Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Segundo o que o “Público” escreve e a TSF confirma, o deputado Duarte Lima encarregou-se ontem de proferir um animado discurso em que clamava pela restrição das escutas telefónicas a “crimes de terrorismo organizado, de tráfico de droga e crimes de sangue”. Não pensem que a descontextualização altera a intenção do impoluto político: ele confirmou depois que quer ver as escutas “exclusivamente” limitadas a estes três tipos de crime. De fora ficariam, tão somente, os crimes de corrupção, de peculato, de abuso de poder… precisamente as malfeitorias de que “políticos” como Fátima Felgueiras ou Isaltino têm sido acusados. Até aqui, nada de anormal. O homem tem contas a ajustar, relativas a outros tempos, ainda na memória de muitos.
Incrível mesmo é que os bonecos de votar do PS, do PSD, do CDS e do BE se tenham erguido em unânime aplauso a tal ideia. Uma das criaturas do PS chegou a gabar a “sapiência” e a “coragem” de Duarte Lima! Fernando Rosas manifestou o seu deslumbre com o tradicional “muito bem!” Até Ana Drago tratou de parabenizar o autor de tão descarada sugestão. Este, aproveitando a embalagem, teve ainda tempo para alvitrar que as magistraturas devem vir a ser colocadas em boas, desinteressadas e capazes mãos: as dos políticos, claro está.
No mesmo “Público”, pode ler-se um relato sobre o estado actual do famoso concurso dos helicópteros para o SNBPC: o Estado arrisca-se a ter de pagar o serviço ao vencedor do concurso e também a uma empresa que dele foi excluída em circunstâncias perfeitamente incríveis. E, para deixar este ramalhete de histórias deploráveis por aqui, soubémos ontem que a comissão de inquérito sobre o caso Eurominas foi fechada à pressa e à má fila pelo PS.
Estamos bem entregues, sim senhora.


  1. 1 Luís Lavoura

    Os nossos políticos sempre foram da opinião de que o sistema de justiça deveria servir apenas para filar os traficantes de droga, os assassinos e, mais recentemente, os terroristas. Quando, recentemente, a justiça começou a investigar crimes de colarinho branco, e em geral a incomodar gente bem colocada, os políticos ficaram muito incomodados.

    Entristece-me que o BE tenha aderido a esta onda. O BE ficou muito incomodado com as acusações sobre Paulo Pedroso. O BE deveria saber que o facto de um indivíduo ter boas ideias políticas não obsta a que tenha também alguns vícios privados.

  2. 2 Rui Castro

    É o fartar à vilanagem e nisto não há ideologias, é o salve-se quem puder. Corja!

  3. 3 João

    Esqueceste-te do PC ou não faz parte do grupo?

  4. 4 Luis Rainha

    João,
    De acordo com o “Público”, os deputados do PCP não se juntaram à carneirada dos aplausos.

  5. 5 CausasPerdidas

    Parabéns ao PCP. Quanto ao bloco: têm de me explicar esta bem explicada, senão mando-vos foder.

  6. 6 Daniel Oliveira

    Duarte Lima defendeu, de facto, esse disparate. E nessa matéria não contou com o apoio pelo menos dos deputados que eu elegi. Mas, fora isso, fez uma intervenção corajosa contra o abuso nas escutas e o desnorte no Ministério Público e foi, apenas por essa parte da sua intervençai, aplaudido. Mas isto contado assim não tinha grande graça, pois não?

    Um pouco menos de Manuel Monteiro não faria mal nenhum.

