Alamal – canção breve sobre foto da Câmara Municipal do Gavião

Numa praia fluvial
Margem esquerda do Tejo
Um comboio pontual
Faz o mapa que não vejo

Desenhando na paisagem
Uma pauta construída
Como se nesta barragem
Estivesse a água da vida

Como se nas muralhas
Os guerreiros desta igreja
Desejassem as batalhas
Que a História não festeja

Como se na linha da estrada
Que se desenha na serra
A morte sem dar por nada
Viesse acender a guerra

Entre os dois batalhões
Os a cercar e os cercados
Ouvindo aqui as canções
Cantadas pelos soldados

Que caminham para a glória
Ou para a morte esquecida
Uns os autores da História
Outros na sombra da vida

Estado de golpe

Que aconteceria caso fosse Sócrates a cortar, à doida, 50% do subsídio de Natal, e isso depois de ter dito que nunca o faria, bem pelo contrário? Veríamos Ferreira Leite, com 1 milhão de indignados atrás de si, a descer a Avenida da Liberdade agitando uma fidalga bandeira de Portugal, logo secundada por Pacheco Pereira, lívido de ódio, a bater num bombo para marcar a passada e disciplinar os urros da Grei. A toda a largura da frente da manifestação, uma faixa com os dizeres: Sócrates, assassino! Mataste o Menino Jesus!

E que aconteceria se, passados poucos dias da medida draconiana ser anunciada, sábios estrangeiros viessem comunicar que passávamos a ser lixo aos olhos do mundo civilizado e também da Madeira? O grupo de operacionais Todos pela Liberdade – cerca de 30 patuscos, da extrema-direita à extrema-esquerda, que atrasaram o almoço de 11 de Fevereiro de 2010 para protestarem frente à Assembleia da República contra a asfixia da sua inteligência alvar – seria outra vez convocado para se apresentar ao serviço. Desta vez, o plano passaria por tomar o Marquês de Pombal de assalto, liderados por uma troika de peso: Miguel Relvas-Carlos Abreu Amorim-João Gonçalves. Ali ficariam a mandar sacos de água, ou com outros líquidos, a todos os automóveis identificados como propriedade de militantes e simpatizantes socialistas que passassem na Rotunda, jurando manter a barracada até Portugal apresentar superavit nas contas públicas ou Sócrates ser preso pela GNR e deportado para a Líbia, o que acontecesse primeiro.

Continuar a lerEstado de golpe

A realidade, já a viste?

Estás num buraco, Pedro. Já sabias que a governação ia ser difícil, tinhas plena consciência que a táctica que te obrigaram a seguir para chegares onde estás ia piorar, e muito, a situação. Era um mal necessário, pensaste. E seguiste-a, convencido que tinhas o que era preciso para uma governação dura e exigente. Todos to diziam, e tu acreditaste. E se calhar tinham razão, se calhar tinhas mesmo, até já deste indicações que sabes ser duro e implacável quando é preciso. Os teus ministros é que enfim. O que não te disseram, e não te apercebeste, era que a situação não ia ficar difícil e exigente. Ia ficar impossível. Porque a austeridade à bruta dá recessão à bruta, com austeridade a economia não cresce, sem crescimento não há maneira de pagar dívidas com juros enormes, e sem pagar as dívidas ninguém te financia os investimentos necessários para crescer, e tu não podes porque estás a pagar dívidas e juros de dívidas. Ou seja, estás tramado. Tu e nós. Que foi precisamente o que disse a agência de rating: quem emprestar dinheiro a estes tipos arrisca-se a ficar sem ele, porque estão tramados.

Portanto, chegado a este ponto, tens dois caminhos:

a) – manténs o plano da Troika, e o teu “mais além”, cortas à bruta e em grande na despesa, aumentas os impostos e os sacrifícios, sabendo que isso só agrava as condições económicas e que provocará uma recessão e um nível de desemprego brutais. E não cresces, logo a dívida não é paga, e o esforço não serve para nada. Fizeste aquilo a que te comprometeste, os resultados são o oposto do que dizias, e toda a gente te odeia.

b) – moderas os cortes, por opção ou incapacidade, para não afectar tanto a economia. A recessão e os sacrifícios são menores, mas não te permite baixar o défice como te exigem. Falhas os compromissos, a UE impôe-te mais austeridade, porque falhaste. A austeridade agrava a recessão, que provoca níveis de desemprego brutais. Não cresces, a dívida não é paga, e o esforço não serve para nada. Mudaste as tuas posições, as tais que te permitiram chegar onde estás, os resultados são o oposto do que prometeste, e toda a gente te despreza.

