Barbaridades germânicas

Em declarações aos jornalistas, à margem da inauguração de um “mercado criativo” em Abrantes, António Serrano desvalorizou as suspeitas alemãs por causa da bactéria E.coli descobertas em folhas de alface de um produtor hortícola na Baviera, tendo observado que as mesmas “não se fundamentam em qualquer evidência científica”.

O ministro criticou as autoridades alemãs, tendo afirmado que “continua a haver uma irresponsabilidade muito grande” da sua parte, “avançando, de suspeição em suspeição, sem provas” concretas. “Até parece que o problema não está lá, na Alemanha, mas sim em outro país qualquer”, observou.

“É lamentável é que a Alemanha continue a deixar passar informação que não está devidamente validada do ponto de vista científico, que continue a provocar estragos na nossa agricultura, quando precisamos é de restabelecer a confiança, sobretudo nos países onde não há nada a temer, como é o nosso caso”, continuou António Serrano, acrescentando que as “suspeições” têm originado “consequências económicas profundas”, em termos de prejuízos, aos agricultores portugueses.

Fonte

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De facto, está a ser inacreditável o grau de desorientação das autoridades alemãs perante a crise da bactéria E.coli. E que isto aconteça num país com as competências e capacidades científicas da Alemanha, a que acresce a sua tradição de rigor na gestão, é de deixar qualquer um assarapantado.

Mas não admirará, então, que os alemães ainda se vejam mais à nora para lidar com as infecções e viroses financeiras da Zona Euro.

O teste Valupi não engana

3 115. Foi este o número de espectadores que viu o documentário 48, de Susana de Sousa Dias, na sua passagem por Lisboa. Mas ainda mais revelador da decadência da extrema-esquerda, a tal que manda nas ruas e nas avenidas mas não vai ao cinema, é o “Teste Valupi” a que sujeitei aqueles blogues onde se reúnem os maiores cagões da imbecilidade nacional. Pesquisando pela quantidade de ocorrências para Susana de Sousa Dias 48 e Valupi, eis os resultados:

Vias de FactoValupi: 6 | Susana de Sousa Dias 48: 1 (em 2010…)

5 DiasValupi: 7 | Susana de Sousa Dias 48: 1

ArrastãoValupi: 0 ou 25 (se contarmos os comentários) | Susana de Sousa Dias 48: 0

Blogues onde se gastam milhões de caracteres por mês a crucificar Sócrates e o PS, a derrubar o capitalismo e a levantar a revolução, a perseguir implacável e verborreicamente os desvios milimétricos às ortodoxias individuais entre adeptos e iniciados, não foram capazes de promover – quanto mais celebrar! – um documentário que é uma original viagem ao passado daqueles a quem mais devemos a democracia. Aqueles que, diríamos ingénuos, seriam os seus heróis favoritos. Mas não são, acabamos por aceitar. Quando se aproximam muito do povo e são obrigados a prestar atenção, a terem de ficar em silêncio para compreenderem o que não viveram mas acham que podem apropriar, estes guerreiros de lombada arrepiam-se, espirram e abalam para zonas onde lhes passe a alergia ao pensamento.

Os imbecis, como eles fazem questão de nos mostrar diariamente, deixam-se ficar sedentariamente instalados na utopia e já não têm curiosidade em conhecer outras paragens. Agora, estão só na converseta uns com os outros, esperando pelo fim da História numa versão em tons de vermelho carregado – e até se dão à suprema luxúria de preferirem gastar o tempo que resta com o irrelevante Valupi a ter de aturar as esquisitices artísticas da Susana de Sousa Dias.

Cunhal tem dado tantas voltas na tumba à conta destas luminárias que até Marx já está a ficar incomodado.

