Arquivo mensal: Junho 2011
A pasta Kinder
A referência à média de idades do Governo, e respectiva experiência política de cada Ministro, é conversa para entreter. Qualquer um daqueles nomes pode revelar capacidades e talentos que ninguém poderia adivinhar sem eles terem sido postos à prova. Tal como um outro elenco feito com dinossauros cavaquistas não garantiria sequer siso, quanto mais eficácia, se estes últimos anos de oposição vil servem de critério.
Só há uma figura que me desperta as maiores suspeitas: Paula Teixeira da Cruz. Ela tem pautado as suas prestações públicas por uma constante expressão do ódio. Se continuar nesse descontrolo emocional – ou melhor, ético – enquanto Ministra da Justiça, as disfunções e perversões serão muitas e muito graves.
Pergunto eu
Revolução
Um livro por semana 242
«O Reverendo Cura Simão Henriques» de Joaquim do Nascimento
O Marquês de Pombal lançou em 1758 um inquérito a todos os Párocos (ou curas, vigários, reitores, priores e abades) com 60 perguntas abarcando desde qual o bispado e comarca da povoação ao número de vizinhos, desde os frutos da terra à sua feira ou ao seu correio. Sem esquecer os rios e serras do lugar. Pelos Pereiros respondeu ao Marquês o Reverendo Cura Simão Henriques. Joaquim do Nascimento transcreve o original e faz, em forma de comentário, uma ponte entre o passado e o presente. Vejamos como: «Em Junho de 1758, os Pereiros tinha 77 vizinhos, isto é, 77 fogos, como se diria em linguagem actual, e os seus habitantes eram 203, 11 deles de menor idade, o que dá uma média ligeiramente superior a 2,6 habitantes por fogo». (…) o povo dos Pereiros já tinha a configuração urbana actual, como pode deduzir-se da afirmação de que a igreja ficava no centro da povoação, como hoje ainda acontece». (…) «a gente dos Pereiros vivia do que produzia nos terrenos já então cultivados, principalmente centeio e trigo e, em menor quantidade, azeite e vinho, algumas castanhas colhidas nos castanheiros que por ali abundavam e, pelo que refere o Cura, já podemos ver como era frugal o passadio dos nossos conterrâneos». (…) «Eu tenho uma explicação complexa para o desaparecimento dos castanheiros que atribuo directamente ao aumento de produção do vinho fino, vá lá, do vinho do Porto, depois da criação em 1756, da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, também chamada Real Companhia Velha. Este aumento exponencial da produção do vinho trouxe com ele a procura de novas terras para plantar vinha mas também a necessidade de fazer novas vasilhas, pipas, tonéis e cubas». O volume transcreve na íntegra as respostas do Cura dos Pereiros e convida os leitores a descobrirem outros documentos que revelem novos aspectos da história do lugar.
(Editora: Padrões Culturais, Foto: Ana Paula Nascimento, Capa: Mário Andrade)
Desde o 25 de Abril que não se via isto
Tem-se falado muito no facto de ter desaparecido o Ministério da Cultura – retrocesso lamentável -, mas menos da circunstância de ser a primeira vez desde o 25 de Abril que não há um Ministério do Trabalho.
É uma opção de base ideológica, perigosa e sintomática do pensamento da direita.
Se o nosso quadro normativo-social – e consequente necessidade de concertação numa área tão fulcral – sempre justificaram um Ministério do Trabalho, nos tempos que correm parece mentira a inclusão da pasta numa misturada.
Não é mentira, é verdade, é mau e é consequência de um pensamento político e é perigoso.
Tomemos posse do governo
A tomada de posse do XIX Governo Constitucional constitui-se como o efectivo começo de novo ciclo político em Portugal. Os cidadãos que dele fazem parte, assim como todos os deputados eleitos, merecem incondicional gratidão. Eles são os nossos representantes e a eles se entrega a direcção do Estado. É uma das mais altas responsabilidades que se pode assumir atingidos os 18 aninhos de idade. E uma das tarefas mais difíceis e desgastantes pelos desafios cognitivos, éticos, afectivos, emocionais, físicos e volitivos que coloca. Especialmente no Governo, a exposição é permanente e quase holística, sujeitos à fiscalização de entidades oficiais e populares. As oportunidades para errar são tantas quantas as ocasiões para decidir, pelo que os governantes estão sujeitos ao esforço máximo e aos mais variados riscos no seu exercício do poder. No mundo ideal – ou numa terra de ideais; ou tão-só para gente com boas ideias – a comunidade começaria por celebrar a disponibilidade destas pessoas para os cargos onde juram dar o melhor de si, prometendo ajudá-las a cumprir com tão alta missão. Porque elas estão ao nosso serviço.