É que todos por essa Europa fora, os teus colegas que te apertam as mãos, sorriem e de dão pancadinhas nas costas nas cimeiras da União, sabem que estás tramado. O problema, Pedro, é que se te ajudarem a sair da situação em que te meteste ficam eles tramados com os seus eleitores, portanto esquece lá isso. Levas o mínimo essencial para não morreres, porque se morres lá se vão os bancos e a economia deles. Mas vais pagar esse suporte de vida com sangue, suor e lágrimas, porque é o que os cidadãos do resto da Europa exigem para não repetires a graça tão cedo. EU rescues are not for the faint-hearted, lembras-te?

O que não quer dizer que eventualmente não ajudem. Eles vão ajudar, que remédio têm eles se querem uma união e uma moeda. Mas só te ajudam depois de vários anos de purgatório e sofrimento, para que os nossos irmãos europeus vejam que isto não pode continuar assim e tenham pena. E passados esses anos de intenso sofrimento, todos reconhecem que o esforço foi inútil, e toda a gente te….bom, tu sabes.

Por isso, Pedro, a tua governação será essencialmente uma questão de optares entre ser odiado ou desprezado. Choose wisely. E esquece a presidência.

Vinte Linhas 638

A III Exposição de Arte Naïf de Lisboa

No próximo dia 14 de Julho pelas 18h 30m arranca a III Exposição Internacional da Allarts Gallery na Rua da Misericórdia nº 30 – ao Chiado.

Os 25 artistas são originários dos mais diversos países.

Da Holanda Ada Breedveld, da França Alain Carron, Alain Donnat, Christine Haslé, Elisabeth Davy-Bouttier, Philipe Loubat e VECÚ, da Itália Alessandra Placucci, Cesare Marchesini, Cesare Novi, Guido Vedovato e Giuliano Zoppi, da Suíça Carole Perret, da Argentina Eduardo Ungar, Gabriela Lago, Marga Fabbri, Martha Tominaga e Pilar Sala, da Alemanha Irene Brandt, de Portugal J.B. Durão, Luiza Caetano e Maria Tereza, da Bélgica Jean-Pierre Lorand e Thérèse Coustry, do Casaquistão Vladimir Olenberg.

Viver é escolher. Para apoiar a notícia poderia ter escolhido uma imagem da «Florista sentada» de Eduardo Ungar, do «Waterway» de Ada Breedveld, da «Torre dos Clérigos» de Giuliano Zoppi ou do «Mercado da Ribeira» de J.B. Durão mas escolhi este bairro popular de Lisboa em noite de Santo António de Luiza Caetano.

É um registo pictórico que transporta consigo as memórias dos milagres do Santo e as cores dos arcos engalanados, o som dos pregões cantados nas escadinhas e as palavras das varinas que parecem saídas de um poema de Cesário Verde. As suas canastras onde adormeceram os filhos são a prefiguração das fragatas dos anos 60 e dos pesqueiros modernos de hoje mas onde o medo dum naufrágio nas tormentas é igual ao do passado. Todos o sabemos, mesmo quando não parece. Entre a brevidade da vida e o inevitável da morte, hoje como ontem, o apelo do milagre continua.

Maria José Nogueira Pinto – uma nota pessoal

 

 

MJNP morreu com 59 anos. Tenho 35 anos e não me lembro de não a conhecer. Não me lembro do dia em que vi pela primeira vez esta mulher inesquecível sentada, à conversa, em casa dos meus pais. Por isso, este raio que se abate sobre nós quando alguém como MJNP fecha os olhos pela última vez  e que nos faz percorrer imagens atrás de imagens até um início qualquer, não encontra, no meu caso, esse início.

A imagem de uma cara bonita, invulgar, a argumentar com prazer, irritada, alegre, interrompendo, impondo-se, essa imagem forma-se na minha infância, antes de eu saber o que era ser de direita ou de esquerda, mas já notando a inteligência, porque quando esta é aguda, as crianças sabem bem dar por ela.

MJNP fez uma carreira brilhante, era competente e guiava-se pela competência, às vezes inconveniente, felizmente, acesa e convicta nos debates, falando a cem à hora, interrompendo quando via nas palavras do adversário um limite para o seu silêncio, debatia com consistência e sem medo dos formalismos sexistas que quando quebrados perigam a qualificação do dito pela mulher.

Não vale a pena dizer o tão gasto “apesar” das nossas diferenças. Elas são evidentes, sabidas, porque MJNP sempre escreveu e disse sem margem para dúvidas quais eram as suas causas e valores.

