Sócrates, dois meses depois

Dois meses depois do regresso de Sócrates à política nacional como agente activo, o balanço que é possível fazer aponta para a confirmação de três ideias fulcrais na compreensão da sua importância passada, presente e futura:

1 – Sem uma estratégia de assassinato de carácter, a direita não consegue sequer criticar-lhe o gosto em gravatas. Muitos direitolas, aterrorizados com o sentimento de impotência que já tinham experimentado durante anos, trataram logo de anunciar que se recusavam sequer a tomar conhecimento do que o homem vocalizava. Ficava resolvido o problema; e não se diga que a cobardia não tem as suas vantagens e consolos. Outros continuaram a ensaiar a diabolização, mas rapidamente desistiram perante a ausência de suporte da antiga operação caluniadora e a inanidade do esforço. O silenciamento, que atinge o ridículo no Expresso dada a incurável e alucinada inveja do Ricardo Costa, é o único remédio para a dor que Sócrates causa a uma direita decadente e traidora.

2 – Não existem socráticos. Ou, por outra, os únicos socráticos que existem são os taralhoucos à maneira do Mário Crespo, Pacheco Pereira, José Manuel Fernandes, João Marcelino, Alberto Gonçalves, Henrique Monteiro e Helena Matos, entre tanta arraia-miúda, casos veramente notáveis de ódio pessoal. O uso do termo “socrático” pela direita serve apenas para a chicana política ou para a imediata identificação dos mais estúpidos entre os mais estúpidos. Por isso não vemos Sócrates a ser defendido por ninguém, a começar logo pelo exemplo do seu partido – onde, num certo e indisfarçável modo, é tratado como persona non grata por Seguro e restante equipa dirigente. Quanto a Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Viera da Silva, Maria de Lurdes Rodrigues ou Paulo Campos, entre outros ex-governantes, as suas intervenções a respeito do passado têm-se invariavelmente pautado pelo sentido de Estado e defesa da honra, não perdendo uma caloria a promover qualquer ideia que pudesse ser erigida como bandeira de um socratismo messiânico. E quanto à nova geração do PS, do Fernando Medina à Isabel Moreira, passando pelo Pedro Marques, Pedro Delgado Alves, Pedro Nuno Santos e João Galamba, entre outros, o que testemunhamos neles é a caminhada autónoma para um projecto que será original e terá a sua assinatura.

3 – Sócrates parece imune ao ressentimento. Atente-se no que aconteceu neste domingo: a propósito de um longo e entusiasmado elogio a Soares, fez uma referência absolutamente neutra – portanto, no contexto, abonatória – a Pacheco Pereira. Ora, o Pacheco é o tal fulano que não só quis chafurdar nas escutas a conversas privadas de Sócrates, não só as usou como arma caluniosa, como ainda se prestou a estas pulhices adentro da Assembleia da República servindo-se para tal do seu estatuto de deputado. Qual foi a resposta de Sócrates ao longo de anos seguidos de insano ódio? Bonomia face ao patético espectáculo de quem se exibe como um farrapo moral na praça pública. Mas o caso do Pacheco é apenas o mais pícaro, Sócrates não ataca ninguém de ninguém com as mesmas armas com que foi atacado. Inclusive perante Cavaco, que até poupou a propósito do Conselho de Estado, o que ouvimos Sócrates dizer é o mínimo que qualquer cidadão que pretenda viver num país que se respeite a si próprio diria tamanha a vergonha que sentimos com a degradação ética da Presidência da República e as violações constitucionais que vêm do Presidente da República.

