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Os jornais israelitas e de todo o mundo continuam a encher-se com os passos frenéticos da última corrida para o abismo no Médio Oriente: agora, é a Síria a visada, com caças israelitas a sobrevoar o presidente Assad. Em Gaza já não há electricidade e várias pontes foram bombardeadas pelos aviões israelitas. Até onde irá chegar mais esta escalada insana, ninguém pode calcular.
Mas ainda se fazem ouvir por ali ouvir mais do que gritos de guerra e pedidos de sangue. E talvez ainda haja tempo para que alguém repare na justeza deste texto do colunista Akiva Eldar; ali são relembradas palavras de um antigo vice-primeiro ministro de Israel, há pouco mais de um ano: “estamos cansados de lutar, estamos cansados de ganhar, estamos cansados de derrotar os nossos inimigos. Queremos ser capazes de viver com relações totalmente diferentes com os nossos inimigos. Queremos que eles sejam nossos amigos, nossos parceiros, nossos vizinhos”.
Agora, esse antigo “vice” já é primeiro ministro e tratou de esquecer a promessa de bom senso e o cansaço do sangue: “todos na Autoridade Palestiniana estão entre os responsáveis e nós não lhes daremos qualquer imunidade”; “o mundo está farto dos palestinianos. Até agora, as nossas respostas têm sido comedidas. Isso acabou.”
O que acabou mesmo foi a promessa de acalmia na zona. Emboscada por extremistas, executada pelos mísseis de outros extremistas. E claro que não é por acaso que o ataque aos soldados israelitas que serviu de pretexto para a presente crise aconteceu justamente quando se discutia o “Documento dos Prisioneiros” (que aliás já fora recusado pelos mais radicais).
Como bem pergunta Eldar: “será possível que um estadista sábio mude a sua doutrina por causa de um bando de lançadores de foguetes? Será imaginável que um líder esqueça a sua visão por causa de um falhanço militar que custou as preciosas vidas de dois soldados e a captura do seu colega? Ainda não aprendemos que, na relação entre nós e os nossos vizinhos, a força é o problema, não a solução?”
A resposta, infelizmente, é uma só: quando os violentos se sentem com poder para esmagar os seus vizinhos, tratarão de o fazer à mínima oportunidade. Quer sejam loucos a enviar os filhos dos outros para o martírio ou estadistas que já souberam anunciar sonhos de paz quando tal lhes convinha. Todos se deixam raptar pela febre da guerra com gosto. E ai de quem seja apanhado no meio.


  1. 1 Fernando Venâncio

    Lúcido e justo, Luís. Há loucos a governar Israel, mas não é Israel que é louco.

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