Um livro por semana 256

«Coincidências Voluntárias» de Rocha de Sousa

Rocha de Sousa (n. 1938) retoma alguns dos seus temas de sempre. Comecemos pela origem do título: «Durante as minhas incursões em diferentes campos operativos de carácter artístico, assumi na primeira exposição da AICA (Secção Portuguesa) a condição paralela de pintor e de crítico de arte, pela base demonstrativa de um quadro meu baptizado com o título Coincidências Voluntárias». Depois a possível definição do que é um quadro: «Todos os quadros são projectos falhados no mais nobre sentido da expressão – são uma soma de destruições, segundo a palavra cintilante de Picasso, e eu entendo-os em parte assim, sentimentos, recomeços, dilacerações, uma luta contra a indiferença».

Pintor e crítico de arte, eclético e sonhador, este autor foi também jornalista: «alcancei por mero acaso a área do poder transitando do Jornal do Fundão para um jornal da tarde, o Diário de Lisboa. Foi um bom tempo de aprendizagem, sob a vista afiada do Vítor Silva Tavares e do escritor José Cardos Pires». As mudanças no mundo da Arte do século XX dão origem a um comentário: «Nunca a arte sofreu tão profundas e consequentes mudanças. Claro que não é difícil apontar causas de ordem tecnológica e técnica, o advento da fotografia, o cinema, imperativos sociológicos e culturais». A memória da guerra está também presente: «estivera nessa guerras sem nome e sem préstimo, pelas picadas de Angola, logo no início do pesadelo em 61, ouvindo os estalos das balas cortando o ar por cima das cabeças e vendo no pó, na orla dos ataques, o medo dos meus colegas traduzido pela linguagem das rajadas de disparos em resposta, cada pontaria ao caso para dentro da floresta, cabrões a romper as gargantas, insultos inúteis de quem nos mobilizava durante vinte minutos contra a margem terrosa do capim». Voltando ao princípio, um desafio: «A obra de arte é um espaço do desejo, da comunicação e da revolta» – disse o autor num papel para os alunos nas Belas Artes.

(Editora: Edita-me, Capa: Miguel Ministro, Revisão: Patrícia Figueiredo)

O futuro é 404

Este blog tinha, à data deste texto, 6865 posts publicados. 6866 a contar com este. Esta produção só é possível por uma razão simples: tudo isto é fácil, gratuito e de existência passageira. Ao carregarem esta página, um disco rígido num servidor algures no mundo moveu-se ligeiramente, transmitiu a informação por fibra óptica, informação essa que passou por uns quantos routers até chegar ao processador que a traduziu para o ecrã que está à vossa frente. Com um custo que é, para efeitos práticos, zero. Não se paga nada para escrever, muito menos para ler, e o único custo associado é, ao que sei, a manutenção do blog que o Valupi assume – presumo que uma quantia irrisória (desconheço porque nunca me pediu um cêntimo).

Um dia, inevitavelmente, vai deixar de pagar, e o blog desaparece. Passará para o formato arquivo, numa primeira fase, e depois para o erro 404. E com ele, toda a produção – textos, comentários, polémicas – laboriosamente construí­da pelos seus vários autores ao longo de anos. O disco rígido escreve umas coisas por cima, e está feito. Esta é a essência da produção digital e online. Easy come, easy go, é assim e não há grande volta a dar.

