Votei Alegre. Por duas razões: porque parecia o melhor dos piores; porque seria justo castigar Soares. Tenho a vantagem de não fazer a menor ideia do que levou Soares a querer concorrer para um terceiro mandato, para mais sendo octogenário, muito menos imagino o que levou o PS a aceitar essa infausta candidatura, mas é provável que Alegre não suscitasse confiança a quem o conhecia de ginjeira. Ou que tivesse sido estouvado, escutando apenas as Musas, acabando por queimar apoios. Enfim, talvez a explicação seja chã e cínica: Soares pode ter tido mais força no aparelho, ou nas cúpulas, e impôs-se ao partido. Não sendo militante do PS, nem simpatizante, olhava para as eleições presidenciais de 2006 com indiferença, sequer receando a vitória de Cavaco. E, até ao Verão de 2008, Cavaco imitou muito bem um estadista.
4 anos depois, as próximas presidenciais terão uma importância decisiva para a qualidade – e até segurança – da nossa democracia. Cavaco Silva provou que a Presidência pode perverter a lógica do semipresidencialismo, não cumprindo a Constituição: não há regular funcionamento das instituições quando, a 1 mês das eleições legislativas, surge uma notícia com declarações oficiosas de Belém a acusarem o Governo de crimes escabrosos contra o Presidente da República – as quais ficaram sem serem desmentidas, muito menos explicadas, até à publicação do email pelo DN, uma semana antes das eleições, e as quais foram aproveitadas pela oposição para atacar Sócrates, Governo e PS com pulhices nunca antes vistas no combate político em Portugal. Impedir que Cavaco seja reeleito, pois, deve ser o desígnio nacional de qualquer cidadão. Só que não vale tudo.





