A face dos mercados

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, o maior Hedge Fund do mundo, gere perto de 100 mil milhões de dólares, tem como clientes principalmente fundos de pensões e instituições governamentais, e especializa-se em mercados monetários e dívidas soberanas. O ano passado, ganhou entre 2 a 3 mil milhões de dólares de remuneração, e pensa na economia como uma gigantesca máquina a ser dominada, que funciona de acordo com as leis de Darwin. Alguns chamam-lhe o “líder de um culto”. Para quem pensa que “os mercados” são uma espécie de entidade etérea, quase mítica e incompreensível, aconselho este excelente artigo de fundo da New Yorker. É longo, mas permite conhecer melhor o pensamento de quem exerce, efectivamente, esse imenso poder.

9 thoughts on “A face dos mercados”

  1. A face do Capitalismo civilizado e global, que possívelmente ainda será mais selvático do que o velho Capitalismo selvagem e nacional, dos tempos de Marx. Cabe-nos apenas inquirir com curiosidade: e como será, em resposta, o novo “marxismo”, inter-classista e mediatizado?

  2. O Artigo é de facto excelente, muito obrigado. Quantas pessoas em Portugal o terão já lido (e mínimamente compreendido)? E quantas se questionarão sobre qual o interesse para o Mundo em permitir a existência deste modo de ganhar (tanto) dinheiro? Porque se acredita que apenas o “mérito pessoal” está na base desta acumulação de riqueza, esquecendo-se de todo o enquadramento económico, fiscal e político que o possibilita (mais ou menos bem explicado lá para o meio do Artigo, quando se fala no que os Polícias e os Professores pagam de Impostos face ao que pagam os grandes Investidores nestes Fundos de Pensões)? Como diria o Poeta José Gomes-Ferreira, “ACORDAI, HOMENS QUE DORMIS!”…

  3. Valupi, suponho que o Angry Birds :)
    Mas pelo que diz no artigo, leva uma vida relativamente low-profile, sem grandes ostentações. E no final, doará grande parte da fortuna à Fundação Gates, à semelhança do Warren Buffet, o tal que ainda vive na mesma casa que comprou nos anos 50. É um destino nobre, mas quase que irrita. O Larry Ellison, da Oracle, ao menos comprou, e conseguiu legalizar, um MIG-29, entre variados outros mimos. Já para não falar dos outros bilionários com os seus navios de cruzeiro pessoais. É insultuoso, mas ao menos divertem-se e dão algum colorido ao mundo.
    ___
    Anel de Soturno, o artigo questiona realmente qual a utilidade prática para a economia dos Hedge Funds, e tenho muitas desconfianças quanto à falta de regulação em que vivem. Mas nota que a nossa Segurança Social, provavelmente, beneficia deste tipo de investimentos. O mundo financeiro é incrivelmente complexo, e mexer com ele pode ter consequências muito nefastas, como se viu com a Lehman Brothers.

  4. Caro Vega9000, concordo que a nossa Segurança Social, provávelmente, beneficie deste tipo de negociatas especulativas, comummente ditas, entre pessoas-de-bem-que-até-usam-gravata-e-fizeram-MBA’s-na-Católica, “investimentos”. Assim como, muito provávelmente, eu também já beneficiei com a existência de roubos de peças de automóveis, ou com a exploração de mão-de-obra infantil no 3º Mundo.

    Também concordo que o Mundo financeiro seja incrívelmente complexo, quase tanto como a Alma de qualquer pessoa, mesmo que seja um “mero” indigente.

    E, finalmente, concordo que mexer com “ele” pode ter consequências muito nefastas, eventualmente quase tão nefastas como não mexer com ele e deixar tudo como está. Depende apenas da amplitude de tempo da análise do fenómeno.

  5. Para mim, o “colorido do Mundo” vai muito, mas muito aquém de brinquedos como aviões de combate super-sónicos, ou navios de cruzeiro pessoais. Apenas gostos, claro está, nem se discutem…

  6. os passatempos? qualquer coisa do género “8 milímetros” ou outras coisas típicas dos muito ricos e muito pobres , que tirando o acessório a estrutura das taradices é a mesma.

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