Numa democracia, as eleições são um sacramento. Qualquer meio politicamente reprovável, moralmente errado ou eticamente iníquo usado até ao momento do sufrágio deixa de contar após o legal apuramento dos votos. Esta é a fraqueza e a força das democracias, capazes de acolherem o patife e o samaritano, não sendo óbvio quem o povo irá preferir. De resto, o samaritano pode ser completamente burro no que toca à governação e o patife pode ser luminosamente inteligente no que concerne ao interesse nacional. A república escreve direito por líderes tortos.
Aqueles que alimentam o discurso do ódio contra os políticos não ajudam ninguém, a começar por eles próprios, tornando-se parte do problema. Tirando os manipuladores, que exploram os sentimentos de desconfiança e desespero, quem verbaliza o seu fel contra os soberanos está, no fundo, a pedir ajuda. O seu estado de confusão e medo já deixou de ser controlável. O resultado é tóxico, contagiante e destinado a acabar numa qualquer forma de violência. Os democratas não ostracizarão estes pobres coitados, precisamente porque os compreendem. Os democratas também não serão complacentes com os demagogos e populistas sempre dispostos a aumentar a entropia cívica, aqui não fazendo prisioneiros.
Ser parte da oposição é ser parte da governação. É, num certo sentido, ainda mais importante do que governar. No Governo há um vasto conjunto de inevitabilidades que decorrem dos meros actos de gestão inerentes às tutelas, a que se somam os eventos sucessivos a que os governantes não podem faltar com a sua presença corporal ou mental. Isso significa que a actividade executiva não oferece oportunidades para a inovação, desenvolvimento e maturação intelectual. Governar é também reflectir, claro, mas adentro dos problemas concretos e urgentes. É na oposição que se pode realizar o trabalho de investigação e debate donde nascem novas propostas políticas, sociais e culturais. Uma oposição digna não cede na sua responsabilidade fiscalizadora, bem ao contrário: leva-a para dimensões e extremos que se confundem – mas não colidem, posto que noutro plano – com a actividade governativa. Não haverá oposição mais temível do que aquela que confia na capacidade do Governo vir a ser um exemplo de excelência, mesmo que em nada concorde com o seu programa e decisões.
Se tudo correr na perfeição, este novo Governo conseguirá chegar ao fim da legislatura com a obra realizada, aquela a que se propôs no início e aquela que as circunstâncias tornarão conveniente ou necessária, levando a votos os resultados obtidos. Se tudo correr na perfeição, as oposições e os parceiros sociais defenderão os seus interesses e farão acordos. Se tudo correr na perfeição, tu e eu ficaremos ainda mais apaixonados pela política, diariamente tomando posse do governo da nossa radiante liberdade.
Grandes derrotas
Nobre não vai para presidente do parlamento, poupando o PSD a uma avalanche de embaraços nos próximos meses. Passos confirma o mito em construção do “homem de palavra” perante os portugueses, alguém que não tem medo de “perder” pelas suas “convicções” (duas votações duas. Ele tentou a sério, não foi?). Ah, valente. Portas mostra que não anda a mando de ninguém, muito menos de Passos. E no final, o nome proposto é o de uma mulher, Assunção Esteves, gerando um capital de simpatia imenso e dando a imagem de um primeiro-ministro “inovador” e que não cede perante “os barões”.
Vitória em toda a linha de Passos Coelho. Foi uma jogada cínica e hipócrita, mas foi uma grande jogada.
Paciência
A regra do jogo
Eu queria denunciar aqui aquilo que se está a passar em Portugal neste momento, onde é claro que a comunicação social trouxe à luz um plano do Governo para controlar os jornais, para controlar estações de televisão, para controlar estações de rádio.
Ainda esta semana um jornalista muito conhecido viu censurada uma crónica sua também por aparente sugestão do Primeiro-ministro. Perante isto, o Primeiro-ministro José Sócrates tem de dar explicações substanciais ao país e explicar que não está a dominar, a censurar, a liberdade de expressão em Portugal.
