Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Não sei se há blogues de sonhos. Daqueles assim em que o mantenedor, ou a mantenedora, logo pela manhã (e, Planeta afora, a todo o instante é manhã) nos conta em que andou metida, ou metido, nas horas anteriores.

Não sei, repito, de nenhum blogue destes. Mas hão-de existir, estatisticamente - isto é, com base no que sabemos desta humanidade e desta bloguítica.

Confessar os sonhos havidos pode ser tentador (quem nunca interferiu na tranquilidade matinal de alguém com um «Tive esta noite um sonho maluco»…), mas não consigo conceber que, mesmo numa relação íntima (e sobretudo numa relação íntima), se contem os sonhos como quem responde a um «Que tal hoje o trabalho?». E assim é que está bem. Dentro da maior intimidade partilhada, é preciso que exista um espaço onde se esteja, e se fique, garantidamente sozinho.

Isto quanto aos sonhos «desta noite».

Mas há os sonhos recorrentes - os que se contam encetando por «Eu costumo sonhar com…» - e esses são bem mais inócuos, e participáveis. Vou contar um meu.

Um razoável número de sonhos, situo-os em bairros periféricos de Lisboa. Bairros que, estou perfeitamente convencido, não existem. Mas ando por lá horas perdidas, entretido em actividades de toda a ordem, que não vêm aqui ao conto.

Olho para a planta da cidade - que conheço como à palma da mão - e não sei sequer onde colocar tais subúrbios, quase sempre de um urbanismo irresponsável, mas essa é a parte menos original. Este, um sonho recorrente, nem bom nem mau, e às vezes divertido.

Mas, certa noite, aconteceu-me o reverso disto tudo. Sonhei-me num local da cidade, que efectivamente não conhecia, algures ao Alvalade. E que sucedeu? Tempos depois, em  visita real, ele revelou ser, muito pormenorizadamente, como eu o sonhara. Ruas, casas, passeios, pequenos parques, e até um arco.

E pronto, paro aqui. Isto, sonhos, é mesmo tentação.


  1. 1 claudia

    Olha, fico contente que andes para aqui a falar de sonhos. É que eu tenho-os premonitórios. Sonho e, no dia seguinte ou dois ou três dias depois, as coisas acontecem ou ouço da boca de uma pessoa aquilo que já tinha ouvido no sonho. Dizem que a almofada é boa conselheira, mas eu diria que os sonhos é que são bons conselheiros. Quem te avisa, bom amigo é. E os meus sonhos avisam-me sempre. De um perigo iminente, de um passo que esteja a dar em falso.

  2. 2 Daniel de Sá

    Eu tinha um sonho frequente com duas cidades que infelizmente não conheço: a Covilhã e Moscovo. A Covilhã era sempre muito cheia de luz, de telhados vermelhos e casas brancas. Moscovo era cinzenta, com barracões enormes. Quem as conhece pode dizer-me se esses sonhos estavam errados?
    E sonho muitas vezes que estou a tocar violino. O pior é que, nos sonhos, toco tão mal como nas duas ou três vezes em que, acordado, já tentei arrancar um som a algum.
    E voar numa cana ou num pau? Já te aconteceu, FV? (Não, em vassouras, não.)

  3. 3 Confúcio Costa

    O sonho, já dizia alguém que se fez poeta, comanda a vida. E a frase não era, como quase todos a interpretaram, metafórica. O Fernando teve, apenas, a prova disso.

    Grande abraço.

  4. 4 fmv

    Cláudia,
    Sonhos premonitórios, isso será bom? Não é um perigo? Como distingui-los dos outros, dos anódinos?

    Daniel,
    Então agora alicia-se um paisano a falar dos seus sonhos? Apanha-se um gajo vulnerável, e zás?
    Mas pronto, vá lá. Eu quando voo, voo mesmo. E dá uns sonhos lindos do caraças.

    Confúcio,
    Se calhar é mesmo isso.
    Outro grande.

  5. 5 claudia

    Só descubro que são premonitórios quando a realidade os confirma. Infelizmente… O dia das bruxas já passou :-)

  6. 6 Valupi

    Fernando, e como explicas o fenómeno?