Vinte Linhas 627

Aspirinab ou o incêndio da Câmara Municipal de Lisboa

Na noite das eleições tocou-me em especial uma «pergunta» dirigida a José Sócrates por uma «repórter» mais ou menos no género – «encara a perspectiva de ser alvo de novos processo judiciais?». Tenho carteira profissional (e que não tivesse…) mas considero esta «pergunta» uma miserável, insultuosa e obscena provocação para além de não me rever neste tipo de «valores» humanos.

Lembrei-me logo da «pergunta», feita por um repórter de TV, ao presidente no momento em que o edifício da Câmara Municipal de Lisboa ainda estava a arder, sobre a sua quantificação dos prejuízos. O «pobre diabo» queria talvez fazer a pergunta que mais ninguém tinha ainda feito mas com as chamas a saírem pelo telhado dos Paços do Concelho foi muito desastrado – isto para não dizer alucinado.

No mesmo jornal (Diário de Notícias de 11-6-2011) descubro duas pérolas da modernidade em jornalismo. Uma é a notícia do baptizado da filha de um jogador com este título (sic) «João Moutinho baptiza a filha Lara». Eu conheço bem o João Moutinho pois trabalhei no Sporting desde 1988 a 2006 e acompanhei a sua carreira desde os Iniciados em 2000/2001 até à equipa «A». Sei bem que ele não é presbítero nem sequer diácono – logo não pode baptizar ninguém.

No artigo sobre o presidente eleito do Peru – Ollanta Humala – há duas curiosidades. Uma é escrever-se que a sua mulher é (sic) prima da sua mãe. Mais correcto seria escrever sua prima em segundo grau… A segunda é chamar Álvaro Vargas Llosa a Mário Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura. É preciso tomar uma «aspirina».

A guerra que nunca acabou

Quanto é que Portugal deve a estes homens e suas famílias?

[audio:https://aspirinab.com/ficheiros/Fórum-TSF-Guerra-Colonial.mp3|titles=Fórum TSF – Guerra Colonial]

Esta edição do Fórum TSF – Memórias da Guerra Colonial – é do maior interesse e gera a maior compaixão, seja qual for a tipologia das vítimas que aparecem a dar um testemunho sempre lancinante. Começa com um diagnóstico que explica muito do que continua a passar-se na sociedade e, portanto, na política. O país que escondeu a Guerra do Ultramar, escondeu os agentes da PIDE e seus informadores, maltratou os militares que voltaram feridos e os retornados, continua 40 anos depois cheio de silêncios e, sintomaticamente, ofuscado por uma caça às bruxas feita em nome da verdade e da transparência.

Velhas e relhas histórias que nos amordaçam, diminuem e violentam.

Nostalgia da luz

 

Astrónomos com os seus telescópios poderosos em busca das origens do universo, mulheres com as suas mãos em busca dos familiares assassinados por Pinochet. Todos em busca do passado no vasto deserto de Atacama, Chile, onde a humidade é zero e tudo é cristalino. Documentário de Patricio Guzmán. Não sei se passará em Portugal. Mas devia.

Teia de dívidas

Um artigo interessante, embora um pouco técnico (mas somos todos economistas agora, não é?) sobre quem perde o quê se a Grécia entrar em default. Resumindo, os bancos europeus que têm dívida grega seguraram parte dessas dívidas junto das instituições americanas, que estão assim  também bastante expostas em caso de reestruturação. O que torna a coisa interessante, e explica, ou complica para ser mais correcto,  um pouco o que se está a passar a nível da Europa, é que a “reestruturação suave voluntária” proposta pelos políticos alemães provavelmente não seria suficiente para accionar essas garantias, pelo que os bancos europeus assumiriam as perdas sozinhos, e os americanos, que pelos vistos apostaram que não haveria reestruturação, ou que aconteceria mais tarde, não perdem nada. Por outro lado, se os gregos forem forçados ao incumprimento, os bancos europeus têm menos perdas, os americanos têm bastante mais, e os contribuintes europeus terão que suportar as perdas do BCE, que não estão seguras, sendo por isso da responsabilidades aos políticos franceses e alemães. Ou seja, como se aponta neste outro artigo,  os vários interesses políticos e financeiros estão já a negociar quem perde o quê. Daí não haver ainda acordo.

