Pedro Passos Coelho afirmou ontem que, se “ao PSD não cabe tomar posição sobre a greve geral de 24 de Novembro, não deixa de compreender as pessoas que a ela aderem”.
“O PSD não vai tomar posição sobre a greve geral, não nos compete tomar uma posição sobre a greve geral. Mas quero dizer que, se não desfilaremos em greve geral com manifestantes, ninguém nos verá a atirar pedras às pessoas que, cheias de razão, pedirão para que no futuro as coisas sejam mais bem lidadas do que foram nestes anos”, disse Passos Coelho.
O líder do PSD – que falava na Convenção Sindical Social Democrata, organizada pelos TSD – lembrou que “o direito à greve tem de ser sempre respeitado, designadamente quando muitos sentem que já não há outra maneira de exprimir a sua indignação em relação à actual situação”.
Arquivo mensal: Novembro 2011
Fazido
Ser director de um jornal de referência induca.
Perguntas simples
Vinte Linhas 693
José Rodrigues Miguéis – abençoados os alfarrabistas do Metro e da CP
José Rodrigues Miguéis é um escritor hoje raro nas nossas livrarias. Fruto da disputa numa herança, livro como «A escola do paraíso», «Páscoa feliz», ou «Saudades para Dona Genciana» não se encontram por mais que se procurem. Em boa hora editou «O Independente» o livro «A amargura dos contrastes», um conjunto de crónicas inéditas em livro. Figuras como Raúl Brandão e Raúl Proença, Nikias Skapinakis e Jorge Barradas, a vida e a arte, o homem e a cidade, tudo nestas 173 páginas é o fascinante reencontro com um mestre da literatura portuguesa. Vejamos um excerto de 1928:
«Lisboa reflecte a nossa falta de ideias gerais, de humanismo, de mediana cultura estética, de preocupações superiores e a instabilidade dos nossos nervos. É, arquitectonicamente, a capital duma nação de saloios, analfabetos e medíocres. A Lisboa, claro está, posterior ao Pombal; porque a dele e a outra, a dos descobrimentos e conquistas, é uma lembrança e uma saudade apenas. À boçalidade, incultura, indisciplina e mau-gosto dos edis têm correspondido, em geral dignamente, os cidadãos formando, ao sabor dos seus caprichos, esse caos estético a que chamamos «bairros novos». A Lisboa moderna não saiu da imaginação de artistas, arquitectos ou engenheiros; nem seque o carácter, a sobriedade duma concepção geométrica, fria, científica, como a dos novos bairros populares das cidades da Alemanha. Foi cozinhada, um pouco com os mesmos temperos intelectuais não do liberalismo nem do republicanismo mas da exploração política, industrial, dessas correntes de opinião. Percebe-se uma íntima correlação moral entre a organização das mesas eleitorais e a da arquitectura urbana… Acampamento erguido à pressa por uma legião de construtores gananciosos, bárbaros, ignaros: os tomareiros!, a malta bestial de cabouqueiros guindados a orientadores da estética da capital, a ditadores da urbs nova!»
(Recolhido e divulgado por J.C.Francisco)
A miséria em Portugal
Pacheco Pereira – o maior (ou talvez o único) especialista vivo em técnicas de espionagem, coacção e lavagem cerebral utilizadas pelo mafioso Gabinete do anterior primeiro-ministro – ainda não teve tempo para explicar como é que aquela rapaziada acabou toda a falar em telefones escutados a partir de Aveiro. Recorde-se que nesse mesmo Aveiro, estávamos a entrar em Junho de 2009, ouvimos a Manela a dar conta do seu desejo de poder estar a ser escutada pelos escutados, o que infelizmente não se veio a confirmar e que muito a terá desapontado. Viscosas coincidências na terra do ensopado de enguias? Temos de esperar pela autobiografia do Pacheco para estes enigmas encontrarem a definitiva resolução.
