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	<title>Comentários em: Tempos de guerra</title>
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	<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 02:56:24 +0000</pubDate>
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		<title>Por: Daniel de Sá</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/daniel-de-sa/tempos-de-guerra/#comment-32525</link>
		<dc:creator>Daniel de Sá</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2008 23:01:59 +0000</pubDate>
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		<description>Nada a acrescentar. Conheço casos concretos em que Salazar era posto à margem do que se passava à sua volta. D. Sebastião de Resende, Bispo da Beira, era considerado "comunista" porque se opunha à guerra. Escreveu seis cartas a Salazar, e não obteve resposta de nenhuma. Pediu-lhe uma audiência. Esteve na casa dos Combonianos, na Calçada Engº. Miguel Pais, muito perto de S. Bento. A casa estava constantemente a ser rondada por elementos da PIDE, em jipes. Quando D. Sebastião saiu para a entrevista com Salazar, foi seguido pelos mesmos. Começou a conversa dizendo a Salazar que ele era "censurado", pois que se tivesse recebido alguma das seis cartas ter-lhe-ia respondido, de certeza. Salazar confirmou que as não recebera. D. Sebastiãp disse a Salazar que, se era criminoso, que fosse posto na cadeia; se não era, Portugal não era tão rico que pudesse fazer guarda a um cidadão com quinze (ele chegou a contar quinze) homens. Quando saiu da entrevista, já ninguém o seguia.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nada a acrescentar. Conheço casos concretos em que Salazar era posto à margem do que se passava à sua volta. D. Sebastião de Resende, Bispo da Beira, era considerado &#8220;comunista&#8221; porque se opunha à guerra. Escreveu seis cartas a Salazar, e não obteve resposta de nenhuma. Pediu-lhe uma audiência. Esteve na casa dos Combonianos, na Calçada Engº. Miguel Pais, muito perto de S. Bento. A casa estava constantemente a ser rondada por elementos da PIDE, em jipes. Quando D. Sebastião saiu para a entrevista com Salazar, foi seguido pelos mesmos. Começou a conversa dizendo a Salazar que ele era &#8220;censurado&#8221;, pois que se tivesse recebido alguma das seis cartas ter-lhe-ia respondido, de certeza. Salazar confirmou que as não recebera. D. Sebastiãp disse a Salazar que, se era criminoso, que fosse posto na cadeia; se não era, Portugal não era tão rico que pudesse fazer guarda a um cidadão com quinze (ele chegou a contar quinze) homens. Quando saiu da entrevista, já ninguém o seguia.</p>
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		<title>Por: Chico Estaca</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/daniel-de-sa/tempos-de-guerra/#comment-32522</link>
		<dc:creator>Chico Estaca</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2008 22:08:53 +0000</pubDate>
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		<description>Daniel,

Se falas da Espanha de durante a II Guerra Mundial, pois, ter-se-á passado bastante, especialmente com as prisões cheias de "republicanos", comunistas e anarquistas,  e a caça aos mesmos que ainda continuou até aos anos sessenta, estou a lembrar-me do fuzilamento do Grimau. Mas faltava-lhe a interessante característica de país ocupado (não estou a pensar em Tarragona) por tropa estrangeira, caso da Grécia. Se falas dos tempos da guerra civil, pois sim.  Pior  que isso, antes da Guerra,  só as grandes fomes da Ucrânia.   

Não quiz separar nada. Regimes dictatoriais têm sempre figuras carismáticas à cabeça. Acredita que havia gajos mais salazaristas que o próprio Salazar e outros tão salazaristas como ele, e outros menos mas manejáveis,  em milhares de posiões de responsabilidade. Esse conjunto era o regime. E se o homem não tivesse caído da cadeira o mais certo era nunca termos tido a nossa Revolução dos Cravos. Enfim, há quem tenha outras maneiras de ver.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Daniel,</p>
<p>Se falas da Espanha de durante a II Guerra Mundial, pois, ter-se-á passado bastante, especialmente com as prisões cheias de &#8220;republicanos&#8221;, comunistas e anarquistas,  e a caça aos mesmos que ainda continuou até aos anos sessenta, estou a lembrar-me do fuzilamento do Grimau. Mas faltava-lhe a interessante característica de país ocupado (não estou a pensar em Tarragona) por tropa estrangeira, caso da Grécia. Se falas dos tempos da guerra civil, pois sim.  Pior  que isso, antes da Guerra,  só as grandes fomes da Ucrânia.   </p>
<p>Não quiz separar nada. Regimes dictatoriais têm sempre figuras carismáticas à cabeça. Acredita que havia gajos mais salazaristas que o próprio Salazar e outros tão salazaristas como ele, e outros menos mas manejáveis,  em milhares de posiões de responsabilidade. Esse conjunto era o regime. E se o homem não tivesse caído da cadeira o mais certo era nunca termos tido a nossa Revolução dos Cravos. Enfim, há quem tenha outras maneiras de ver.</p>
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		<title>Por: Daniel de Sá</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/daniel-de-sa/tempos-de-guerra/#comment-32518</link>
		<dc:creator>Daniel de Sá</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2008 21:02:57 +0000</pubDate>
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		<description>Lia, uma vez mais a história é a mesma numa geografia diferente.
Chico, não era preciso ir tão longe. Em Espanha foi ainda pior do que na Grécia. E sem necessidade de uma guerra feita por outros. Essa separação entre o António e o regime é que não me parece muito correcta. O António era o regime, nesse tempo. Só mais tarde é que o regime ganhou uma certa autonomia, engolindo o próprio que o criara.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lia, uma vez mais a história é a mesma numa geografia diferente.<br />
Chico, não era preciso ir tão longe. Em Espanha foi ainda pior do que na Grécia. E sem necessidade de uma guerra feita por outros. Essa separação entre o António e o regime é que não me parece muito correcta. O António era o regime, nesse tempo. Só mais tarde é que o regime ganhou uma certa autonomia, engolindo o próprio que o criara.</p>
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		<title>Por: Chico Estaca</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/daniel-de-sa/tempos-de-guerra/#comment-32480</link>
		<dc:creator>Chico Estaca</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 22:32:38 +0000</pubDate>
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		<description>Não, sério, está um bom retrato e bom documento sobre a  “neutralidade” que o regime do tempo usou com inteligência politica  para convencer muita gente que o António não era só de tabuadas de finanças que percebia.