Vai ser um verão engraçado. Lindo sarilho que estamos metidos.

Os homens vêem-se nas acções

Desde 2005 os meus votos foram para o PS via José Sócrates, a partir de 5 Junho não sei para quem vão. Se Passos Coelho demonstrar ser um reformista como Sócrates, o meu voto, passa a ser depositado no PSD. Não acredito nisso, julgo que vai fazer reformas mas estas vão no sentido de favorecer a direita.

No CDS nem pensar, ainda me lembro do tempo da União Nacional, o que faziam aos empregados, por isso, não atraiçoo a memória de meu pai.

A CDU foi a que mais vezes recebeu o meu voto, como não vejo vontade de se renovar não votarei neles.

O BE teve uma vez o meu voto, a comportar-se assim, não me sinto inclinado a votar neles. Estou farto de diáconos e sacristães.

O PS – não falo dos grupelhos de esquerda, fazem-me lembrar as famílias em que os irmãos estão todos zangados e cada qual procura desenrascar-se – deixei para o fim e só continuará a receber o meu voto conforme o líder.

Se for José Seguro nem pensar. Não estou para dar o voto a quem é tão inseguro. Não esqueci o nojo que metia na porqueira do Crespo, via o Secretário-geral do seu partido a ser enxovalhado e não tinha uma palavra para contrariar. Com pessoas destas não me entendo, só sabem cuspir no prato em que comem. Teria agora trunfos para jogar contra Assis se não aceitasse ser deputado pelo círculo de Braga mas, como não tem coluna vertebral, está contra mas… aceita as migalhas.

Assis se continuar com o ideal que tem, se for Secretário-geral do PS, pode contar com o meu voto. Desde há muitos anos não via um líder parlamentar com a facilidade de argumentação. Não precisa de papéis para fazer um discurso. Uniu sempre o grupo parlamentar, coisa que Seguro ou outro não sabe fazer.

Tenho pena de não ver Manuel Maria Carrilho a candidatar-se. Os homens vêem-se nas acções.

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Oferta do nosso amigo Manuel Pacheco

Good food for good thought

The researchers found a wide variation in the degree to which various societies impose social norms, enforce conformity and punish anti-social behavior. They also found the more threats experienced by a society, the more likely the society is to be restrictive, the authors say.

“There is less public dissent in tight cultures,” said University of Maryland Psychology Professor Michele Gelfand, who led the study. “Tight societies require much stronger norms and are much less tolerant of behavior that violates norms.”

“Tight” refers to nations that have strong social norms and low tolerance for deviation from those norms, whereas another term, “loose,” refers to nations with weak social norms and a high tolerance for deviation from them.

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Vinte Linhas 626

Algumas sugestões culturais + o Acordo Ortográfico

Perto de seis mil pessoas já viram a exposição «Aljube – a voz das vítimas» no edifício célebre pelos «curros» – minúsculos compartimentos onde os presos políticos do regime fascista eram fechados e de onde saíam apenas para ir à retrete, almoçar e jantar. Uma espantosa lição de História, no «espírito do lugar» e entradas grátis. O Aljube fica ao lado da Sé de Lisboa. No próximo dia 16 às 17 horas Luís Farinha participará no debate sobre «Tribunais Políticos». No dia 18 Diana Andringa projecta e comenta o filme «Tarrafal – memórias do campo da morte lenta».

Entretanto no Fórum do Picoas-Plaza na Rua Tomás Ribeiro nº 65 (entrada também pela Rua Viriato nº 13) em Lisboa vai ter lugar em 14 e 15 de Junho o Colóquio/Debate «Os filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações» organizado pelo «CES» da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Haverá projecção de fotografias, debates, uma peça de teatro, vários documentários e no final o lançamento da «Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial» da Editora Afrontamento.

