Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Ontem li, no Público, a crónica dele. Tinha graça, mas já não a força de antanho. Vi-o em Maio, na Fnac do Chiado. Ao despedir-me, abracei-o. Era a primeira vez na vida, eu sentia que era também a última.

Neste lugar, que é um bocadinho meu, fica a recordação do homem que disse de mim coisas que não lembram ao diabo, mas acrescentando que, se o V. agora entrasse por aquela porta, teria o maior prazer em recebê-lo.

Agora foi ele quem entrou por essa porta, mais que todas, tremenda. Que ela o conduza ao mais tranquilo e verde dos espaços.


  1. 1 sem-se-ver

    oh.oh. morreu?! :(

  2. 2 João Pedro da Costa

    É a segunda morte de uma figura pública que me comoveu (a primeira foi a do Vergílio Ferreira). É uma perda tremenda para a cultura portuguesa. Deixa uma obra académica única no panaroma europeu (Os Universos da Crítica) e na imprensa, onde as suas crónicas eram uma companhia diária insusbtituível. Eu, que tinha a esperança de poder vir ainda a ler a sua tão adiada primeira obra romanesca, recebi essa notícia com uma profunda surpresa e uma não menor tristeza. Estamos a ficar velhos, caralho.

  3. 3 Valupi

    Há muito tempo que ele tinha perdido a relevância teórica, mesmo a intelectual. E o tique de polemista tinha-se transformado numa reacção compulsiva, numa caricatura, num modo de (a)parecer patético.

    Antes de ter sido colocado no interior, habitou na última página do Público. Foi a sua melhor fase, desta última fase. Um encanto estevescardosiano perfumava as suas prosas curtas, pop, ígneas. Um tonto qualquer acabou com isso.

    Morreu. Mas viveu. O que nem todos vão poder reclamar.

  4. 4 claudia

    Valupi, toda a gente vive ou sobrevive, sei lá. Falta saber se deu cor, consistência ou forma à sua frágil existência.

  5. 5 Valupi

    Viver ou sobreviver. Pois é, claudia. Não se trata do mesmo.

  6. 6 Daniel de Sá

    O EPC estava de facto a destruir a pouco e pouco a aura que durante tanto tempo mereceu. Decerto teria preferido continuar essa destruição, e nós também. Porque, para ele, ao menos isso queria dizer que estava vivo; e, para nós, ainda era melhor lê-lo do que a muitos outros. Apesar de uma não disfarçada convicção de superioridade sobre muitos que deveriam ter merecido mais respeito da sua parte.

  7. 7 susana

    e’ verdade que as capacidades se deterioram, muitas vezes, com o envelhecimento. muitos dirao “mais valia que parasse” (outros, maus, dirao ate’ “mais valia que tivesse morrido no auge”, mesmo de si proprios”). mas continuar a pensar, a fazer, ainda que nao tao bem, e’ bem mais meritorio do que parar a bem da vaidade, da gloria. exige humildade, quando se e’ critico.

  8. 8 Anteu

    A mim já me bastava saber que EPC, na sua qualidade de crítico e ‘patriarca’ da coisa, nunca tenha misturado e confundido qualidade literária com amizade e simpatia pessoal.
    Infelizmente para a literatura, não tenho essa certeza.

  9. 9 e-cono-clista

    João Pedro da Costa:

    Cedo aqui ao sarcasmo, que remédio!
    Retirando o caralho, fica o lugar comum de circunstância. Muito compostinho. Esperava-se outra coisa, embora se compreenda.

    A primeira obra romanesca? Não sabe do que se livrou! Já viu o Amor Feliz e outros parecidos?
    Umbertos Eco não abundam!

  10. 10 jcfrancisco

    Uma coisa espantosa agora aconteceu. No dia do funeral do professor Jacinto meu filho Filipe fazia 3 anos e eu pensava «morrer aos 64 anos, que pena…» Dediquei-lhe um poema (A relva em frente)ainda em vida e do qual ele gostou muito. Agora o Eduardo morre com 63 anos. Fiquei chocado; o «record» foi batido e eu não estava à espera.

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