É engraçado comparar com o que se passava há apenas uma ou duas dezenas de anos. Tudo o que era escrito vinha num suporte físico, sobretudo papel, cuja obtenção era bastante mais cara, a divulgação muito mais difícil, apenas ao alcance de alguns privilegiados, logo a produção muito menor. Tinha no entanto a vantagem da resiliência. O bloco de notas com uns poemas nunca publicados da tia-avó ficou esquecido na gaveta durante décadas, mas transmitiu-te a péssima poesia logo que o abriste, sem esforço. E como achaste graça, lá está no meio dos armários, pronto a passar para a próxima geração. Já o teu blog com poemas igualmente péssimos está, para todos os efeitos, publicado e aberto ao mundo, com milhares de milhões de leitores potenciais. Foste mais longe que a tua tia-avó, graças à tecnologia. Tirando que ninguém o lê, ninguém o vai preservar quando te fartares ou morreres, e ninguém o vai descobrir numa gaveta, porque quando desaparecer, é como se nunca tivesse existido. E o mesmo se passa com este, com os seus 1250 leitores diários. E com muitos outros, quase todos, desde blogs politicos a literários, passando pelas artes, pelos híbridos – como é que se preserva o f-world? – pelos pessoais, pelos diários,  reportagens, notas e relatos de autores conhecidos e desconhecidos. Nunca tivemos uma produção intelectual tão grande, e ao mesmo tempo tão efémera.

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Venham de lá esses palpites

O conselheiro de Estado Vítor Bento não quer treinadores de bancada a dar palpites sobre as medidas do Orçamento de Estado para 2012. Curioso, até há pouco tempo não o incomodavam os palpites, nem os dele, em inúmeras entrevistas, nem os dos outros. Agora ‘não têm utilidade’ e ‘dificultam a execução do que tem se ser feito’.
Também não percebi a quem chama treinadores de bancada, se aos seus colegas economistas, se aos restantes mortais. E a verdade é que cada vez é mais difícil distingui-los. Por um lado, a credibilidade dos economistas já conheceu melhores dias, basta olhar para as suas previsões e ver a realidade que teima em mostrar que não passam de verdadeiros palpites com tanta probabilidade de estarem certas como as de um qualquer bruxo. Por outro, os portugueses, que fugiam da matemática como o Diabo da cruz e que viam nos números verdadeiros bichos-de-sete-cabeças, ultrapassaram os medos e tratam agora as questões económicas por tu. E se os seus palpites falharem, enfim, isso só os aproxima dos especialistas na matéria. Um feito extraordinário que prova que nem tudo é mau nesta crise, embora ainda haja assuntos sobre os quais, estranhamente, ninguém quer dar palpites e que passam ao lado de todos os treinadores de bancada. Por exemplo, a falência e consequente nacionalização do banco Dexia. Por onde andam os que tanto criticaram Sócrates por causa da nacionalização do BPN? Então, agora, já são normais as nacionalizações de bancos falidos? É problema dos belgas e dos franceses, não temos nada a ver com isso. E os testes de stress, invenção de brilhantes economistas, que garantiam, em Julho, que o Dexia gozava de excelente saúde, e que também serviram para testar a banca nacional, não merecem uns palpites?

Da próxima vez, qual será o órgão ameaçado?

A primeira-ministra da Eslováquia revelou esta terça-feira que Pedro Passos Coelho lhe telefonou para lhe dizer que o impasse em Bratislava lhe estava a provocar “um ataque de coração”, noticia o Financial Times no seu site na Internet.

Fonte

Depois do estômago, que teria levado um murro, agora é o coração, que ameaça não resistir à não aprovação do reforço do FEEF. Acompanharemos atentamente a evolução do quadro clínico…

Mas não temos pena. A via foi escolhida deliberadamente.

Acessoria jornalística

Mas há ainda uma outra lição a tirar, que muitos resistem a aceitar: é que, do lado dos privados, a acessoria jurídica de que se dotaram soube blindar os termos dos contratos celebrados. O que significa que qualquer tentativa de renegociação acabará, com alto grau de probabilidade, por redundar em aumento de custos para o Estado. Os erros do passado pagam-se caros. De futuro, não podem repetir-se. E fica por se saber quem é verdadeiramente responsável por não saber salvaguardar capazmente nessas PPP passadas o interesse público, em nome do qual foram realizadas.