Pela forma que estamos a andar, Portugal já não é um Estado de direito. É um Estado de direito formal, onde o primeiro ministro se limita a formalidades, a procedimentos, a formalismos e não quer dar explicações substanciais.
Paulo Rangel ao Parlamento Europeu, Fevereiro de 2010
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É impossível ligar o televisor, papar um vídeo onde alguém diz que entregou envelopes castanhos com uns trocos lá dentro ao actual primeiro-ministro do país onde se calhou nascer e viver e não ficar irremediavelmente afectado nas suas certezas e convicções. Ou sair à rua, olhar para a banca dos jornais e ver impresso numa capa um suposto diálogo telefónico, supostamente captado pela polícia e supostamente validado por magistrados, com base no qual esse jornal mui amigo da transparência sugere que o actual primeiro-ministro do país onde um gajo deu por si a nascer e a viver é uma versão transmontana do Al Capone. Pura e simplesmente, não se resiste a uma campanha deste tipo. Vamos ao tapete porque não há como evitar os golpes sucessivos que acertam em cheio na nossa cabeça.
Louçã, o incompreendido
Essa coisa de o Bloco ter perdido metade dos deputados por Louçã não ter reunido com a troika é uma conveniente história da carochinha com que o próprio Louçã tenta agora deseperadamente “explicar” o seu fiasco político. Como se isso tivesse sido uma mera decisão “incompreendida” pelo eleitorado, uma pequena falha de comunicação, um erro de public relations.
A Louçã não convém nada que se investiguem e apontem as verdadeiras razões do fiasco do Bloco, como o facto de se ter unido à direita para derrubar o governo socialista e de ter trabalhado incansavelmente durante seis anos para voltar a pôr a direita no poder. Foi para isso que o Bloco de Louçã serviu, não tendo tido qualquer outra utilidade prática. Para, juntamente com os comunistas, ajudar a direita em sujos ataques pessoais (como se viu em sucessivos inquéritos pidescos no parlamento) e em campanhas de descrédito contra o governo socialista.
Durante seis anos, os bloquistas de Louçã “correram por fora”, isto é, cativaram os votos que os eleitores lhes deram para rejeitarem qualquer compromisso ou responsabilidade de governo, para atiçarem o descontentamento contra Sócrates e para conduzirem uma guerra sectária contra o PS, à custa do qual pensavam que podiam crescer como partido político. Apostaram na destruição do PS e na sua substituição pelo Bloco. Era este o sonho de Louçã, nem sempre inconfessado: chegou a proclamar em 2009 que em Portugal os verdadeiros socialistas eram eles, os bloquistas de Louçã, como se o PS fosse uma mentira que lhes estivesse a usurpar o território.
Viu-se o resultado deste sonho destrambelhado. O desastre eleitoral do Bloco põe em causa toda a orientação de Louçã e não apenas a simples decisão de não ter querido reunir durante duas horas com a troika – uma decisão aliás perfeitamente previsível e coerente com a estratégia e a prática política do Bloco desde 2005.
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Oferta do nosso amigo (ou amiga) Histórias da carochinha
Vinte Linhas 629
A Revista Ler, o nosso Blog e as lições da vida
Perante a nomeação do Francisco José Viegas para Secretário de Estado da Cultura muita gente me pergunta se vou continuar a colaborar na Revista Ler. Não sei nem faço ideia. Tudo depende de vários factores. Comecei a colaborar na Revista Ler por um acaso feliz: David Mourão Ferreira enganou-se em 1988 e enviou para mim o seu livro dedicado a Francisco José Viegas e vice-versa – enviou o meu ao Francisco. Rectificado o engano fiquei colaborador da Revista Ler até hoje mas não me angustia muito o futuro. Tenho dado sempre o meu melhor em todos os aspectos; às vezes mesmo em férias acabo por descobrir algo com interesse e escrevo.
Tenho aprendido muito nos jornais onde escrevi (Diário Popular, A BOLA, O Mirante, Record, O Ponto & Etc) e o mesmo se passa com as revistas. No caso do Blog «aspirinab» esta decisão de deixar de responder a provocações também resulta de uma aprendizagem. Percebi que se respondesse aos reles, cabrões e miseráveis provocadores ficava ao seu nível dando-lhe a importância que eles não possuem. Nem nunca virão a possuir.
