2 pontos sobre o BES

BES Market Cap

1. O BES teve uma valorização média de 3.85 mil milhões de Euros entre 2000 e 2014, com um pico nos 8.9 mil milhões em 2003 e um mínimo de 1.3 mil milhões em 2011. O governo está mesmo à espera que o herdeiro do BES, onde acabaram de ser enfiados 3.9 mil milhões de Euros de dinheiros públicos a título de empréstimo, que opera num mercado ainda muito enfraquecido por anos de violenta recessão com uma recuperação no máximo frágil e anémica, e que perdeu uma boa parte das suas áreas de negócio (Angola, etc), seja vendido num prazo de dois anos por algo que sequer se aproxime deste valor? Em que planeta, exactamente?

2. Logo, caso o Novo Banco seja vendido por menos – por hipótese académica, vamos supor 2 mil milhões, o que suspeito bem não andará muito longe, e até acho ser optimista – significa que o fundo de resolução ficará então com 1.5 mil milhões de dívida ao estado, dívida essa que será supostamente assumida pelo “sistema bancário português”. Isto é, pelo BCP, BPI, CGD, Santander Totta, BANIF e  uns quantos mais pequenos. Mas sobretudo por estes grandes.

Ora, em 2013 os resultados destes bancos foram os seguintes:

banca

Portanto, são estes bancos, que nessa altura devem estar, na melhor das hipóteses, com uma recuperação tão débil como a economia, a assumir 1500 milhões de euros de uma dívida pela qual não foram directamente responsáveis? Pode ser, mas duvido muito que o façam sem pressões, sem protestar, e sem recorrer a todos os argumentos para não o fazer. A lei obriga? Em princípio sim, mas a mesma lei também diz isto:

Artigo 153.º-I

507

Recursos financeiros complementares do Fundo de Resolução

1 – Se os recursos do Fundo se mostrarem insuficientes para o cumprimento das suas obrigações, pode ser determinado por diploma próprio que as instituições participantes efetuem contribuições especiais, e definir os montantes, prestações, prazos e demais termos dessas contribuições.

2 – Nos termos do mesmo diploma, uma instituição participante pode não ser obrigada a efetuar contribuições especiais, com fundamento na sua situação de solvabilidade.

Por isso, posso estar enganado, e espero que sim, mas parece-me bem que a questão de quem paga a diferença após a venda do Novo Banco é um assunto que vai directo para o colo do próximo governo.

Note-se, no entanto, que pequenas provocações à parte, não considero a solução encontrada má de todo. Como é evidente, sendo este método praticamente uma estreia a nível europeu, haveria sempre bastantes dúvidas, protestos, e provavelmente haverá  litigância durante mais de uma década (aumento de capital porque “o BES está sólido” anyone?). Agora o que não aceito é que me façam passar por parvo e me digam que não há dinheiros públicos – há, e não são poucos, que jurem que o banco não foi nacionalizado – foi em tudo menos no nome, e que garantam com ar sério e circunspecto que o risco para o dinheiro publico que foi utilizado para nacionalizar a “parte boa” do BES  é muito diminuto. Não me parece nada que seja. Mas quem vier a seguir que feche essa porta.

Nota: alterado às 23:09 para corrigir uma gralha nos valores metidos pelo estado, de 4.9 para 3.9 MM€

12 comentários a “2 pontos sobre o BES”

  1. Conclusão: A forma como Sócrates resolveu (?) o BPN foi a ideal. Os contribuintes – e ao contrário do que prometeu Teixeira dos Santos (que nem um cêntimo seria pago pelos contribuintes, lembram-se?) – pagaram 6,5 milhões €! Eu não concordo como o nosso (des)governo está a tratar o buraco do BES, mas choca-me ver o PS. leia-se socráticos, a criticar algo que pouco difere daquilo que o “menino de ouro” fez. Haja vergonha!

