Vinculados “per omnia secula seculorum”? Amen (da extrema-unção)

Diz António José Seguro que o PS está vinculado aos seus compromissos internacionais, vulgo, nesta fase da nossa vida, ao acordo com a Troika.
Muito certo.
Eu só gostaria de saber, no caso de a situação se deteriorar visivelmente e se constatar que o cumprimento à risca das medidas (perturbado, para quem observa, pelo lema do “ir mais longe”) está a agravar helenicamente a recessão do país, se o PS não pode ousar apelar a uma renegociação do acordo, não pode ousar pressionar as instâncias europeias para que revejam o tipo de remédios impostos e não pode ousar propor outras soluções.
Estará o PS condenado à paralisia do pensamento?

Por uma vez, concordo com ele

Carvalho da Silva elegeu ainda como alvo a «política desastrosa do Governo» do PSD e atacou o PS, ao considerar que «nenhuma força política que se afirma de Esquerda pode ter hesitações e admitir pactos ou entendimentos com políticas neoliberais ou neoconservadoras».

Fonte

Ora, tendo em conta que tanto o PCP como o BE não hesitaram em promover este entendimento com as forças neo-conservadoras, que resultou na implementação das maiores politicas neoliberais que há memória:

 

registo então, com espanto, que o líder da CGTP-IN, habitualmente conotada com os comunistas, considera que estes dois partidos não são de esquerda. Nada que já não se soubesse, mas este grito de revolta de Carvalho da Silva significa que se calhar algo de novo está a surgir no movimento sindical, não é? Jerónimo de Sousa que se cuide.

Blogger’s digest

Uma selecção das melhores opiniões da semana, traduzidas para português corrente.

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Rui Crull Tabosa, Corta-Fitas

O PS, que se especializou em dar cabo das finanças num periodo de grande crescimento e prosperidade mundial, que insistia em fazer e inaugurar obras, coisa que a direita não faz – ou quando faz é com sandes de paio e Tri-Naranjus – ainda não alinhou completamente na narrativa promovida pela direita de diabolização de Sócrates, o Belzebu corrupto. Isto não é aceitável. E é incompreensível e perigoso que não cedam imediatamente a quaisquer exigências da Alemanha sem argumentar e protestar, em vez de baixar a bolinha com um sorriso nos lábios e estender a mão, como nós na direita fazemos deliciados, insistindo em vez disso em opor-se a fazer uma jura que de agora em diante vamos portar-nos bem. Um tipo inofensivo e simpático como Seguro não devia prestar-se a estes números.

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Nuno Gouveia, Cachimbo de Magritte

Até que enfim que acabaram com a porcaria do Magalhães, não têm nada que andar a dar computadores a miúdos. Só querem é jogos os sacanas dos putos, eu sei porque tenho uns sobrinhos que não faziam nada com ele, por isso era assim no país todo, sobretudo os mais pobres.

E de qualquer maneira, só serviu para dar umas massas à JP Sá Couto, não é verdade? Nem sequer quiseram ir comprar ao estrangeiro ou à China. Como se fosse possível uma empresa nacional ter hipóteses nessa área. Apoiar a tecnologia nacional…pois sim…apoiar amigos com negócios escuros, essa é que é essa.  Toda a gente sabe, por isso é que aqui o digo, embora por indirectas, não vá alguém pedir-me para fundamentar a acusação. E ainda por cima aquilo dava boa imagem ao Sócrates e toda a gente se ia lembrar sempre dele, e isso é que não pode ser.

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Bagão Felix, Correio da Manhã

Estou muito aborrecido com a carapuça que o senhor Cardeal me obrigou a enfiar. Como pode verificar pelo meu cartão, somos até sócios do mesmo clube, o dos puros, e não é justo acusar-me de ser corrupto. Foi isso que quis dizer, não foi? É que não estou nada a ver que pudesse ser outra coisa.

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jfd, Forte Apache

O Zorrinho e o Seguro criticaram o Pedro por um disparate que ele disse, e ainda não perceberam que o que conta é o que o Relvas diz. Eu fiquei, tipo, duuuuh. E depois fizeram umas cenas muita maradas lá no parlamento. Que palhaços. LOL. :P

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João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos

O Sr. Presidente Cavaco Silva deu-nos a honra de uma magnífica entrevista, onde esteve muito bem como é habitual, e demonstrou que quem manda é ele. Disse, por exemplo, que não tinha sido apanhado em excesso de velocidade, porque se limitou a carregar num pedal, no estrito cumprimento dos seus poderes como motorista, sendo que o motor é que fez as rodas girar mais depressa. O que qualquer um que não seja mentecapto percebe ser a verdade.

Já o Zorrinho veio dizer que o discurso do PR e do governo é o mesmo. Mas se ele é que manda, queria o quê? Independência e isenção? Não ouviram as instruções do Sr. Presidente Cavaco Silva que agora é para ser como ele manda? Estão à espera de…?