Por último recordo as oportunas palavras de Vítor Manuel de Aguiar e Silva à Revista Ler: «O chamado acordo ortográfico é um amontoado de incoerências e confusões. A unidade profunda da língua portuguesa só marginalmente tem a ver com a ortografia. Em 1911, houve a ilusão de que a reforma ortográfica – que era necessária, diga-se – acabaria com o analfabetismo; agora há a ilusão de que o acordo ortográfico preserva a unidade da língua. Em ambos os casos, como a História demonstrou e como a História há-de comprovar, apenas ilusões…»

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Gene Therapy Reverses Type 1 Diabetes in Mice
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Health Care Providers Need Training to Recognize Signs of Domestic Violence, Says Nursing Expert
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Study: Schoolyard Bullies Four Times More Likely to Abuse Spouses as Adults
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People Judge Therapists By Their Offices
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What Mom Thinks Matters When It Comes to Mental Illness
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What Happens in the Brain as It Loses Consciousness: 3-D Movie Constructed
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Moderate to Intense Exercise May Protect the Brain
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Weight Loss in a 3D Virtual World
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Be It Numbers or Words, the Structure of Our Language Remains the Same
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Current Carbon Dioxide Emission Higher Than It Was Just Before Ancient Episode of Severe Global Warming
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Dangerous and Under the Radar: New Study Examines Ways to Protect Sex Workers
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An Egalitarian Internet? Not So, Study Finds
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Nighttime Lights Clarify Economic Activity: Combining Lights and Statistics May Yield High-Resolution Global Economic Data
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Debt Boosts Young People’s Morale
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Women Warriors Show Resilience Similar to Men, Psychological Study Shows

Ética republicana ameaçada de extinção

Ana Gomes aproveitou a crónica de Ferreira Fernandes para tentar corrigir as interpretações do que disse em Estrasburgo. Estava especialmente interessada em afastar a temática sexual da questão. E deixou uma síntese à prova de hermenêuticas enviesadas:

O senhor quis ver nas minhas palavras sobre Paulo Portas a alusão a comportamentos para alguns socialmente desviantes, mas certamente irrelevantes do ponto de vista criminal. Desviou assim as atenções das suspeições por crimes que eu explicitamente imputei a Paulo Portas: corrupção, facturas falsas, fraude fiscal, burla ao Estado, difamação e calúnia de inocentes. Serão suspeitas irrelevantes para determinar a idoneidade, a credibilidade e a vulnerabilidade de um governante?

A resposta de Ferreira Fernandes não tem qualquer interesse para o ponto irreversível a que o caso chegou, pois se limita a uma defesa no âmbito pessoal. O que tem absoluto interesse é constatar que estas segundas declarações de Ana Gomes não suscitaram qualquer reacção. Nem sequer uma de algum bronco! Contudo, e incontornavelmente, posto que se fazem acusações relativas a crimes que se nomeiam, elas obrigam a um esclarecimento, seja de quem for: de Ana Gomes, de Portas ou do Tribunal.

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Regresso à normalidade

Uma das imensas vantagens de passar uns dias fora, sem acesso a notícias e a internet, é que no regresso, enquanto nos pomos ao corrente do que se passou entretanto, temos por algumas horas a sensação de que acabámos de chegar de Marte e tudo é, por esse breve período, novidade. E o que se respira nas capas de jornais e online é uma estranha sensação de regresso à normalidade. Mas não a normalidade de estar tudo novamente bem. Não é essa que falo. É aquela normalidade que acontece quando algo de excepcional chega ao fim, e regressamos todos à nossa mediocridade. As mesmas caras de sempre com as mesmas ideias imbecis e sem futuro, as mesmas auto-importâncias vazias revelando a insignificância de quem saloiamente as exibe, as intenções gulosas de tal maneira mal disfarçadas que dá a ideia que já nem se incomodam porque isto agora é tudo nosso e vão fazer o quê. Sabemos que vão falhar, sabemos que entretanto nos vão arrastar com eles, sabemos que no entanto tudo será temporário. Dois passos para a frente, um para trás. Por muito que custe, é assim que funciona e é assim que deve ser.

