benefícios ilegalmente auferidos no passado. Um dos oito elementos do grupo – suspeito de 54 crimes económicos e financeiros – ficou em prisão preventiva. Seis saíram em liberdade, com apresentações, e outro nem foi presente a tribunal por ter imunidade diplomática. O grupo, recorde-se, apropriou-se indevidamente de mais de 50 milhões euros, mas todos continuavam a beneficiar de benefícios fiscais.
Continuar a lerQual destas duas notícias foi hoje publicada?
José Sócrates afirmou que o acordo não prevê despedimentos nem cortes nos salários da função pública.
“O acordo que o Governo conseguiu não mexe no 13º mês, nem no 14º mês, nem os substitui por nenhum título de poupança. Não mexe no 13º mês, nem no 14º mês dos reformados”, assegurou.
O chefe do Governo anunciou ainda que não haverá mais cortes nos salários da função pública, nem redução do salário mínimo nacional. E garantiu que o acordo alcançado com a “troika” europeia prevê expressamente o aumento das pensões mínimas, sendo apenas previsíveis alterações nas pensões que têm um valor superior a 1500 euros.
“Depois de tantas notícias especulativas publicadas pela imprensa, o meu primeiro dever é tranquilizar os portugueses”, disse, antes de se referir à evolução das pensões nos próximos anos.
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O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais “medidas penalizadoras para os portugueses” do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objetivos.
Eduardo Catroga afirmou ainda que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV. Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma “grande vitória” dos sociais-democratas.
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Isto não custa a entender. A partir do momento em que o PS aceitava formar um Governo minoritário, o PSD ficava dono do calendário para o seu derrube, sabendo-se que BE e PCP seriam cúmplices entusiasmados dessa futura golpada. Existiam dois eventos principais a condicionar a decisão: as eleições no PSD e as eleições presidenciais. Contudo, ganhasse quem ganhasse o PSD, o Governo socialista estaria fadado para cair a seguir à previsível reeleição de Cavaco. Até lá havia só que continuar a repetir que os problemas de Portugal não tinham qualquer relação com a crise mundial nem com a crise europeia, antes resultavam do carácter maligno de um homem e da irresponsabilidade e loucura de um partido. Esta estratégia, começada inorganicamente em meados de 2007 e assumida em pleno assim que a Manela ganha em 2008, foi uma batalha de vida ou de morte para a oligarquia. Nunca se tinha assistido, nos últimos 35 anos, a tanto ódio e a tanta violência institucional ao serviço de agendas políticas.
Quando ficou claro que a Alemanha não iria resolver o problema das dívidas soberanas na Zona Euro através dos mecanismos europeus, antes aproveitando a ocasião para forçar uma reestruturação económica nos países sob pressão dos mercados, algumas vozes alertaram para o tremendo erro que seria imitar a Grécia e a Irlanda. Especialmente no caso da Grécia, nos princípios de 2011 já era claro que a troika não era parte da solução, antes parte de um novo e maior problema. Contudo, para a direita portuguesa a ocasião era imperdível: ver o FMI a aterrar na Portela seria o cenário ideal para uma vitória eleitoral, para um ataque radical ao Estado Social a coberto da situação de emergência e ainda para uma vingança sobre um adversário que sentiram e trataram como inimigo figadal. Uma das vozes que deixou preto no branco o que estava em causa foi precisamente a de Sócrates, o tal super-mentiroso, o tal que estava ao serviço dos interesses do grande capital.
Como as citações acima recordam, os portugueses foram votar em 5 de Junho de 2011 depois de ouvirem durante meses promessas inequívocas a respeito das intenções do PSD. Eram elas as de evitar mais sacrifícios, pedido solene de Sua Excelência o Presidente da República aquando do comício da tomada de posse. A economia seria finalmente libertada, a credibilidade do País recuperada, as gorduras abatidas. Passos comandaria a revolução com a sua sobre-humana apetência para dizer a verdade aos indígenas. Os alertas dos mentirosos dos socialistas não passavam de disparates. Até os mercados bateriam palmas de felicidade quando fossem à janela e vissem um imenso laranjal neste jardim à beira-mar abandalhado e em breve nos estariam a pedir para receber o seu dinheiro praticamente a custo zero.
