Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Saber falar é uma arte. Saber ler também. Luís Gaspar, «locutor de publicidade», tem-nas, uma e outra. Podem ouvi-lo no seu audioblog ESTÚDIO RAPOSA (www.estudioraposa.com), eventualmente pela ligação no TRUCA (www.truca.pt).

Aí se percebe como o nosso idioma - apesar do fechamento sonoro dos últimos séculos, que se vem acelerando - ainda tem sonoridades fortes e maviosas. Aí se aprende a ler aos outros: aos amigos, aquele poema que nos saiu esta tarde no café, aos miúdos, aquela história antes de adormecer. O efeito é o melhor. Os amigos ficam boquiabertos. As crianças não. Mas ficam crendo, para a vida, que o meu papá, a minha mamã, são os maiores.

A qualidade nunca esquece.


  1. 1 antónio figueira

    Suponho que o “fechamento” de que tu falas é aquele que nos leva a comer sílabas e impede que os brasileiros muitas vezes nos percebam; porque raio temos nós isso e eles não? (eles parece que têm mais tempo para falar do que nós…) E como e desde quando é que o fenómeno aparece? Dou-me conta de que sei muito pouco da história da nossa fonética, onde é que é possível descobrir mais? Antecipadamente grato,

  2. 2 Fernando Venâncio

    António,

    O fechamento das vogais já é antigo. Em manuscritos medievais já aparece escrito «Purtugal». E repara como os brasileiros, sobretudo do Rio, dizem (exactamente como nós) «bunitu», «bunitâ». A pronúncia brasileira conserva - globalmente - a nossa pronúncia renascentista.

    Mas a partir do século XVIII a coisa acelera-se, e hoje temos de articular muito bem para sermos compreendidos por um brasileiro desprevenido (ainda os há).

    Deixo-te o último exemplo de fechamento. Ontem mesmo, no jornal da manhã da TVI, uma locutora em «voice over» (portanto gravado em estúdio) falou várias vezes no Presidente da «R’pública». Não é grave? Eu creio que é. Quando essa pronúncia passar a ser ‘chique’, lá se perde mais uma sonoridade.

  3. 3 Nancy Brown

    obrigada pela dica. uma preciosidade.

  4. 4 Valupi

    Fernando, o nosso tema inicial, já com mais de um ano, continua actual. Não há dúvida, as vogais do português dão que falar.

    Há uns meses, por razões profissionais, conheci o Luís Gaspar. Foi breve, mas encantador.

  5. 5 lucrécia

    O senhor Gaspar tem uma voz razoável e bela dicção. Pena é que assassine irremediavelmente poemas, contos e até mesmo a frase de apresentação do blogue. Mas é só uma opinião…

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