Só para gastar duas piadas fáceis

Telmo Correia esteve mais de uma dezena de dias sem ir ao Ministério do Turismo por ter estado em trabalho de campo.

Telmo Correia rendeu-se ao modelo chinês: criou o Ministério dos Trezentos.

128 thoughts on “Só para gastar duas piadas fáceis”

  1. Olha, o Ferdinand acordou e não gostou do situacionismo.

    Parabéns. Estas coisas são assim: em se habituando vai tudo. E quem acha que desculpa os seus filhos-da-puta com os dos outros, tem de se preparar para nunca mais ter dignidade para abrir a boca. Porque os seus filhos-da-puta não são eternos. Eternas são as porcarias com se pactua. E há-de vir muitas mais dos outros- do clube dos maus-filhos-da-puta.

    Nessa altura vão engolir os sapos com larachas deste género.

  2. Eu percebo o Ferdinand. Quem vive fora da choldra sente vergonha por estas coisas. Quem acha que a choldra é mera politiquice não tem olhos na cara. Ou pior, vai à boleia dela.

  3. Uma coisa é certa- a degradação e a falta-de-vergonha anda a galope. Cada um que aparece é pior que o outro. E cada um que aparece arranja mais truques para silenciar justiças e conseguir correligionários da choldrice onde antes até era capaz de haver gente decente.

    Chama-se a isto o papel da corrupção dos costumes dado pelo exemplo do que está no topo. Alivia a má-consciência dos que estão por baixo e ainda são pequenos filhos-da-puta.

  4. É, piadas fáceis para gente fácil. Que pena estarmos a falar de homens, que se perde assim outra piada fácil.
    Lembro-me de o meu pai contar que às insinuações de corrupção do Estado , Salazar respondia “isso é rapaziada nova, não tem importância nenhuma, só se estão a governar”. Era “boca da reacção” de certeza, mas a rapaziada tem-se vindo a governar muito bem e quem nunca deu uma moeda a um arrumador que atire a primeira pedra.
    Um amigo meu, juiz, tem uma história divinal. Quando começou a carreira, num tribunal qualquer, absolveu um tipo nitídamente culpado porque por mais que espremesse as provas não havia maneira de o condenar. No fim da leitura da sentença o gajo aproximou-se, estendeu-lhe a mão e tentou deixar-lhe cinco contitos em cima da mesa no meio de um sussurrado “muito obrigado, são p’ra si”….

  5. O Salazar? por favor… esse regime foi tudo e ele pode ter sido tudo, agora comparar com corrupção é que absoluta anormalidade. O homem nunca se aproveitou de nada para enriquecer e muito menos era essa a mensagem de chico-espertice que se passava para o povo. Razão pela qual os mais velhos ainda dizem que “nesses tempos as pessoas ainda tinham palavra”. E tinham. E os portugueses não são isto- não são esta palhaçada e sem vergonha de boys de carreira partidária a chegarem a primeiros ministros. Os portugueses são respeitados no estrangeiro precisamente por ainda serem gente honrada e honesta.

    Eu dei o exemplo de início e volto a dá-lo. Este homem, se não fosse primeiro ministro de Portugal e precisasse de ir trabalhar para Inglaterra, com a trampa do curriculo engatado que tem ninguém lhe dava emprego. E sei do que falo. As agências de emprego vistoriam tudo, até à notinha do liceu ou mesmo a mais- até à prova de aferição. E demoram meses a confirmar todos os dados. Conheço casos bem próximos em que esperaram 4 meses até o curriculo ser todo confirmadinho. Com duplicados autenticados pela embaixada e telefonemas de confirmação para as instituições académicas.

    Se este nosso José Eduardo dos Santos engenheiro, apresentasse o curriculo que tem estava completamente queimado. Não lhe davam emprego em qualquer empresa decente e nem as agências o aceitavam. Havia de ter de arranjar um biscate rasca, à altura das rasquices do seu verdadeiro curriculo.

  6. E mais, isto nada tem a ver com putas de ideologias ou clubes partidários. Tem a ver com um caso extremo. Pois nem sequer no PS se tinha descido tanto. Nunca, com nenhum governo, com nenhum primeiro-ministro, a este ponto.