Dito isto, apenas acenos de uma matéria fascinante para politólogos, sociólogos, historiadores e antropólogos, colhe igualmente registar que o discurso de Sócrates não parece ter poder de influência no espaço público. Para tal contribui a configuração de uma sociedade intelectualmente debilitada onde a cidadania é actividade de franjas e onde a iliteracia, pobreza e envelhecimento alimentam sectarismos e convidam ao populismo. Não por acaso, o PSD e o CDS aproveitaram a situação de emergência nacional causada pelas crises internacionais para mentirem com quantas promessas tinham. Nesse processo, não se inibiram de usar as armas da conspiração e da calúnia até ao seu limite legal de aplicação. Esse à-vontade, contudo, não teria sido possível sem a activa, nuns casos, e passiva, em muitos outros, cumplicidade da extrema-esquerda, para quem o inimigo era comum – quiçá pelas mesmas razões: havia que impedir que o PS continuasse a ser um caso de sucesso no desenvolvimento do País, daí as coligações negativas que conseguiram por fim entregar o poder ao casal Passos-Relvas e aos senhores que eles servem.

Vista por esta óptica, a história de Sócrates como líder político é a de um enorme fracasso, juntando-se a derrota passada à derrota presente em que clama num deserto feito de apatia e anomia. Os poderes fácticos são mais fortes do que ele, porque são sempre mais fortes seja quem for o herói – e isto para desilusão do Pacheco Pereira, que até lhe inventou um gabinete cheio de especialistas em técnicas dos serviços secretos e que terá mesmo acreditado que Sócrates conseguiria cuspir fogo pela boca ou pelo cu, enigma que continua a investigar nas catacumbas da Marmeleira.

25 comentários a “Sócrates, dois meses depois”

  1. Bem eu sou socrática. Não tenho é expressão nenhuma. Mas na realidade não vejo em mais ninguém um projecto para Portugal que se aproxime, ainda que vagamente do que vi no governo de Sócrates.
    Em relação ao Pacheco Pereira, confunde-me que coexista nele a falta de seriedade com que atacou Sócrates com a capacidade, muitas vezes sem rival, com que o vejo interpretar e trazer para a discussão política os efeitos que esta crise tem na vida real, das pessoas como eu.

  2. hum, não concordo muito com a tua conclusão. Precisamente quanto a esta passagem:

    Quanto a Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Viera da Silva, Maria de Lurdes Rodrigues ou Paulo Campos, entre outros ex-governantes, as suas intervenções têm-se invariavelmente pautado pelo sentido de Estado e defesa da honra, não perdendo uma caloria a promover qualquer ideia que pudesse ser erigida como bandeira de um socratismo messiânico. E quanto à nova geração do PS, do Fernando Medina à Isabel Moreira, passando pelo Pedro Marques, Pedro Delgado Alves, Pedro Nuno Santos e João Galamba, entre outros, o que vemos neles é a caminhada autónoma para um projecto que será original e terá a sua assinatura.

    A marca de um fracasso mede-se sobretudo na herança, e nas sementes de futuro, que se deixam. E já viste bem a qualidade das sementes? Poderiam ter feito igual percurso sem Sócrates? Muitos poderiam, sem dúvida. Mas gosto de pensar que nasceram num ambiente especialmente favorável ao despontar destes talentos.
    Agora, todas os líderes políticos acabam invariavelmente em fracasso, é uma boa característica da democracia. E todos eles, e acho que mesmo todos, acabam por fazer uma travessia do deserto. Sócrates apenas decidiu clamar a meio dessa travessia, oferecer os seus conhecimentos e análise sabendo, e creio que ele sabe, que todos o terão que ignorar. É ignorado? Não sei, creio que talvez menos do que julguemos.

  3. foda-se, que nao percebeste nada. o que socrates disse foi que no psd e no cds ha bons aliados. ou seja, segundo socrates, votar no ps he votar tambem no cds e na continuacao da ministra sao cristas e no mota soares

  4. Não esqueçamos o factor tempo; Sócrates não é desta sociedade, desta mentalidade colectiva nem deste tempo. Depois veremos quem fica e quem sai da História. Mas é verdade que quanto ao futuro temos umas esperanças. Porém, algumas dessas esperanças são as que mais omitem, à semelhança do líder, a palavra e referência tabu. A coragem do senhor tabu (tabu no seio do jovem PS actual) é que ainda não foi igualada, só por causa desse silêncio que, convenhamos, dá uma trabalheira desgraçada. Mas estes são deste tempo, e condiz.

