Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Chamo desvario a tal
Servia toda, acho mal
Olmo, hera, diva casta
Halo doce, rima vasta
Ela chama vida, rosto
A acha vil, ar de mosto
Olha-me, vasa torcida
Vê amor, atas colhida

Ah, vadias, mole troça
Talha vida, só remoça,
Chamo revolta sadia
Dava malho, cortesia
Mesa, cilha, trovoada
Olho, Sé, mitra cavada
Tasco melhora vadia
Lá choves toda, Maria

Haste malvada, rocio
Tacha-me, valsa do rio
Caralho teso, má vida
Volta (ah!) a ser comida
Vá, sai, matreco, dá-lho
Dá, avia, torces malho
Hecto-amora validas
E o talho marca vidas

De cota maravilhosa
Cito velha dama rosa
Aviso: há cal da morte
Cada milha, voa sorte
Marcas de hálito vão
Soltavam hidra e cão
Há som, tarda, ecoa vil
Sovada, chora até mil

Vias-lhe toca, morada
Cortelha, mó avisada
Sorvem ácido, atalha
Atado servo, cimalha
Mata cheiros, alvado
Mia à velho castrado
Da malha tire sovaco
Sai, matador velhaco

Limo vasto é charada
E roça vista molhada
Há mão de costa rival
Adora macho estival
Retalha visco da mão
Trilha Evas com Adão
Eco-tralha dava o sim
À tesão calhorda vim

Mar ovo, chita seda lã
Rodo a chave, talismã
Há mosca e roda vital
Tesão chã doma rival
Calha vã doa o mister
Talhavas mão, cio der
A mocha desova, trila
Acto sem hora da vila

Nota: Tal como em edições anteriores, todas as linhas foram construídas com anagramas de um mesmo nome. Significa que peguei num nome e explorei combinações diferentes com as letras que o compõem, acrescentando acentos, cedilhas, pontuação. A primeira foi a nossa saudosa menina traquina, seguiram-se mais fêmeas lusas irreverentes. Desta feita, deixo uma ajuda: as palavras do nome encontram-se no texto, e preenchem este vazio:

_ _ _ _ _   _ _ _ _ _  _ _  _ _ _ _ _ 


  1. 1 fmv

    Fabuloso. Uma pessoa rê, relê, e não sabe que virtosidade mais admirar: se a da idioma, se a da Susana. Ainda por cima, a coisa dá um poema inventivo e malandro, com quase nenhuma falha no metrum.

    Não gosto especialmente do que escreve a M—a V—o da C—a. Mas é um gozo verificar que o nome dela dê… isto.

  2. 2 susana

    obrigada, fernando.
    ainda tentei acertar a métrica, mas perdia variações “importantes”.
    a virtuosidade do idioma é realmente impressionante. não imaginas a quantidade de frases que deitei fora. algumas, variantes do que ficou (ex: segunda linha, «ser, todavia, acho mal» ou, cá em baixo, «mor vão, chita seda lã» - que ficaria melhor do ponto de vista da métrica). mas também muitas outras (várias disparatadas), como «coisa da velha morta/avó metralha», «casota melhora vida», «o chato salva ermida», «sádico toma-lhe vara», «cisto, mãe orvalhada», «vias-me toda, caralho», «olha, mais tarde cavo», «viram coelha do satã» e um longuíssimo etc. poderia ter continuado, que isto nunca mais acabava. centenas. virtude desta combinação, bem entendido; há nomes com pouco por onde pegar.

  3. 3 Nik

    Gostei

  4. 4 catarina

    Bestial. :)

  5. 5 Ti Zefa

    Ó sinhores! Balha-me o meu anjinho da guarda! Atão não é que a dona susaninha deu-lhe agora para a desgracia!? É asneiredo de criar piolho, filhos! Ela é “loira cona salgada”; “caralho teso”; “tesão”..Uma menina tão educadinha, balha-a Deus! Até fico escanzifrada com tanta falta de bergonha. Como é que lhe aconteceu isso criatura, lebou uma traulitada, comeu o beneno dos ratos, foi biolada!? Ó sinhora, e ainda por cima deixou que o Balupi lhe fizesse o retrato da sua “coisa”!? (BadeRetro, que nem bos digo o nome!) Os sinhores podem ber no outro blog.
    Um bizinho meu, diz que foi por puxar pela mioleira, por causa daquela coisa dos onogramos. Talbez. Mas outra bizinha diz que não. Diz que a dona susana não tem é nada que fazer e atão, dá-lhe pró desimbargo do paleio. E ainda disse: «Tivesse ela de labar as escadas dos prédios onde bou, que só tinha tempo de dizer: raispartam a malbada da minha bida!»
    Hoje bou pôr uma belinha pela dona susaninha a São Luís, rei de França. Isso foi a minha patroa que me disse, porque tem muita deboção ao santinho. Bamos lá ber se ela bolta ao asneiredo dos tais onogramos, só com nomes de mulheriu.
    Bendo bem, ó dona susaninha, se botasse só nomes de homem, talbez não saísse tanta sem bergonhice, bolta, tenho razão…

  6. 6 Anónimo

    Ó ti Zefa, não é caso para te esconadalizares assim tanto. São só uns conagramas sem importância.