    Não querer ver isto é não ter vergonha na cara ou fazer figura de urso à tabela. E vir com exemplos de outros no passado, sem comparação que se chegue, para legitimar o presente, só diz da falta de ética de cada um. Porque ou estiveram calados antes por desculparem agora, ou vão ter de fechar a boca daqui para a frente a tudo e todos os que se seguirem. Incluindo os que não são da camisola.

    Ou estavam a pensar que o Sócrates, por não ser o primeiro a este ponto, vai ser o último? eternizado na complacência dos situacionistas?

    Não se dão conta que não há sociedade civil se não houver ética autónoma do povo? que temos nós de aparar os golpes dos que são poder e nos tomam por parvos?

  7. zazie,
    Quanto aos tempos da “outra senhora” posso contar-te uma história. Se quiseres posso começar como todas as histórias, com um era uma vez… E era uma vez um antónio que não era O antónio. Tinha uma fábrica de lanifícios na cidade da lã e da neve, no tempo em que as corporações mandavam e tear novo só com autorização de quem podia, que isto de improvisos não caia muito bem e até um corte de fazenda tinha de ser medido, declarado, apresentado. Mas este antónio sabia as linhas com que se cosia e não gostava de contar alfinetes. As camisas brancas eram todas do mesmo alfaiate do Chiado, o monograma bordado pelas mãos que sabiam rematar sem nós e o Buick branco descapotável passeava a Amália que, ao que parece, achava graça ao antónio. Mas a vida custa a todos, como diz o rvn, e outro um tear dava jeito que sempre eram mais uns metros de fazenda no fim do mês. O papelinho azul, aquele das 25 linhas e selo estampado, foi metido a quem de direito, mas tear nem vê-lo. Não havia autorização e parecia também que não havia volta a dar. Só que este meu antónio percebia de linhas e fios e sabia qual a trama a usar para desfazer os nós. Parou os teares, chamou os melhores operários, as cerzideiras de mãos mágicas, escolheu o melhor tinto e a lã mais refinada e fez um corte para um sobretudo. Azul escuro, que a moda do verde seco chegou muito mais tarde. Deve ter sido embrulhado em papel pardo e atado com cordel, mas o cartão que levava lá dentro era de certeza do melhor papel e, com a letra que conheci bem, teria escrito uma amável e educada nota para Sua Excelência Senhor Presidente do Conselho. O António, que não era o meu, recebeu a encomenda, que devolvida não foi. Era também um homem da serra, gostava de boas fazendas, um sobretudo dá sempre jeito e como aquele não havia mais nenhum. Foi tudo muito discreto, que mesmo que não fosse ainda não havia Deep Throats e se as houvesse piavam fininho. O tear chegou de Inglaterra, como todos os outros a que ia fazer companhia, mas aí não houve discrição possível, que a chegada de mais um tear era sempre festejada. Era mais pão para uns e camisas com monogramas bordados para outros.
    Este antónio, que não era o outro, era meu tio avõ e esta estória que é história ouvi-a contada por ele. E não foi nunca como crítica, que ele era antónio também, mas para nos ensinar como “as coisas se faziam”….

  8. ?
    So what? acaso é emprego com curriculo falso?

    Estamos a falar de quê?

    O que eu disse é que este tipo tudo o que tem o deve a carreirismo e aldrabice. Porque nunca foi nada. Nem estudou, nem trabalhou, nem fez pela vida de forma honesta. Enfiou-se num partido e e nos poderes para ir sacando. Usando de todas as manhas e chico-espertices.

    E se há muito mais gente que a faz, o certo é que não são primeiro ministros- é ele. E ser primeiro ministro não é a mesma coisa que mais um cigano a fazer ciganices. É o lugar por execelência do exemplo para o povo que devia governar.

    Por isso, não há aqui lugar para no tempo do não sei quantos, ou há 40 anos houve não sei quem, logo agora como e calo e bato palminhas porque é da cor da minha camisola.

    É apenas isto. Nós não mandamos nada (pelo menos eu não mando) mas projectamos nas manhas dos outros aquilo que se calhar também podemos ser. Eu estou à vontade. Tenho um curriculo limpo. Tenho verdadeiro pó a marinhadores, arrivistas e aldrabões. E foi esta a única verdadeira mensagem que passei aos meus.

