Um livro por semana 239

«História da vida privada em Portugal – A época contemporânea» – Direcção de José Mattoso e Coordenação de Irene Vaquinhas

O objectivo deste terceiro volume é reconstruir a história da vida privada em Portugal entre 1820 e 1950. O livro parte de duas perguntas: «Como captar o silêncio, o íntimo, as nuances dos afectos, o que não se diz e permanece oculto? Como aceder aos monólogos interiores; às orações, aos medos, aos desejos e aos sonhos de vida futura?». De Benjamin Constant a Jean-Claude Kaufmann, os vários autores coincidem num ponto: «a vida privada emerge na segunda metade do século XVIII no momento em que despontam os sistemas políticos democráticos que definem uma nova categoria de cidadãos». Em 190 havia no Continente e nas Ilhas apenas 9,6% de casas com casa de banho, 24,2% com electricidade, 17,9% com água e 16,2% com esgoto de rede pública. Por outro lado entre 1944 e 1950 houve 48.709 casamentos em Lisboa e apenas 12.643 novas casas. É neste pano de fundo que se joga o intervalo entre conflito e bem-estar: do fado de Marceneiro («A mulher só vai a soco / Pois doutra forma faz pouco / Dum homem que ela não tema / E um bom murro nos queixos / É inda o melhor sistema / Para a fazer entrar nos eixos») ao louvor da conversação por Castilho – «é para tantos o seu único teatro, a sua única filarmónica, a sua única literatura».

E também o intervalo entre doença e felicidade: a tuberculose («De noite acordei e lembrei-me de todos os Natais e, sem querer, vieram-me as lágrimas aos olhos») e as férias nas Caldas da Rainha: «não tinham as instalações luxuosas de Baden-Baden ou Wiesbaden mas a povoação tinha algumas vantagens: uma estadia mais descontraída e informal, uma alimentação simples, saudável e barata, uma população simpática e afável». Também o intervalo entre pão («para Júlio Dinis, D. João da Câmara ou Raul Brandão o pão dos pobres é sempre o pão negro») e vinho: «Beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses». Sem esquecer os três tipos de casais lusitanos do fim do século XIX: «varão – manda ele e ela não; varela – manda ele e manda ela; varunca – manda ela e ele… nunca».

(Editora: Temas e Debates/Círculo de Leitores, Design: Leonor Antunes)

Que falta que fazia ali um tribunalzinho

O processo contra o director da revista Sábado, Miguel Pinheiro, acusado do crime de ofensa à honra do Presidente da República, nasceu de uma iniciativa do Procurador-Geral da República. Belém só aprovou o prosseguimento do processo, o que é muito diferente de o ter criado. Num plano institucional, a sua eventual recusa em julgar a eventual ofensa à pessoa do Presidente da República, para mais vindo do PGR essa suspeita, poderia ser considerado um precedente que fragilizasse futuros casos ou poderia ser visto como uma forma de desautorização do Ministério Público, até da figura do Procurador-Geral. Enfim, a questão é complexa e melindrosa nas suas conotações formais, ficando a faltar a justificação de Pinto Monteiro para ter escolhido um pedaço de prosa jornalística tão aparentemente inócuo e vulgar, ao ponto deste processo se iniciar sob o signo do absurdo.

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Grandes questões da actualidade

A Cinemateca é um museu. A Cinemateca tem salas de cinema. Os museus estão abertos aos domingos e feriados. As salas de cinemas estão abertas nos feriados e domingos. Os feriados e domingos tendem a ser dias em que não se trabalha, o que facilita a escolha de filmes que passam a horários usual e maioritariamente laborais. Os domingos e feriados, parece, costumam ser dias em que apetece ver filmes. Por causa da lógica pipoqueira dos distribuidores e da exiguidade daquele tipo superior de público que sabe ser o cinema bem mais real do que a própria realidade, só resta a programação da Cinemateca para o cinéfilo sobreviver.

Ora, que mal fizemos nós à Cinemateca, ou aos museus, para sermos deixados a agonizar sem alimento tantos dias por ano?

