Why The Media Seems Biased When You Care About The Issue

Este artigo recorda um estudo dos anos 80 que expõe o mecanismo pelo qual nascem polémicas à volta da cobertura noticiosa dos assuntos que mais nos importam. A conclusão é a seguinte:

– Quando estamos envolvidos numa questão, tendemos a radicalizar a nossa posição de forma a vermos o assunto a preto e branco.

– Uma cobertura equilibrada, isenta, dessa questão irá parecer cinzenta; logo, iremos reparar no que falta e no que se opõe, não no que lá está e com o qual concordamos.

Enfim, só vemos o que queremos ver, não o todo que está à vista.

32 comentários a “Why The Media Seems Biased When You Care About The Issue”

  1. “What we can say from this study is that people who care about a particular issue will tend to find media bias everywhere, whether or not it really exists.”

    A questão será, então, identificar se aquilo que vemos está apenas na nossa mente, ou se existe mesmo, apesar de estar também na nossa mente.

    Ou seja, pegando numa expressão Americana: Just because you’re paranoid doesn’t mean that they’re not out to get you.

  2. Acho que por si só este estudo é insuficiente para se tirar alguma conclusão de caracter mais cientifico quanto ao assunto, depois existem aqui aspectos culturais relevantes quanto ao conflicto israelo-arabe nos EUA que convem não esquecer. porventura se as mesmas peças televisivas fossem mostradas na Europa teriam resultados totalmente diferentes.
    Mas dando por certo a conclusão deste estudo, poderemos atraves dela provar o byass mediático. Se tomarmos por certo (como o estudo pretende demonstrar) que aquela amostra de estudantes é suficientemente representativa, ela tambem representa mesmo que indirectamente o que os reporters/media vêem na realidade e as suas escolhas.Isto é não são os media influenciados pelo mesmo mecanismo psicologico perante os acontecimentos?

    O byass mediatico existe mesmo, e não é necessário ver a Fox News para o sabermos.

  3. Bem a proposito &. Eu já tinha achado estranho o facto da Felicia ter dito na comissão de ética que os escutados apos terem mudado de telemoveis -por terem sido avisados, segundo disse – passaram a falar de coisas completamente estranhas para disfarçar, como o envolvimento de Cavaco, do genro, etc…
    Agora vê-se que a Cabrita/Sol já sabiam que o PSD (quem mais?) estava envolvido nisto e arranjaram a noticia da troca de telemoveis como uma cortina de fumo quanto ao envolvimento do PSD e do Moniz. Tenho a impressão que a procissão ainda vai no adro…
    Tenho a impressão que como no caso das escutas de belem, o socrates foi o ultimo a saber…e o Sol fez as vezes do Publico, terá o arquitecto o mesmo destino do Fernandes?

  4. é tão perverso, não é? Ainda bem que anda por aqui K. A seriedade da velha et al., mas aquilo é aquela gente toda, com as avillezzzes a conceberem estes planos lá depois dos jantares. Venha o Tribunal do Apex do Nepal julgar.

  5. É &. Muito media byass, o controle mediático é só feito num só sentido, deixando ao PSD/Cavaco mãos livres para tudo.Até a Avillez saiu do tumulo:))

  6. relativamente ao conhecimento da velha sobre a intenção do negócio pt/prisa, é bem revelador a ausência dessa notícia na esmagadora maioria dos sites dos orgãos de comunicação social (isso também já tinha acontecido com “as outras escutas” que constavam do despacho do pgr).

  7. K, tens toda a razão: este estudo não passa de mais um elemento para posteriores investigações. Contudo, ele desemboca no que todos vêem em todo o lado: a deformação subjectivista na recepção e interpretação das notícias.

    Quanto à deturpação subjectivista dos jornalistas, mesmo os que se aproximassem mais de uma qualquer isenção perfeita, é uma outra questão. Seguramente, é inquestionável que qualquer olhar corresponde sempre a um dado ponto de vista – o qual, portanto, exclui todos os outros. Todavia, também conta o eixo vertical, e não só o horizontal. No plano da verticalidade, a notícia que der mais a ver será a mais isenta, diminuindo assim a deformação inevitável.

  8. Em tese acompanho-te. Mas temo que na realidade as coisas não sejam assim. Dou-te um exemplo em que se fez péssimo jornalismo e que no entanto houve meios a serem condecorados na AR no meio do aplauso geral (total?). Timor.
    Quando a “deturpação” subjectiva do jornalista encontra no receptor uma adesão total. Que é isto imaprcialidade ou manipulação consentida?