    E noto que o povo português anda a ficar cada vez mais frouxo à custa destas vigarices “democráticas”. Tendo ainda outro problema maior que os outros povos não têm- falta de independência da socieade civil face ao Estado e traumas de um passado ideológico de que não se consegue livrar.

    Por isso é que percebo os portugueses que já cá não vivem e não funcionam nesta merdice do “respeitinho e situacionismo” dos nossos-filhos-da-puta.

    Porque quem sai daqui tem mesmo de dar provas e competir seriamente. E isso não se faz na choldra, com poltranice e cunhas politico-partídárias.

    E seria bom que as pessoas metessem na cabeça uma questão básica que os traumas ideológicos também impedem:
    Antes de tudo existe uma Patria e Uma Nação. E um governante é apenas alguém que devia servir estas. Nunca o inverso. Não somos portugueses porque um partido não sei quantos é agora poder.
    E quem usa o poder em nome dos portugueses, de forma tão rasca está a mais na historieta. Porque só conta para a história da vergonha.

  9. Zazie,

    Queres voltar a ler tudo o que escreveste?

    achas que este está lá pelo curriculum? votaram nele porque era, ou disse que era, engenheiro?

    E, já agora, qual a alternativa? Se não tiveres podes juntar-te a mim, que acho que se devia fazer um caderno de encargos, nomear um juri internacional, e abrir um concurso público para a gestão do rectângulo.

  10. Fónix.

    Perdeu-se o testamento.

    Não vou repetir e nem ha´muito dizer. É um caso para estudo sociológico. Como é que um povo pode descambar à custa de problemas históricos mal resolvidos.

    Porque tudo o que agora se aceita apenas deriva do uso errado de uma palavra- democracia. As mesmas coisas feitas em ditadura, são vistas como crimes hediondos. Mas vistas por andarem falsamente a voto- são transformadas em grandes conquistas de modernidade.

    Isto é que é um fenómeno sem equiparação em qualquer país civilizado e com democracia bem mais antiga ou sem ter tido comunismo em plena europa dos anos 70.

    O resto nem sei o que é. Não compreendo o que pode levar pessoas que não são poder a aparar os golpes de aldrabões que nem são da sua família.

    mas pronto, admito que não tenho de compreender tudo e que cada vez estou me sinto mais extra-terrestre entre os tugas.

    Mas não me sinto nada extraterrestre com os portugueses que lá fora dão cartas e trabalham seriamente e que também se sentem cada vez mais longe desta choldra.

    Não vejo novela. Deve ser disso. Ver novela dá falsas ilusões. E olhar para a política como novela de ricos, julgando que se vai à boleia dá má cidadania.

  11. é pá. Tu estás toina?

    Quem é que defendeu aqui o Bush ou que merda é que o Bush entra no caso de um merdas que é nosso primeiro ministro e tem um curriculo que só servia para vender hamburguers num país decente?

    Ainda não percebeste que eu não estou a comparar nada que não se pode comparar_ lugares de estado; com aquilo que se pode comparar_ forma de vida decente ou indecente?

    Eu disse e repito e, se for preciso, até te apresento todas as provas – que o Sócrates. o josé, o tuga sócrates, se não fosse a política e tivesse de fazer pela vida sem cunhas, indo para um país onde se exige um curriculo limpo, estava queimado.

    Entendes? é isto. Porque sei. Porque tenho exemplos próximos. Sei como funcionam as agências de emprego em Inglaterra. Sei como muitos portugueses decentes chegam a esperar 4 meses até assinarem contrato, depois de tudo ser confirmado.

    E, o que disse, é que gostava de ver este tuga- josé sócrates engenheiro a fazer o mesmo- em pé de igualdade com qualquer tuga honrado.

    Está entendido?

    É que ainda há gente honrada e portuguesa. E é esse, que é apenas honrada e não vive de “ideologias” que sente vergonha por isto.
    ……….

    E não há aqui bushos para nada. Porque nem sei que curriculo é que esse idiota tem e muito menos é português ou seja da nossa responsabilidade ter chegado a primeiro ministro na américa.

    Mas lembro-me do outro da mancha que por cá se achou uma vergonha e com direito a demissão. Já para não falar no caso Watergate.

    O que vejo é que a ética parece ser coisa para preto. Já ninguém lhe liga. Basta sacarem da politiquice de risco ao meio- esquerda direita- encolhe a barriga e estica o peito que está a receita pronta.

