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No mais recente número, o 14, de Ficções, revista de contos dirigida pela Luísa Costa Gomes, vem um conto, «O Rei do Cubango», do escritor galego Xosé Martínez Oca. É um texto fenomenal. De partir o coco. Escolham entre o elogio sublime e o térreo, mas servem um e outro.

Está escrito na ortografia ‘normativa’ do galego, e com o vocabulário corrente na Galiza. Mas com uma ajudinha (no final do conto há um glossário mínimo) lê-se muito bem e diverte-se uma pessoa com uma história verdadeiramente delirante.

Vai aqui um trechozinho. As coisas passam-se na esplanada do Café Vianna. Quem conhecer Braga sabe de que falo.

O local estaba repleto de xente baixo a protección dos toldos. Con aspecto de turistas uns, os menos. Outros deixando adiviñar na solemnidade da súa roupa o labrego [lavrador, camponês] acomodado que baixara da aldea ós seus asuntos e, despois de resoltos estes, cumpría co ritual da sobremesa, cheo da seriedade do petrucio [mandão] campesiño. Sen faltar tampouco os emigrantes en vacacións, coa súa inxenua necesidade de aparentar por riba dos costumes ancestrais de que foran arrincados, tantas veces en contra da propia vontade.

Dunhas noutras, entre a observación distraída dos clientes máis próximos, o ruído das súas conversas e a somnolencia da sobremesa, acabara por derivar nese estado de beatitude anfibia en que a pesar de ter os ollos abertos non se ve nada, non se oe [ouve] nada, non se pensa en nada. Somnolencia da que me quitou a irrupción no meu campo visual dun preto de proporcións descomunais, embutido nunha sahariana gris e uns pantalóns claros que parecían incapaces de coutar por moito tempo a avalancha de carne que teimaba por estoupar en cada costura do tecido.

- Desculpe o señor - dirixiuse a min con esa voz de cantante de blues, feita de lixa e melaza, que teñen os negros - pódome sentar un bocadiño?

Espetei os ollos nel cunha curiosidade indisimulada e inclinei a cabeza en sinal de asentimento.

Sobre Martínez Oca leia-se isto.


  1. 1 py
  2. 2 py

    (o anfibea é de propósito que eu não sei se o bicho é anfíbio, embora já tenha visto um a comer um pato, inteiro e vivo… Huk!)

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