Um livro por semana 140

«Meu Brasil Brasileiro» de Duda Guennes (homenagem no dia da sua morte)

O jornalista Duda Guennes (Recife, 1937) vive em Portugal desde 1974 e colabora em A BOLA desde 1980 com «Meu Brasil Brasileiro». Ali cabem «crónicas, causos, estórias, factos, fofocas e acontecências» como esta curiosa definição de árbitro de Armando Nogueira: «O árbitro de futebol é o único ladrão que rouba a gente na presença de milhares de pessoas e ainda vai para casa protegido pela polícia». José Miguel Wisnick afirma que «A arte do amor, como a do futebol, é abrir espaços onde não há» e Rubem Braga testemunha que um dos maiores prazeres da vida é «Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito – e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro». Garrincha respondeu uma vez a um director que lhe chamou boémio por frequentar boates – «O senhor também já foi visto várias vezes em velório e não é defunto». Roberto Pásqua, presidente do Corinthians disse em 1985 – «Se minha vida particular atrapalhar o Corinthians, abandono a vida particular». Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama afirmou sobre a corrupção – «Ética é coisa de filósofo». Dissertando sobre a estética do futebol, o jogador Dadá Maravilha afirmou – «Não existe golo feio. Feio é não fazer golo».

Garrincha, farto de levar pontapés do chileno Eulálio Rojas no Mundial de 1962, gritou esta maldição – «Olha aí, ó panasca, vocês chilenos não jogam nada. O Chile só é bom em terramoto e mesmo assim perde para o Peru». Por fim um clássico: o médio Ananias antes de um Náutico-Santa Cruz no Recife disse – «Só faço prognóstico no final do jogo».

(Editora: Prime Books, Capa: Luís Afonso, Apresentação: Vítor Serpa, Prefácio: José Carlos de Vasconcelos)

As manifestações já não são o que eram

É impressão minha ou a manifestação de ontem ficou um bocadinho aquém das expectativas? É verdade que 130 mil pessoas é muita gente, mas depois das mega manifestações de 200 e 300 mil pessoas contra os governos de Sócrates, como é que a CGTP explica que agora tenham comparecido apenas metade, ou um terço, dos manifestantes? E o Jerónimo e o Louçã têm alguma explicação para não terem respondido aos seus apelos 500 mil, no mínimo? Então não era na rua que se iria ver a força dos seus magníficos partidos? Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Tanto apregoaram que a causa de todos os males do País era o Governo socialista, e tanto se empenharam para o derrubar ajudando assim a direita a chegar ao poder, que, apesar da actual situação do País e de todas as medidas de austeridade, as pessoas se convenceram mesmo que o actual Governo de direita é o ideal para resolver os seus problemas. Ou isso ou são cada vez menos os que têm paciência para os discursos gastos e para a hipocrisia dos eternos dirigentes desta esquerda bafienta.

Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

Journalists Prefer Twitter, According to a New Study
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Majority of Journalists Use LinkedIn, though Many Ask, “What’s the Value?”
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Americans Move Dramatically Toward Acceptance of Homosexuality: Young People Lead the Changes
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Non-Verbal Clues Guide Doctor-Patient Relationships, Clinical Judgments
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Increased Caffeinated Coffee Consumption Associated With Decreased Risk of Depression in Women
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Lower Turnover Rates, Higher Pay for Teachers Who Share Race With Principal, Study Shows
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Role of Gender in Workplace Negotiations
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Musical Weather Shows Climate Influence
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People Learn While They Sleep, Study Suggests
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Women Have Stronger Immune Systems Than Men — And It’s All Down to X-Chromosome Related microRNA
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No centro está a virtude

O melhor espaço de conversa política é – de longe, de muito, muito longe – o Bloco Central na TSF. Oiça-se este exemplo: Cavaco Silva e a Madeira

Pedro Marques Lopes, que votou em Cavaco e não se cansa de mostrar que Sócrates não prestava para nada, é aqui implacável com o vergonhoso Presidente da República que ora temos. Pedro Adão e Silva, que nem sob ameaça de arma votaria Cavaco, elogia a atitude e as ideias acerca da Europa que o Presidente da República transmitiu na entrevista. Resultado? Este zelo pela honestidade intelectual própria, esta imaculada liberdade de pensamento e expressão, aumenta ainda mais a credibilidade e relevância das suas restantes opiniões.

Louvados sejam os neurónios de quem se lembrou de juntar estes dois amigos e de quem deu o nome ao programa. De facto, estamos mesmo perante um bloco central. Mas este centro é preenchido pelo culto da justiça e da democracia. É o centro que dá dimensão e referência às variegadas periferias.

Tenho só uma sugestão a fazer aos carolas da TSF: aumentem a duração do programa para duas horas. Invariavelmente, os assuntos em agenda, já de si uma redução dos tópicos a merecer análise, ou não são discutidos na totalidade ou obrigam a intervenções de pouquíssimos minutos, às vezes segundos, para os últimos da lista. E tal não se deve à lentidão com que os rapazes falam, pois estamos perante duas matracas. É mesmo porque pensam nas questões e têm genuíno gosto em estarem ali a comunicar uns com os outros para uma audiência invisível. Ainda por cima, as duas horas permitiriam incluir mais excertos das declarações dos políticos, o que por sua vez suscitaria ainda mais pertinácia, rigor e profundidade nos comentários, para além de também ajudar o ouvinte na recordação ou primeiro contacto com esses episódios.

Vá lá TSF, põe o relógio a funcionar a teu e nosso favor.