  12. Essa puta dessa pergunta de “qual é a alternativa” até me causa urticária .Carago. Até o maradona diz o mesmo…

    Esta gente tem mesmo a cabeça feita. E depois ainda têm lata de falar de um passado que nem viveram e nem conhecem e moralizarem à borla.

    A alternativa é esta: ou bem que temos políticos que sabem o que é dever de se dimitir quando partiram a cara, ou bem que temos povo que a parte por eles.

    Esta pergunta do “qual é a alternativa” é o exemplo máximo do situacionismo poltrão. E vale para prova que se fosse em ditadura achavam o mesmo e se acagaçavam. Porque acham que tudo vale por utilitarismo de contas de merceeiro.

  13. é mesmo política à Manelinho da Mafalda

    “:O))))

    ora deixa- cá ver- este rouba mas eu também roubo à conta do que ele rouba na mercearia rival, logo é melhor é tratá-lo bem se não ainda tenho de pôr as barbas de molho…

  14. Zazie

    Estamos a entendermo-nos, porque tu falas no Manelinho e eu leio-te e lembro-me do Capitão Hadock. Boa pessoa, bom coração, mas raios e coriscos para aqui e para ali e pronto.

  15. Eu passo-me com isto. Mas é apenas com a questão política e com a História de Portugal. Não é nada de pessoal contigo, claro.

    Calhou de comentar aqui, podia tê-lo dito em muitos outros lugares. Porque uma coisa é certa- a grande divisão é mesmo esta: c’est toujours la même chanson- há quem se coloque fora da clubite e das ideologias e ainda tenha um sentido patriótico e de valor ético até da política e há quem nunca consiga sair do mundinho pequenino das pequeninas estratégias de clubites politiqueiras. Como se acima de tudo não existisse uma coisa chamada socieade e outra- povo português.

    Pela minha parte pelo menos posso sentir reconforto por não ter prole desfazada destes valores e ainda conseguir encontrar muitos resistentes a pensarem o mesmo.

    E é por isso que cada vez penso que nem é prova de cidadania andar-se a votos. Se calhar é bem maior não empenhar outras coisas, em troca disso.

  16. fmv:

    Nào te precipites (ou não estejas a comentar e a fazer outras cinco coisas e meia). O autor do post… ok, não sou eu.

    Claro que sei que o autor do post não és tu. E tenho deixado passar todos os outros por achar que nem valia a pena.

    Mas, foi precisamente por ler o teu pequenino comentário- que muito me agradou -que acabei por dizer tudo o que andava atravessado.

    E é claro que não é nada de pessoal. Acho que não vale a pena repetir que é html a pretexto do qual lá vamos desabafando.

  17. Para dizer a verdade, aqui na blogosfera, o mote do busilis da questão (a que me encanita até ao tutano) li-a no maradona. A mesmo ideia- as mesmas continhas de mercearia, o mesmo utilitarismo rasca de pobrezinhos “porque o que importa é que nos ajudem a não sermos pobrezinhos como os estrangeiros” e a troco dessa falsa esperança e de arrependimentos mal feitos de passados ideológicos, vale tudo. Ou quase tudo- porque o respeito pela política é idêntico à falta de respeito pelos políticos que se aceitam- como se corressemos o risco de sermos abandonadinhos por queremos servidores que não nos fodam.

  18. Todos os teus outros posts

    aahhahahaha

    Pensavas que era o quê? os políticos? nesses estou à vontade- está online tudo o que ataquei a todos. Por isso é que nem votei e fiz parte dos que deixaram que este aldrabão chegasse ao poleiro.
    …………………………………………………………………

    Está aqui o exemplo, muito engraçado, do maradona:

    Defendi este primeiro-ministro…
    …o máximo que pude. Mas, digam-me, quem? Para o lugar de Sócrates, quem? Eu não posso estar em todo o lado, explicar livres directos e governar o país… Quem?
    ————————

    Caiu na real, depois deste tempo todo de situacionismo à custa do tal problema dos pobrezinhos e da riqueza toda que o liberalismo e mais não sei quê que lêem nas cartilhas, ia dar.
    Não deu, claro, porque nem as cartilhas do Mao davam, quanto mais estas de clone de concurso televisivo.