  7. 7 Daniel Oliveira

    E a Ana Drago não deu nenhuns parabéns por ele propor que a escutas não se fizessem a suspeitos de crimes de colarinho branco, tendo até, em declarações à comunicação social, dito que não concordava com a proposta. Mas não te quero continuar a estragar o post, Luís

  8. 8 Sabine

    Pois…

  9. 9 Anónimo

    Tentações
    DN, Eduardo Dâmaso, 28/01/06

    O deputado Duarte Lima defendeu anteontem o fim das escutas telefónicas para todos os crimes que não os de terrorismo, droga e sangue. Quer ainda alterações na composição dos Conselhos Superiores que vão no sentido de uma maior politização. A sua intervenção foi aplaudida por todas as bancadas parlamentares, com excepção da do PCP, recebeu os “parabéns” da bloquista Ana Drago e elogios à sua “eloquência”, “sapiência” e “coragem” do deputado do PS Ricardo Rodrigues.

    Os deputados são eleitos para defender ideias de organização do Estado e do País, seja pelas opiniões ou pelas leis. Duarte Lima cumpriu, por isso, o seu papel. O que é lamentável é que as suas opiniões tenham suscitado tamanho coro de aplausos. É completamente irresponsável, para não dizer pior, que deputados do PS, PSD, CDS e BE tenham aplaudido uma intervenção que exclui do catálogo de escutas crimes como a corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influências e peculato. Não se compreende como é que deputados de partidos que estão ou estiveram no poder podem defender políticas contra a criminalidade económico–financeira subtraindo ao Estado um instrumento essencial para a combater.

    É vergonhoso que o Parlamento aplauda a afirmação de interesses particulares sobre o interesse geral. O caso do BE é mesmo patético porque, se Fernando Rosas e Ana Drago concordam com Lima, reduzem a cinzas tudo o que Francisco Louçã tem dito sobre os grandes interesses da criminalidade económica.

    Não se deve escamotear os problemas da justiça. Há escutas a mais, as magistraturas não cumprem muitas vezes o seu papel, há investigações sem sentido, reputações destruídas, há um défice de fiscalização, opacidade excessiva. Tudo isso é certo, mas não se muda com um assalto ao sistema judiciário por interesses privados.

    Os problemas da justiça devem ser encarados na perspectiva do aperfeiçoamento do sistema judiciário e não na da sua destruição, arrastando a separação de poderes e desferindo uma machadada no Estado de direito. O problema não são as opiniões de Duarte Lima, mas a tentação dos partidos em aceitá-las. O mesmo vale para a tentação das magistraturas em permanecerem barricadas, não aceitando dar um passo que trave a actual escalada de conflito e outro no sentido de encarar os seus próprios erros. Uns e outros são responsáveis pela procura da frescura inicial da democracia recuperando palavras como responsabilidade, erro, regra, imparcialidade, igualdade.

  10. 10 Luis Rainha

    Daniel,

    Por acaso, até votei neles tanto quanto tu. E esperava vê-los ao menos um pouco mais atentos quanto ao que aplaudem e quanto às figurinhas a que gritam “bravos!”
    A Ana pode ter-se demarcado depois; mas a fraca figura já estava feita. Se dar por isto é emular o Monteiro, azarito.
    E essa da “intervenção corajosa” deve mesmo ser para rir: o homem tinha o Corpo de Intervenção atrás dele? Estava simplesmente a ajustar contas antigas, de poucas vergonhas já de (quase) todos esquecidas. Ou não sabes disso?

  11. 11 João

    O bloco está cada vez melhor…

    Os aplausos foram, pelo menos, um erro de cálculo…

    Quanto ao resto, as desculpas do Daniel Oliveira, sabem a pouco…

    O PC está mais atento e nota-se que estuda mais, poupando-se a estas cenas…

    Ridiculos os aplausos, mais ridiculas as justificações dos aplausos…

  12. 12 lucrécia

    Também fiquei estupefacta ao saber que os deputados do Bloco tinham embarcado naquilo. Na verdade, parece que o Bloco enferma dos mesmos problemas que o País: diletância, falta de preparação e de solidez. Apesar do entusiasmo e da generosidade.

  13. 13 nadia

    vivi uma esperiencia k nao devia ter vivido com as drogas e nao sei o k fazer…ajuda!!

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