Editorial do DN

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Há unanimidade partidária à volta desta questão. PSD e CDS fizeram campanha contra o anterior Governo usando as PPP como prova do despesismo irresponsável e fatal dos socialistas e ainda da corrupção de Sócrates e seu bando. PCP e BE consideram que qualquer acto governativo que não vá no caminho da abolição do capitalismo é um acto corrupto, pelo que para eles as PPP serão criminosas logo no plano conceptual. E o actual PS inscreveu uma espécie de combate à corrupção nas suas prioridades, o que, a juntar a várias declarações ao longo dos anos de Seguro e de quem o apoia, sustenta a hipótese de também vir a alinhar numa caça às bruxas nas PPP que consiga satisfazer o desejo manifesto no editorial: identificar aqueles que não foram capazes de salvaguardar o interesse público – que o mesmo é dizer, descobrir os maiores corruptos das maiores corrupções, gritam em coro canalhas e broncos.

Claro que estamos perante uma falácia embrulhada num sofisma. Nem a actividade governativa é imune ao erro, bem pelo contrário, dadas as dificílimas condições em que se tomam decisões e a complexidade dos problemas, nem é suposto que as empresas deixem de tentar alcançar as melhores condições contratuais só porque estão a fazer negócios com o Estado, bem pelo contrário, pois é essa a sua obrigação em todos os contratos celebrados seja com quem for. Logo, colar eventuais pressupostos muito questionáveis ou mesmo errados com o facto de se blindar os termos dos contratos celebrados tanto pode servir para introduzir um problema ainda a ser dilucidado ou para impor uma conclusão da qual se espera obter vantagens.

A opção do Marcelino, ao pedir para rolarem cabeças, é a de continuar a estratégia da difamação contra os governantes que deixaram as suas assinaturas nas parcerias. Caso contrário, usaria os recursos do DN para investigar as infames PPP e fazer luz sobre o assunto com objectividade e profissionalismo jornalísticos. Se o fizesse, até a palavra acessoria, que continua sem ter sido corrigida à hora em que escrevo, passaria a merecer entrar no léxico corrente com o significado de auxílio no acesso aos factos.

BILHETE NO BOLSO

Às vezes está tão longe
Às vezes está mais perto
Fala e ninguém o ouve
Como telefone no deserto

Vai dar uma longa volta
Pode morrer e não morre
Com um bilhete no bolso
Anda a pé, viaja e corre

Apanha a chuva dos outros
Porque é poeta concreto
Suja as mãos fica na rua
E desenha um ângulo recto

Traz às costas uma dor
Sem peso nem dimensão
Com um bilhete no bolso
Já não ouve o coração

Faz os poemas devagar
Num forno feito de fogo
Que nasce da combustão
Duma voz fora de jogo

Defende sem bem saber
Justos contra tiranos
Com um bilhete no bolso
Anda assim há muitos anos

Um quase nada lhe chega
Para o que vai sonhar
Um futuro sem a morte
Em todo e qualquer lugar

Escondido na multidão
Atravessa as ruas só
Com um bilhete no bolso
Há-de voltar para o pó

(in Leme de Luz, Sol XXI, 1993)

Da vida louca nas escadas rolantes do Porto

Homem apanhado a masturbar-se nas escadas do metro

A PSP apanhou hoje um homem de 56 anos a masturbar-se numa escada rolante da principal estação de metro do Porto, na Trindade, disse uma fonte policial.

O indivíduo, residente na Póvoa de Varzim, estava a masturbar-se cerca das 11.40, enquanto circulava numa escada rolante atrás de uma mulher com quem aparentemente não tinha qualquer afinidade e que entrou apressadamente numa carruagem do metro.

Polícias que seguiam noutra escada rolante, em sentido contrário, deram a volta a apanharam o homem. Levaram-no para a Divisão de Investigação Criminal, onde foi elaborado o respectivo auto de notícia.