  9. Bem vindo à terra Valupi !!!

    E agora repara no seguinte (hoje talvez não, que eu não te quero dar duas emoções fortes no mesmo dia, mas amanhã) : isto que vem escrito no artigo não é apenas verdade acerca dos media…

  10. A todo e qualquer tosco que ainda não se apercebeu da gravidade do momento que estamos a viver, atente-se nas palavras do bastonário da Ordem dos Advogados, atente-se bem.

    “(…) Por mim tomei já vários cuidados. Evito conversas em restaurantes, já não falo ao telefone e mesmo no meu escritório já tomei as devidas precauções. Perdi toda a confiança nas comunicações em Portugal porque a deriva fundamentalista e justiceira de muitos dos nossos magistrados mostra que qualquer pessoa pode estar sob escuta, incluindo as mais altas figuras do Estado.

    Por isso, não falar ao telefone é hoje um gesto tão prudente como o era no tempo da ditadura. E mesmo como advogado, já retirei do meu escritório quaisquer elementos que possam ser usados contra alguns dos meus clientes, pois é normal em Portugal fazerem-se buscas a escritórios de advogados, com mandados em branco, ou seja, com ordem para apreender tudo o que possa ajudar a incriminar os seus constituintes.”

    Pois é.

  11. K, não é possível ignorar a teia de influências que se abate sobre o jornalismo, e até as variações de indivíduo para indivíduo, obviamente. Daí o interesse do estudo, por se poderem controlar as condições com vista a observar apenas o processo cognitivo dos leitores.

    Os casos de deturpação aceite pelas audiências – como, por exemplo, na publicação de fragmentos de escutas e demais considerandos caluniosos – serão exemplos de parcialidade assumida.
    __

    joão viegas, mas de que falas? Qual é a nova terra a que acabei de chegar, no teu sábio entendimento?

  12. A terra na qual “quando estamos envolvidos numa questão, tendemos a radicalizar a nossa posição de forma a vermos o assunto a preto e branco” esta muito longe de ser nova. Acho que sempre foi assim, não so desde que a conheço (ha 21 anos portanto), mas desde o primeiro dia, pelo menos tanto quanto dela temos noticia.

    Estranho é que isto seja motivo de espanto para ti…

  13. Não se trata de ser espantoso, trata-se do interesse do estudo, posto que fez uma observação mensurada adentro da temática jornalística – e isto nos anos 80, o que também tem interesse cronológico. Foi apenas por oportunidade que dei a ler a coisa, não para anunciar uma verdade ao mundo.

  14. OK, Valupi,

    Não te zangues, foi so uma boca…

    Como profissional do foro, não deixo de ficar um pouco surpreendido ao ver que é necessario um estudo (não critico que tenha sido feito, acho até muito bem) para ficarmos a saber o que devia ser obvio. Surpreendido porque, se as pessoas não chegam à conclusão que indicas simplesmente ao somar 2 mais 2, então se calhar é que não realizam bem para que é que servem os tribunais, nem qual é a sua função…

    Bom, mas isso sou eu que tenho por profissão assistir pessoas que têm tendência a “radicalizar as suas posições de forma a ver o assunto a preto e branco” e que, por essa mesmissima razão, recorrem aos meus serviços…

  15. Val tu (e o estudo digamos) estás centrado no receptor eu estou centrado no mediador. Aquilo que o estudo conclui para os receptores pode ser até considerado um mecanismo de protecção que nos é tão peculiar e natural, o não querer ver.Basta assistires a um jogo de futebol (desculpa o reminder)…:))
    Quanto a mim quando se mede o byass mediatico tem que se aferir não só o receptor mas tambem o mensageiro.p ex. não sabemos como eram as peças e para tal seria melhor ter simulado c/peças neutras, outras com byass palestino e ainda outras com byass israelita e observar o comportamento da amostra. Aí sim poderias aprender e concluir algo sobre o byass mediatico penso eu não me querendo imiscuir

    Há uns tempos assisti a um docomentario, penso que da BBC, sobre uma experiência em que pessoas previamente escolhidas tinham como função atribuir castigos/punições a outras pessoas que estavam numa outra sala a responder a um questionario quando estas erravam nas respostas a dar. Obviamente que isto era tudo simulado mas quem punia não o sabia.Havia uns tipos de bata branca que conduziam o estudo e que em caso da respectiva punição não ser correctamente aplicada pressionavam o tipo que carregava no botão. As punições eram severas e podiam acabar na morte dos inquiridos. Pois bem varias pessoas de um ar perfeitamente normal apertaram acriticamente o botão e “mataram ” o tipo que estava por detras do vidro na outra sala só porque ele não tinha respondido correctamente a umas perguntas. E porquê? Porque era o que devia ser feito,
    estava ali um tipo de bata branca que o dizia. Arrepiante…