Entretanto, Vara está metido na camisa das dezenas de escutas. O tribunal vai usá-las num longo e dilacerante processo de exposição da sua intimidade profissional e pessoal. Se isto se passasse com alguém ligado a Cavaco, PSD e CDS, teríamos um permanente desfile de indignados da gente séria a clamar contra a perseguição do Ministério Público e a defender inflamados a tese de que o uso de escutas pode permitir as maiores deturpações e vilanias. Assim, o silêncio é total, o gozo completo. Qualquer dano que se consiga fazer a Vara será um tiro que vai atingir Sócrates. Se se provar que o Armando prevaricou, haverá champanhe a correr em Belém e na Lapa. Se sair ilibado, o mal continuará a estar muito bem feitinho.
A Isabel chamou-me a atenção para a edição do Eixo de Mal de 13 do corrente. Não vi na altura porque deixei de acompanhar com regularidade. A partir de princípios de 2010, passei a não aguentar semanalmente a já penosa presença do Luís Pedro Nunes desde que ali abancou. Ele é hoje uma das mais bem pagas vítimas do socratismo, tendo derretido a mioleira num ódio bronco que fazia (e faz) questão de partilhar com os espectadores. Contudo, os inúmeros e preclaros talentos que exibe mereciam que se entregasse em exclusividade a um programa dedicado à sua obsessão, onde pudesse gastar diariamente duas ou três horas de televisão a lançar dardos e bolas de trapo contra bustos de Sócrates pendurados no estúdio, entremeando a ginástica com variações idiomáticas à volta das expressões “cabrão” e “filha da puta”. Até lá, passarei ao lado de momentos gloriosos como este que deixo, onde apenas se salva Pedro Marques Lopes. Ver Clara Ferreira Alves a tratar Vara como um escroque, sem precisar de se justificar para além do nível do boato, ou ouvir Daniel Oliveira a causticar um advogado por ter aceitado defender alguém que causa asco a este puro da esquerda pura, é uma exuberante lição a respeito da miséria em Portugal.
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Afinal, está tudo cada vez melhor
Apesar das medidas de austeridade anunciadas e em plena discussão do orçamento, o PSD reforçou a sua aceitação junto do eleitorado em Novembro e a popularidade de Passos Coelho também subiu, indica o barómetro da Marktest.
O principal partido da coligação governamental é a única força política que consegue ganhar quota junto do eleitorado em comparação com os resultados de Outubro. De acordo com o barómetro da Marktest para a TSF e Diário Económico, os sociais-democratas são a escolha de 45,4% dos 804 inquiridos – mais 4 pontos que em Outubro – e alargam a distância para o PS, que se mantém nos 19,7%.
Manifesto – “Um novo rumo”
“Este é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise.
Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia.
A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada. Porém, sem a resolução política dos problemas europeus, dificilmente Portugal e os outros Estados retomarão o caminho de progresso e coesão social. É preciso encontrar um novo paradigma para a UE.
As correntes trabalhistas, socialistas e sociais-democratas adeptas da 3ª via, bem como a democracia cristã, foram colonizadas na viragem do século pelo situacionismo neo-liberal.
Num momento tão grave como este, é decisivo promover a reconciliação dos cidadãos com a política, clarificar o papel dos poderes públicos e do Estado que deverá estar ao serviço exclusivo do interesse geral.
Os obscuros jogos do capital podem fazer desaparecer a própria democracia, como reconheceu a Igreja. Com efeito, a destruição e o caos que os mercados financeiros mundiais têm produzido nos últimos tempos são inquietantes para a liberdade e a democracia. O recente recurso a governos tecnocratas na Grécia e na Itália exemplifica os perigos que alguns regimes democráticos podem correr na actual emergência. Ora a UE só se pode fazer e refazer assente na legitimidade e na força da soberania popular e do regular funcionamento das instituições democráticas.
Não podemos saudar democraticamente a chamada “rua árabe” e temer as nossas próprias ruas e praças. Até porque há muita gente aflita entre nós: os desempregados desamparados, a velhice digna ameaçada, os trabalhadores cada vez mais precários, a juventude
sem perspectivas e empurrada para emigrar. Toda essa multidão de aflitos e de indignados espera uma alternativa inovadora que só a esquerda democrática pode oferecer.