Fonte

Fait divers passivo-agressivos

O vídeo não mostra o início do episódio. Antes de Seguro falar, Anabela Neves entrou na emissão a dar conta da sua surpresa por ainda ter trabalho a fazer quando o PS já tinha mandado todos os jornalistas embora. Depois de Seguro proferir a sua declaração, lançou-lhe uma pergunta armadilhada que pretendia obrigá-lo a reconhecer a anomalia daquela sua intervenção imprevista e tão tardia na noite eleitoral. A resposta de Seguro é um fartote de sonsice.

Começa por mostrar que não admitia à jornalista a alusão à possibilidade de ter cometido qualquer falha. Isso foi transmitido apenas com o corpo, primeiro através de um esgar que simulava espanto quando ouviu a palavra “erro”, e depois através de movimentos incontroláveis dos olhos e dos lábios quando a pergunta foi repetida ipsis verbis. Mas donde veio a necessidade de se repetir a pergunta? Veio do ataque de Seguro à própria Anabela, insinuando que ela tinha sido tão confusa na formulação da questão que nada se tinha percebido. Esta táctica é poderosa, especialmente em contextos tão marcados pela efemeridade dos diálogos, pois obriga o interlocutor a refazer a questão, usando outras palavras num contexto onde recebeu censura pública de uma figura com autoridade. Trata-se, pois, de uma humilhação. Do lado de quem assim se defende, o propósito é o de evitar responder à pergunta inicial e ainda exibir controlo.

O momento mais significativo desta lógica afectiva e subtextual acontece quando Anabela Neves procura reconstruir o que tinha dito segundos antes só para ser interrompida assim que Seguro viu um brecha para lhe anular a tentativa. Felizmente, ela não se intimidou e conseguiu reproduzir exactamente o tinha dito. Seguiu-se uma justificação manhosa que deu razão à intuição da jornalista: Seguro terá levado um puxão de orelhas de alguém por não ter aparecido a dar a cara pelos resultados na Madeira e veio falar a toque de caixa.

Wishful thinking

Jardim perdeu votos, é verdade, mas atingiu o seu objectivo de vencer com maioria absoluta. E atingiu-o em condições que nunca tinham sido tão adversas como as que agora se verificaram. Apesar disso, muitos dizem que com o emagrecimento da maioria perdeu margem de manobra, e que foi Passos Coelho quem saiu vitorioso. Que nada será igual, que acabou um ciclo e a arrogância exibida durante mais de trinta anos. Até parece que não conhecem o Alberto João.
Claro que terá de negociar medidas difíceis, mas o Governo de Passos pode esperar sentado por um Alberto João mais humilde. Não acompanharam a campanha eleitoral? Apesar de tudo o que veio a público, vislumbraram algum sinal de mudança no seu discurso? Parece-me que a notícia da ocultação das contas era motivo mais do que suficiente para uma mudança de postura, e tal esteve longe de se verificar.
No discurso de vitória avisou que governará sozinho, sem necessidade de coligações, e é só isso que lhe interessa. Portas pode festejar à vontade, ladeado pelos seus ministros, o que, aliás, me pareceu um recado mais dirigido ao PSD nacional do que ao regional, que é para o lado que Jardim dorme melhor.
Cavaco também não teve uma votação muito famosa, mudou alguma coisa?

Diabo à solta

Um resultado explicado por um sentimento de desânimo, designadamente de apoiantes da CDU, que fustigados de forma mais particular pelo agravamento exponencial das injustiças, do desemprego, da pobreza, não acreditaram que com a sua decisão e o seu voto podiam contribuir para penalizar quem lhes agravou as condições de vida e reforçar aqueles com quem contam para construir uma vida melhor. Mas também resultado da dispersão de votos em candidaturas inconsequentes, e até provocatórias, que embora sem projecto, nem valor próprio, beneficiaram de uma generosa mediatização destinada não só a favorecê-las mas a impedir o crescimento da força mais consequente e capaz de se opor e dar combate ao programa de exploração que atinge os madeirenses.

