Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



tavares.jpg

Estou em Roterdão, onde esta semana decorre a edição 37 do festival da Poetry International. Em anos anteriores, sobretudo nos anos 80, muitos poetas portugueses, ou de língua portuguesa, por aqui passaram. Lembro-me sempre de Fernando Assis Pacheco, de Egito Gonçalves, de Sophia.

Este ano, o nosso idioma está representado por Ana Paula Tavares, angolana, a residir neste momento em Portugal. Alguma informação sobre ela e os seus livros está no site da Editorial Caminho.

Aqui fica um pequenino poema que - no workshop de tradução que, este ano, aqui dirijo - foi, como outros poemas seus, traduzido para inglês, francês, castelhano, neerlandês, frísio, dinamarquês, africânder e croata.

O Viajante

Parou para traçar as sandálias
E olhar a terra arrepiada
A dar à luz
Luas de prata.


  1. 1 LR

    Fico com vontade de conhecer a tradução para Inglês. Como evitaram atribuir um género ao sujeito da acção? Difícil.

    Stopping to cross the sandals,
    Gazes at the quivering land
    That gives birth to
    Silver moons

    Ná. Nunca me passaria pela cabeça traduzir poesia.

  2. 2 UFO

    Na verdade, também não compreendo quem se dá à trabalheira de escrever poemas em inglês, quando se tem à mão uma língua que foi feita para isso!

  3. 3 Diniz Castro

    Esta senhora está, poeticamente, inflacionada. Comparem o livro dela «dizes-me coisas amargas como frutos» com o notável «paraíso apagado por um trovão» do caboverdeano josé luís tavares. A comparação não vem a despropósito - os dois livros foram premiados ex-aequo com o prémio mário antónio de poesia 2004 pela fundação calouste gulbenkian

  4. 4 jagudi

    Poeticamente inflacionada ou não, quem o saberá!
    O que eu sei, de ciência certa, é que em 1986 encontrei em Luanda o caderninho “Ritos de Passagem”, da União de Escritores Angolanos, que algum vento já me varreu da estante. Lembro-me de criações notáveis…

  5. 5 Fernando Venâncio

    Luís,

    O sujeito da acção é «o» viajante. Não haja hesitação.

    A tradução-de-trabalho feita de antemão por Richard Zenith vai aqui. Faz tu as selecções:

    The Traveller

    He stopped to tighten his sandals’ straps
    And to look at the stunned/frightned/shuddering earth/land
    Giving birth to
    Moons of silver.

  6. 6 LR

    Fernando,

    Olha; não tinha ideia desse significado de “traçar”; pensei que aqui fora usado no sentido de “cruzar”.
    E “shiver” ou “quiver” serão, julgo eu, mais apropriados para substituir “arrepiar”.
    Quanto ao género do sujeito… talvez fosse inevitável escolher um; mas não vinha atribuído no poema, originalmente…
    Continuo na minha: traduzir boa poesia é coisa para génios ou loucos.

    UFO,

    Tenho ideia que talvez não haja outra língua tão fadada para a poesia quanto o Inglês.

  7. 7 Fernando Venâncio

    Luís,

    Escreves: «Traduzir boa poesia é coisa para génios ou loucos». Sei agora que terei de gerir, se possível prudentemente, a minha loucura.

    Diniz Castro,

    José Luís Tavares é, de facto, um poeta espectacular. Mas a grandeza de um não precisa de esmagar outros.

  8. 8 Dr. João da Quinta

    O Fernando é um pretensioso de nariz arrebitado que tudo desdenha. o diagnóstico indica vaidade exacerbada e infundada. Alguns doentes nestas condições costumam atirar-se aos críticos e intelectuais (o nosso caso). O tratamento deve ser de genérico: injecções de realidade. Dolorosas, que a dor convence. O Fernando Venâncio é o que nós, no Centro de Estudos João da Quinta, chamamos de Fedúncio.

  9. 9 Dniz castro

    Ó Fernando, quando atribuem o ex-aequo a dois livros tão desiguais, não á maneira de a comparação não ser esmagadora. Anda aí pela blogosfera o texto, brilante e violento, que o tavares leu na cerimónia da entrega do prémio

  10. 10 FV

    Diniz, gostaria de conhecer o texto. Não consigo localizá-lo, mesmo googlando inteligentemente (ou o que supunha ser).

