O lugar da ministra da educação

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No discurso auto-laudatório e pretoriano de Louçã para festejar os resultados eleitorais de Setembro, Maria de Lurdes Rodrigues foi o principal alvo dos costumeiros ataques corporativos de um partido especializado em propaganda demagógica. Era o corolário de uma longa campanha diabolizante que apostou na exploração das emoções mais básicas e destrutivas, de forma a garantir um estado de conflito imune à racionalidade e à negociação. O comentário supra ilustra o que se pretendeu atingir.

O recente lançamento do livro A Escola Pública Pode Fazer a Diferença é notável por várias razões, a menor das quais não será este bom exemplo de legar um documento que alia a teoria e a prática de um dado governante. A relevância maior do acontecimento, porém, decorre da área em causa, Educação, e da pessoa que nela deixa obra admirável e polémica. Com esta síntese detalhada dos seus 4 anos à frente do ME, Lurdes Rodrigues remata um ciclo de reformas decisivas que tem a sua assinatura.
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Singularidade lusitanas

Temos um Governo minoritário que não governa, dizem aqueles, ou que governa apenas para servir os capitalistas, dizem aqueloutros, a usar todo o poder da sua governação para enfrentar uma poderosa empresa espanhola, para confrontar os poderosos accionistas de uma empresa portuguesa e para afrontar os super-poderes da União Europeia. Propósito? Defender os interesses de uma comissão de trabalhadores desprovida de qualquer poder na matéria.

Da Galiza

OUTRO ESPANHA-PORTUGAL

Lá pelo ano mil novecentos e setenta e sete, já nessa altura morrera em Espanha o ditador e Portugal fizera a despedida de Marcelo Caetano. As fronteiras estavam fechadas, nas alfândegas ja não havia vinte cães e mil cadeas para o controlo dos cidadãos embora ainda não havia paso livre. A Garda civil a a GNR eram daquela ja um pouco permissivos em certos lugares.

Emtre Baltar e Montealegre fica a Serra do Larouco , ela olha e divide duas bandas, para uma as terras do barroso para o outro as de Baltar no alto Limia. O Larouco separa duas terras que noutro tempo os seus nativos se juntabam para irem juntos a loubar na sua cima o chamado Deus do Larouco. Estamos a falar dos tempos pagãos, antes da chegada dos romanos por cá. Os barrosões por uma banda e pela outra os galegos de Baltar e todas as freguesias da sua bisbarra ficaram de costas viradas muitos séculos Nos ultimos anos foi fornecida ainda mais pois os países os que cada um pertezem se deram a se mesmos umas ditaduras de longa data. Ditaduras irmás embora cada uma no seu cantão. Vira-dos de costas ainda que freguesias como A Boullosa e Sendim se olhassem uma a outra so com subir a cima do monte que as separa. Até a natureza virava de costas, pois juntos nascem o Cavado e o Limia, um verte para a banda de Portugal e o Limia vem-se para cá e comenza o seu percurso até baixar as terras da planura da Limia e vai morrer a Portugal onde ja lá è chamdo Lima.
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Como é superior o catolicismo

No catolicismo, é possível roubar a vitória certa ao adversário, no exacto último segundo de jogo, recorrendo a uma falta. Os deuses pagãos nada podem contra esta potestade que escarnece das regras e da moral do futebol.

Enquanto a África não se converter, continuará a pagar pelo seu pecado original. Para entrar no céu das meias-finais muitos são chamados, apenas os latinos e os europeus são escolhidos.

Vinte Linhas 502

Segunda dissertação para Marieta sobre a foto de 1966

Todos dizem que se lembram mas só alguns recordam. Lembrar não é recordar. Nesse dia nenhuma das oito raparigas tinha a bata vestida. O baile de finalistas estava perto e havia no ar um misto de alegria convocada e amargura em pré-anúncio. Um dos colegas da turma era do Bairro da Mata, tinha acabado de dar o nome e o serviço militar estava próximo. Eu tinha 15 anos mas o problema da guerra colonial para mim já existia. Os primeiros caixões tinham começado a chegar á minha terra natal.