Jerónimo de Sousa

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É tão raro o PCP admitir qualquer derrota que essas ocasiões são oportunidades imperdíveis para observarmos os monopolistas da História a terem de lidar com mais uma situação em que a realidade se engana. Eis o que os camaradas teólogos puseram Jerónimo a debitar:

– Que o desânimo, quando na forma de um sentimento, tem profundas consequências eleitorais.

– Que os apoiantes da CDU na Madeira foram fustigados de forma particular pelo agravamento das injustiças, do desemprego e da pobreza, mesmo que não haja notícia de tal agravamento selectivo ter acontecido em qualquer parte do território nacional e muito menos na gastadora Madeira onde o nível de vida não tem parado de subir.

– Que o alegado agravamento é exponencial – ou seja, geométrico – não tendo o PCP a necessidade de explicitar em quê, desde quando, como e porquê.

– Que os apoiantes da CDU na Madeira não acreditam que a CDU da Madeira contribua seja para o que for de politicamente válido para os seus interesses.

– Que a existência de outros partidos para além do PCP e seus aliados, especialmente se forem pequenos ou novos partidos que calhem ter mais votos do que a CDU, configura uma provocação.

– Que a comunicação social faz o que pode para diminuir o poder do PCP porque só o PCP está em condições de salvar os madeirenses, assim se revelando o que a CDU pensa da inteligência e liberdade dos cidadãos e eleitores da Madeira.

O PCP nunca tem nada para investigar, reflectir, descobrir. Já sabem tudo, carregam às costas milhares de anos de opressão e imperialismos. Depois de tão sacrificial caminhada, o mundo tornou-se simples, viver é agora fácil: existem os comunistas e os seus livros, as suas memórias e a sua fé – o resto é o Diabo à solta, esse mestre do ultra-liberalismo que nem Deus consegue domar.

S.O.S Líbia – Podes ajudar?

A Guerra na Líbia avança voraz. A Cidade de Sirte está cercada – os animais de estimação passaram a víveres. A Cidade é constantemente bombardeada, Y qualquer coisa – móvel ou imóvel – é alvo, inclusive Hospitais. A esta cegueira Nato, não estão a salvo os cíveis, y, de entre eles, os números de crianças Mortas ascendeu a 1 milhar em duas semanas. Os vídeos foram chegando, com eles a exposição dos corpos minúsculos de seres para quem esta Liberdade, Democracia Y Direitos Humanos, da tão Amada Y acarinhada Revolução Líbia pelos Ocidentais, foi madrasta. São Crianças Mortas que permanecerão Crianças Mortas. Não lhes podemos dar vida, sabemos. Mas Crianças Mortas da Facção-Kadhafi não se podem tornar Boas Mortes de Crianças Mortas só porque são facção-Kadhafi. Compete-nos a nós Impor o respeito, impor uma Humanidade que respeite as suas crianças acima de tudo, senão qualquer valor por mais nobre y vibrante que o seja perde o seu sentido Y vitalidade. Fica enfraquecido, inerte, amaldiçoado. Na Líbia a narrativa que se comporá não será um “foi a guerra”; pelo ritmo extasiante a que a impressa mundial nos habituo nestes últimos sete meses, o eco que se sobreporá será um “foi a Liberdade”, “foi a democracia”, “foram os Direitos Humanos”. Y neste entorno amargo crescerão as crianças Líbias sobreviventes que saberão que todas as que morreram foram Mortes celebradas pelos Ocidentais, que foram mortes catalogadas como casualidades, danos colaterais; nos manuais escolares aprenderão que Matar Crianças é Crime de Guerra. Mas que isso não se aplicou às Crianças Líbias. Que as Crianças Líbias, no mundo, foram a excepção à classificação de Crime de Guerra, Y, com isso, o Respeito à Morte de Uma Criança Líbia foi relevado, desconsiderado, ocultado. Esperando que a Liberdade, a Democracia, os Direitos Humanos apaguem a sua morte como um Bem Maior; o preço a pagar por um bem Maior. Um preço que é pago com o sangue dos filhos dos Outros, sai barato. Dai o entusiasmo dos universalmente baptizados por Rebeldes Líbios, Y pelos Operacionais Nato que a salvo, nos seus lares distantes, mantêm os seus filhos em segurança. Reitero: As Crianças Mortas da facção-Kadhafi não se podem tornar Boas Mortes de Crianças Mortas da Facção-Kadhafi.