Em termos mais concretos, temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania. Da mesma maneira, o recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais, em particular na saúde, educação, protecção social e dignidade no trabalho é inaceitável. Pugnamos ainda pela defesa do ambiente que tanto tem sido descurado.
Os signatários opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão, sufocando a recuperação da economia.
Nesse sentido, apelamos à participação política e cívica dos cidadãos que se revêem nestes ideais, e à sua mobilização na construção de um novo paradigma”.
Mário Soares
Isabel Moreira
Joana Amaral Dias
José Medeiros Ferreira
Mário Ruivo
Pedro Adão e Silva
Pedro Delgado Alves
Vasco Vieira de Almeida
Vitor Ramalho
Lisboa, 23 de Novembro de 2011
Céus, Portugal não é um laboratório
Vítor Gaspar estudou durante uns anos uns livros de economia e agora ofereceram-lhe um povo – nós – para poder aplicar, à letra, a título experimental, a matéria estudada.
“Questionado por Fernando Medina, do PS, sobre qual o impacto no crescimento económico das reformas estruturais, Gaspar respondeu que “é uma pergunta difícil” e continuou: “Não existe metodologia que permita quantificar com qualquer grau de rigor o impacto deste tipo de políticas no crescimento”.
Segundo o ministro das Finanças, “a evidência empírica sugere que os impactos podem variar muito fortemente de país para país”, etc.
Quando for corrido, ainda estará agarrado à página 24 sem compreender porque não o deixaram aplicar a metodologia específica ali enunciada, que, segundo o autor, é espectacular.
Gandas malucos
O último regabofe constitucional madeirense, 1 deputado do PSD pode votar por 25 na Madeira, está longe de ser uma originalidade do bananal atlântico. Ainda ontem, no Prova dos 9, Santana Lopes defendeu essa mesma ideia – mas com esta pequena diferença: tal aberração estaria ao serviço da modernização do Parlamento nacional porque não valia a pena ter por lá sentados sem fazer nenhum mais deputados do que aqueles que tomam a palavra no hemiciclo.
Um dia alguém dedicará uma tese de doutoramento, ou tão-só um trabalho de grupo no 9º de escolaridade dado o abundante material à disposição, ao desopilante fenómeno de vermos os maiores malucos da politica portuguesa a chegarem aos mais altos cargos dentro do PSD.
Vinte Linhas 691
Dissertação para o homem da bicicleta preta na Rua da Madalena
Trazes no rosto e misturas no teu olhar uma dupla inscrição. Simples e ingénuo, rústico e espontâneo, como a olaria que produzes na tua oficina. Tal como os obscuros artistas do barro em Niza e Miranda do Corvo, Barcelos e Estremoz, Guimarães e São Pedro do Corval, fazes sair da tua mão objectos de terracota, grés e argila, produtos a meio caminho entre a beleza e a utilidade, entre o prazer do olhar e a justa função. Há uma roda pedaleira que ninguém vê da porta da tua oficina debruçada sobre o Mar da Palha. Mas é essa invisível roda que imprime o movimento à massa ainda sem forma do barro em bruto. As tuas mãos ágeis, a tua paciência sem limites e a frescura da água – tudo isso se conjuga para desenhar, em alguns minutos, uma peça que, por ser única e irrepetida, se torna ainda mais valiosa.
Quando surges na Rua da Madalena na bicicleta preta, já não é a roda de madeira que te empurra para a festa do barro; é a roda metálica que te leva para a cidade com a tua mochila com peça novas em velhos jornais como os que o teu pai ajudou a construir. E o teu sorriso teima em acreditar quando à tua volta se ergue a desconfiança. Nos dias da cidade a Rua da Madalena é a Rua da Esperança. Mesma quando te chamo artesão resolves dizer que és apenas oleiro. E eu não acredito mas fico emocionado com a tua humildade. Porque para mim o oleiro é um artista como o tanoeiro, o ferreiro, o abegão, o homem do alambique, o poeta, o mestre do lagar de azeite. Todos levantam do chão da terra a massa informe das palavras e das coisas para erguerem uma peça útil, uma alegria, um sabor, uma canção. Como tu afinal, quando surges sem ninguém esperar, na bicicleta preta a descer a Rua da Madalena. Veloz e sorridente, a acreditar na vida que todas as manhãs nasce de novo no teu olhar.