  7. 7 Ti Zefa

    Ó anónimo, filhinho, atão tu não bês que não sou só eu a ficar escanzanalizada!? Até os sinhores da bodegosfera arremelgam as bistas para a “coisa” da nossa susaninha!? Tanta escanzanalização, bê tu, não pode passar em bão! Não me digas que tu és o Balupi, malandro…Olha queu bô aí e nem bais foder dar um ai, se te ponho as mãos, berás…

  8. 8 susana

    ti zefa, e por acaso o RC saberá que andas a usar o portátil dele, ainda por cima usando a conta de e-mail da menina filipa frança?!

    quanto à devoção da tua patroa pelos santinhos, ela já é, pelo menos, mundialmente conhecida. sobretudo quando se trata dos populares.

  9. 9 Mistério...

    Como vocês são chatos, caraças! Tansos da merdice. A darem sempre na mesma tecla. Sabem lá se a ti Zefa - bem apanhada, por acaso - , o RC e a Filipa França são a mesma, «a tal» pessoa, que já enjoa citar o nome? Fosga-se! E depois, se for, que mal tem? Isto não é uma caixa de comentários livre, como vocês apregoam? Ou é preciso apresentar cartão de visita? Fechem a porta, porra, ou ponham correntes de segurança. Façam qualquer coisa, mas poupem-se e poupem-nos, caraças. Isso já é mania da perseguição. Se calhar, essa malta é toda amiga e anda a gozar à brava à vossa custa…

  10. 10 susana

    mistério, bem pelo contrário, não tem absolutamente mal algum e, ainda por cima, traz muita alegria. só que, como entenderá, a caixa é livre também para nós. ou acha que no nosso caso a resposta deverá ser menos livre?

  11. 11 Valupi

    O título vai muito bem com a pessoa anagramada.

  12. 12 Ti Zefa

    Ai, rica menina! Susaninha! Bim agorinha ao cesto, sinhores. E não bi nem uma palabrinha daquelas feias. Botei as bistas também no que escrebeu o sinhor Ministério. Raio de nome do home! Bolta, a belinha deu resultado, Tá-se a bêr que o santinho oubiu o meu pedido. Agora isso do libre, não percebi patabina. Mas Deus libre a Susaninha de boltar às sem bergunhices do xifrudo!
    Bá à sua bidinha e arreceba recomendações da ti Zefa.

  13. 13 sem-se-ver

    está um assombro.

Leave a Reply





Aspirina box

Arquivos mensais

Pharmácias

As Ruínas Circulares
afixe (RIP)
BdE I (RIP)
BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
Sociedade Anónima (RIP)

 

Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
António Sousa Homem
Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
Blasfémias
Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
Caixa de Costura
Canhões de Navarone
Cão de Guarda
Casa de Cacela
Casmurro (RIP)
A causa foi modificada
Causa Nossa
O céu sobre Lisboa
Charquinho
Cibertulia
cinco dias
Cocanha
A Coluna Infame (RIP)
Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
Conta Natura
Contra a Corrente
Coroas de Pinho
Crítico Musical
Crónicas Matinais
Cruzes Canhoto (RIP)
Daedalus
Daily Make-up
Da literatura
Desesperada Esperança
A Destreza das Dúvidas
Diário Ateísta
É a Cultura, Estúpido!
Em Busca da Límpida Medida
Enresinados
Epicentro
A Ervilha Cor de Rosa
Esplanar
Esquerda Republicana
Estado Civil
a.estrada:
Estrangeiros no Momento
Eternuridade
Floresta do Sul
Fora do Mundo (RIP)
FotoBen
Frangos para fora
french kissin'
Fuga para a Vitória
Fumaças
O funcionamento de certas coisas
garedelest
Gato Fedorento
Geração Rasca
Glória Fácil
Grande Loja do Queijo Limiano
Grupo do Pato
Hipatia
Homem a Dias
:Ilhas
O Insurgente
Intermitências da Corte
A Invenção de Morel
Janela Indiscreta (RIP)
Janela Para o Rio
João Pereira Coutinho
Klepsy´dra
A Lâmpada Mágica
Laranja Amarga
Last Tapes
letra minúscula
Letratura
Malfadado
Mar Salgado
Margens de Erro
Mas certamente que sim!
Meditação na Pastelaria
melancómico
A Memória Inventada
Memória Virtual
A Metamorfose
Miniscente
Modus Vivendi
Muro Sem Vergonha (RIP)
A montanha mágica
Nada Niente
A Natureza do Mal
O Observador
Ó Faxavor...
A Origem do Amor
A Origem das Espécies
Palombella rossa
O Pastelinho
Pastoral Portuguesa
Pedro Chagas Freitas
pequeno blogue do Grande Terramoto
Periférica
pesadelo sem ar condicionado
Pólis & Etc.
Ponto e Vírgula (RIP)
Ponto Media
Pópulo
Portal Galego da Língua
A Praia
Quartzo, Feldspato & Mica (RIP)
Quase Famosos
read me very carefully
Renas e Veados
Rimbaud Warrior
Rititi
Rua da Judiaria
Ruialme
seta despedida
Silêncio
Solvstäg
Sound + Vision
Tempo Contado
Os Tempos que Correm
Tomara-que-caia
Três Pastelinhos
True Lies
Um blog sobre Kleist
O verso dos versos
Vício de Forma
Vidro Duplo
Vistalegre
Voz do Deserto
what do you represent
The world as we know it


© 2006/07 Aspirina B | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Wordpress | afinado por Paulo Querido | Topo