  7. 7 fmv

    Valupi, qual dos fenómenos, que aqui já se multiplicam? O do reconhecimento em Alvalade?

  8. 8 Valupi

    Sim. Posto que afirmas não ter lá estado, que lembras um sonho detalhado e que, pouco depois, experimentaste a conformidade da realidade com a prévia visão onírica.

  9. 9 bastonada

    Sabia-o.

  10. 10 fmv

    Valupi,

    A minha atitude é, ainda hoje, passados bastantes anos, de perplexidade. Eu nunca tinha estado naquele sítio de Lisboa, naquela concreta zona do Alvalade. Realmente, «vi-me», no sonho, passando por ali, observando o cenário, e sabendo que se tratava do bairro em questão.

    Imagina o assombro que foi, tempos depois, passar por lá, de autocarro (no sonho, tinha «ido» a pé), e verificar que tudo condizia até ao pormenor. A hipótese de eu ter passado lá em pequeno tem de descartar-se: aquela área foi construída quando eu já teria uns 15 anos.

    Resta um tipo de conhecimento não físico, não sensorial. Que, também, não descarto. Tomo crescentemente consciência de que a realidade pode bem ser mais muito complexa do que pensamos, ou do que possamos sequer pensar.

  11. 11 catarina c

    Fernando, que post surpreeendente.

    Eu já descrevi alguns sonhos que, de alguma forma quis registar; talvez mais sob a forma de conto esquisóide. Também me acontece sonhar com uma cidade - se é Lisboa ou não, não sei - que tem “mapa”. Assim que começo a sonhar já sei onde estou (”isto é no fim da rua daquele outro sonho, deixa cá ver” e é mesmo). E sonho com sítios onde nunca fui e que existiram realmente. Se é de ouvir contar como são ou foram, talvez. Eu não sou muito de fenómenos metafísicos e admito que, nos nossos genes, passem mais coisas que a cor dos olhos ou o “feitio da tia-avó”, como por exemplo, pedaços de memórias.

    Mas isso é outra coisa. E em fotografias, poderá ter sido?

  12. 12 susana

    tenho um sonho recorrente em que ando perdida, sempre com a mesma pessoa, por ruas de lisboa. sempre perdidos, mas sem aflição, a rir desbragadamente. algumas ruas são inéditas, mescladas, e dotadas de autenticidade: com a hibridez de lisboa, não é difícil que memórias misturadas adquiram verosimilhança.
    essa sensação de conhecer algo que apareceu previamente em sonhos já a tive, mas deixou-me sempre desconfiada da memória.

  13. 13 rvn

    amigo,
    «bairros periféricos de Lisboa. Bairros que, estou perfeitamente convencido, não existem.»
    O teu sonho de Alvalade é a explicação de todos os teus outros sonhos. Esses teus bairros existem por toda a Lisboa, tu só não sabes é onde estão.
    Deves-me 50 euros da consulta.

  14. 14 claudia

    Só o Martin Luther King tinha sonhos. Vocês andam é a sonhar que têm sonhos.

  15. 15 rvn

    daniel,
    tenho três informações importantes para ti. (e para o mundo em geral, claro)
    O meu pai nasceu na Covilhã e Vladimir Putin nasceu em Moscovo. Mas não é meu pai.

  16. 16 claudia

    lol

  17. 17 Nikolai

    Sonhem com os números da lotaria e fiquem ricos, então eu acreditarei então no poder premonitório dos sonhos.

  18. 18 z

    e sobretudo é muito prático, não? nem é preciso tratar da mochila e até se vai a voar

  19. 19 sininho

    Fernando, agora estás a sonhar acordado. E, já agora, em que tipo de urbanismo encaixas esse sonho? ;-)

  20. 20 cleidiane

    oi bom dia essa noite sonhei que uma amiga ganhou uma idenização de 29.958,00 gostaria de sabre que significado é esse desse sonho…

  21. 21 cleidiane

    gostaria de sabr sobre o sonho que tive

  22. 22 silvana

    sonhei que meu chefe chamou eu e minha colega de trabalho e deu as contas pra nós duas…………obrigado espero a resposta

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