A verdadeira origem da crise
O treinador Carlos Queiroz foi o principal responsável pela histórica derrota por 6-3 sofrida pelo Sporting no “derby” com o Benfica, em 1994, afirmou o antigo futebolista Pacheco, que tinha trocado a Luz por Alvalade no ano anterior.
Pacheco recordou, numa entrevista à Agência Lusa, esse jogo, no qual foi um dos protagonistas, quando Carlos Queiroz, então treinador do Sporting, decidiu retirar ao intervalo o lateral esquerdo Paulo Torres e lançar o antigo jogador do Benfica para o seu lugar, com o marcador em 3-2 para os “encarnados”.
Citação laranja sobre a estratégia do Governo
Num país perto de si
Ouvinte belga, hoje, em declarações a uma estação de rádio, onde um painel de políticos justificava a ruptura das negociações para o orçamento: “Parem de discutir. Não estamos em altura de respeitar princípios. Elaborem o orçamento e esqueçam os princípios.”
Estas frases traduzem bem o que se passa hoje em dia em grande parte da Europa. Cada vez mais países têm de encontrar soluções governativas sob a espada de Dâmocles dos especuladores. Os partidos de esquerda, de facto, estão perante o dilema de 1) manterem intactos os princípios que subjazem aos seus programas eleitorais, sob pena de os militantes e simpatizantes não se reconhecerem nas respectivas lideranças, ou 2) de os abandonarem, ainda que aos poucos e a contragosto, sendo acusados de indiferenciação em relação à direita.
Na Bélgica, com uma dívida próxima dos 100% do PIB, mas gozando, por enquanto, de uma boa situação económica, as negociações para a formação de uma coligação governativa apenas se concluíram ao cabo de mais de um ano após as eleições, mas, enfim, concluíram-se. Agora, negociava-se o orçamento para 2012, sem o qual não haverá (e bem) governo empossado. O resultado revelou-se um fracasso. Sem acordo possível, o hipotético futuro primeiro-ministro bateu com a porta e apresentou a demissão ao rei.
O problema qual é? São vários. O problema de fundo é que esta coligação foi formada contra o partido mais votado na Flandres, a NV-A, que, por ser independentista, ficou de fora, ao boicotar sistematicamente as primeiras negociações para a coligação. Unia-os, portanto, um inimigo comum. No entanto, quando encetam a primeira acção conjunta, que consiste na elaboração do orçamento, as divergências emergem, como não podia deixar de ser. Os socialistas acusam os liberais de quererem acabar com o sector público (hospitais, educação, prestações sociais) e de não aceitarem, por outro lado, taxar as grandes fortunas. Os liberais dizem que não. Já assistimos a isto.
Nos países em que a cizânia se instala (convém dizê-lo – porque a esquerda ganhou), os eleitores, fartos, têm vontade de mandar calar os políticos e de dar uma oportunidade aos técnicos de contas. Para terem um pouco de silêncio?
Assim se vai corrompendo a democracia por força dos “mercados”. Podemos daqui tristemente concluir que o mundo financeiro, após a crise de 2008, ganhou ainda mais poder. Assim, num país perto de si, e porque a falta de dinheiro do Estado, real ou demagogicamente exagerada, assusta toda a gente, ouvirá fatalmente, por estes tempos, onde quer que se desloque, falar no novo modelo de governos tecnocratas como o último grito em governação. Para já, por diferentes motivos, a população parece estar receptiva. É uma novidade. Pena ser só para alguns. Mais adiante se verá. Os juros não parecem estar a baixar nem na Itália, nem na Grécia, nem em Espanha, nem em Portugal, sob o comando de Gaspar. Os tempos são de grande expectativa e impotência. Aqui, na gaiola do euro.