Na tua voz, Marieta, havia a frescura das Águas Férreas e o timbre do vento no Senhor da Boa Morte. Eras sempre a primeira a rasgar o marasmo. Quem sabe se a iniciativa desta fotografia não terá sido tua, juntando na «foto à la minuta» o que a nossa Escola separava fazendo entrar as raparigas pela porta principal e os rapazes pelas traseiras, do lado do CASI. Lembras-te, Marieta, quando puseste a música da Rita Pavone no aniversário da Dra. Gabriela? Se fosse hoje escolherias outras músicas, talvez Ennio Morricone e por exemplo «La resa dei conti», «Addio colonello», «Marcetta» ou «Il vizio di Uccidere». Lembras-te do senhor Nicolau que estava sempre disponível para se deixar fotografar quando não havia professores ali perto? À noite servia à mesa do Zé dos Frangos. Lembras-te do senhor Moreira que dispensava a gente da Mocidade Portuguesa, era só pedir? Lembras-te, Marieta, do último café que bebemos no Bossa Nova, perto do teu primeiro emprego? Lembras-te dos penteados das meninas no baile de finalistas nuns armazéns de trigo? Nada mudou, Marieta, nada mudou, talvez apenas tenham mudado os preços do café no Bossa Nova.

Vinte Linhas 501

Os fotógrafos de Estaline não desistem

Por fotógrafo de Estaline tomo eu todos os que, de maneira mais hábil ou mais canhestra, procuram reescrever a História, apagando, tal como fizeram os fotógrafos de Estaline, os rostos dos que estiveram ao lado dele a saudar o povo na varanda do palácio do Governo dos Sovietes. Ainda agora nos funerais de José Saramago apareceram locutores a dizer «à janela da Câmara Municipal de Lisboa a mulher e a filha do Nobel» quando a mulher (terceira) nada tem a ver com a filha (da primeira), isto para além de terem rasurado por completo a segunda – Isabel da Nóbrega.

Um processo parecido aconteceu com José Afonso cuja fotobiografia publicada pelo Círculo de Leitores (trabalho de Irene Pimentel e coordenação de Joaquim Vieira) revela o que para muitos leitores é uma história escondida. Ou seja – José Afonso viveu em Coimbra, lá casou com uma jovem de nome Amália e lá foi pai de dois filhos no mesmo ano, um em Janeiro outro em Dezembro. Um vive em França, outra na Caldas da Rainha. Joaquim Vieira está a preparar um trabalho para a RTP e de novo se defrontou com essa tentativa de apagamento de um tempo de vida na vida do inesquecível Zeca Afonso. Outro dia revoltei-me com uma coisa parecida em Vila Franca de Xira. No largo Carlos Pato, militante anti-fascista morto pela PIDE em 26-6-1950, membro do PCP e irmão de Octávio Pato, alguém colocou uma indicação de estradas (Arruda dos Vinhos, Torres Vedras) tapando ostensivamente a placa de toponímia com o seu nome. Cada um à sua maneira todos estes pobres aprendizes não desistem e lá vão teimando na senda dos fotógrafos de Estaline.

À rasca? Desenrasquemos

Como se criam novos empregos? Criando empregos novos. Por exemplo:

Guarda-diurno

Recorrendo ao mesmo modelo de pagamento dos guardas-nocturnos, estes guarda-diurnos seriam muito mais úteis. Passeariam pelos bairros sem armas, quais Bobbies, apenas munidos de apito e telemóvel para chamar as autoridades. A sua presença garantiria uma permanente vigilância e consequente aumento do sentimento de segurança. Cada conjuntos de prédios numa mesma rua, ou praceta, chegaria para pagar um ou dois destes vigilantes. Em ruas mais compridas, é dividir e multiplicar.

Agricultores de minifúndio

Quem conheceu o campo nos anos 30, 40, 50, 60 e 70 sabe que há muita terra ao abandono. Isso traz vários problemas, aumentando a desertificação do interior. Para um desempregado, e com as tecnologias e vias de comunicação do presente, este tipo de agricultura pode ser uma actividade fértil em mais do que um sentido.