  5. Excelente análise.
    Quando Sócrates ainda era o exilado de Paris, os ataques cobardes (do género mão visível atrás do arbusto) eram prato do dia de qualquer aprendiz de feiticeiro. Pois bem… e agora ? Onde estão?
    “Só a superioridade de certos homens justifica certos ataques por parte de outros”
    Dá-se o caso até, de, através desse monumento ao intelectualismo lusitano que é a quadratura do círculo, a teoria da ida-ao-pote haver sido confirmada. Toma e embrulha zé-povo. Isto era impensável à dois meses atrás.
    Até ao próximo Domingo.

  6. ibmartins, é bem verdade: não vemos ninguém com um projecto que rivalize com aquele que conhecemos no 1º Governo de Sócrates. Contudo, as circunstâncias actuais são radicalmente diferentes, pelo que não poderia haver neste momento uma proposta comparável.

    Quanto ao Pacheco, é exactamente pela sua capacidade para aparecer como defensor do bem comum que a sua perseguição a Sócrates e ao Governo socialista é tão imperdoável.
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    Vega9000, pois eu concordo contigo, nisto: desconhecemos o alcance que as suas intervenções estão a ter no eleitorado. Porém, não temos sinal de haver algum. Pura e simplesmente, a sociedade continua sem se mostrar cônscia de ter sido completamente manipulada para derrubar um Governo que a protegia e dar o poder a quem a destrói. E isto porque continua a existir uma aliança tácita entre PSD, CDS, BE e PCP para abafar o que se fez a Portugal em Março de 2011.

    Quanto aos talentos, trata-se de um grupo heterogéneo que nalguns casos tem grande proximidade a Sócrates e noutros não. Mas o ponto está em que eles não andam a cuidar da imagem de Sócrates ou a prometer o seu regresso nem que seja incarnado nas suas pessoas. Eles andam é a tratar do presente e do futuro com plena autonomia, tanto em relação a Sócrates como a Seguro.

    Claro, perder é o destino natural dos políticos em democracia. E, obviamente, será possível fazer um balanço positivo, e até vitorioso, do legado de Sócrates. Este blogue, por exemplo, nunca foi nada tímido nesse exercício. Só que essa é uma outra dimensão da sua biografia, a qual é lateral a esta situação em que ele decide assumir sozinho um combate quixotesco. Repara que nem sequer o seu partido o defende dos ataques mais soezes, prova provada de que a sua derrota foi funda. Por um lado, viu o País ir parar às mãos dementes de uma direita violenta como não havia memória em democracia; por outro, olha à sua volta e, tirando o seu círculo próximo, não vê ninguém a fazer justiça ao que fez e ao que queria ter evitado estar agora a ser feito.

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    Ângelo, muito bem.

  7. Caro Val,

    Será como diz! Mas uma coisa é certa: algo mudou no main-stream nacional nos ultimos dois meses. Não afirmo a existência de uma relação causal entre essa mudança e o comentário politico de Sócrates. Mas também não tenho como a refutar.

  8. Este texto é realmente muito, mas muito bom – ainda que eu não me reveja (completamente) nele… Os meus Parabéns!

    É inútil acreditar que exista um “socratismo”, ainda para mais messiânico, à semelhança do muito lusitano sebastianismo. Assim como não existem – nunca existiram – “socráticos”.

    Tudo isso são apenas categorias da impotência moral da Direita – que esperneia e relincha grotescamente sempre que a superioridade moral de Sócrates a vexa e a humilha da forma que mais lhe dói, isto é, nos seus prórpios termos – e da impotência intelectual de certa Esquerda – que passa ao lado de qualquer mensagem política relevante por manifesta incapacidade cerebral, a menos que algum piedoso Lobo Xavier a ilumine caridosamente com uma lanterna a pilhas, dois anos depois de as coisas actontecerem e a percepção das mesmas ter relevância.