Dia dos portugueses

Disse então a Veloso um companheiro
(Começando-se todos a sorrir):
– «Oulá, Veloso amigo! Aquele outeiro
É milhor de decer que de subir!»
– «Si, é (responde o ousado aventureiro);
Mas, quando eu pera cá vi tantos vir
Daqueles cães, depressa um pouco vim,
Por me lembrar que estáveis cá sem mim.

Lusíadas, Canto V, estrofe 35

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Em toda a obra, não há passagem que se iguale a esta em intemporalidade e portugalidade. A malícia afectuosa ao despique, simultaneamente de traço popular e de ironia sofisticada, é uma das nossas mais fundas características culturais. E permanece como um veio de humor esquecido dos actuais comediantes, mas tão delicioso hoje como há quinhentos anos algures na costa de África, onde portugueses valentes arriscavam a vida em terra e no mar.

Rir é o melhor remédio

PCP e BE não têm qualquer dúvida a respeito do acerto das suas propostas. Cada um destes partidos considera ter toda a razão do seu lado, ter todas as soluções para todos os problemas, e só vê à sua volta estúpidos ou trafulhas, trafulhas estúpidos e estúpidos trafulhas. Ora, como irão eles explicar a eles próprios, nem que seja apenas nesses introspectivos momentos ao deitar os cornos na palha para dormir, a preferência de quase 80% do eleitorado pela troika que tanto diabolizaram, ao ponto de nem sequer terem ido lá dizer umas verdades aos camones? E aquela cena do Paulinho das feiras e da lavoura ter, sozinho, tantos deputados como os imbecis juntos? Também teria muita graça ouvir umas explicações a respeito, e não me importo de esperar.

Será que foram alvo de censura e a mensagem não pôde chegar à sociedade? Será que não têm quadros e recursos humanos suficientes para preencherem os espaços mediáticos à disposição? Será que são trapalhões e não conseguem dizer duas palavras seguidas numa sintaxe que se entenda? Que se passa de errado com estes santos da pureza ideológica, estes mestres da superioridade moral, estes génios da economia libertadora? Ou será o povo que não presta?

A arrogância intelectual que é apanágio dos bacanos alérgicos ao capitalismo não nos irá falhar e, em breve, teremos mirabolantes justificações que vão fazer muito bem ao fígado. O nosso.

Um livro por semana 238

«O livro do sapateiro» de Pedro Tamen

Pedro Tamen (n. 1934) publica poesia desde 1956 («Poema para todos os dias») e a sua obra está editada em diversos países: Itália, França, Hungria, Bulgária, Inglaterra, Espanha e Brasil. Num tempo que exige juventude, eficácia e rapidez o sapateiro (como o poeta) vive contra a corrente: seus valores são a sabedoria, a paciência e a lentidão. Organizado em 49 fragmentos (7×7) vejamos o poema nº 7: «Meia sola é meia sola. / Será por isso que a cola / me cheira tanto a vinagre? / Mas meia sola é milagre. / E eis o que ninguém sabe: / que neste cantinho cabe / na penumbra da oficina / na casca do caracol / esta pequena aspirina / que é a largueza do sol».

O ponto de partida é o lugar: «Sentado no curto escabelo que me deram / espreito aqui da cave pela janela alta / as pessoas que passam.»

O caminho é o erro e o engano: «Incham-me os olhos: / não chorei o bastante / os caminhos barrados / os dias que vivi por estes dedos / martelados por engano e erro / anos a fio / noites confundidas / com a cave onde trabalha / o coração real».

O resultado é a moral da história: «Não sai de mim afinal / outra coisa além do jeito / com que modelo e aceito / o que resulta do sal / com que tempero a natura / que em minha mão se acoitou. / Ela me faz o que sou / e ao fazer-me a faço impura. / Deste bico do sapato / bebo eu a vida inteira: / aqui fechado reato / caminhos de que ribeira / montes e flores onde exacto / encontro a minha maneira».

(Editora: Dom Quixote, Capa: Henrique Cayatte)

Doentio

Interrogado sobre o que quis dizer com a expressão “não há cura para aquele que não quer ser curado” que proferiu esta manhã no discurso que fez na sessão solene na Câmara Municipal de Castelo Branco, Cavaco Silva recordou tratar-se de uma frase de um médico célebre do século XVI, João Rodrigues de Castelo Branco, o Amato Lusitano.