Um livro por semana 265
«Já não vem ninguém» de Sidónio Bettencourt
Depois de «Deserto de todas as chuvas» e «A balada das baleias», Sidónio Bettencourt (n. 1955) surge com «Já não vem ninguém». O título do volume vem do poema homónimo que parte de uma solidão extrema («ninguém veio este ano com medo do mau tempo») e da metáfora de um mundo em desencontro («há muitos anos que já não vem ninguém») mas onde os elementos («o forno, a lenha, o lume, o calor») levam o homem a dizer uma esperança: «que a noite seja santa e o menino renasça numa manjedoura qualquer que o coração transporta».
O poema é a voz do homem entre a Ilha e o Mundo: «é aqui neste pequeno lugar de fajãs adormecidas e apelos escondidos que se sente o tamanho do mundo. E, Álamo de Oliveira, são jorge vista de cima é a exclamação do silêncio. O homem ali não passa de um sonho descalço». Porque o amor que liga as orações é o mesmo que cimenta os poemas: «quem não ama o lugar onde nasceu, a terra onde viveu, os sítios por onde passou?» Porque só no amor o homem se percebe em três gerações: a sua, a dos filhos (« Hoje sei o que é ser pai e ser pai, pai, dói muito») e a dos avós. Seja a avó Leonor («partiste numa tarde temperada de sol / levaste o beijo na terra e fugiste / sozinha») seja o avô Manuel Moniz («Nunca me deixaste olhar os meus olhos nas águas do poço de maré»).
A viagem é também uma forma de poema pois liga pontos separados pela distância e pelo esquecimento. Como Genuíno Madruga, solitário navegador do Mundo: «nunca saberemos quase nada do mundo que baila dentro de ti, nunca saberemos porque partes e chegas e chegado voltas a partir». Tal como a música colectiva: «trazem nos lábios o gosto da terra, nas mãos a arte das sementeiras e no andar a cadência de todos os rituais do silêncio. Caminheiros da devoção, ao sol, à chuva, ao vento». Mesmo sabendo que «partimos todos para lado nenhum», o avô («onde está o avô?») pode dormir descansado: «Estão todos encaminhados. Aprenderam que não há frutos sem trabalho, nem reconhecimento sem honra e humildade».
(Editora: Ver Açor, Prefácio: Daniel de Sá, Capa: Fernando Resendes, Design: Hélder Segadães)
Esperteza saloia
Imagine-se o que aconteceria se no Governo anterior viesse um secretário de Estado anunciar uma medida para de seguida ser categoricamente desmentido por um ministro. Foi o que aconteceu com o anúncio, e posterior negação, da revisão das tabelas salariais da função pública. Mas não é a primeira vez, a coisa parece estar a tornar-se um hábito neste Governo. Há dias foi o ministro da Economia a desdizer-se a ele próprio quando veio dizer que o encerramento do metro às 23h00, afinal, não fazia sentido. Se acontecessem semelhantes trapalhadas no Governo de Sócrates as acusações de desnorte, incompetência, etc. seriam imediatas. A oposição exigiria explicações e muito provavelmente não faltariam pedidos de demissão dos governantes. Já para não dizer que Sócrates seria acusado de manipular e de usar a comunicação social, coitadinha, para nos enganar. Agora parece normal o Governo dizer uma coisa num dia e desdizê-la com toda a calma no seguinte. Somos tratados pelo Governo e comunicação social como se tivéssemos todos cinco anos e ninguém reclama. Não admira que o Governo seja tão elogiado pelos senhores da Troika, que, aliás, parecem ter entrado também neste divertido jogo ao sugerirem os cortes nos vencimentos do sector privado para de seguida o Governo os desmentir. São uns génios estes nossos governantes.
Impressionar nos transportes públicos, seduzir nas greves, brilhar no estrangeiro
Online Chat Boosts Lying and Email Has the Most Lies
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How Smart Managers Make Dumb Decisions and Why Shareholders Encourage Them
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Fever Increases Numbers Of Immune Cells
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Study Affirms ‘Mediterranean Diet’ Improves Heart Health
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Taking Supplements = Taking Risks
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Surviving the Holiday Parties
Cavaco não servirá para nada: do exemplo dos Governadores Civis
Chamado a promulgar, a enviar para o TC ou a vetar politicamente o diploma batoteiro que transfere as competências dos Governos Civis e dos Governadores Civis, Cavaco como que não vê o big picture e por isso promulga aquela fraude sem deixar de se mostrar preocupado com um dos preceitos do decreto: o que diz respeito à execução da declaração de estado de emergência no país. Viu ali uma contradição e temos mensagem.