    E, ao cair na real, teve a ombridade de fazer este post (o rapaz é ingénuo, não percebe nada de política, tem a mania que é de liberal por causa dos pobrezinhos ficarem ricos, mas é honesto)

    Penso que ninguém terá o descaramento de acrescentar mais alguma coisa sobre este assunto:
    Testa de ferro
    Publicado por JoaoMiranda em 1 Fevereiro, 2008
    O novo caso Sócrates não é grave por Sócrates ter assinado projectos de outros autores. É grave por Sócrates ter assinado projectos de autores legalmente impedidos de o fazer e que se encontravam numa situação de conflito de interesses. A assinatura de Sócrates serviu para contornar uma lei cuja função era impedir a corrupção.

  19. maradona e João Miranda?… Ora… Deve ser por estarmos no Carnaval.

    Se te resolveres a argumentar, I’m game. Se é para gastar html, it’s your show.

  20. O que acho que não vale a pena é lutas ou arrelias com quem não é poder. A sério. É mesmo isso que penso.

    E esta historieta da blogosfera tende a fazer esquecer o essencial. Não andamos em tertúlia com o poder. Às vezes, em pequeno formato, com mínima visibilidade em relação à população, o máximo que ainda conseguimos é andar em segundo plano, à porrada com quem escreve nos jornais.

    Pouco mais do que isso, salvo raríssimas excepções que já conseguiram fazer mossa mais alto. E foi por isso que me lembrei desses 2 conceitos gregos que vinham tão a propósito- isegoria e parrhezia é que nos fazem falta.

  21. È verdade, é mesmo nesta mistura carnavalesca onde ainda podes incluir um fnv todo xuxialista e farrusco que está o busilis da questão.

    O situacionismo é sempre muito engraçado e demasiado parecido para além das camisolas. Fica todo ele da mesma cor: farrusco.

  22. Valupi:

    Eu expliquei que não era diálogo e que nem tinha comentado os outros por isso mesmo. Porque não vale a pena. Cada um de nós sabe o que o outro pensa e não vamos alterar nada à custa disso.
    Foi mesmo apenas um desabafo.

  23. De qualquer forma não havia argumentos para um post que era apenas uma piada, né?

    E nem há argumentos quando apenas nos limitamos a expor o que pensamos ou as interrogações que certas questões nos deixam.

    Eu deixei aí as minhas. E nem tenho resposta para elas. Apenas uns palpites a que dei o mote- um problema com o passado histórico por resolver e um socieade civil mal consigo própria.

    Não consigo fazer a ponte entre estes “discursos” de utilitarismo de mercearia e o passado. Isso não consigo. De lado nenhum, em parte alguma.

    E é um facto que pode haver muita corrupção noutros países, o que não existe é esta anomia e clubite idelógica como se tudo o que acontece a um político seja coisa que lhes vai tambem fazer cair os parentes na lama.

  24. A tua tese é a de que Sócrates ainda é o situacionismo. Concordo, em parte. E, na parte em que discordo, aponto para o moralismo e jacobinismo da tua posição – por sua vez, alimento do mesmo situacionismo.

    Se és leitora da Bíblia, concederás que Deus ama o pecador.

  25. Pela postagem de comentários da zazie, constato que há um número considerável de pessoas que não trabalham ao domingo… É que nem ir dar uma voltinha com esta chuvinha…

  26. Já contava com isso. com o dito moralismo. Eu sei que é sempre essa a resposta a quem defende os valores éticos na sociedade.

    Pois bem, serei isso, ou “justucialista” que é outro palavrão muito ao gosto do JPP. Mas uma coisa garanto- dá-me um grande gozo porque o uso para “faire chier les cons”.

    É mesmo isso. Com uma outra diferença- não corro o risco de passar por hipócrita porque não me digo de esquerda nem benzida por natureza com a tal superioridade moral.

    E nestas coisas não há meio termo- porque os que dizem que não moralizam quando aparam os golpes da clubite, fazem-no de forma moralista, atirando a lama para o passado da clubite rival e fazendo-se sempre muito virgens ofendidas.

    Eu chateio todos. Porque não consigo perceber onde está o interesse de se falar em política se não for por acharmos que esta devia ser uma actividade digna e com ética.

