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Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



J’ai un problème, ma chère amie, qui me rend peu à peu folle :
Le pauvre con qui se dit mon mari (alors qu’il a plutôt épousé l’alcool)
se sert de mon fils comme alibi, quand il n’est pas à l’école.
Chaque dimanche matin, il me dit avec son air de con :
«Ma cocotte, on revient : je vais montrer la mer au fiston».
Mon très doux petit, bien sûr, il trouve cela chouette
De pouvoir, jusqu’à midi, pisser dans l’eau et chasser les mouettes.
Il ne sait pas que c’est une ruse : son père se fout bien de lui,
Ce qu’il veut c’est une excuse pour aller boire ses martinis.
Je vous en prie, Madame, aidez-moi – je ne sais que faire :
Comment puis-je interdire son «cher papa» de l’emmener à la mer ?

Ma chère amie, je ne crois pas que vous ayez un problème :
Ignoreriez-vous de la nature cette loi : «Les Hommes Sont Tous Les Mêmes» ?
À votre place, je serais contente que mon fils ne se promène seul
Et que l’alcool ne soit une excuse pour que mon mari me casse la gueule…
Ma chère amie, je serais franche : ne croyez-vous pas que c’est dommage
De ne pas profiter de ces dimanches pour vous bronzer sur la plage ?
Croyez-moi, ma chère amie, je n’ai pour vous d’autre conseil :
Au diable vos petits soucis et jouissez du soleil !

NOTAS:
1. Este texto consiste em (mais) um exercício de rescrita de UM MARTINI E O MAR (três desses exercícios bilingues foram editados em 2001 pela Campo das Letras).
2. Pretende (tadinha, pró que lhe havia de dar) ser uma letra para uma canção com duas vozes femininas. Ainda tentei, nos últimos dias, alinhavar uns acordes para ela (cenas em Ré e Mi menor), mas sem sucesso. Se houver por aí algum leitor que tenha pachorra para compor uma musiquinha para ela, pronto, aqui o vosso escriba ficaria agradecido. Eu depois falo com a Brigitte Fontaine e a Shakira.


  1. 1 claudia

    Está bem o texto. Aliás, tenho que reler Un Martini et la Mer. Li-o há um mês (reli mais exactamente) e descobri o esqueleto da obra. Buuuuuuuu… Sério. Quando li a obra pela primeira vez, interpretei-a como a interpretam as crianças: só via aquilo que queria ver. Mas entretanto mudei e li-a com atenção, desprendimento, paciência, e descobri-lhe (penso eu de que porque quem detém toda a verdade sobre uma obra?) todo o maravilhoso engenho. Um dia destes, arrisco dizer-te como fizeste aquilo. Bastava responder a determinadas perguntas e imaginar, urdir uma trama alegórica para cada resposta. Não tenho o livro, mas cada capítulo corresponde a uma pergunta(implícita, invisível)-resposta(explícita, alegórica). Post Scriptum – Não cobro a crítica (lol).

  2. 2 Valupi

    Estou banzo. A olhar para esse mar.

    [link que não funcemina: "exercícios"]

  3. 3 maria arvore

    teste

  4. 4 Luis Rainha

    Ça c’est du caraces!

  5. 5 João Pedro da Costa

    Já funciona, agora (obrigado, Valupi). Esta caixa de comentários é que tá meia marada… Mas parece que agora já funciona.

  6. 6 claudia

    É estranho. Não consigo pôr comentários.

  7. 7 João Ribeiro

    Claudia, tira lá as espinhas ao texto para as poder ver! É que assim, só uma bela posta em duas lascas no prato nem dá para imaginar o peixe que foi parir este texto…

  8. 8 claudia

    lol. Gosto de mistério, mas é verdade que não posso ser egoísta. Fiz uma descoberta medonha no meu laboratório literário! Descobri as perguntas basilares que estão na base de certos capítulos de Un Martini et la Mer.

  9. 9 claudia

    Ai! “perguntas basilares que estão na base”. Desculpem lá, mas não nasci com costela (ou espinha?) de escritora (cof, cof). Não tenho o livro à mão como já o disse, mas já que ando para aqui armada em crítica é melhor voltar ao texto e, em breve, pôr a descoberto todas as espinhas do peixe.

  10. 10 claudia

    Vou recomentar um post antigo. Decidi dedicar uns minutos à obra para rememorar as tais espinhas. Se disser asneira, o autor que me perdoe (ou é só carregar no mute).
    O 1º capítulo constitui obviamente o ponto de partida. Trata-se do poema. O 2º capítulo, o sermão do padre, aborda o porquê da substituição do vinho pelo martini e das pombas pelas gaivotas. O 3º capítulo, o diálogo entre o vendedor de palavras e o cliente pode ser encarado como uma explicação para a génese do poema e de toda a escrita em geral. Retomando, o 2º capítulo responde à pergunta: Porque utilizei a simbologia do martini e da gaivota? O 3º capítulo responde às perguntas: Como surge a escrita? O que é a escrita?
    Como o podem constatar, a minha análise não é nada do outro mundo. Espero ao menos ter vendido o peixe :P
    Se tiverem uma opinião divergente, agradecia que expusessem a mesma.

  11. 11 Fred

    Vou ver se arranjo um sintetizador barato.

  12. 12 Fred

    Quero dizer, para compor a música de ouvido. Já estive aqui a cantar isto à Brassens.

  13. 13 João Pedro da Costa

    Não páras de me surpreender: o texto tem óbvias conotações brassenianas. Mas compõe lá o tema que eu depois quero ouvir.

  14. 14 João Ribeiro

    …puis j’ai dechiré sa robe, sans l’avoir volú, j’ai mon ami en panne, je suis un voyeur…il se fait gratter les fesses, moi je suis futu…
    Merci bien Claude. On fait la fête chez Costá? Et pardi, j’améne le pastis, le peu qui reste, prends ton violon, et couillon, on se debarre ou bien, il va se pisser aux cullotes devant nous…allez vite…

  15. 15 claudia

    Este João Ribeiro precisa de ser hospitalizado o mais rapidamente possível.

  16. 16 João Ribeiro

    Claudia: Ali em cima saiu-me trocada a escrita, o âme com o ami, e o peine com o panne e depois, depois foi mais forte e já nem consegui chegar ao voyou…agradeço-te a resposta ao desafio.

    Quando me internarem abro um blog…Million laughts mary, million laugths, anyway claudette rhymes with mouette…

  17. 17 Jeramy

    google google

  18. 18 Alejandro

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