À luz do que revelam as sondagens e o estado da oposição, contar e recontar esta história – onde aqueles que reduziam a política à acusação de os outros estarem a mentir foram os que mais nos enganaram e traíram – pode ser uma inutilidade. Todavia, mais vale ocupar o nosso tempo com inutilidades do que ocuparmos o nosso espaço como inúteis.
O desaparecimento de Relvas só é igualado pelo silenciamento de Seguro. O Governo falha a política económica e financeira ao ponto de já não ir atingir o acordado com os credores, o Governo falha as políticas de emprego ao ponto de não ter qualquer solução para apresentar, o Governo mostra-se desgovernado na gestão da sua comunicação política ao ponto de transparecer um ambiente caótico na coligação – e nem Relvas dá explicações nem Seguro as pede.
Estarão de férias juntos?
Leem-se no Jornal de Negócios duas notícias que despertam, no mínimo, perplexidade. Uma diz que António Borges, o ministro privado deste governo pago por dinheiros públicos, depois de se debruçar sobre o assunto, concluiu que a concessão a um privado do serviço público de televisão e rádio e o encerramento da RTP2 são a melhor “solução” para o sorvedouro de dinheiros públicos que estes serviços representam (uns “escandalosos” 80 milhões anuais, contas feitas, e sem ter em conta eventuais futuras poupanças, sempre possíveis). Ora, prevendo-se, nessa solução, a transferência para o concessionário dos 140 milhões provenientes da contribuição audiovisual incluída na fatura da eletricidade e não arrecadando o Estado qualquer receita com a venda do serviço, uma vez que não há venda, qual o interesse desta solução para os cofres do Estado, já que parece ser disso que se trata, face à manutenção de uma estação pública com programação de qualidade e garante da nossa identidade (não só o canal nacional, mas também a RTP Internacional é importante e nada impede que a sua programação seja melhorada)? E qual o fundamento para que o Estado não pague também aos outros canais privados o serviço público que, em menor ou maior grau, também é por eles assegurado, tantas vezes bem (sobretudo no cabo)? Para já não falar nas implicações da definição exata de serviço público.
Ao mesmo tempo, lê-se numa segunda notícia sobre o mesmo tema que do gabinete de Miguel Relvas mandam dizer que a proposta é “um modelo interessante”. Como se Borges fosse um comentador totalmente alheio ao governo que decidiu ir ontem à TVI porque lhe apeteceu e achou giro e como se a sua genial ideia nunca tivesse sido sequer mencionada nos telefonemas ou reuniões que seguramente deveriam ter. Ou não têm? Mas afinal que bandalheira é esta?
Para manobra de diversão, o tema é demasiado sério, mas de facto equivalente ao desvio monumental na execução orçamental.
É de uma imaculada justiça que seja o PSD a destruir a RTP; e, particularmente, que tal incivilidade fique com a assinatura de Passos e Relvas. Passos é o fulano que por ter feito carreira num partido e num grupo de empresas de um poderoso militante desse mesmo partido se acha no direito de castigar os piegas que lhe estragam a paisagem nacional agora que está no topo da cadeia alimentar. Relvas é o exemplo maior do que a asneira e o ridículo permitem alcançar na vida política portuguesa. Não podia haver mais representativa dupla da decadência da direita partidária para este acto de lesa-pátria.
A RTP, em especial o Canal 2, tem prestado um inestimável serviço à cultura, memória e identidade da comunidade onde somos. Com o desaparecimento desta fonte produtora e agregadora de histórias, reais e fictícias, é a História de Portugal que perde um dos seus mais valiosos cronistas. Os mesmos que tudo fizeram para afundar o País na ganância de irem ao pote só descansarão quando lhe partirem a forma.