  27. É que, problema do utilitarismo situacionista acaba onde começa- não fala de política ainda que revista as grandes análises com essa aparência- fala de trocos, de mercearias, de tribalismos, de coisas de praça. De coizinhas menores. E mascara-as em grandes retóricas de comparações genéticas. E essas sim, são comparações bíblicas. Precisam sempre de recuar ao Genesis para explicarem um presente onde não desatam a bota.

  28. E a minha tese não é a de que o Sócrates é o situacionismo. A minha tese é que o Sócrates é o clone televisivo de modernidade de um país em cacos de identidade.

    Não é ele que é situacionsimo- ele é o exemplo de uma geração rasca do legado de uma democracia tardia, com saque de poder entre os mesmos de sempre de ha´3o e tal anos a esta parte. É mesmo o pior exemplo de muita chico-espertice tuga que antes era alvo de troça e agora se institucionalizou como discurso de sucesso.

    Situacionismo é o dos que aparam isto. Em nome de mil e um falsos pretextos e medos atávicos.

  29. Pior, dos que aparam e seguem as pisadas no tal discurso do pequeno filho-da-puta que imita o grande filho-da-puta.

    Não será problema apenas nosso mas é de forma mais grave, mais rasca e mais parazita da nossa socieadade.

  30. Uma coisa é certa: esta malta como a Claudetta e outros que falam em sucesso por efeito big brother e atavismo saloio, não sabem como era Portugal e como era a mentalidade portuguesa há uns 40 anos atrás. Mas tu sabes, e eu sei. E por isso é que achei que não valia a pena fazer batota.

    Nós sabemos. Simplesmente tu ainda lês tudo em termos ideológicos e lutinhas tribais à moda da clandestinidade de outras épocas. E agora a coisa não é clandestina, é livre, sem ideais, meramente utilitária e de feira.

    E outra coisa- não ficamos mais felizes nem com o ego mais inchado por nos projectarmos em merdices que até envergonham um bimbo.

  31. Eu só sei por ouvir dizer (e algo ler) o que fosse a mentalidade de há 40 anos. E não tenho um pingo de ideologia. Aliás, a ter é a da inteligência (uma ideologia perene, acabo de inventar). Acontece-me é não descortinar racionalidade na tua crítica a Sócrates. Daí, a pergunta (que é também metodológica): que é para ti a ética?

  32. valupi, como separas a conduta de sócrates (e aqui, só para enumerar uma, entre tantas) no caso dos projectos assinados para ludibriar a lei, permitindo a coincidência entre autoria e viabilização de projectos, da ética? ou achas que o que consideras um bem maior deve fazer-nos menosprezar um (eventualmente) mal menor? (ou outra coisa qualquer?)

    e não vês, também, que a complacência com a corrupção dos políticos encoraja a evidente tendência do povo para o atropelo ao arrepio da lei?

  33. Valupi:

    Detesto aproximações a algo privado. Não faço a menor ideia quem sejas nem me interessa. E não queria entrar por aí. Foi sem querer que saiu um retrato. Apenas pelo que vou lendo. Deu-me a ideia que o teu problema era mesmo esse- sem te aperceberes ainda estares prisioneiro de um passado ideológico mal arrependido. Daí uma série de semelhanças com o JPP e até esse uso do “moralismo” como justificação do “poliquismo” partidário (á boa maneira das tribos antes do 25 de Abril). Porque os tempos não são de ideais. E escusas de fazer uma pergunta idiota- o que é a ética.
    Faz antes a básica- a partir de quando toda a falta de vergonha na cara vale para legitimar um primeiro ministro apenas porque o Telmo fez não sei quantas assinaturas e o outro não sei quantas fotocópias.

    É isto. E já tinhas caído no mesmo quando justificaste aquele anormal do entrevistador na tv a interromper o outro idiota (que para o caso não importava quem era) para dar a chegada do Mourinho. Sempre com essa lógica demagógica que não sei quantos noutros tempos poderia ter feito pior.

    Porque, o que um cidadão tem de analizar são os actos em si mesmos como espelho de quem transmite ideias de honra, de cumprimento de deveres, de todo o oposto daquilo que fez e de todo o oposto como reaje aos factos-virando o bico ao prego, de forma prepotente, como se tivesse Portugal na barriga.

    A questão é mesmo demasiado simples para permitir desvios. Ninguém comprava um carro a um tipo destes mas ainda há quem nem seja da família e o queira vender como se fosse algo digno.