“Eu espero que nós queiramos ser curados e que sejamos capazes de responder aos desafios que temos à nossa frente”, sublinhou o chefe de Estado, que falava aos jornalistas à entrada para um almoço no Conservatório Regional de Castelo Branco, inserido no programa de comemorações do 10 de Junho.

Frisando que acredita que os portugueses querem curar a “doença” que neste momento os afecta, o Presidente da República explicou que essa “doença” é “o grande desafio de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional”.

Fonte

Vamos lá a saber

Se substituíssemos os cinco partidos que têm ocupado invariavelmente o Palácio de S. Bento desde 1999 por três outros novinhos a estrear – o Partido da Esquerda, o Partido do Centro e o Partido da Direita – ficaríamos pior? Aliás, perderíamos alguma coisa?

É que esta disfunção sistémica em que à esquerda não é possível formar coligações para governar, porque PCP e BE são os auto-proclamados proprietários do povo, da felicidade e dos famélicos e não admitem misturas com a alteridade ideológica, está-nos a fazer muito mal e não vai desaparecer tão cedo. Os imbecis querem continuar a vender demagogia para imberbes e caducos, revolucionários e nefelibatas, até que o Inferno gele ou o capitalismo arda, o que acontecer primeiro.

Porque é que não fazem greve às eleições e deixam o Parlamento entregue aos imperialistas? Seria a forma mais rápida para testar as profecias de Marx e, caso sejam verdadeiras, em pouco tempo o proletariado daria a volta a isto. Assim, insistindo em ir para a Assembleia da República dizer coisas, mas nem fodendo nem saindo de cima, quem se lixa é a dialéctica.

Vinte Linhas 625

Dissertação para a geografia de um rosto

Chegaste à grande cidade onde domina a civilização do barro mas trazias a memória plena de uma civilização de granito: vindimas nas encostas da pedra, canções, comboios a vapor, vinho fino, a espuma branca de rios a caminho do Douro, seus afluentes apressados e velozes.

Obscuro geógrafo, adepto desta ciência de observação, eu procuro descobrir, descrever, e interpretar o relevo e o clima do teu rosto. São paisagens, contornos, transições e contrastes. A vegetação é o teu cabelo que recebe, na esquina da esplanada, as carícias do vento.

O teu olhar é um produto directo da superfície da Terra. Há nele uma mistura inesperada: lado a lado a pré-história e a civilização actual. Ou seja: litorais povoados, montanhas de gelo perpétuo, desertos de areia, florestas tropicais. E cidades, cidades feitas de caixotes cinzentos e raros jardins.

A tua pele, batida pela brisa de Lisboa, apresenta sinais de erosão. É o juntar de dois mundos: natureza e civilização, mundo vegetal e mundo animal. Sem esquecer o outro mundo que não se vê mas apenas se pressente: o mundo das caravanas, seu comércio e seu convívio. As fronteiras, as viagens e as feiras francas.

O poema, este poema, é o mapa possível depois de olhar o teu rosto e o teu perfil. A tua expressão humana na paisagem é também uma espécie de geografia.

Caminhas no teu ritmo sincopado pela longa rua das montras e dos eléctricos. Assim habitas a terra na agricultura minuciosa dos minutos.

Politeia

Não sou militante nem simpatizante do PS, por isso, num certo sentido, estou a marimbar-me para a escolha do próximo Secretário-Geral. Mas, como apaixonado pela política, tenho um receio e uma esperança. Receio que ganhe quem fez oposição interna nos últimos anos apenas na perspectiva do proveito pessoal com vista ao seu futuro. Receio que ganhe aquele que foi um dos principais promotores dentro do PS da candidatura Alegre, oferecendo de bandeja a vitória a Cavaco e desgastando ainda mais o Governo e o partido. Receio que ganhe esse molusco que não defende a honra dos seus camaradas. E espero que ganhe um Francisco Assis cuja liderança parlamentar o projectou para a exposição máxima com o consequente máximo proveito para o partido e para a cultura democrática.