Por outro lado, Daniel, também é verdade que se os habitantes de S. Miguel  tivessem vivido durante esse periodo numa daquelas ilhas gregas,  as histórias ainda seriam mais dramáticas. Ou talvez não, havia raparigas que gostavam muito de conversar com os capitães Corellis.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não, sério, está um bom retrato e bom documento sobre a  “neutralidade” que o regime do tempo usou com inteligência politica  para convencer muita gente que o António não era só de tabuadas de finanças que percebia.</p>
<p>Por outro lado, Daniel, também é verdade que se os habitantes de S. Miguel  tivessem vivido durante esse periodo numa daquelas ilhas gregas,  as histórias ainda seriam mais dramáticas. Ou talvez não, havia raparigas que gostavam muito de conversar com os capitães Corellis.</p>
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		<title>Por: Lia</title>
		<link>http://aspirinab.com/visitas-antigas/daniel-de-sa/tempos-de-guerra/#comment-32465</link>
		<dc:creator>Lia</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 19:54:03 +0000</pubDate>
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		<description>Ao ler o que aqui estava escrito, lembrei-me das narrações do meu pai sobre esse tempo de guerra.Uma vez eu fiz uma birrinha e bati o pé, porque não queria comer peixe"não quero essa porcaria".Chorei,chorei, engasguei-me e não comi.O meu pai não falou comigo durante o resto do dia. À noite,depois de jantar,obrigou-me logo a ir para a cama. Eu disse que era cedo. Ele disse"tens cinco minutos para estares despida e deitada". E eu conhecia aquele tom de voz.A coisa estava mesmo séria! Depois de estar na cama, chamou a minha irmã, sentou-a ao colo dele "é a hora de vos contar uma história. E começou o seu rosário de menino de tempo de guerra cheio de fome. Eu tinha o coração apertadinho e derreti os remorsos em lágrimas E contou tudo o que contaste. Mesmo tudo:o esconder dos alimentos, as buscas da polícia,a comida racionada, enfim um rol de horrores. Até ratos se apanhavam para enganar a fome.Depois deu-me um beijo e obrigou-me a repetir" eu nunca mais digo porcaria de comida", enquanto me cobria de beijos.
Obrigada, Daniel, por me teres trazido o meu pai e eu ter sido menina de novo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ao ler o que aqui estava escrito, lembrei-me das narrações do meu pai sobre esse tempo de guerra.Uma vez eu fiz uma birrinha e bati o pé, porque não queria comer peixe&#8221;não quero essa porcaria&#8221;.Chorei,chorei, engasguei-me e não comi.O meu pai não falou comigo durante o resto do dia. À noite,depois de jantar,obrigou-me logo a ir para a cama. Eu disse que era cedo. Ele disse&#8221;tens cinco minutos para estares despida e deitada&#8221;. E eu conhecia aquele tom de voz.A coisa estava mesmo séria! Depois de estar na cama, chamou a minha irmã, sentou-a ao colo dele &#8220;é a hora de vos contar uma história. E começou o seu rosário de menino de tempo de guerra cheio de fome. Eu tinha o coração apertadinho e derreti os remorsos em lágrimas E contou tudo o que contaste. Mesmo tudo:o esconder dos alimentos, as buscas da polícia,a comida racionada, enfim um rol de horrores. Até ratos se apanhavam para enganar a fome.Depois deu-me um beijo e obrigou-me a repetir&#8221; eu nunca mais digo porcaria de comida&#8221;, enquanto me cobria de beijos.<br />
Obrigada, Daniel, por me teres trazido o meu pai e eu ter sido menina de novo.</p>
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