Quando lhe chegar às mãos o OE que apelidou de iníquo, ele e só ele que pode dar a oportunidade ao TC de preventivamente se pronunciar sobre o mesmo, que fará? Sai promulgação com mensagem?
Fiquem os deputados com o encargo de pedirem a fiscalização sucessiva, portanto de um OE já em execução, caso em que o TC estará muito menos disposto a fechar os olhos ao anúncio público e internacional de uma execução em curso.
O tempo a passar e Pilatos sempre a reaparecer.
O primeiro-ministro zeitgeist
Passos Coelho foi uma excelente escolha do povo livre para nos conduzir à vitória neste agudizar das crises europeia e mundial. É que o nosso primeiro-ministro tem esta característica extraordinária: surge permanentemente anestesiado. Mesmo quando se obriga a parecer choroso, ou porque está a dizer a quem votou nele que fará exactamente o contrário do que prometeu ou porque partilha convicto o seu ideal de um Portugal ainda mais pobre, no fundo daquela carcaça encontra-se um bloco granítico imune a qualquer transe afectivo. E esse amoralismo pragmático inane adequa-se na perfeição a um projecto governativo politicamente desmiolado, onde a contabilidade se erige como critério absoluto e predatório.
O facto de Relvas, esse monumento à vulgaridade, ser o seu braço-direito só vem confirmar o diagnóstico: eis um homem invulgarmente invulgar.
RAJOY GANHOU
A direita espanhola ganhou as eleções. A direita mais à direita de Europa ganhou. As direitas mais unidas num só partido na Europa ganhou. Na sua concava funda há liberais, meio laicos, fascistas, ultracatólicos, apolíticos, abades, padres, religiosas, pensamento capitalista ultraliberal e de controlo social e mesquinhos na defessa dos direitos sociais. Também há muitas misas, visitas de papa, opus deises. Outros porque sim ou porque ouvem ruxir a prata, e outros ja eles muito acomodados que vehem de avos acomodados que sempre viviram num “Ramalhete” e de seu devem ficar aquí, etc. etc. Tuda esta mistura vota sempre com uma fidelidade à ressaltar. Aliás à sua victoria não depende de se mesma senão da abstenção. É bom recordarmos que o PP só atingiu quase que os mesmos votos que há quatro anos e desta vez tem maioria absoluta no parlamento.
Perderam os outros. Eles são, não só o partido socialista, partidos pequenos, incluidos os nazonalistas de Euskadi, catalunya e Galiza, e os que se abstiveram. São votos espalhados por todas estas beirraruas. Alguns, a maioria distes votos espalhados ou abstencionistas, são esa parte diferente na que ficam os que querem cambiar o mundo, os que não sabem o que fazer co mundo, os que querem a revolução, os que não sabem o que querem, os que de momento não gostam de que governa a direita, os aintisistemas, os ateus, os ateus militants, os religiosos povres; os que acham que ha diferenzas sociais e formas de resolve-las, que acham que redistribução da riqueza e os impostos progressivos assim como manter um estado de benestar social fão uma melhor sociedade. Os que prefirem uma sanidade e uma educação pública.
Teu nome (sobre foto de Paulo Sousa)
Eu andei dois meses à procura
De uma chave capaz de decifrar
Teu nome em hebraico é amargura
E nada tem a ver com a voz do mar.
Oposto a Maria que vem de água
Teu nome vem da terra e das estradas
O hebraico marah fixa a raiz da mágoa
O peso dos soluços e lágrimas abafadas.
Noemi, sogra de Ruth, entra em Belém
Mas o seu nome sofre uma alteração
O Todo-Poderoso, Ele e mais ninguém
Trouxe nova amargura ao seu coração.
Como ela mudou o nome no momento
Tu podes desmentir o velho significado
Rejeitas o teu nome em pensamento
E levas as gotas de mar a todo o lado.