Não sou grande fã de analogias de futebol, mas há uma que me parece tão óbvia que não resisto a usá-la: isto soa tudo ao periodo pós-Scolari, em que depois de alguns anos em que nada era impossível, em que o título mundial estava realisticamente ao alcance, voltámos a Queiroz e à tristeza das qualificações a custo, para gáudio de quem acusava o brasileiro de nunca ter ganho nada. Tinha-se acabado o periodo excepcional em que mostrámos aquilo que éramos capazes, para voltar à mediocridade e ao desperdício de capacidades.

Mas esse regresso não é definitivo, felizmente, porque há sempre algo que fica quando passa o turbilhão. Fica, para uns, a memória indelével desse tempo em que éramos apontados no NYT como exemplo pela inovação, e para outros, os medíocres que agora se regozijam, fica o fantasma que os vai perseguir quando não o conseguirem. Rasteiraram o campeão, mas a barra continua lá. Bastante mais alta, para todos verem. Agora saltem.

Título para uma biografia política

Entre a aridez das pedras e a verdura dos pinhais, o interior do País pode ser uma metáfora de Portugal inteiro.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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No discurso que proferiu no 10 de Junho de 2010, Cavaco disse que tínhamos chegado a uma situação insustentável, recordando que de tal tinha deixado aviso na altura devida. Simultaneamente, declarava que este é o tempo de fazer um esforço suplementar para concertar posições e gerar consensos, não é o tempo para querelas partidárias ou quezílias ideológicas que nos possam distrair do essencial. E o essencial era a sua reeleição, sem a qual o Cavaquistão arriscava não conseguir voltar ao pote. O discurso do 10 de Junho do ano passado, como outros desde o Verão de 2008, foi uma peça de combate político contra o Governo e o PS, servindo a estratégia de médio e longo prazo de Belém. E só num país onde vigore uma verdadeira asfixia da inteligência e da coragem é que se tolera escutar do Presidente da República a mensagem de que nada pôde – nem pode! – fazer para evitar a insustentabilidade da situação que garante ter visto chegar primeiro do que todos os outros à sua volta; e isto apesar de o Governo ser minoritário e não faltarem razões e ocasiões para dissolver a Assembleia perante o bloqueio da oposição, o agravamento da especulação dos mercados de financiamento e a incapacidade da Europa para proteger as economias mais débeis, as quais, por isso mesmo, eram alvo de maior pressão internacional.

Usando uma técnica típica das situações de manipulação psicológica, Cavaco apresentava duas mensagens que se contradiziam, dessa forma gerando um estado de confusão no receptor. Por um lado, existiam culpados a merecer o maior e mais urgente castigo; por outro, ainda não tinha chegado a hora da perseguição e linchamento, havia que fingir sermos todos amigos. Resultado pretendido: ficar a ideia de ser ele o juiz e o carrasco, mas ao seu modo e no seu calendário. Temos de reconhecer que acertou em cheio na manigância, pois não só foi reeleito como derrubou o Governo e levou a direita a ter o poder político absoluto. Por causa deste colossal sucesso, no futuro vários investigadores dirão de Cavaco que foi, enquanto agente individual, alguém cuja influência no regime desde finais de 70, tanto na extensão temporal da sua acção como nas consequências, só encontra paralelo em Salazar. Não por acaso, e cada vez de forma mais marcada e desavergonhada, Cavaco permite-se exibir a sua apetência pela posse da herança cultural salazarista, tanto no que diz respeito à hierarquia axiológica (Deus, Pátria, Família) como à mundividência oligárquica e à tentação, ou fuga, solipsista.