  2. mario pinto, a nacionalizaçao do bpn,foi num contexto de plena crise finaceira a nivel. hoje na europa o unico banco a ir à falencia foi o bes! nem na grecia,ou no chipre.na ultima sexta-feira (dia do enterro do bes) transacionaram-se 83milhoes de açoes nos ultimos 43 minutos de negociaçao e com o costa a ver!ai costa costa!

  3. Mario pinto, vai te encher de moscas, não tentes justificar a merda que estes estão a fazer com a merda que os outros fizeram.

  4. Já tinha saudades da má educação de alguns frequentadores deste socrático blog. Sim, que à falta de argumentos, o insulto é a resposta mais fácil.

  5. …quanto ao comentário de nuno cm, que não precisou de ser mal educado para me responder, recordo as declarações de Teixeira dos Santos, quanto ao custo que a nacionalização do BPN (não) teria para os contribuintes, o que não se verificou como todos sabemos, ou deveríamos saber.

  6. Ó Mário Pinto, lá estamos nós a confundir a trampa com a ervilha de cheiro!
    Nesse tempo do Sócrates que referes, e do malfadado BPN, não havia, percebes, não existiam os mecanismos que hoje existem e foram agora ensaiados.
    Malha no Sócrates com o pau que quiseres. Mas sê intelectualmente honesto.

  7. o sr. pinte se calhar ainda não tinha saído do ovo quando o governo de sócrates nacionalizou o bpn, caso contrário lembrar-se-ia que na altura todos os partidos, do pc ao cds, concordaram, mazé mesmo concordaram, unanimemente e de braço no ar com a nacionalização do banco do psd. quanto a custos, é melhor pedires contas a quem liquidou a operação, oferecendo, isso mesmo à borliú, os salvados, livres de encargos, ónus e devidamente capitalizado aos angolanos, representados por aquele gajo que se cospe todo a falar de dinheiro e nucleares. nem vale a pena falar do contexto económico, dos irmões limãos, das subprimas e dessas merdas que não havia na altura e que só recentemente apareceram para justificar os insucessos do governo do passos.
    no bes, a coisa foi diferente, havia provas e denúncias há bués que os gajos andavam no gamanço, o costa fez pêva, aldrabaram os accionistas, os clientes e o público, não há discordância nacional e bué de ruído sobre a solução apresentada e a forma como foi divulgada, não se percebe um corno como vai ser posta em prática, como vai acabar, os directamente envolvidos sabem que vão precisar de advogado e os outros que vão pagar os prejuízos com um agravamento da ces ou outra invenção parecida.

  8. Ó Mário Inércias, vai dar banho ao cão! Estes já lá puseram 4.9 mil milhões e ainda a procissão vai no adro, deixando para o próximo governo (PS) o ónus de arcar com as falhas de pagamento do Fundo de Resolução, como muito bem o Vega demonstra no post.

    Vires para aqui comparar alhos com bugalhos, ou seja uma situação de crise mundial e de falência global do sistema bancário com o caso bes, diz mais sobre ti e sobre a inércia em que te moves, do que a de desgoverno em que vivemos.

  9. mario pinto,teve custos a nacionalizaçao, mas, teria muito mais se nada se fizesse .no dia seguinte era uma corrida a todos os bancos para levantar depositos, e na bolsa seria o caos.toda a gente aceitou essa medida, que distribuiu os custos por todos os portugueses. agora penalizam pequenos acionistas e poupam os cristianos ronaldos com depositos de milhoes não faz sentido!o governo e governador antes de dar a machada,fabricou um aumento de capital,para entrar dinheiro fresco à custa daqueles que agora são penalizados.utilizaram a tatica do pescador: puseram o isco no anzol(almofadas) e um peixinho chamado papalvo lá foi comido.que os pariu!

  10. Ora pois, Exmo. Sr. Mário Pinto, tivesse V. Exa. ido pint(o)ar paredes que , indubitavelmente, não borraria a pintura como o fez aqui.
    De V. Exa.
    Atento, venerador e obrigado
    S. Bagonha

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