  16. Num país decente – e com gente decente –, após o ocaso do Freeport tal como se processou, e depois de tanta conversa merdosa servida em pretensos debates em que uns quantos pardais debitavam sobre a constituição eminente do PM como “suspeito” ou “arguido”, nesse putativo país decente, esses mesmos, viriam agora a terreiro pedir desculpa, lamentar o sucedido e assumir as responsabilidades pela tremenda “aberratio” cometida.

    Num país minimamente decente, e existem uns quantos, sei lá, numa Europa onde impera a civilização de cariz judaico-cristão, berço da doutrina social da igreja bem como do seu pretenso oposto, a filosofia Kantiana progenitora de todos os “Ismos” com que gostamos de encher a boca, essas mesmas figuras, teriam cautela, muita cautela no seu palavreado, senão pelos direitos de personalidade do visado, pelo menos pela situação do país que exige um governante com o pensamento apenas afivelado à governação.

    Mas não. Não, não vivemos num país decente. Vivemos numa merda de país que come e debita merda às colheradas como se não existisse amanhã. A esses merdosos impenitentes, e aos quantos mais que enchem blogs de raiva e pilhéria incontida quer em posts quer em comentários, a todos esses cidadãos de pacotilha, vómitos diria eu, eu mesmo, mínimo cidadão, digo: vão-se foder. Tomem lá a taça, encham-na de merda até a cima e bebam de um gole. Depois, votem. Mas votem bem, de preferência e se a doideira for contida, lá para 2013. Nessa altura, ou daqui a nada – se vingar o golpe de estado –, escolham lá o vosso PR, ou o AB, ou PPC ou, o vosso Sebastião Marcelo come tudo e não deixa nada. Não se garante é que a merda esteja tão vulgarizada que esse vosso candidato do coração chegue ao poder. Isso não se garante. Garantido mesmo, é que um merdoso tem sempre lugar num país de merda,

  17. joão viegas, está bem, pronto, eu não me zango. Mas, presta atenção: o estudo não teve como finalidade revelar o óbvio. Trata-se de uma investigação, entre milhares ou milhões, onde se procuram analisar certos fenómenos de acordo com o método científico em causa.

    Aliás, há muitas outras investigações onde se analisam os fenómenos passados especificamente em tribunais, locais e respectivas situações onde ocorre toda a sorte de distúrbios cognitivos. Quando se louva a Justiça é como quando se louva a Medicina: nunca chamamos a atenção para a miríade de erros que são inerentes aos sistemas e seus executantes.

    É como dizes, claro, nada disto é novo. Só estás a protestar porque gostas de ser do contra, confessa lá…
    __

    K, creio que estás a optar por sair do âmbito da investigação meramente psicológica, a qual é a única a que o estudo permite servir de referência, para te colocares no terreno da reflexão crítica, mais política e sociológica, acerca da comunicação social.

    Quanto ao estudo que referes, anda muito na berra e é um dos mais famosos (e assustadores, como frisas!).

  18. Acho que estamos todos a discutir o sexo dos anjos, enquanto os bárbaros batem á nossa porta. Infelizmente tudo isto me trás a´memória o “antes do 25 de Abril”,e tenho medo, muito medo que o tempo esteja de facto a voltar para trás. Os falsos jornalistas, os vendidos, os falsos magistrados, os aldrabões e as mentirosas, os oportunistas, enfim todos os vigaros e malandros da nossa praça, estão ao ataque.Temos que fazer alguma coisa para nos defendermos. O dr. Marinho Pinto lançou mais um aviso, e só não ouve quem não quer .Não é altura de esconder a cabeça na areia.Há que lutar.

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    Director do Expresso
    “Sócrates pediu-me para não publicar a história da sua licenciatura”
    Márcia Galrão e Rita Paz
    24/02/10 15:38
    Henrique Monteiro, director do Semanário Expresso, criticou hoje, no Parlamento, a “estratégia” de José Sócrates na sua relação com a comunicação social.
    “Fui pressionado por conversas de uma forma bastante clara. Numa noite, de quinta para sexta-feira, o Sr. Primeiro-ministro telefonou-me e pediu-me para não publicar a história da sua licenciatura”, afirmou o jornalista na Comissão de Ética, que classificou esta conversa com José Sócrates, que terá durado “algumas horas”, como “pressão ilegítima”.
    “Se isto é uma pressão legitima, não hã pressões ilegítimas”, acrescentou Henrique Monteiro.

