A publicação ilegal das escutas a Pinto da Costa, repetição sonora do que já tinha vindo a público por escrito, dá azo a uma oportunidade para distinguirmos a moral da ética – tomando aqui a primeira como o conjunto das regras objectivas de conduta admitidas numa dada época, e a segunda como a capacidade subjectiva de identificar o bem e o mal.
Aqueles que ouviram as gravações, alguns tendo de imediato utilizado esses conteúdos como material humorístico na comunicação social, validaram a publicação. A ilegalidade compensou, o culto da violação da privacidade foi exaltado. Constitui-se agora, com o exemplo de milhares e milhares, como um acto moral – ou seja, está de acordo com os costumes que uma dada sociedade institui como preferíveis. Já aqueles que se recusam a ouvir, porque não querem ser cúmplices, estão numa situação em que não podem fazer prova de uma ausência. A sua boa acção é invisível, parece inexistente, mas é real.
O provérbio As boas e más acções ficam para quem as pratica nasceu na Idade Média, um período de fulgurantes ensinamentos. Nunca deixará de ser actual, enquanto existir uma consciência ética algures no Universo.