  11. 11 joketreeyous

    even I assumed plants with my I confessed

Leave a Reply





Aspirina box

Arquivos mensais

Pharmácias

As Ruínas Circulares
afixe (RIP)
BdE I (RIP)
BdE II (RIP)
de vagares...(RIP)
A invenção de Morel
Sociedade Anónima (RIP)

 

Farmácias de Serviço

 

100 nada
31 da Armada
A aba de Heisenberg
Abrupto
O Acidental (RIP)
Adufe.pt
A Gaveta do Paulo
Agridoce
Alexandre Soares Silva
Almocreve das Petas
Amor e Ócio
António Sousa Homem
Arrastão
As Ruínas Circulares
Atlântico
Avatares de um desejo
O Avesso do Avesso
Babilônia
Babugem
Bada Bing!
Bandeira ao Vento
Barnabé (RIP)
a barriga de um arquitecto
Beco das Imagens
Blasfémias
Bomba Inteligente
Bombyx mori
Bonfim
Blogue dos Marretas
Blogo Social Português
Cabra de Serviço
Caderno de Verão
Caixa de Costura
Canhões de Navarone
Cão de Guarda
Casa de Cacela
Casmurro (RIP)
A causa foi modificada
Causa Nossa
O céu sobre Lisboa
Charquinho
Cibertulia
cinco dias
Cocanha
A Coluna Infame (RIP)
Complexidade e Contradição
Confissão do Silêncio
Conta Natura
Contra a Corrente
Coroas de Pinho
Crítico Musical
Crónicas Matinais
Cruzes Canhoto (RIP)
Daedalus
Daily Make-up
Da literatura
Desesperada Esperança
A Destreza das Dúvidas
Diário Ateísta
É a Cultura, Estúpido!
Em Busca da Límpida Medida
Enresinados
Epicentro
A Ervilha Cor de Rosa
Esplanar
Esquerda Republicana
Estado Civil
a.estrada:
Estrangeiros no Momento
Eternuridade
Floresta do Sul
Fora do Mundo (RIP)
FotoBen
Frangos para fora
french kissin'
Fuga para a Vitória
Fumaças
O funcionamento de certas coisas
garedelest
Gato Fedorento
Geração Rasca
Glória Fácil
Grande Loja do Queijo Limiano
Grupo do Pato
Hipatia
Homem a Dias
:Ilhas
O Insurgente
Intermitências da Corte
A Invenção de Morel
Janela Indiscreta (RIP)
Janela Para o Rio
João Pereira Coutinho
Klepsy´dra
A Lâmpada Mágica
Laranja Amarga
Last Tapes
letra minúscula
Letratura
Malfadado
Mar Salgado
Margens de Erro
Mas certamente que sim!
Meditação na Pastelaria
melancómico
A Memória Inventada
Memória Virtual
A Metamorfose
Miniscente
Modus Vivendi
Muro Sem Vergonha (RIP)
A montanha mágica
Nada Niente
A Natureza do Mal
O Observador
Ó Faxavor...
A Origem do Amor
A Origem das Espécies
Palombella rossa
O Pastelinho
Pastoral Portuguesa
Pedro Chagas Freitas
pequeno blogue do Grande Terramoto
Periférica
pesadelo sem ar condicionado
Pólis & Etc.
Ponto e Vírgula (RIP)
Ponto Media
Pópulo
Portal Galego da Língua
A Praia
Quartzo, Feldspato & Mica (RIP)
Quase Famosos
read me very carefully
Renas e Veados
Rimbaud Warrior
Rititi
Rua da Judiaria
Ruialme
seta despedida
Silêncio
Solvstäg
Sound + Vision
Tempo Contado
Os Tempos que Correm
Tomara-que-caia
Três Pastelinhos
True Lies
Um blog sobre Kleist
O verso dos versos
Vício de Forma
Vidro Duplo
Vistalegre
Voz do Deserto
what do you represent
The world as we know it


© 2006/07 Aspirina B | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Wordpress | afinado por Paulo Querido | Topo