Notícias algo importantes

European leaders are negotiating a deal that would lead to unprecedented outside intervention in the Greek economy, including international involvement in tax collection and privatisation of state assets, in exchange for new bail-out loans for Athens.

No FT, via CNN

 

Soube-se, entretanto, que só na quinta e sexta-feiras da semana passada, os gregos levantaram €1,5 mil milhões dos bancos. O montante levantado em maio já totaliza €4 mil milhões. Em abril haviam saído dos bancos €2 mil milhões.

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As forças à esquerda do governo, o KKE (partido comunista) e o SYRIZA (coligação esquerdista), bem como os sindicatos apostam no agravamento da situação estando previstas uma concentração popular a 4 de junho na praça central de Atenas e uma nova greve geral a 21 de junho.

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Há, também, discordâncias sobre o plano de privatizações que, segundo Juergen Stark, membro da direcção do Banco Central Europeu, poderá valer €300 mil milhões, 6 vezes mais do que o planeado oficialmente. A primeira vaga deste plano abrange as participações do estado nos portos estratégicos gregos, aeroportos, caminhos de ferro, companhias de águas de Tessalónica e Atenas, hipódromos, empresas de telecomunicações e o banco postal. Um dos pontos difíceis de concretizar é a privatização das ilhas.

 

A Grécia pretende criar um fundo soberano com todos estes activos, mas em Bruxelas fala-se da criação de uma agência independente similar à que na Alemanha tratou da privatização dos ativos da parte leste do país depois da unificação. O comissário Olli Rehn confirmou hoje ao jornal alemão Der Spiegel essa sugestão de implementar o modelo alemão, colocada na semana passada pelo presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Além disso, Bruxelas pretende um envolvimento efetivo neste plano.

No Expresso

 

Não olhem agora, mas enquanto discutimos alegremente a frota de automóveis do PS e as enxadas de Passos, esta Europa está a desfazer-se perante os nossos olhos. Não sei o que é que passa nas cabeças dos líderes europeus, e não sou grande defensor dos gregos, mas isto soa-me demasiado a uma invasão de um pais soberano através de chantagem económica. A acreditar nas notícias, os gregos enfrentam uma escolha entre o colapso económico já a acontecer ou a perda de soberania forçada para os países credores. Até ao fim-de-semana, há muitas hipóteses de o governo grego se vir obrigado a congelar as contas bancárias para estancar a hemorragia. Tudo isto tresanda a desespero e desorientação, e está a tomar um rumo muito perigoso. Os exércitos de países soberanos costumam ter algumas objecções a este tipo de coisas. Impossível na Europa do Sec. XXI? Espero sinceramente que sim, vamos tentar ser optimistas, mas só o facto de se falar abertamente nessa hipótese já é preocupante.

4 thoughts on “Notícias algo importantes”

  1. Angustiante . Estamos a enfrentar uma guerra sem mísseis mas , uma guerra onde não se conhece claramente o inimigo nem donde vem exactamente . “Vamos TENTAR ser optimistas”.

  2. Caro Vega9000, é por demais evidente (e há imenso tempo) que a terceira guerra mundial se está a travar no campo financeiro; entre a necrófaga “América” e a autofágica Europa.

    E quanto ao facto de estarmos a ser vítimas de um “hostile takeover”… até o Jerónimo o sabe (e tem dito). E olha que ele não é nenhum génio…

  3. Vamos tentar ser realistas: o “Clube Med” vai mesmo ter de saír do euro, mais cedo que tarde. Esperemos é que aprenda alguma coisa com este insucesso clamoroso, do qual só a si próprio se deve culpar (deixem lá a América em paz, que já tem problemas que cheguem…), para poder um dia candidatar-se, esperemos, a uma Nova Oportunidade.

  4. Excelente texto, nunca é demais despertar as consciências.Tem toda a razão, é chantagem económica…é a rapinagem e subjugação aos interesses estrangeiros e neoconservadores de países democráticos e soberanos idealizada por M. Friedman. Estão de novo em acção esses abutres, infelizmente! Basta ler “A Doutrina do Choque”, de Naomi Klein, vem lá tudo bem explicadinho, todo o horror que está em marcha para destruir a Europa tal como a conhecemos e acima de tudo os direitos sociais, a democraica, a liberdade dos povos.

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