Quando o meu amigo Tó em Leiria me disse «quando é que sai? Aquilo aparece lá cada charolês!» estava a perspectivar apenas um dos ângulos possíveis. De facto eles são piores que charoleses mas nós não podemos tomar muito a sério o que eles vomitam no ecran. Quando algumas pessoas comentam directamente para o meu «mail» porque o ambiente está irrespirável (para essas pessoas) eu tomei a atitude certa – fechei a torneira aos imbecis. Mais uma lição de vida.
O Amado e o odiado
Belém e PSD, a partir do consulado de Ferreira Leite, usaram a Justiça e a comunicação social para levar a cabo o plano de destruir política e civicamente o cidadão José Sócrates, não se coibindo de acirrar ao extremo as pulsões populistas antipolíticos – sempre em crescendo em períodos de crise económica, e tão mais fermentáveis quão maior for a iliteracia, ignorância e dificuldades cognitivas dos grupos e segmentos sociais mais desfavorecidos. Foi também nessa lógica que cooptaram Nobre, um demagogo lunático que tinha conseguido abarbatar perto de 600 mil votos apenas recorrendo a um patético culto de personalidade. A embrulhar este degradante intento social-democrata, aparecia Cavaco a clamar pela verdade e a cavalgar o ódio contra as autoridades democráticas, enquanto punha a máscara apolítica e varria para debaixo do tapete os seus 30 anos de responsabilidades em actividades governativas.
Neste quadro, Luís Amado foi alvo de uma trôpega manigância para criar divisões no Governo, dadas as suas posições centristas e o inatacável sucesso da sua pasta. Invariavelmente, apareciam vozes do PSD a manifestar admiração pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e a sugerir que ele seria um dos substitutos ideais para ocupar o lugar de um Sócrates obrigado a deixar a sua cabeça numa travessa a ofertar aos Cavaquistas. Dentro da nojeira que se espalhava histericamente por tudo o que era espaço de comentário político, dizia-se que apenas Amado se salvava num grupo de bandidos que ia arruinando o País. O facto destas calúnias ofenderem quem assim parecia estarem a elogiar, porque o desonravam na associação, era o que menos preocupava os fidalgotes laranjas ressabiados, cegos de raiva e sequiosos pela vingança. Sócrates era a sua desvairada e maníaca paixão, valia tudo.
Que não espante, pois, o silêncio que os sicofantes estão a fazer sobre estas palavras:
Evolução das espécies
Há quem louve Passos por ter tido o cinismo de levar avante a tentativa de colocar Nobre como segunda figura do Estado apesar de saber que tal não seria sequer desejável para o PSD, agora que já tinha alcançado o Poder. Estes são os mesmos que não se importam nada por Passos ter prometido a Nobre algo que não só não estava em condições de garantir como ficava como um insulto, por mais do que uma razão, à própria Assembleia da República.
Depois da forma como mentiu acerca do que se passou numa certa quinta-feira à noite, e agora com a frieza como achincalha Nobre, à mistura com outros sinais dados na campanha em situações de exposição emocional com populares, temos aqui o começo de um esboço que sugere estarmos perante uma espectacular mutação na Ordem Lagomorfa: o aparecimento do primeiro coelho carnívoro.
