Uma pequena dose de cinismo eleitoral

Por vezes, dá jeito ser capaz de pegar nos óculos de analista e olhar para o processo eleitoral como um mercado. É que logo saltam à vista algumas evidências. Como esta: não existe aqui espaço para duas ofertas periféricas similares — uma estará sempre condenada ao insucesso. Quando surge Manuel Alegre travestido de candidato anti-partidos, exterior ao “sistema”, poético, sonhador e “cultural”, o candidato do Bloco vê-se automaticamente em sarilhos. Ainda por cima quando lhe falta massa crítica em termos de possibilidades reais de eleição; para já nem falar da vetustez e da pose de predestinado que muitos ainda imaginam como imprescindível aos “grandes estadistas”.
O eleitor, na sua crueldade utilitária, sabe que não existem moinhos de vento que cheguem para todos.

2 pensamentos em “Uma pequena dose de cinismo eleitoral

  1. Não estás longe da verdade, oh bom Luís: Manuel e Francisco são dois líricos da velha escola, por isso o Manel fez mossa no BE mas não no PC (que é mais da épica que da lírica).

  2. Meu caro. Leste o que escrevi no Blue Lounge? Não anda loinge desta leitura: a «balcanização» da esquerda prejudicou o Bloco e favoreceu Cavaco, que se apresentou como um «moderado».

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