Homem mata ex-companheira grávida, fere pais da vítima e acaba com a sua vida
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Paul Krugman escreve hoje mais uma vez no New York Times contra a política europeia, desta feita a propósito do resgate dos bancos espanhóis. Não vou aqui traduzir o artigo, que pode ser lido na íntegra no NYT em linha, mas destaco mesmo assim alguns pontos.
1. Este resgate era de prever. Ele previu, toda a gente previu, nada se fez para evitá-lo, nada se fez muito antes para não se chegar a este ponto.
2. A preocupação com a solvência dos bancos obriga-os a vender ativos, que por isso mesmo desvalorizam, o que levanta ainda mais preocupações com a tal solvência. Um círculo vicioso. Em tempos normais, os governos injetam dinheiro; em tempos como estes, em que o Estado não tem dinheiro, intervém o Fundo Europeu, (e agora digo eu) emprestando dinheiro ao Estado, que empresta aos bancos, que, por sua vez compram dívida do Estado. Enfim, o descalabro, ou seja, um resgate pleno, não tarda.
3. À falta da Irlanda, que patina, a Letónia tornou-se agora o último grito em austeridade bem sucedida. [Lendo também sobre este tema na The Economist, ficamos a saber que
Este post recordou-me, vá lá saber-se porquê, o período que se seguiu às eleições de 2005 em que Sócrates esmagou o Flopes e o Marques Mendes assumiu a chefia do PSD e da oposição. Fui ler umas velharias pela imprensa da época e aconselho os meus amigos a fazerem o mesmo.
Eleito o governo Sócrates, foi pouco depois adoptado um pacote de medidas de saneamento das finanças públicas e de combate ao défice, que os governos do Barroso e do Flopes tinham deixado em 6,7% do PIB (2004). Quando em Maio de 2005 o IVA foi aumentado de 19 para 21%, Marques Mendes atacou de imediato essa e outras medidas, considerando-as “erradas” e acusando Sócrates de faltar à sua palavra de não aumentar os impostos (Sócrates referira-se aos impostos sobre o rendimento). A direita juntou-se assim desde muito cedo à esquerda irresponsável para denunciar e combater todas as medidas que durante o ano de 2005 se começaram a aplicar e a agendar para reduzir o défice das contas públicas.
Em Setembro de 2005, MM era já obrigado a reconhecer a eficácia dessas primeiras medidas, pois o défice previsto para esse ano indicava uma descida de mais de dois pontos percentuais relativamente ao ano anterior. Contudo, MM não deixou de atacar as “medidas dolorosas” e os “cortes orçamentais” (aquilo que hoje se diz que Sócrates não fez…), pois aproximavam-se as eleições autárquicas de Outubro de 2005, que foram o primeiro teste eleitoral do pequeno político empertigado. MM tentou então alarmar o eleitorado com acusações a Sócrates de estar a esconder medidas de austeridade e de contenção orçamental (sobretudo cortes nas verbas do OE para as autarquias) que, segundo ele, o governo iria adoptar após as eleições autárquicas. Nunca se ouviu um aplauso desse filho da mãe às medidas de contenção orçamental do governo de Sócrates que entre Abril de 2005 e princípios de 2008 beneficiaram claramente o país. MM sempre aproveitou essas medidas do governo para fazer demagogia barata em coro com os irresponsáveis do costume.
A demagogia do MM não conhecia limites. Qualquer meia décima de crescimento sasonal da taxa de desemprego (então um terço da actual) lhe servia para fanfarronadas “social-democráticas”, com piscares de olhos lúbricos a Louçãs e Jerónimos. A coligação negativa medrava a olhos vistos, infelizmente para ela ainda sem maioria no parlamento.
Em 2006 deu-se um episódio interessante, quando Sócrates, antecipando-se cinco (5) anos a outras entidades e aos dirigentes do PSD nacional, acusou MM de “apoiar a indisciplina financeira” na Madeira e de dar cobertura “à resistência ao cumprimento da lei” por parte de Alberto João Jardim (Público, 7 de Novembro de 2006). Compreende-se bem a sanha peçonhenta do velho bananeiro madeirense contra Sócrates, que foi o primeiro a denunciar alto e bom som aquilo de que Jardim é hoje finalmente acusado por Bruxelas e pela troika.