    Porquê? é a pergunta que resta. porque motivo existem pessoas que, sem serem poder, nem lhe deverem favores acham que têm por missão aparar os golpes a um farsante?

    As respostas são sempre utilitaristas ou ideológicas. Porque, apesar de tudo é de esquerda, logo faz parte dos bons dos nossos filhos-da-puta. Ou porque não há alternativa e até é a dar para direita e está a fazer de Portugal um país rico.

    Nunca li nada que saísse deste esquema. Nem creio que se possa ler.

  34. susana, o que Sócrates fez no âmbito da sua actividade profissional tem interesse jornalístico. Cabe a cada eleitor decidir se é factor suficiente para o vetar na próxima ida às urnas. No meu caso, não seria. E ponho no condicional porque nunca votei, nem votarei, Sócrates. Pela simples razão de ter chegado a um ponto em que não voto em partidos que tenham tido responsabilidade executiva até ao presente. Esses partidos (e respectivos presidentes da república e juízes e polícias e jornalistas – e, enfim, o povo) são todos, sem excepção, cúmplices da corrosão da nossa democracia.

    Acontece que nem tu, nem eu, sabemos o que Sócrates fez. Claro que o caso se apresenta evidente, mas convém sempre recordar que as evidências já prenderam, e mataram, muito inocente. Seja como for, e independentemente da verdade, é assunto que não apareceu ao tempo da sua eleição. Isso levou a que se pudesse conhecer o seu exercício governativo. Aí, não se descobrem falhas legais ou éticas. Bem pelo contrário. Por essa razão, e para mim, o interesse da Nação supera o interesse do currículo privado.

    Assim, e para mim que sou amigo de Jesus e primo dos judeus, não tenho vontade de lhe atirar a primeira pedra. Nem a última.
    __

    zazie, fiz-te a pergunta para que sentisses a dificuldade. É que custa. E custa tanto que tu foges. A pergunta é mesmo idiota, mas no sentido etimológico. Obriga-te a sair do moralismo e a pensares por ti. No moralismo há caras com falta de vergonha, e também aqueles que se especializaram em apontar para as caras dos outros. Na ética, é tudo mais especulativo, no sentido, outra vez, etimológico – trata-se de nos vermos ao espelho, antes de irmos olhar para a cara do outro. A Biblia, mais uma vez.

    Enganas-te com essa de eu fazer remontar ao passado não sei o quê. Há aí confusão grossa.

  35. alínea b, como pensei. e compreendo. mas o facto de se poder considerar que a sua permanência é um bem maior, não demite a crítica sobre as suas actividades particulares, individuais. sobretudo se se der o caso de essas actividades terem feito parte do caminho partidário que o levou ao cargo que desempenha, por mais isento e limpo que este possa ter sido desde que assumido.
    e eu não acredito que tais acções conduzam à sua condenação nas urnas, até porque, lá está: a complacência com esta conduta é generalizada.
    seja como for, é evidente que não se trata do josé sócrates primeiro ministro (nem de exigir a sua demissão), mas do josé sócrates cidadão. só que os deveres de cidadania, creio, são anteriores… volto a dizer: quem tem a ambição de sócrates deveria ter o brio de querer ser exemplo. assim é exemplo, também – mau exemplo.

  36. Valupi,

    Esquece. Estamos a falar de um primeiro ministro de um país europeu que por acaso é o nosso. Tão simples quanto isto.
    Se tu achas que é natural e relativo um primeiro ministro ser um farsante a que até uma criança da escola é capaz de tirar a autoridade moral, avia-te com a tua bíblia.

    Como te digo, isto serve apenas para esclarecer que, a partir de agora nunca mais vais poder fazer a mais ligeira crítica a nenhum. E este “vais” é figura de estilo- não vai, nenhum político ter autoriade para tal- (o povo não conta- porque o povo nem se arma em político a sentir as dores por outros).

    E nem te vou perguntar o que disseste ou criticaste, no passado, por outros. Porque a questão não és tu, é o país. E, por esse mero motivo, muitos se demitiram de cargos bem menores.

    Porque das duas uma: ou tu achas que o cargo de primeiro ministro é coisa de feira para se gozar como se goza com os cargos de feira africanos, ou tomas a pessoa pelo cargo e aí, não é ao Sócrates que estás a guardar respeito- é no cargo político que ele ocupa que estás a cuspir em cima.

