Parabéns ao Jornal de Negócios por ter conseguido fazer um bom resumo, o resumo possível, diga-se, da entrevista acelerada de Paulo Campos, ex-Secretário de Estado dos Transportes, a José Rodrigues dos Santos (JRS), no Telejornal de ontem. Não me é possível reproduzir aqui o vídeo, para quem não tenha visto. Mas, se conseguirem orientar-se na teia do site da RTP e vê-lo, poderão perceber a que me refiro. Acho lamentável que se convide Paulo Campos para se explicar em direto na televisão num dia em que o Tribunal de Contas o acusa de esconder 705 milhões de euros relativos às ex-SCUT e não se lhe dê o devido tempo e ambiente para expor os seus argumentos.
JRS tinha uma única pergunta na cabeça à qual queria que o entrevistado respondesse, e depressa, sim ou não. A ideia parecia ser que respondesse, já que lhe faziam esse favor de cinco minutos de antena, e se fosse embora. A pergunta era se sim ou não escondeu ou deu ordens para que se escondesse o dito montante do escrutínio do Tribunal de Contas. Para o jornalista, Paulo Campos deveria ter-se sentado, ouvido a pergunta, respondido sim, ou não, e, se a resposta fosse não, responder à última das duas perguntas previstas, a saber, “O Tribunal de Contas está errado?”, dar a resposta e ir-se embora. Claro que não podia ser assim.
Havendo que contextualizar o problema antes do «não» final, Paulo Campos começou por fazer isso mesmo. Porém, constantemente interrompido pelo jornalista, a muito custo se conseguia acompanhar a sua exposição. Ocorreu-me mesmo que se pudesse levantar e sair, em protesto. Optou pela paciência e pela boa educação e lá foi fazendo caminho por entre as pedradas. Mas só mesmo rebobinando o labirinto de raciocínios cortados e de insistências numa só tecla se pôde encontrar um fio para aquela meada. Culpa integral do jornalista, impaciente e desagradável desde o primeiro minuto.
Esta postura afigura-se tanto mais absurda quanto concluímos que afinal a pressa do jornalista não se justificava de todo. Qual era a pressa? Tinha uma hora, o que já de si é excessivo pelos padrões europeus, para dar notícias e convidar quem entendesse, mas, perante um assunto importante relacionado com as badaladas e vilipendiadas PPP, mantém o sistema, aqui sim, de via rápida, ou SCUT, que é habitualmente utilizado na primeira meia hora do Telejornal, a caminho da segunda, a verdadeiramente importante, quase exclusivamente dedicada ao futebol! (Porque não outros desportos, fica para crónica futura)