A pedagogia de Passos Coelho
Confesso que a composição deste governo foi, para mim, uma surpresa. Tantas caras inexperientes novas. Para quem estava à espera da imunda tralha cavaquista, não se pode dizer que os piores receios se tenham materializado. O que é uma reacção semelhante à ocorrida quando do debate Passos-Sócrates: as expectativas eram tão baixas que basta o desastre não ser total para se qualificar como uma vitória. O novo governo está a ser avaliado numa primeira fase pela mesma bitola e merece, pelo menos, o benefício da dúvida só graças a isso. Durante, vá, uns 3-4 minutos. Vamos a isso:
Agora que já despachámos esta necessária parte, dá-me a sensação de que vai ser testada uma coisa importante neste próximo governo: o mito das “pessoas competentes” em vez dos “políticos” como decisores. Ou seja, parece-me que ninguém põe em causa, ainda, a competência técnica e académica de Nuno Crato e Victor Gaspar, os dois mais flagrantes, mas estou muito curioso sobre a sua capacidade para implementar no terreno as decisões que tomem, e sobretudo para as inevitáveis negociações, cedências e correcções de rumo que vão ser necessárias. É que a minha ideia sobre um político não é necessariamente alguém que tenha uma noção exacta do melhor caminho, ou as melhores ideias, ou sequer saiba exactamente como chegar aos objectivos, mas sim alguém que sabe rodear-se das melhores pessoas, técnicos e académicos competentes, absorver-lhes os melhores diagnósticos, as melhores ideias e planos de acção, cabendo-lhe isso sim a tarefa de implementação e avanço dessas ideias, algo que é estritamente do foro politico. A vantagem aqui é que um bom político é necessariamente pragmático, alguém que sabe instintivamente que o óptimo é inimigo do bom, e sobretudo alguém que não tenha absolutamente problema nenhum em negociar, ceder, diluir, ou até acabar com algumas ideias, por melhores que sejam, quando reconhece que é politicamente impossível fazê-las passar (ver Obama, Barack). A maior parte das vezes, sobretudo em áreas problemáticas ou sensíveis, o melhor que se consegue é deixar um embrião, muito imperfeito, que possa ser desenvolvido e melhorado pelas próximas gerações. Isso é mais difícil de fazer quando as ideias são próprias, quando estamos cheios de certezas, quando as soluções parecem simples, estando a nossa reputação profissional e académica em jogo (já nem falo do orgulho pessoal, que espero que tenha ficado em casa), e sobretudo se fomos para o governo precisamente por causa delas, e não em resultado de uma carreira politica ou de decisor. Se as ideias de Crato ou Gaspar estiverem a dar para o torto, será que recuarão, nem que seja estrategicamente, farão uma avaliação fria, e corrigirão o caminho? Passar por essa humilhação profissional? Eu tenho a solução óbvia, há anos que digo isto, está aqui provado, preto no branco, porque é que não a aceitam e em vez disso a atacam e desvirtuam? E agora?
Veremos. Acho que a experiência poderá ser pedagógica, na medida em que talvez revele, precisamente através dos “independentes competentes”, a falta que faz um politico de casca grossa no lugar certo a fazer o que faz de melhor: usar a politica para que o conhecimento faça avançar o país. Pouco a pouco, e entre muita berraria, contestação e golpes baixos. Não é para os fracos de espírito. Espero que os “independentes” não o sejam, e talvez dêem bons políticos. Daqueles que fazem a diferença.
Os números da crise
E esta, hein?
O nosso amigo Zeca Diabo descobriu algo que o liga geneticamente à Vila de Allariz, onde está neste período a decorrer a Festa do Boi.
Um livro por semana 241
«Tempo com espectador» de Manuel G. Simões
Manuel G. Simões (n.1933) reúne neste livro recente um conjunto de ensaios de literatura portuguesa – também o subtítulo na capa deste volume de 186 páginas. Tendo sido professor em Bari e em Veneza (1971-2003), muitos destes estudos foram antes publicados em revistas italianas e actas de congressos. Contemplam autores e temas que vão da Idade Média ao século XX. O mesmo é dizer Lopo de Almeida, Gil Vicente, Fernando Pessoa, Padre António Vieira, Eça de Queirós, Matias Aires, José Rodrigues Miguéis e José Saramago. Sobre «Levantado do chão» escreve Manuel G. Simões: «o leitor não pode deixar de notar que o romance constitui um repositório de expressões populares, de idiomatismos, de frases feitas de sabedoria popular, da gíria e sobretudo de provérbios, isto é, de elementos que caracterizam substancialmente a cultura popular. A simples reapropriação das formas da cultura popular pode, por conseguinte, justificar-se de acordo com a lógica discursiva que veicula a ideologia dos actantes, como, por exemplo: «pôr o pé em ramos verde» (p. 104), «Adeus mundo cada vez pior» (p. 341), «Cada um sabe de si e Deus de todos» (p. 37), «quem procura sempre alcança» (p. 78), «Vão-se os anéis e fiquem os dedos» (p. 305) mas, os provérbios reutilizados na íntegra, correspondem ao ponto de vista do narrador, aparecendo seguidos por comentário que os recodifica sobretudo através da conotação irónica. Apenas alguns exemplos: «juntou-se a fome com a vontade de comer» (p. 58), «quem sai aos seus não desgenera» (p. 67) ou «se queres conhecer o teu corpo abre o teu porco» (g. 145).