Rio Grande_John Ford
Cinéfilos há que dizem ser este o filme mais débil da “Trilogia da Cavalaria” – o último depois de Fort Apache e She Wore a Yellow Ribbon – por ter sido concebido a mando do big boss do estúdio e como moeda de troca para Ford conseguir ir à Irlanda produzir The Quiet Man. Herbert Yates, presidente da Republic Pictures, queria primeiro lançar uma coboiada que lhe garantisse os cobres suficientes para colmatar o buraco financeiro antecipado no lirismo telúrico que Ford insistia em mostrar ao mundo. Nesse espírito, este western teria sido feito a despachar, de facto tendo demorado pouco mais de um mês a filmar e havendo testemunhos que dão conta de um ambiente de grande à-vontade entre as equipas de produção e os actores. Seria como um projecto de férias, enquanto não chegava o trabalho a sério. Também criticam a opção pelo preto-e-branco, que consideram ter empobrecido a obra, e chegam ao ponto de explicar a inabitual quantidade de momentos musicais como um recurso dos argumentistas face à obrigação de encher o chouriço e já não haver mais nada para contar nem cabeça para o inventar.
Espectadores há que dizem ser este filme uma asquerosa exibição do catolicismo, militarismo e xenofobia de um americano reaccionário. Ligam-no ao começo da guerra na Coreia, interpretando a perseguição aos índios para além do Rio Grande, assim entrando no México, como a manifestação do desejo de perseguir os norte-coreanos até à China e tratar do pêlo aos amarelos todos. Lembram que foi a partir desta altura que John Wayne se tornou num ícone da direita conservadora norte-americana, tendo alinhado militantemente em campanhas anti-comunistas. Apontam o modo caricatural e nefando como os nativos são apresentados, pintando-os criminosos sanguinários, bandidos inumanos. Chamam a atenção para a perversidade daquela cena onde as crianças brancas estão refugiadas numa igreja católica e os índios embriagados preparam-se para as ir buscar, molestar e matar. Nessa cena, ai que cena, dois bravíssimos soldados da Cavalaria matam indígenas à fartazana a partir de uma abertura em forma de cruz na porta do templo enquanto uma menina loirinha badala o sino como se não houvesse amanhã nem hora de almoço. Afirmam que estamos perante uma alegoria à prova de estúpidos: a cruz cuspindo chumbo na direcção dos infiéis.
Quando se percorre a escala de génios que nos governam começando cá em baixo no Relvas, em ex aequo com o Passos, tem sido comum o convencimento de que tal escala, a culminar em alguém, culminaria no Gaspar, em princípio o mais distante da genial parelha, o “Dó” final . Se seria o mais competente, o único competente ou o menos incompetente é cada vez mais um pormenor irrelevante. Competência é palavra que definitivamnente não se lhe aplica.
O novo buraco de 3000 milhões de euros nas receitas é, além de trágico, um erro colossal nas suas previsões. A escala de génios tende assim, cada vez mais, para uma escada – mas deitada. Tudo ao mesmo nível. Que dó.
Quase 10 milhões de euros no lixo
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Esta notícia do Correio da Manhã está intencionalmente redigida para instigar um sentimento de revolta no leitor face ao custo de uma decisão tomada no âmbito da protecção médica à população. O título faz a súmula moral que se pretende espalhar, o corpo do texto demonstra a veracidade da acusação. O estilo é sensacionalista, o público a que se dirige ignorante.
O que tem interesse constatar não é a viabilidade comercial de um jornal que depende da miséria cultural e cívica da sociedade onde se vende. Não, isso terá apenas interesse académico ou trivial. O que releva antes e acima de tudo é a instrumentalização desse formato adentro de um projecto político preciso. O jornal dirigido por Octávio Ribeiro tem sido uma arma contra o PS e a favor do PSD, contra a esquerda democrática e a favor da direita oligárquica. É nesse território que o permanente alimento populista onde se exibe o sórdido, o patológico e o devasso como norma se ilumina na sua eficácia: pão e circo. Ao confirmar diariamente a insalubridade do regime, desde que tomado pelos socialistas, e a selvajaria da comunidade, o jornal pede ao leitor para se afastar da vida política e cívica, faz o apelo mudo para que se barrique nas suas esferas mais concêntricas e assuma que o medo e a raiva, o ódio e o pânico, são as respostas indicadas perante o mundo retratado pelo Correio da Manhã e multiplicado no psicodrama da rua.