    Por isso é que este pobre País do Lixo – Pacheco “dixit” – está condenado a viver uma situação de sub-desenvolvimento, material e cultural, e uma agonia de protestos anémicos e indignações pífias, comandadas por inúteis e estéreis, cuja eficácia política se resume à colaboração com a potente e demagógica narrativa da velha Direita de sempre, aliada à nova Direita deslumbrada do novo-riquismo bolsista, financeiro, especulativo, mediático e pedantemente anglófilo.

    Estamos todos muito próximos, históricamente, da Geração de 70 do Séc. XIX, que lúcidamente constatou o falhanço português do seu tempo, incapaz de acompanhar o surto de desenvolvimento que acompanhou a industrialização europeia e que prenunciou, entre o estertor do Rotativismo aristo-burguês e a decadência duma Monarquia ligada à máquina desde a Ditadura de Beresford, o levantar de um novo Portugal renascido das cinzas do Passado e com base numa realidade política completamente nova e risívelmente marginal no Séc. XIX – a República!

    Só uma reviravolta desse calibre poderá de novo dar gás a uma Nação gasta e cansada como a nossa. A menos que estejamos já no derradeiro ciclo da sua existência, hipótese que também é bastante prudente ter conta…

  9. Sou um leitor diário do “Aspirina B”, ainda que não “comentador frequente”. Mas hoje, perante a qualidade, realidade e oportunidade deste “post” e também dos comentários que até agora foram feitos, não resisti.
    Não me considero “socrático”, mas sou um apreciador e defensor da sua politica, da sua obra e das suas ideias, daí o não ter ainda perdido um único programa dele na RTP1.
    O “homem” é de facto um animal politico e tenho a certeza de que teremos a oportunidade de voltar a vê-lo em ação, e que mais não fosse, só pela forma como colocou os seus detratores “em sentido”, já teria valido a pena o seu regresso.
    Pena é que a Direção do partido de que não sou militante, mas no qual tenho, com raras excepções, sistematicamente votado não esteja à altura de “agarrar esta oportunidade” preferindo ignorar. É pena, mesmo muita pena porque estão com esta atitude a perder uma grande oportunidade de aprenderem alguma coisa e estão a perder uns milhares de votos.
    Já agora, e para não concordar com tudo o que o “post” diz, acho que o último parágrafo poderia ter saído melhor.
    Um abraço.

  10. Parece-me deslocado aplicar à acção política de alguém a dicotomia winner/looser. Todo o ser humano é mortal e nesse sentido somos todos perdedores… Por outro lado, há figuras históricas que morreram cedo, e derrotadíssimas, e no entanto vivem para sempre. Haverá certamente melhores maneiras de avaliar o que é complexo. No caso de Sócrates, considero-o o melhor primeiro-ministro que tivémos desde o Marquês de Pombal. Nos escassos 6 anos em que governou tomou medidas com grande visão de futuro e que provavelmente nos garantirão alguma sobrevivência depois de toda a destruição causada por este governo. A aposta na ciência, na educação, nas energias renováveis, só para mencionar algumas das mais emblemáticas, o simplex, as reformas da saúde e da segurança social, etc. Sócrates projectou-se e projectou-nos no futuro, disso não tenho dúvida. Agora nestes tempos cinzentos que estamos a viver o silêncio à volta dele é ensurdecedor. A direita primeiro protestou e depois optou por erguer um muro de silêncio. Claro que há cumplicidades, ou má-consciência, por parte da esquerda que ajudou a derrubar um governo socialista para o substituir por isto; claro que há um imenso mal-estar por parte de um lider de ocasião de nome Seguro; claro que há uma quantidade de mediocres que ficam incomodados com o brilhantismo de Sócrates e pensam que se fecharem os olhos ninguém vê. Enganam-se. E, quanto mais não fosse, só pelo de incómodo que causa se vê a grandeza do personagem.