(Editora: Edições Colibri – Fernando Mão de Ferro)
Os partidos vão acabar com o desemprego
Aqueles que encheram as televisões, jornais e rádios com crescentes, inflamados, lancinantes e desesperados avisos de estarmos à beira do abismo, ou já em queda parabólica no vazio, calaram-se de repente. Alguns, passaram a exibir as saudáveis cores da segurança e da tranquilidade. Outros, de imediato mudaram de disco e lembraram, cheios de razão, que precisamos de enfrentar os desafios com optimismo, pois sem essa confiança em nós próprios é que nada se alcança. Desde o lançamento do mote do difuso mal-estar – com que a malta da SEDES anunciava em Fevereiro de 2008 estar muito preocupada com a implosão do BPN e BPP, a que se somavam as consequências desgraçadas da guerra intestina entre Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto e entrega do BCP aos maçónicos – que temos tido 3 anos seguidos de promoção do catastrofismo e da ruína moral. Foi uma campanha extraordinária nos meios reunidos e na sua intensidade, consistindo na mensagem de que os vencedores das eleições legislativas desde 2005 não tinham legitimidade para governar por serem incompetentes e corruptos, por um lado, e, pelo outro, de que só o FMI conseguiria pôr ordem nisto, afastar a ladroagem, disciplinar os indígenas e entregar o poder às pessoas de bem, a gente séria, aqueles que nasceram para mandar nesta merda toda. Felizmente, a 5 de Junho estas centenas de políticos, empresários, jornalistas e comentadores puderam finalmente descansar. Tinham salvado Portugal das garras do demónio.
Esta história contém uma lição da maior importância para os 700 mil desempregados: os partidos, mesmo que um asteróide de 100 quilómetros esteja a poucas horas de acertar em cheio em S. Bento, estão sempre prontos para assumir os sacrifícios da governação. Aliás, em tempos de penúria ainda maior surge a ferocidade com que se tenta obter o alimento; isto é dos livros e da selva. Assim, a solução para o desemprego está à vista de qualquer um: inscrição num partido como militante. Para o desempregado é a carreira ideal, pois pode dedicar todo o seu tempo ao partido. Subirá no respeito, consideração e estima da hierarquia em menos de nada, graças à colagem de cartazes, distribuição de panfletos, participação em sessões de esclarecimento, comícios, manifestações e greves (caso se escolha um partido que seja proprietário de sindicatos). Para além deste quotidiano cheia de animação e interacção popular, os partidos fornecem aos desempregados as condições mínimas para levaram uma vida saudável e confortável, porque há sempre nas sedes partidárias frigoríficos cheio de minis e dispensas com sacos de amendoins e latas de salsichas. À noite, pode ficar-se a dormir nas salas de reunião e corredores. O ambiente para os novos residentes é familiar, à direita, e de camaradagem, à esquerda. Claro, os partidos têm diferente riqueza patrimonial e financeira, não sendo igual entrar no PSD e passar a frequentar a Lapa ou escolher o Partido Humanista e ir parar a uma cave insalubre sabe-se lá onde. Mas, no final, vai dar tudo ao mesmo. Pense-se só no que poderiam alcançar os desempregados portugueses se fossem militantes do Partido dos Animais. Pois, seriam logo a terceira força política no Parlamento, e receberiam 3,16 euros por voto. É fazer as contas.
Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares
Teen Brain Data May Predict Pop Song Success, Study Finds
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What Are You Looking At? Conservatives May Be Less Sensitive to Certain Social Cues
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Daily Acts of Sexism Go Unnoticed by Men, Women
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Money Can’t Buy Happiness: Individualism a Stronger Predictor of Well-Being Than Wealth, Says New Study
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Imagination Can Influence Perception
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The Way You Relate to Your Partner Can Affect Your Long-Term Mental and Physical Health, Study Shows
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9 Tips to Fall Asleep Faster
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Is A Man More Desirable To Women If He Drives A Porsche?
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Low-Carbohydrate, High-Protein Diets May Reduce Both Tumor Growth Rates and Cancer Risk
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Extensive TV Watching Linked With Increased Risk of Diabetes, CVD and Death
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Growing Up With Bullies Not a Normal Part of Childhood
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Increasing Equality Has Led to Better Dads