Caça-fantasmas

Os fantasmas em causa são os resíduos florestais, os entulhos e o lixo na natureza, praias incluídas, os quais assombram a paisagem, a segurança e a economia. Os ganhos virão da diminuição dos incêndios, da reciclagem e do turismo. É uma actividade que pode ter lugar de Norte a Sul, Litoral e Interior, Continente e Ilhas.

E tu, que novas actividades profissionais propões?

Vinte Linhas 500

Dissertação para Marieta sobre uma fotografia de 1966

Ouvi dizer que a Edite morreu mas não pode ser verdade. Nós somos onze e nunca saíamos dessa fotografia tirada entre o coreto e o limite do Jardim. O grupo é formado por três rapazes e oito raparigas. Estou atrás de ti e ao lado do Arnaldo e do Paplicas. Das meninas recordo os rostos mas não todos os nomes. Da direita para a esquerda: irmã do Paplicas, a Fátima Passos, a Edite, a Guilhermina, a Marieta, a Rosa (?), a Salomé e a Ângela. Ao fundo, atrás de mim, um barco areeiro, Gil Conde de seu nome que ainda lá está. Duas das raparigas moram no Bairro do Bom Retiro como eu: a filha da Maria Passos e a Guilhermina da papelaria. Os alunos do Colégio Sousa Martins iam lá comprar pastilhas elásticas. O pai dela tinha uma paciência infinita. Às vezes aparecia o Costa Pereira do Benfica que vinha buscar a sobrinha Elisabeth França. Misturava sempre um ovo no copo da cerveja para espanto de todos nós. As torneiras das casas do Bairro ainda não tinham água e vinha um carro da Câmara para as pessoas encherem as bilhas. Estes três rapazes e estas oito raparigas nunca saíram desta fotografia. As suas aulas eram dispersas pelo Matadouro e pelos Combatentes, os trabalhos manuais erma no barracão ao lado do Tribunal. Recordo os professores Amadeu Lopes Sabino, Maria Branco, Maria Elisa e Terêncio Anahory. O primeiro é hoje um escritor conhecido, o último usou pela primeira vez em 1962 a expressão «caminho longe». As duas professoras ensinaram-me tudo o que eu sei de inglês e de francês. Eles e elas estão ao lado da fotografia mas sempre dentro da memória dessa fotografia. Nós nunca vamos sair dessa fotografia de 1966 a preto e branco. Sim, Marieta, nunca vamos sair.

Gostar de futebol

Quem gosta de futebol não liga ao futebol. Quem liga ao futebol são os matarruanos que antecipam a reforma para gastarem os dias a ver os treinos dos seniores, dos juniores, dos juvenis, dos iniciados, dos infantis, dos recém-nascidos e dos intra-uterinos. Conhecem melhor os funcionários do clube do que a família. Comem, bebem, mijam, barafustam e vêem televisão no bar. Só não dormem nos balneários ou no relvado porque são expulsos das instalações quando desligam as luzes. Decoram centenas ou milhares de biografias dos jogadores, são capazes de relatar ao minuto o que aconteceu 30 anos antes numa eliminatória da Taça de Portugal. Isto é ligar ao futebol.

O resto da Humanidade limita-se a gostar de futebol. Quando há vitórias, há festa. Quando se perde, muda-se de assunto que temos muito mais em que pensar. Os jogos não são importantes pelo resultado, mas pelo exemplo. Quem gosta de futebol está sempre à espera de encontrar exemplos de entrega, disciplina, criatividade, respeito, sacrifício, heroísmo. Em suma, amor à camisola. Se a equipa perder dando prova destas qualidades, há um sentimento de realização. A vitória não é necessária, até porque não depende do esforço. O que importa é dar testemunho de uma vontade indómita, de uma esperança infinita. É por isso que ouvimos senhoras a declarar que não percebem nada de futebol e, acto contínuo, a expressarem a sua tristeza ou alegria com o desfecho de um dado jogo. Falam dos jogadores como se eles fossem os guardiões da cidade, defendendo nas muralhas a sua prole da investida do inimigo. Elas estão a captar o essencial: o futebol é o microcosmo da vida comunitária, o que acontece dentro das quatro linhas espelha o que acontece nas linhas do destino de cada um. A bola que entra na baliza entra também nos planos de Deus.

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