Há dias, na AR, numa votação de horas e horas em que cada intervalo era esmagado por jornalistas, percorri o corredor com o olhar: encontrei-a ao fundo, sozinha, numa cadeira, a recuperar para a próxima rodada.

Sentei-me a seu lado e pousei a minha mão sobre a dela. Depois de umas palavras mais privadas, perguntou-me se eu já me orientava nos corredores do Parlamento. Respondi-lhe que eu era desorientada crónica e que daqui a quatro anos entraria triunfante no restaurante convicta de que seria o Plenário. Um fio de fraqueza e de beleza soltou uma gargalhada inesperada.

Há uns tempos, nesta sua dignidade perante a doença, aflitiva apenas para nós, mais fracos do que ela, houve um debate na televisão com independentes de todos os Partidos.

Vou guardar para mim o que nessa noite a fé profunda desta mulher traduziu em palavras após o debate, mas posso repetir uma verdade que lhe disse num abraço – “os ateus também rezam, Zézinha”.

 

 

Pergunto eu

As pessoas que berram contra a Moody’s dizendo que não tem razões para o downgrade do rating de Portugal são as mesmas pessoas que dizem, de cara séria, que a culpa é da terrível situação deixada por Sócrates, dando por isso razão à Moody’s. Em que ficamos?

Grandes verdades

Em relação às agências americanas de rating e suas estratégias globais, o PS não tem de mudar uma vírgula ao discurso, o qual é o mesmo desde o começo da crise grega. Já o PSD e o CDS passaram a dizer exactamente o contrário do que histericamente defenderam até 5 de Julho. E acaso voltassem para a oposição nos próximos dias, de imediato diriam o exacto contrário do que agora berram de peito cheio.

Há aqui um lado antropológico que é politicamente neutro, onde as cognições obedecem a automatismos relativos à posição na hierarquia de poder. Mas também há factores ideológicos e sociais que fazem com que o tecido partidário e publicista da direita, na actualidade, seja constituído – na sua gigantesca maioria – por oportunistas de baixíssimo calibre.

A Moody’s não tem razão

Um país cujo Presidente da República encheu os bolsos próprios e da família graças a condições negociais extraordinárias, nunca esclarecidas, obtidas junto de pessoas da sua confiança política e pessoal que estão agora a ser julgadas por suspeita de terem cometido variados e desvairados crimes, e que é também cúmplice, ou até mandante, de uma conspiração lançada a partir da sua Casa Civil para denegrir governantes e influenciar eleições, um país em que o partido vencedor das legislativas se lamenta, pela boca do seu líder, por não ter conseguido colocar como Presidente da Assembleia da República um populista acéfalo que nem sequer alguma vez tinha sido deputado, um país onde o Primeiro-Ministro não desmente obedecer a sms’s enviados por apresentadoras de televisão célebres por difamarem e caluniarem impunemente elementos do Governo, não é lixo.

É uma outra coisa muito mais suja.

Vinte Linhas 637

Entre os repiques e os sinais – na morte do português

No jornal «Público» do dia 28-6-2011 apareceu uma notícia sobre a morte de um menino de três anos que se ficou para sempre dentro de um automóvel onde tinha ido procurar uma guloseima. Terá adormecido e como ninguém o viu nem ninguém o procurou – lá ficou a caminho da terra da Verdade.

Para além do choque da notícia em si (Morreu um menino é o título de uma belíssima crónica de António Rebordão Navarro) eu reparei também no uso errado de uma palavra – a palavra repiques. Ao referir no corpo da notícia a expressão «são repiques distintos» em vez de «sinais» o autor do texto ignora que «repique» significa toque festivo dos sinos. Um bom dicionário dirá «tanger de modo festivo os sinos».

Ora um toque de finados diz-se na minha terra uns «sinais». Era comum no meu tempo de criança a pergunta – «Por quem são estes sinais?».

Perante a morte do Português também está a acontecer um pouco daquilo que esta notícia do «Público» de 28-6-2011 sugere: há quem faça repiques e há quem dobre sinais. Os primeiros devem ter muito a ganhar com o chamado «acordo ortográfico», os segundos estão a dar o toque de finados de uma língua que se está a perder.

Fernando Pessoa, se voltasse de novo a este Mundo, já não poderia dizer que a sua Pátria era a Língua Portuguesa porque da velha língua portuguesa já só existem retalhos. Tiveram que atirar pela borda fora do governo de Portugal uma ministra da Cultura (Isabel Pires de Lima) e só passando por cima do seu cadáver (político) é que venderam aos brasileiros o Português a preço de saldo.

“Murro no estômago”, diz ele

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, classificou hoje como um “murro no estômago” a decisão da agência Moody´s de cortar em quatro níveis o “rating” de Portugal, colocando a dívida do país na categoria de “lixo”.