Esta notícia da destruição das vacinas que não foram necessárias é apenas mais uma de um caudal que procura a permanente erosão do bom nome de certos grupos e pessoas. Que haja forças políticas que promovam e explorem estas estratégias eis algo para o qual a única vacina conhecida é a da inteligência.
A Grécia demonstrou exatamente a que conduz a estratégia da destruição do Estado Social e porque é necessário um governo de esquerda. Mas demonstrou ainda que, no nosso tempo, a social-democracia é uma agência financeira, que o diretório da União Europeia se está a construir contra a Europa e que é necessária uma nova resposta social contra o fanatismo liberal. Esse é caminho do Syriza, o da coerência e da vitória. Para constituir uma liderança para Portugal, a esquerda precisa de ser socialista e de conduzir a luta da democracia e do trabalho contra o capital.
Start making something
What you do is what matters, not what you think or say or plan… Ideas are cheap and plentiful. The original pitch idea is such a small part of a business that it’s almost negligible. The real question in how well you execute.
Estrela Serrano fez uma reflexão sobre o apagamento na imprensa do episódio da grave falha de memória protagonizado por Marcelo no passado domingo – O silêncio nos media tradicionais quanto à gaffe de Marcelo – onde chega a dar um exemplo do contraste de critérios à volta deste caso, lembrando que o relevante DN noticiou um irrelevante erro numa transmissão do Euromilhões mas ficou calado perante o estampanço do Professor. Pois bem, há mais para dizer, continuando a usar o DN como magno barómetro da actual inexistência da imprensa em Portugal.
Foram estas as duas notícias que o jornal do Marcelino elaborou a respeito do sermão dominical na TVI:
“Passos quis elevar moral dos portugueses”
“Louçã pode voltar a ser candidato presidencial”
Os títulos correspondem a intenções valorativas da mensagem, realçando-se os pontos de vista políticos que interessam ao ponto de vista político do jornal. Mas o exercício da jornalista, Paula Sá, prolonga-se num esforço de extrema minúcia na composição, pois ela cortou qualquer referência ao diálogo entre Marcelo e Judite a respeito do erro, assim deixando imaculada a imagem da personagem. Porquê? Obviamente, porque estava em causa manter íntegra a autoridade do emissor que se amplificava, a qual seria irremediavelmente perdida caso a notícia relatasse o que aconteceu. Este tem de ser, seja qual for o âmbito da análise, um inquestionável acto de auto-censura.
Para percebermos até onde chega o grau de manipulação política na redacção do DN, veja-se o que foram capazes de noticiar hoje:
BBC anunciou calor e sol num fim-de-semana de chuva
Ora, bá lá ber: as anedotas a respeito dos erros nas previsões meteorológicas começaram mais ou menos ao mesmo tempo em que os seres humanos começaram a falar uns com os outros enquanto fatiavam calhaus, e continuam até hoje como matriz universal que une os povos no consolo de constatar que os carolas nem sequer no dia em que chove são capazes de acertar, mas o DN acha que deve informar os seus leitores quando um bife qualquer diz uns disparates a respeito da pluviosidade em terras de Sua Majestade. Nada contra, e, adaptando o Belmiro, quem quiser um DN melhorzinho que o pague. Só que tal linha editorial desperta uma brisa de curiosidade quando o mesmo jornal não noticia um episódio que atinge uma das figuras mais importantes na sociedade portuguesa, a qual manifestou uma fragilidade que poderá ser do foro clínico ou moral, ou de ambos, mas que inevitavelmente põe em causa a sua prestação nesse evento e, por inerência, o seu prestígio como influenciador.
O DN tem alguns dos mais talentosos e generosos jornalistas e colunistas da comunicação social profissional. Quando voltar a existir imprensa em Portugal, os Marcelos da nossa amnésia deixarão de ter a vidinha tão facilitada.