  11. há semelhança de muitos de nós ,tambem tenho o sentido de justiça mais ou menos apurado.por ser assim,e por concordar com a sua politica no 1.governo e no 2.aceitando a sua austeridade,por ser necessaria face à crise que já era visivel,não posso de deixar de vos dizer que sou “socratico” e com tudo que estamos a passar, ainda ainda mais se enraizou esse sentimento, que me leva a sempre que posso a defender o seu legado. ainda hoje no forum da tsf.foi dito que muitos já devem estar muito arrependidos de terem apoiado o derrube do governo anterior.obs. ontem jeronimo de sousa depois da conversa com seguro,vem falar ao seu “povo” num palanque que imitava na perfeiçao o que obama utiliza para os discursos.pior,esconderam a bandeira do pcp,para darem um ar de gente respeitavel e em quem podemos confiar.que os pariu!é o que me resta dizer.

  12. ariane, estou consigo na avaliçao que faz do legado de socrates. marquês de pombal quando rasgou as avenidas em lisboa,só os carros dos ministros deviam lá passar,mas a sua visão do futuro,levou-o a remar contra os velhos do restelo!bem haja.

  13. MRocha, sem dúvida. Mas não sabemos se a súbita desistência da direita em continuar a usar o seu nome para achincalhar Seguro e o PS é resultado da sua presença na RTP ou do agravamento das condições governativas que poderiam levar a que o PSD não tivesse outra alternativa do que começar a tentar um qualquer acordo com o PS.
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    Baltazar Garção, exactissimamente.
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    Corvo Negro, não posso concordar mais: o último parágrafo podia ter saído melhor. Aliás, os restantes parágrafos também.

    Quanto a Sócrates, estamos igualmente em perfeita sintonia.

    Abraço
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    Ariane, assino as tuas palavras por baixo. Faço só notar que a apreciação positiva que tenhamos a respeito da sua governação não invalida a constatação das derrotas. Numa altura em que Portugal podia cair nas mãos da direita decadente que iria levar avante a actual demolição da economia e empobrecer ainda mais os portugueses, foi isso mesmo que aconteceu. E agora, repetindo semana após semana a sua visão, não se encontra no espaço público nenhum movimento popular que reconheça a razão que lhe assiste. Sócrates continua a ser um alvo de ódios dos canalhas e dos broncos, sendo que igualmente não leva aqueles que estão do seu lado a dar o corpo ao manifesto. Por isso o caso do PS e de Seguro é tão significativo, vindo daí o primeiro e mais forte silenciamento.
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    nuno cm, ao referir-me à inexistência de socráticos estou a significar aquelas figuras públicas, ou aqueles movimento populares, que estivessem a representar um qualquer programa ou ideário que o tivesse como mentor ou líder. Por aí, nada se vê. De resto, e desde os tempos de secretário-geral ou até ministro de Guterres, Sócrates foi sempre um chefe que não promoveu cultos de personalidade ou cedeu na sua paixão combativa para aparecer “simpático” ao gosto médio, convivendo tranquilo com uma parte do PS que o odiava tanto ou mais do que a direita.

  14. Sim, José Sócrates não será um “líder” político de excepção (como foram Salazar, ou Soares), nem é (nem tem que o ser) aquilo a que vulgarmente se chama um “Estadista”. É inútil desqualificar os que (muito) o admiram atribuindo-lhes um qualquer tipo de culto da personalidade, à moda dos “ismos”, até porque quem o admira prima pela lucidez e a inteligência, bem como pela ausência de preconceitos descabidos (como, aliás, o são todos…).

    José Sócrates foi “apenas” um excelente governante, quer como Ministro, quer como 1º-Ministro de Portugal, muito acima da média do melhor lote que o nosso pobre País já mostrou, pelo menos desde a implantação da República (e ir mais atrás não é lá muito significativo, dados os conhecimentos de História que implicaria para o poder ser…), e todos nós estamos agora a pagar, bastante caro, por o termos desperdiçado nessa qualidade, tão necessária.