Fonte

Deixem-me rir! Então e o murro no estômago dado pelo senhor com o chumbo do PEC IV? Lembra-se da imediata subida em flecha das taxas de juros da dívida soberana e da descida drástica da notação dos bancos portugueses e do próprio país? Lembra-se do consequente pedido de empréstimo? Foi ou não foi dado um murro nessa altura? E não pela Moody’s. Agora aguentem-se, porque vai haver mais. Estamos todos atentos. O circo ainda agora vai a meio… E era isto mesmo que desejavam, não era? Ou pensavam que o FMI vinha aí ajudar e tal, vocês seguiam rigorosamente a receita e pronto, Portugal seria uma história de sucesso. Santa ignorância!

Perdidos – Temporada 1, episódio 2

Começa a confirmar-se que o PSD tinha um, e apenas um, objectivo: derrubar Sócrates. Com o objectivo único concluído, não fazem a mais pequena ideia do que fazer a seguir. Excepto aumentar impostos, observar com espanto a recessão ainda mais agravada que se segue, ir buscar dinheiro à segurança social – depois repõe-se com “o crescimento” –  tomar medidas simbólicas e avulso na despesa, cortar nos apoios aos mais frágeis – que essa malta tem é de ir trabalhar -, deixar passivamente as grandes empresas portuguesas serem tomadas de assalto por empresas estrangeiras – é o mercado, fazer o quê? – , inventar desculpas, tentar ter boa imprensa, culpar os socialistas, culpar os sindicatos, culpar os empresários, culpar as agências, culpar os mercados que não dão tréguas, spin, spin e mais spin, fingir indignação quando os governantes dos outros países nos acusarem de irresponsáveis. E as bandeirinhas, não esquecer. No fim, fogem. Vai uma aposta?

Lixeira

Segunda volta faria subir taxas de juro. Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o País e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.

Cavaco

Para Pedro Passos Coelho, é possível «poupar dez anos de sofrimento e de desemprego a Portugal se fizermos em pouco tempo uma desvalorização fiscal bem sucedida», sendo necessário para isso «baixar a TSU».

Fonte

Passos Coelho acredita que, “se porventura o PS tivesse a responsabilidade de executar este programa (de ajuda externa), em menos de meio ano estava a discutir-se, como na Grécia, a reestruturação da dívida portuguesa”.

Fonte

O dirigente do gabinete de estudos do PSD Carlos Moedas defendeu hoje em declarações à agência Lusa que, com as reformas que um futuro Governo social-democrata vai aplicar, as agências ainda vão subir o ‘rating’ de Portugal.

Segundo Carlos Moedas, que é um dos principais conselheiros do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, os mercados “olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia”, porque “há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português”.

No seu entender, “assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, e fará tudo o que for necessário para que se cumpram essas metas até porque foi o PSD que sempre anda atrás do Governo para cortar, essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal”.

Fonte

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele.”

Relvas

Aí vamos nós

Apesar do novo governo, dos seus propósitos “bom aluno”de cumprir o défice e até, ansioso por aplicar a ciência dos manuais de neo-liberalismo, de o fazer mais rapidamente “indo mais além” das medidas acordadas com a Troika, a nossa dívida acaba de ser considerada lixo, com ameaça de nova descida, talvez para esterco. Sócrates já não está, para servir de bode expiatório. O governo diz-se colhido de surpresa e decepcionado. Entrámos, portanto, na via, não romana infelizmente, mas grega! A da tragédia.
Acho tudo isto extraordinário.

O governo, apesar do ar pesado de Gaspar, uma “mente brilhante”, deve achar que assim é que está bem. Parece confortável com o destino miserável do país.

Sabemos o que se vai seguir: cortes atrás de cortes, encerramento de serviços e organismos públicos, privatizações, despedimentos, inclusive na função pública, dado que é inútil reduzir e fundir serviços se não se dispensar pessoal e com isso poupar salários. Menos poder de compra, logo, menos consumo e mais recessão. Mas nenhuma daquelas medidas vai chegar. Não vai chegar nunca! Toda a gente sabe disso e não se faz nada. Tamanha subserviência perante uma Europa indiferente, implacável e arrogante devia ser inaceitável. Há pouco estava um senhor a perorar na SIC-N que o Brasil também já passara por situações de bancarrota no passado e acabou por recuperar. Portanto, a gravidade da situação seria relativa. Por favor! Nós não somos o Brasil nem temos moeda própria que possamos desvalorizar.
O que se passa com esta Europa? Parece-me tudo uma gigantesca hipocrisia.