Se MM por acaso tivesse chegado ao poder em 2005, que teria feito? Em matéria de saneamento das contas públicas, teria – no melhor dos casos – feito algo de semelhante ao que os socialistas fizeram, ou seja, tudo aquilo que MM censurou no governo de Sócrates…
Em relação à Madeira o cobardola do MM teria feito 100 vezes pior do que Sócrates.
No ano de graça de 2008 o preço do petróleo passou para o dobro, rebentou o maior escândalo financeiro português de sempre (BPN) e começou a crise financeira internacional cujas consequências ainda estamos a viver. Suponhamos que em 2008 MM ainda não tinha sido largado borda fora pelos seus correligionários e que era PM. Que teria acontecido? Como teria MM lidado com a maior fraude da nossa história, cometida por dezenas de amigos e colegas do seu partido, e com os escândalos do BCP, BPP, etc? Creio que a primeira medida teria sido culpar Constâncio (coisa que a oposição da direita e da esquerda irresponsável realmente fizeram) e colocar gente de sua total confiança no B de P, para abafar as escandaleiras quanto fosse possível.
O resto nem o consigo imaginar, apenas lamento que o PSD não tivesse estado realmente no poder, pois teria sido um espectáculo imperdível. Com a chegada em 2009 e 2010 das consequências da crise a sério, dobrada de crise das dívidas soberanas na Europa, MM ou quem ainda estivesse no lugar teria levado um chuto tal que ainda hoje não teria voltado a aterrar. O PSD teria implodido com grande estrondo e desaparecido do mapa, de preferência para sempre. A direita teria levado a maior tareia desde 1974.
Pelos vistos, Sócrates não devia ter ganho as eleições de 2005. Devia ter deixado os PSDs ganhar. Devia tê-los deixado pousar. Devia ter esperado pela crise, para então dar cabo deles sem dó nem piedade, como eles merecem. Mas quem ia adivinhar?
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Oferta do nosso amigo Observador
Os Portugueses, uma vez mais na sua História, estão a dar provas de maturidade e de sabedoria. Aperceberam-se da dimensão da crise e da necessidade de mudança, adaptaram os seus hábitos de consumo, muitas vezes combatendo o despesismo e o desperdício. Têm demonstrado, por outro lado, um admirável espírito cívico e de entreajuda perante o agravamento das situações de pobreza: a sociedade civil mobilizou-se de forma notável através de inúmeras iniciativas de voluntariado e de apoio social, seja a título individual, seja com base em instituições particulares de solidariedade e nas autarquias.[…]
Ao longo destes tempos de sacrifícios, não perdemos o sentido da coesão nacional. Percebemos claramente que o conflito pelo conflito não nos conduz a lugar nenhum. De facto, não podemos exigir a coesão europeia se não mantivermos a coesão nacional. Os exemplos dramáticos de alguns países evidenciam até que ponto a legitimidade para reclamar ajuda depende da credibilidade que tivermos. E a credibilidade conquista-se por nós próprios, não é um elemento que possamos ter por adquirido.
Australia Widens Definition of Domestic Violence
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Dark Chocolate Could Prevent Heart Problems in High-Risk People
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Do Dogs Feel Guilty?
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Predicting Burglary Patterns Through Math Modeling of Crime
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Do Plants Think?
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Listening to Your Favorite Music Boosts Performance
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The Power Of Suggestion
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A Strong Bond to an Idea Makes Collaboration More Challenging
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What Does It Mean to Be Cool? It May Not Be What You Think
Os passos na manhã do Corpo de Deus e a memória do Mar da Palha
Alguém perto de mim pisa o empedrado da calçada dita portuguesa. São passos na manhã do feriado da Festa do Corpo de Deus, dizem as vozes que este é o último. Talvez por isso a procissão saída da Sé de Lisboa às cinco da tarde parecia não ter fim nas ruas da Baixa.