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Vinte Linhas 671

Uma rosa de calf em Santiago do Cacém – com foto de Paulo Sousa

Na tarde da cidade, o teu cabelo depois de solto do rabo-de-cavalo da manhã é, entre volume e esplendor, uma seara de sonhos. Já não há ceifeiros. Suas vozes graves e seus gestos lentos ficam, para sempre, nos livros de Manuel da Fonseca. Mas também nos poemas de Francisco Bugalho em Marvão e nas páginas de prosa de Mário Ventura entre a guerra das laranjas e Elvas em 1945. O teu rosto, visto de perfil num auditório, é a cartografia de uma aldeia de Manuel da Fonseca: «nove casas, duas ruas, no meio das ruas um largo, no meio do largo um poço de água fria». Como se o rosto fosse um poema, essa tarefa impossível de juntar de novo dois mundos separados pela distância e pelo esquecimento. O teu sorriso é o desafio da campaniça atónita no bulício da cidade mas elas não usavam o telemóvel que tu deixas em silêncio na cadeira. Perto do meio-dia a planície transforma-se numa fornalha de lágrimas sufocadas pelas canções teimosas a que era preciso responder mesmo sem vontade.

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Blogger’s Digest

Uma selecção das melhores opiniões da semana, traduzidas para português corrente.

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Ricardo Vicente, Forte Apache
A constituição, o regime, a republica, a monarquia, tudo isso é muito bonito, sim senhor. Mas comparado ao cheque-ensino, são coisas menores e sem interesse nenhum. O cheque-ensino é a bitola pela qual se mede a neutralidade do estado e a relevância da constituição. Isso é que devíamos comemorar.

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João Gonçalves, Portugal dos pequeninos
Houve uma menina que discursou no 5 de Outubro, mas só repetiu uma cassete sobre a Republica. Está enganada. Eu explico-lhe o que foi a Republica: meia dúzia de gatos pingados mal-intencionados que só fizeram porcaria. Deviam é ter ficado quietos, porque o verdadeiro republicano, como eu, só floresce no regime monárquico. Como se estava mesmo a ver, acabou tudo na ditadura de Salazar.  E isto do 25 de Abril vai pelo mesmo caminho. Vá por mim, menina, que eu percebo destas coisas.

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Henrique Raposo, Expresso
Já vos tinha dito que o Alberto João é o Sócrates, não tinha? Agora vou dizer o mesmo, mas por outras palavras, e aproveito para incluir o resto da esquerda e esta direcção do PS. Tudo para esconder o facto de Alberto João ser um dos mais importantes e destacados dirigentes do PSD. Observem maravilhados, por favor.

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Tiago Mota Saraiva, Aldeia dos macacos
Acho graça que o resto do mundo atribua um significado politico às acções do Mário Nogueira por tudo e por nada. As acções do Mário Nogueira só têm um significado politico quando o PCP diz que têm. Desta vez não disse, por isso não têm. Foi à Madeira porque lhe apeteceu.

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António Manuel Venda, Delito de Opinião
Redacção:
Eu fui estudar para Lisboa. Lisboa é uma cidade muito grande, confusa e um bocadinho assustadora, mas eu já sou grande e consegui não morrer à fome. Eu e os gatos. Em Lisboa vivem muitos socialistas, que se cruzaram comigo. Os socialistas são esquisitos, aparecem sem avisar, têm manias e são também assustadores. Um deles tinha bigode. Vê-se logo que são gente em que não se pode confiar. Eu não gostei nada de Lisboa e dos socialistas.