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Na veia

Durante milénios, escutaram-se lamúrias, choros e ranger de dentes por não se poder deixar um louvor ou uma prece neste templo da criatividade: f-world. E os tarados que ousavam enviar emails eram corridos para a posta-restante do Pacheco. Tudo isso mudou, finalmente, graças à entrada de Fátima Rolo Duarte no elenco do Jugular. O muro do silêncio foi derrubado e agora o diálogo é tanto que ela até se comenta a si própria, num frenesim comunicacional como já não se via desde a invenção do telefone. Ainda não conheces esta adorável gralha? Começa por aqui, então: Gomes, Ana

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Andava (e ando) para ir ver Lisboa, Crónica Anedótica numa sala escura, mas a Ana Vidigal fez o favor de reunir a obra em pedaços para consumir no monitor. Imperdível, irresistível.

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João Galamba continua no seu incansável trabalho de introdução de factos e racionalidade no debate político. Este é apenas um exemplo em dezenas e dezenas: Saúde e memorando

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Shyznogud alembra que os hipócritas são muito dados ao esquecimento.

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Uma imagem vale 302 comentários, fora os que nem sequer alcançaram os mínimos para entrar neste rossio.

Bem-hajas, Sócrates

Sócrates era fácil de esquecer. Mas a obra que deixou lixa tudo. Reparem como se atiram raivosamente ao Magalhães, às Novas Oportunidades, ao Simplex, à recuperação do parque escolar, ao plano tecnológico, ao inglês na primária, ao investimento sem paralelo na investigaçâo cientifica, às energias renováveis, ao redimensionamento da rede escolar, ao fecho das falsas urgências, à avaliação dos docentes, ao rigor nas entradas e saídas do pessoal médico nos hospitais, à aposta nas exportações, diversificando os mercados (por levar as empresas portuguesas também à Libia e à Venezuela, já é amigo de fascistas!!!).

É tudo isto que não suportam! Sócrates, o PM empreendedor! Com esta não contava a direita, que só via no PS “figuras de retórica”, gente prenha de ideologia e cultura mas vazia de iniciativa e rasgo empreendedor. Saiu-lhes um Sócrates cheio de genica que, apesar de perseguido cruelmente desde o primeiro dia do seu governo, por magistrados sem escrúpulos, em conluio com policias, políticos, jornalistas e poder económico, fez uma obra inigualável desde que temos democracia.

E ainda ficaram as 27 perguntas que a justiça lhe queria fazer (!!!) sobre um Freeport alimentado até ao último dia da sua governação, no qual os abutres não encontraram um pintelho por onde o pudessem comer, depois de gastarem rios de dinheiro a investigar uma tramóia criada à mesa de um café por aqueles que toda a gente sabe. Mas os magistrados não quiseram saber e ainda ficaram 27 perguntas por fazer!

Odeiam Sócrates, porque também têm medo de verem no espelho, gravadas na testa, todas as pulhices que lhe fizeram. A sua consciencia pesada não lhes permite esquecer Sócrates.

Gastador? No principio de 2009 o défice era de 2,9. A crise internacional salvou os filhos da pulhice!!!

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Muito bem Mário. Também tenho um Mário cá em casa que pensa como tu.

De facto a obra de Sócrates vai ficar na História. Mas o Mário esqueceu-se de lembrar a criação da rede de Cuidados Continuados Integrados, criada em Junho de 2006 e, que desde então, não tem parado de crescer. O projecto é para estar concluído em 2013, ou seja até essa data, esta rede irá cobrir todo o território nacional.

Sou enfermeira e estive durante 3 anos a trabalhar numa EGA e dou valor a este trabalho desenvolvido pelo Governo de Sócrates, com uma grande visão de futuro. Esta rede veio dar resposta a muitas solicitações de cuidados de saúde, essencialmente dos mais desfavorecidos. Hoje existe uma resposta igual para todos. Ainda por cima esta rede criou muito emprego.

Bem-hajas Sócrates.

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Ofertas do nosso amigo Mário e da nossa amiga elisabete