Assis, que até calha ser licenciado em Filosofia, pode muito bem vir a ser o Platão de Sócrates.

Pitagorismos


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O electrão foi medido no Imperial College London, ao longo de mais de 10 anos, e os resultados apontam para a sua quase perfeição esférica. É tão redondo que, usando uma analogia, caso fosse aumentado para o tamanho do sistema solar (portanto, para a dimensão da circunferência imaginária que se forma no limite da órbita de Plutão – ou lá perto – tendo o Sol no seu centro), a sua irregularidade seria inferior à largura de um cabelo humano. Eis o que está a faltar para a esfericidade absoluta: 0.000000000000000000000000001 cm.

Tem isto algum significado? Tem. Aquele que lhe queiras dar.

Granadas contra a estupidez e a pulhice

Henrique Granadeiro é um dos príncipes encantados da sociedade, num percurso imaculado desde os origens humildes até ao estrelato com o sucesso da PT, passando pelo brilhantismo como estudante e a travessia, começada em 1968, de inúmeros cargos de superior prestígio executivo e administrativo. Como se fosse pouco, ainda junta a este notável currículo o bom gosto de não ter perdido por completo a pronúncia (no caso, alentejana) e a raça de gostar de touradas – sim, são preferências minhas: pronúncias, cavalos, touros e forcados.

Ontem foi entrevistado na RTP-N e, como é tão frequente, o resumo vídeo disponibilizado corta a melhor parte. Nela, Granadeiro fez a mais lúcida e sucinta análise do que nos levou até esta reviravolta à direita com direito a Presidente, Governo e maioria. Começámos a definhar com o desmantelamento dos aparelhos produtivos por imposição da entrada na CEE/União Europeia a troco de fundos e apoios europeus. Seguiu-se o período de ajustamento ao Euro e consequente baixo crescimento. Veio a crise económica, de seguida o ataque ao Euro, e a Europa não soube o que fazer, tendo falhado na defesa dos países mais fracos – os quais, por sua vez, já não tinham meios para produzirem certos bens essenciais que importavam. Entretanto, em Portugal o ano de 2009 foi passado em eleições, três e separadas no tempo, o que dificultou e adiou a tomada de decisões. Seguiu-se 2010 e a preparação para as eleições presidenciais, novamente dificultando e adiando a estabilização necessária para se tomarem as medidas adequadas. Na sua opinião, o País tinha sido colectivamente irresponsável por se ter deixado condicionar disfuncionalmente pelos ciclos eleitorais; os quais chegou a propor, ao tempo, que fossem reduzidos por via da junção das três eleições de 2009 na mesma consulta.

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Política de verdade

Há uma contradição insanável na estratégia seguida pelo PSD para estas eleições. Por um lado, posicionaram-se mais à direita do que alguma vez se tinha visto no terreno dos social-democratas. O que tem os seus inegáveis méritos, vários. Por outro, fizeram da campanha um plebiscito a Sócrates. O que tem os seus inegáveis riscos, muitos. Isso significa que levam para o Governo ideias que nem sequer foram do conhecimento daqueles que apenas queriam castigar a governação e derrotar o PS. Que farão estes tão díspares grupos de linchamento quando acordarem para a vida? Acresce que deixou de existir um contrapeso constitucional ao Governo, pois em Belém está um aliado, e cúmplice maior, do plano cujo contra-intuitivo sucesso por pouco deixou escapar a maioria absoluta para o PSD.

Passos Coelho não desperta nenhum entusiasmo nem dá confiança. Bem ao contrário. O percurso, desde a mentira do telefonema de Sócrates até ao último fim-de-semana de campanha e ataque ao Pacheco à mistura com a adesão às declarações de Ferreira Leite, foi circense – mas de um circo onde o palhaço mete medo e o leão dá vontade de rir. Porém, ninguém na direita está preocupado. Passos continuará a fazer o que lhe mandarem. E quem manda, já manda nisto há muito e muito tempo.