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Diogo Duarte Campos. Senatus
A patroa Merkel disse que o nosso país se estava a portar bem. E a Merkel, sendo estrangeira, nunca se engana. Logo, fica provado que as medidas da troika são boas e resultam, mesmo se os juros da dívida continuam lá em cima, sem se perceber porquê, e venha aí uma recessão. Felizmente, os mercados não querem saber de recessões, estão interessados na dívida e tamanho do estado. Os irresponsáveis dos socialistas é que insistiram em defender o país até à última, quando todos na direita ansiavam pelas medidas da troika, que são o remédio perfeito. E se são o remédio perfeito, então dá vontade de tomar mais ainda, para ser mais rápido e ficarmos mais saudáveis. Vão ver como resulta.

A democracia será linda

Os eleitores madeirenses fizeram a sua parte e escolheram livremente os seus governantes. Fica agora a faltar a metade correspondente onde as instituições políticas e judiciais da República farão também a sua parte com plena liberdade. Se tal acontecer, a democracia será linda.

Centro, volver

«O faz e o desfaz da acção governativa é absolutamente devastador para a realidade de um país», adianta.

Olhando para trás, Luís Amado analisa os erros: «Por preguiça política e institucional ao longo desta década, mesmo percebendo que estava aí o nó do problema. Os Governos com capacidade reformista e com autoridade política para fazer as reformas que era absolutamente necessário fazer para garantir essa competitividade foram protelando essas reformas até ao momento em que caimos no buraco em que caimos».

E enquanto estavamos a cair no buraco, uns estavam mais atentos que outros: «Vivi talvez com mais angústia do que outros colegas de Governo a situação em que paulatinamente o país foi caindo».

Luís Amado

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Amado foi o ministro mais ao centro no anterior Governo. Ou ainda melhor, é a única figura do universo socialista que não se inibe de reclamar o centro como o lugar da boa governação. Embora ultra-discreto debaixo dos holofotes mediáticos durante o tempo em que assumiu a pasta, as suas opiniões chegavam ao público através do aproveitamento e manipulação pela oposição à direita, numa natural tentativa de abrir brechas no Executivo e aumentar o desgaste de Sócrates. Quando finalmente falou a respeito da queda do Governo e da vitória do PSD, apresentou um vasto horizonte de responsabilidades e possibilidades, focando-se com rigor e zelo exemplares no interesse nacional. Tal e qual como volta a fazer nestas recentes declarações.

Seria fascinante, para os apaixonados pela política, poder participar num seminário com Luís Amado, Santos Silva, Pedro Silva Pereira, Lourdes Rodrigues, Correia de Campos, Vieira da Silva, Teixeira dos Santos e Sócrates a respeito da sua experiência governativa num período de desafios internacionais impensáveis há 6 anos e num contexto nacional marcado pelas suas consequências e pela decadência do PSD e influência de Cavaco a partir de Belém. Sem surpresa ouviríamos diferentes diagnósticos e perspectivas, e seria possível aprofundar e esclarecer o que Amado apenas deixa como aceno vago e ambíguo. Que preguiça é essa de que fala? Qual a sua origem e dinâmica? Como se evita? Teria sido ele capaz de fazer diferente caso fosse primeiro-ministro ou o mal é insuperável venha o mais corajoso e visionário? Enfim, será “preguiça” o conceito adequado? Esta discussão, com este elenco, daria para um ano de sessões absolutamente imperdíveis e de interesse histórico.