    Todos, perdão, todos excepto os que estão de momento na mó de cima, a esfregar as mãos de contentes com o infortúnio dos portugueses (e que um serão forçados a engolir ser, igualmente, o infortúnio e a desgraça de Portugal)!

  15. Val, é precisamente agora que um projecto faz falta. Faz falta uma estratégia para enfrentar a situação actual mas também, e muito, uma projecto para o país (o tal “pós troika”). É necessário mobilisar as pessoas em torno de qualquer coisa de construtivo. E é incrível que o actual PS não saiba defender e aproveitar o que foi feito e que permanece provando a justeza das opções.

    Que país queremos ser? Quais as nossas valências? Nas energias, teremos condições para estar na “linha da frente”? Quais as fraquezas que importa corrigir? Que obstáculos à produtividade existem? E as exportações? Quais os mercados mais interessantes, o que é necessário para agilisar esse processo, como tornar acessível essa informação para as empresas? E como é constituido o tecido empresarial português, que necessidades, que dificuldades e que valências tem?

  16. Dois meses após o regresso de Sócrates impunha-se, de facto, um balanço. O meu balanço pessoal é bastante coincidente com o que é aqui apresentado por Valupi.

    O achincalhamento da governação Sócrates serviu (mas agora deixou de servir) como alibi para as políticas desastrosas da Direita. Já ninguém se atreve a usar tal alibi, sabendo que Domingo à noite a coisa seria desmontada.

    Sócrates readquiriu um estatuto político excepcional num contexto em que o caos parece estar para durar. E enquanto os portugueses não disserem basta ao actual desgoverno, enquanto a contestação não se impuser, o presidente da República permanecerá “a mão por detrás do arbusto”.

    Mas o que mais espanta na actual situação é a passividade dos portugueses, tanto mais que nos locais de trabalho as chefias parecem “mais papistas que o papa”. Mimetiza-se, um pouco por todo o lado, o estilo autoritaresco e persecutório da governação Cavaco / Passos / Portas e a malta encolhe-se.
    Não sei exactamente a que se deve este fenómeno de um povo apático, preocupado mas condescendente, que não exerce o seu imenso (contra)poder perante ameaças impensáveis a cada dia que passa. Será que deveríamos ter em conta uma espécie de trauma após-Sócrates, uma espécie de culpabilidade colectiva daqueles que se deixaram enredar na tramóia que fez de Sócrates o bombo da festa, e não sabem agora como salvar a face?

  17. e quando mais tarde se fizer a História, posso dizer “orgulhosamente” que fui governada por um governo de Vichy em episódio requentado. A diferença é que posso dizer que fui resistência, mas sujeito-me a que me perguntem se dei o corpo às balas. Também posso responder que sim, porque não tive outro remédio: ataram-me a um poste (não post, poste).

  18. eu não como nosso senhor, e por isso não vou nem estou em todo lado,mas tem-me parecido que a paz social que se vive no ps não é real.há debates tão intensos e ataques tão vergonhosos ao governo anterior,que mereciam uma resposta energica de todo o partido para defesa dos seus proprios argumentos e isso não tem acontecido.da-me a impressaõ que o que se devia dizer na casa da democracia,guarda-se para os jornais,pois saõ mais os cobres para ajudar a combater a austeridade.termino dizendo que lamento muito que a direita para atacar o ps já se sirva das palavras de luis amado.as agendas politicas,são um perigo para a democracia! obs.hoje o parlamento por estar mais aberto nas tvs,os deputados são muito mais escrutinados.reparem no esforço que o pcp está a fazer,com resultados visiveis nas sondagens.eles saõ 12 deputados se não estão enganado,mas por lá já passaram mais de 20,neste mandato.

  19. Estou de acordo em quase tudo o que escreveu,mas acrescento; a “estratégica assassina” tal como a descreveu, e que diz fazer falta agora, à direita,serôdia, caceteira, analfabeta e subserviente, já foi chão que deu uvas,e deu-as TODAS, esgotando o seu stok,cujo PROPÓSITO, foi o derrube do seu governo!..

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