O único interesse de quem circula é o passeio no miradouro em frente ao Castelo de São Jorge. À direita, o Rio Tejo e o mesmo Mar da Palha onde há 55 anos as barcaças com o lixo doméstico dos lisboetas eram despejadas no Porto da Lama. Carroças lentas levavam esse material a servir de adubo pelos campos do Afonsoeiro, Jardia, Alto Estanqueiro e Atalaia. O Porto da Lama ficava no Montijo, logo a seguir e bem perto do Cais dos Vapores.
O menino, o cão de pilhas, as molas de madeira e o azulejo
O cão de pilhas assusta o menino de dez meses. Seu ruído chinês agride o ambiente com a luz verde dos olhos e a simulação das quatro patas em movimento. O cão de pilhas não anda mas assusta o menino porque os seus olhos e todo o rosto são o espelho de uma negação. Ele não quer nada com o cão de pilhas. Teme o ladrar mecânico, o verde dos olhos e os movimentos sincopados. Vendido num passeio do Rossio, o cão de pilhas fica a meio caminho entre o brinquedo e o lixo. As molas da roupa são um brinquedo de madeira mas esse brinquedo o menino de dez meses não teme. Recebe o cesto de verga cheio dessas molas antigas (do tempo de seu pai bebé) e brinca sem se cansar.
Lendo o seguinte preceito da lei que aprova o Estatuto do Aluno e Ética Escolar, e isolando a expressão “valores nacionais” de todas as outras, que expressam, talvez, não sei, valores “estrangeiros”, fica a pergunta: quais são os ditos “valores nacionais” a incutir aos alunos numa sociedade plural a todos os níveis?
“Direitos do aluno”
Artigo 6.º
Valores nacionais e cultura de cidadania
No desenvolvimento dos princípios do Estado de direito democrático, dos valores nacionais e de uma cultura de cidadania capaz de fomentar os valores da dignidade da pessoa humana, da democracia, do exercício responsável, da liberdade individual e da identidade nacional, o aluno tem o direito e o dever de conhecer e respeitar ativamente os valores e os princípios fundamentais inscritos na Constituição da República Portuguesa, a Bandeira e o Hino, enquanto símbolos nacionais, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, enquanto matrizes de valores e princípios de afirmação da humanidade”.
Se não escrevesse, uma grande parte da população nunca saberia a sorte que tem em ter Passos Coelho como primeiro-ministro. Os leitores podiam ficar-se apenas pelo título, que já iriam bem aviados: “Ainda bem que nos saiu Passos Coelho”, chama ele ao seu artigo.
Mas vejamos o que nos diz:
No cenário de o PS ter ganhado as eleições em Junho “… há meses que Portugal andaria, como a Grécia andou, a dizer que não era possível cumprir o acordo – e, de facto, não teria sido [mas eles sim, eles cumprem, sabemos a que preço. Quando já não houver país, cumpri-lo-ão mesmo até ao fim]. Em 2011 teríamos falhado as metas do défice e em 2012 iríamos pelo mesmo caminho. Estaríamos hoje na mesma situação que a Grécia estava um ano depois de ter assinado o seu memorando [sim, porque agora estamos muito melhor], ou seja, de novo de mão estendida e ainda em piores condições para ter qualquer política de “crescimento e emprego”.” [Neste registo, o céu é o limite]
E acrescenta: “Já passou um ano, já passaram quatro avaliações, já passaram muitas previsões de que seria da próxima que Portugal ia ficar mal, e tudo continua a correr conforme o previsto. [ou seja, Portugal está a ficar bem] Ainda bem. Parece pouco, mas é muito: é o que nos aproxima da Irlanda e afasta da Grécia [a Irlanda não sai da cepa torta, as suas contas continuam péssimas]. Tudo tem corrido, no essencial, bem [em que sentido? O “bem” depende do ponto de vista do observador e do recheio da respetiva carteira] porque este Governo acredita nas metas que tem de cumprir e nas reformas que tem de fazer. É isso que o diferencia do anterior executivo, que preferia tentar não cumprir mascarando as contas. [I beg your pardon? Alberto João, o subtrativo, à cabina de som!] E é isso que o diferencia dos sucessivos governos gregos.” [Tudo aponta para um caso de sucesso, como toda a gente vê]
