Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Inspirado por um artigo que leu há pouco, André Abrantes Amaral resolveu agora que os EUA não têm nada de estar envergonhados pela iminência de abandonar as areias movediças do Iraque entregues à sua sorte. Não: deveriam andar em paradas e foguetório comemorativo. Na realidade, venceram a luta contra o terrorismo!
Juro que isto vem lá escrito: “É certo que o mundo não está mais seguro que em 1998, mas está bastante menos perigoso que o esperado no dia 11 de Setembro de 2001. Os EUA nunca mais foram atacados, várias células terroristas foram destruídas, esquemas de financiamento aniquilados. Hoje é bastante improvável um ataque da mesma envergadura ao ocorrido em Nova Iorque e Washington.”
O ponto de vista é o de um americano radicalmente isolacionista: o resto do mundo nem sequer existe. Os EUA não foram mais atacados mas da mesma sorte não se podem gabar alguns seus aliados. As células foram destruídas e outras tomaram logo o seu lugar, como se vê pela chuva de bombas que cai todos os dias no Iraque; quanto tempo demorará até que aquela malta recém-formada se espalhe pelo mundo? Quantos mais estarão agora mesmo a converter-se ao fanatismo e à violência? E “improvável” já foi o 11 de Setembro; só por uma incrível mistura de sorte e incompetência das autoridades americanas é que um bando de grunhos armados de x-actos conseguiu aquilo. E, mesmo assim, a fazer fé no recente alarme em Londres, não vejo onde está a improbabilidade de uma reprise.
Por fim, como pode um país cantar vitória quando se deixou transformar pelo seu inimigo? Escutas arbitrárias, detidos sem processo, Guantánamo, sadismo no Iraque… cada uma destas tristes constatações soa a toque de finados pelo país justo e livre que os EUA já foram. Amarga vitória, a que o Blasfemo agora celebra.
Ele diz “com confiança que, tanto o terrorismo como a Coreia do Norte são problemas do passado”. O solipsismo tem um novo e fulgurante paladino.


  1. 1 rui

    bang on.

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