Neste quadro, o PS permanecerá o garante partidário do regime democrático. O fanatismo e sectarismo do PCP e BE – partidos que não podem abdicar da cartilha alienada e alienante sob pena de desaparecerem – mudarão os trapos com que se embrulham mas continuarão a cheirar mal. Muito mal.

Vinte Linhas 624

No Montijo ou dissertação para a primeira classe de Outubro de 1958

O fotógrafo vinha de Setúbal e o postal trazia impresso a palavra «Gevaert». Talvez por ser bom material é que chegou em bom estado a 2011. Já passaram 52 anos e a fotografia não desenha as três filas na sala de aula: os bons, os assim-assim e os burros. Aqui na porta da escola somos todos meninos. Cada rosto, seu porte, seu tempo e seu registo a preto e branco, sugere uma dissertação mais longa. Talvez uma balada. Tantos anos depois que memórias ligam os rostos aos nomes? Vou tacteando no escuro das recordações: o Ribeiradio, o Moita, o Artichicolate, o Joãozinho da Pastelaria.

E aquele rapaz que usava um cordel em vez de cinto para segurar as calças? Não retenho o nome. Há nestes olhares uma dupla inscrição: presença e interrogação. Por um lado eles dizem «estamos aqui». Por outro lado perguntam «que mundo é este?».

Nesse mesmo ano de 1958 terão prendido os membros de um conjunto musical («Lua azul») e levaram para Caxias todos os empregados de um fabrico de rolhas de cortiça na Rua Sacadura Cabral. Tudo isso por causa das eleições para presidente da República e do apoio dessa gente ao general Humberto Delgado.

Volto ao registo mecânico da fotografia e pergunto: quem será o menino que, junto à porta, não olhou a objectiva porque não se apercebeu da luz do magnésio? Quem será?

Entre sombras e presságios, entre guerras e emigrações, entre mistérios e negócios, entre lágrimas e sorrisos, que será feito destes meninos de Outubro de 1958? E de mim, que será feito de mim, apenas mais um que tirou o retrato à porta da Escola Primária lá para os lados do Tribunal em construção? Por onde andam os nosso sonhos?

O resgate dos paquistaneses

Em recentes declarações, Luís Amado explicou a razão de ser da (para mim) estranha campanha do PS. Segundo ele, e talvez representando os principais dirigentes socialistas, a partir do momento em que viria o resgate financeiro deixava de ser possível manter um mínimo de identidade ideológica num eventual Governo socialista, sob pena de se criarem ainda maiores tensões e erosão no partido. Aqueles que tinham querido essa solução que tratassem de aplicá-la. Assim, um ciclo tinha ficado necessariamente fechado com o chumbo do PEC4.

Este raciocínio é coerente com tudo o que vimos acontecer desde o congresso, passando pela elaboração do programa eleitoral do PS, e ainda oferece o bónus de explicar o número castiço dos bacanos de turbante, de repente transformados numa peça crucial de uma campanha sui generis.

Capturas

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros são particularmente vulneráveis à actuação de serviços secretos estrangeiros e de governos estrangeiros, com chantagens de todo o tipo.

Fonte

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O pior de todos os erros cometidos pelo PS, determinante de muitos outros, foi ter guinado à direita, a pretexto de desideologizar a acção política. Um caminho que facilitou a captura por interesses, designadamente do sector financeiro. Bem basta que eles estejam sempre a postos para infiltrar os partidos do poder… não convem escancarar-lhes a porta.

Fonte

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Ana Gomes descreve um país onde a Justiça não funciona, onde os Governos são pervertidos pelo sector financeiro e onde os governantes se sujeitam a devassas e chantagens por parte de organismos policiais estrangeiros. É um cenário de guerra, talvez de apocalipse. Por essa mesma razão, o repúdio pelas insinuações caluniosas que deixou contra um futuro ministro, e actual dirigente partidário, não pode ser maior.

Que tem feito Ana Gomes, além de emitir declarações avulsas e sazonais, para informar o público destes casos em que reclama ter conhecimento acima da suspeita? Que se saiba, nada. Nem sequer um blogue, ou uma página no seu blogue, foi capaz de criar para o efeito. Resultado: a sua inteligência foi capturada pelas emoções. Perde a cidadania e a sua credibilidade.