“Muitas das ideias que o PSD assumiu, contra ventos e marés, no seu programa são as que estão a ser aplicadas e representam uma viragem profunda na forma como em Portugal sempre se colocou a dependência do Estado, do subsídio e da cunha, no centro de tudo. Há séculos que é assim e Passos Coelho quis e quer mudar isso. Não é hiperliberalismo, é apenas um bocadinho de liberalismo numa sociedade asfixiada que sempre se virou para o Estado como solução de todos os problemas.” [Não, era só solucionar o problema do pote; para ele, querer o Estado é algo de mais seletivo]
E termina, depois de uns gentis reparos (em que prova, aliás, que este governo pouco fez em termos de redução da despesa, como apregoava que faria imediatamente e com grande simplicidade) para que não lhe chamem engraxador: “Mas, na hora do balanço, tenho de ser justo: o mais importante era tentar um novo caminho para Portugal, com tudo o que implica de dor e de risco, e isso está a ser feito [que bom!]. Por isso repito: ainda bem que nos saiu Pedro Passos Coelho [Que injustiça. Então e o Relvas?]. Algo de realmente diferente e novo, até para o PSD.” [muitos ainda não acreditam no que veem]
JMF está contente. Mas delira em quatro colunas. Com todos os indicadores a piorar, a dívida a aumentar quase para 120% do PIB e sem qualquer perspetiva de descida no horizonte, a redução do défice apenas conseguida, se a conseguirem, graças aos fundos de pensões da banca, as receitas a diminuir mais do que o esperado, o desemprego galopante, a economia agonizante, a debandada dos mais capazes, a EDP e a REN nas mãos dos chineses (mas com os mesmos CEOs) por 2000 M€ sem que o consumidor tenha disso retirado qualquer benefício, os transportes num caos – mais caros, com pior oferta e, apesar disso, a somarem aos défices, défices ao quadrado, a saúde afunilada e o ensino a retroceder 70 anos, só mesmo um José Manuel Fernandes para nos mostrar como devemos agradecer a deus a sorte que nos coube.
Os políticos que alimentaram o carnaval patético, e a miséria ética, das comissões de inquérito à “asfixia democrática” e aos “atentados à liberdade de expressão” – cujo matéria de facto resultava da violação da privacidade, de mentiras à canzana acerca de investimentos publicitários do Estado e de calúnias a respeito de um negócio que nem sequer existiu – estavam em Portugal quando o Ministro Relvas ameaçou e chantageou o jornal Público como não há notícia de alguma vez ter sido feito em democracia?
Fonseca e Costa barbaramente agredido ou o BA sem rei nem Roque
Já nem o nosso padroeiro São Roque nos vale a nós, habitantes do Bairro Alto – no meu caso desde 1976. A miserável agressão e assalto de que foi vítima o cineasta José Fonseca e Costa quando se dirigia para sua casa à noite no passado sábado prova que os delinquentes sentem no ar um cheiro de impunidade. O Bairro Alto é o único lugar de Lisboa onde a Lei do Ruído não é cumprida, por exemplo. Outro dia um vizinho nosso na Rua das Salgadeiras viu uma equipa que veio medir os decibéis de um «bar» a não ter nada para registar porque nessa noite por acaso o ruído estava normal. Foi uma coincidência, um acaso. O Bairro Alto é o único lugar onde a ASAE não actua. Ninguém sabe porquê mas é a verdade – não actua. Viver aqui é como ter os pés em cima de uma botija de gás. Nunca se sabe quando ela vai explodir.