Luís Amado fez um trabalho magnífico à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Os elogios choviam de todos os quadrantes. O nome de Portugal nos círculos diplomáticos ganhou um brilho de que nos podemos, e devemos, orgulhar sem qualquer embaraço bacoco. A diplomacia é uma área crucial para o desenvolvimento económico, a paz social, o avanço cultural e a coesão entre cidadãos, povos, regiões e países. Sócrates acertou em cheio quando o escolheu. E Sócrates deixou mais uma marca do seu carácter ao ter mantido uma lealdade imaculada com um ministro que se prestava a ser usado como aríete da oposição só por causa da sua liberdade de pensamento.

Assim por alto, quantos corruptos há no PS?

Esclareço ainda não ter, de modo nenhum, afirmado que o Secretário Geral do PS “não quer combater a corrupção”, como me atribui o seu jornal, erradamente. O que disse – e mantenho – é que há no PS pessoas que não querem combater a corrupção. Mas não é de maneira nenhuma essa a minha “sensação” sobre o actual Secretário Geral do PS, muito pelo contrário.

Ana Gomes

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Esta famosa militante do PS, eurodeputada desde 2004, actual membro da Comissão Política de Seguro, formada em Direito, com uma vida dedicada à diplomacia, regular presença na comunicação social onde diz o que lhe dá na gana sem qualquer censura, afirma que há no PS pessoas que não querem combater a corrupção. Ora, o PS é tão grande que terá todo o tipo de pessoas, incluindo essas supracitadas mas também pessoas que cospem na sopa, pessoas que mentem a freiras, pessoas que dizem palavrões à frente dos seus animais de estimação. Qual o problema de existir no partido quem represente a enormíssima maioria da população portuguesa que nem sequer no último lugar da sua lista de pequenos interesses colocou o combate à corrupção precisamente porque, em maior ou menor grau, pratica, ou deixa praticar, actos de corrupção?

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Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

‘Benevolent Sexism’ Is Not an Oxymoron and Has Insidious Consequences for Women, Experts Argue
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Wash Away Your Troubles
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The Decline of Violence
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Babies Show Sense of Fairness, Altruism as Early as 15 Months
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Reducing Iron May Lower Age-Related Brain Disease Risk
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Why Does Conflict Arise When Social Identity Is Threatened?
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People Without Cars, Financial Assets Less Likely to Marry: Study
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Illusory Memories Can Have Salutary Effects

Comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental 2011 / 5º Aniversário da ENCONTRAR+SE

Partindo do tema proposto pela World Federation for Mental Health (WFMH) para o Dia Mundial da Saúde Mental de 2011, “The great push : investing in mental heath”, que tem como principais pressupostos de acção a importância da Unidade, da Visibilidade, dos Direitos e da Recuperação das pessoas com doença mental, a ENCONTRAR+SE – Associação de Apoio a Pessoas com Perturbação Mental Grave em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos, desenvolveu um programa de Comemorações que decorre entre os dias 9 e 12 de Outubro.

O programa das Comemorações engloba iniciativas que tratam aspectos ligados à saúde mental ao longo do ciclo da vida, dirigidas a diferentes grupos e actores sociais, com o objectivo de responder ao grande desafio proposto pela WFMH para as Comemorações deste ano – o de alertar para a necessidade de investir na saúde mental.

Para dar início às Comemorações e contribuir para dar visibilidade ao tema da saúde mental, combate ao estigma e discriminação associados à doença mental, o programa começa com a Caminhada UPA – Unidos Para Ajudar. Este evento terá lugar no dia 9 de Outubro, pelas 10 horas, na marginal de Leça da Palmeira e contará com a presença de inúmeras figuras públicas, entre as quais o Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dr. Nuno Oliveira, o Sr. Presidente do Conselho de Administração da ULSM, Dr. Vitor Herdeiro, o Sr. Presidente do Futebol Clube de Leixões, Sr. Carlos Oliveira.

Estará também presente o Padrinho do Movimento UPA, o músico Zé Pedro dos Xutos e Pontapés, entre outros convidados.

[texto da organização]

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Para todos aqueles interessados em proteger as pessoas com doença mental, a ENCONTRAR-SE é uma ajuda e uma esperança.