    Na Comissão de Ética, Henrique Monteiro garante ter sido pressionado de forma até “muito clara” e sublinhou ter sido esta a “única vez” na sua carreira que alguém lhe ligou por causa de notícias antes de terem saído. O jornalista adiantou que, depois disso, enviou uma carta a José Sócrates, onde lamentava as pressões, mas nunca obteve resposta.
    “Depois do caso da licenciatura tivemos graves problemas”, prosseguiu.

    Para o jornalista “este mal vem dos Governos de Barroso, Guterres e Cavaco, se bem que do Eng. Guterres foi menos”.
    Em relação ao actual Executivo, Henrique Monteiro afirma que “o gabinete do primeiro-ministro teve sempre a estratégia de privilegiar os jornais amigos do Governo que não levantam tantas questões”.
    No mesmo depoimento, o director do Expresso declarou que teria publicado a crónica de Mário Crespo rejeitada pelo Jornal de Notícias e classificou de “ilegal” a extinção do jornal de sexta da TVI, dado tratar-se, no seu entendimento, de um “decisão directa da administração da estação”.
    ________________________________________

  20. Eça (perdoa-lhe que não sabe o que faz), tens razão na tua fúria. De facto, nada, mesmo nada, justifica que um tipo lá por ter chegado a PM e andando nestas lides a algum tempo, conhecendo e tratando por tu-cá-tu-lá alguns dos escribas do reino, e até dando de barato que esses mesmos escribas em programas da TV (entre os quais este mesmo, o HM), e quando o dito estava em estado de graça, terem chegado ao ponto de afirmar conhecerem e privarem com ele, agora nefando opressor, dizia eu, que nada justifica, um PM que se preze, telefonar para se humilhar perante um borra-botas qualquer. Ficamos todos a saber que o arrogante do Sócrates até tem capacidade de pedir “por tudo” julgando estar a falar com uma pessoa, não com um borra-botas qualquer. Mais uma opereta bufa a somar a tantas outras.
    Que bela merda de país tens, não é Eça?

  21. Para que os mais novos não julguem que foi regra dos tempos idos, esta agora pobre e vil tristeza dos nossos média, aqui estão alguns jornalistas cujos artigos, no tempo certo, foi um previlégio meu terem existido; e eu os ter lido:

    Eduardo Prado Coelho
    Vasco Pulido Valente
    Jacinto Prado Coelho
    David Mourão Ferreira
    Francisco Sousa Tavares
    Raul Rego
    Vitorino Nemésio
    Gustavo Soromenho
    José Saramago

    Monteiro, Saraiva, Marcelo, etc, etc, o que são? Onde está a fronteira do normal e do patológico; mas que falta aqui faz faz Pavlov, para explicar o fenómeno!

    A deriva é tão miserável que o momento de glória jornalística do sr Monteiro é ter recebido uma chamada do sr PM, a dar-lhe um puxão de orelhas, exactamente o que o papa deu há tempos na bispalhada nacional e devia ter dado no sr Cavaco quando lá o foi visitar, gastando o meu dinheiro sem minha autorização, ao mesmo tempo que avisava que eu vivia acima das minhas possibilidades.

  22. Ao ouvir hoje o discurso de Cavaco Silva, feito no Palácio da Vigia, na ilha da Madeira, fiquei esclarecido quanto à divisão usada por ele. A certa altura quando fazia referência à solidariedade sentida pelos portugueses, teve esta saída – espero que os canais das televisões voltem ao assunto – pois julgo que não interpretei mal o seu discurso. A páginas tantas disse: quero lembrar aos Madeirenses que os Portugueses estão com vocês no vosso infortúnio. Aqui usou uma divisão que me faz lembrar alguns membros da FLAMA, nos tempos idos e agora de vez em quando, quando os assuntos assim se propicia.
    Era das últimas coisas que julgava ouvir de um Presidente da República. Primeiro: ao falar assim não se referiu aos Açorianos. Ignorou-os. Acho que não houve a intenção pelo facto do Estatuto dos Açores. Se foi o caso é mais grave.
    Mas que Cavaco Silva está a ter muitos lapsos isso é facto. Se interpretei mal as minhas desculpas.

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