Como tenho dito sempre que calhou falar no tema ao longo destes anos, já que me incumbe essa responsabilidade que advém da história do blogue, no Aspirina B cada autor exerce por si a gestão das suas caixas de comentários, direito onde se inclui a sua absoluta liberdade para decidir não abrir as feéricas caixas, ou sujeitar os comentários a aprovação prévia, ou excluir comentários, ou mesmo a alterá-los (por exemplo, apagando partes do comentário ou acrescentando texto, etc.).
Porquê? Porque um blogue, tal como aqui o entendemos até manifestação em contrário, é um veículo de comunicação privado que nada cobra aos eventuais leitores e comentadores, nem sequer exibe publicidade, pelo que apenas se rege pelo arbítrio dos autores. Como ninguém é obrigado a suportar as suas escolhas – seja de conteúdos, frequência de escrita e modo de interacção – assim os autores não estão obrigados a sujeitarem-se ao gosto de terceiros.
Isto é simples, isto é bom. Para todos nós.
É grande a admiração que sinto pela forma como os portugueses – independentemente da sua orientação ideológica ou política, quer tenham votado em nós ou não tenham – as pessoas hoje sentem que o que está em causa é o seu próprio futuro, não é a avaliação do Governo, não é saber se este político ou aquele está melhor ou está pior, é saber se nos estamos a aproximar ou não do caminho que nos retirará da situação de aflição em que nos vimos há um ano.
Do tipo que nos salvou dos xuxas
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Logo após este Governo ter sido empossado, Passos fez várias declarações que davam conta do estado de alarme que se vivia no seu seio, revelando que os diversos ministros esperavam graves convulsões sociais em resultado do ataque brutal que iriam começar a fazer de imediato à classe média e aos pobres. De facto, esses receios faziam sentido, pois tinha sido essa a promessa das mobilizações contra os Governos socialistas e da retórica de violência – assumida e mutuamente promovida pela oposição e pelas corporações – fulanizada em Sócrates, Correia de Campos e Lurdes Rodrigues, para dar os exemplos maiores. Até se falou que os sectores das polícias seriam aqueles que não teriam cortes orçamentais, antes reforços de recursos humanos e material, precisamente para conseguirem lidar com um Portugal a ver-se grego. Com o passar dos meses, viesse a porrada que viesse, o temor foi dando lugar à estranheza, depois à surpresa e finalmente ao espanto. Soprava uma levíssima brisa pela rua. As oposições, as corporações e os agit-prop da moda estavam numa letargia impensável para quem calhasse ter visitado o País antes de 5 de Junho de 2011. As sondagens confirmavam a observação empírica, dando conta de uma sociedade completa e enigmaticamente alinhada com o esbulho a que estava sujeita.
Politólogos, sociólogos, psicólogos, antropólogos, historiadores e astrólogos que avancem com as suas teorias e hipóteses explicativas para o fenómeno do nosso entroncamento voluntário à miséria. Para o cidadão apaixonado pela cidade bastam estas palavras de Passos para obter uma certeza. O que o homem nos está a dizer é que teria sido possível, em Março de 2011, ter escolhido um caminho que evitaria esta actual situação de aflição em que nos vemos desde há um ano, e na qual não se vê qualquer horizonte de saída, pelo contrário. Teria sido possível, reconhece candidamente, unir o País para conseguir lidar com um desafio sem paralelo na contemporaneidade nacional e de uma dimensão internacional sem qualquer controlo, e cada vez mais complexa e imprevisível, de forma a que se infligisse o menor sofrimento possível à população. Porém, continua o novel Primeiro-Ministro, os partidos da oposição, com o empurrão e aplauso do Presidente da República, preferiram avaliar o Governo anterior a menos de meio da legislatura, nem que para isso tivessem de espezinhar o nosso já ameaçado futuro e levarem-nos a perder a soberania. Porquê? Isso Passos já não diz, porque não precisa, porque está à vista: para poder louvar a paciência dos borregos que suportam o preço a pagar pela urgência do PSD em ir ao pote.