  37. Pois eu votei no Partido Socialista de José Sócrates e também no José Sócrates e não no Engº José Sócrates. E voltarei a votar no Partido Socialista em 2009. Porque, entre outras razões, a alternativa é o bando de brincalhões como o Telmo Correia que é tema do post que originou todos estes comentários. E enquanto zazies e valupis enchem o papinho de moralidades e éticas e fogem ao voto, e juilgam com isso ter moralidade e ética bastante para criticar o poder político e o povinho que vota, EU VOTO. EU TAMBÉM ESCOLHO. PORQUE EU SEI O QUE ERA PORTUGAL HÁ 40 ANOS.

  38. V.s confundem tudo por pancada retorcida. Nós não temos poder para demitir ninguém. Mas temos capacidade de raciocínio para perceber quando é que alguém se deve demitir por não ter autoridade para o cargo que ocupa. É apenas isto. Tão simples quanto isto.

    O que dá ideia é que os portugueses modernos já estão tão frouxos e mal com a sua própria nacionalidade que trocam o nome às coisas.

    Não se trata de estarem cheios de primor e honra pelo feirante e farsante que os governa- bastava haver ameça bélica que ninguém acreditava numa palavra que o primeiro ministro viesse dizer ao povo. Ele não tem palavra, tão simples quanto isso.

    Mas trata-se de outra coisa mais perversa- é precisamente por não terem sequer orgulho ou respeito pela sua nacionalidade e até pelos que representam o país que se acabrunham e dão a volta à coisa- transformando esse enfado e desrespeito genérico, por uma falsa ética.

    E aqui sim, é que entra a paranóia histórica- fazer da tibieza e da anomia uma falsa virtude- sempre fulanizada no fulano ou sicrano da “família ideológica” mas vazio de identidade ou dignidade nacional.

    É como se fosse uma sociedade robotizada com vergonha de si mesma e com vergonha de pedir mais a quem nem respeita.

    E é por isso que isto não pode ser apenas um fenómeno ocasional sem trazer efeitos secundários na mentalidade e na forma de agir dos portugueses.
    E, a verdade é que os que vivem lá fora é mesmo disto que se queixam. Desta vergonha tão grande de se ser português que já nem se nota a diferença no que se apara ou no que se vota para nos governar. Porque sabemos que estamos desgovernados há muito.

  39. Claro, o zeca é o exemplo do que tem o trauma do “facismo” logo, daqui a um século ainda vai haver zecas a aceitarem tudo por causa do perigo de se voltar atrás um século.

    É o tal trauma do génesis. Enquanto houver memória do que nem sabem, só têm memória presente para a clubite partidária.

    Este é o fenómeno do anti-facismo contemporâneo e tuga. Um caso que dava direito a mumificação em quinta ecológica, não fosse o problema de nem haver estrangeiro interessado em turismo por tão pouco.

  40. Discordo, susana. A Sócrates primeiro-ministro não se pede que seja exemplo retroactivo de Sócrates engenheiro. Aliás, tu continuas na posição ingénua de só acreditar na versão do jornal. Devias olhar para a tua conduta, pois estás não só a ferir a ética como a própria racionalidade do direito (todos inocentes até julgados culpados?…) – e isso quando emites um juízo moralista. Na verdade, os moralistas são sempre seres contraditórios, pois colocam a lei, que vem dos homens, acima dos homens, que criam as leis. O sábado é para quem?

    Dos que chegaram a primeiro-ministro, ou a presidente da república, ou a outro alto cargo qualquer, não estás em condições de dizer o que andaram a fazer na sua vida privada antes do trono. Como não conheces, não te preocupas. O que quer dizer que não investigas. Com Sócrates, alguém investigou, e não descobriu nenhuma ilegalidade. Contudo, até a poderia ter descoberto. Não pode um cidadão cometer ilegalidades? Tanto que pode que até o sistema judicial pressupõe a bondade da sanção ou pena. E não é legítimo considerar de plenos direitos o cidadão que se reparou perante a justiça? Creio que não defendes a negação dos direitos políticos aos ex-presidiários, por exemplo. Ora, neste caso temos duas versões. O jornal diz que Sócrates foi conivente de um esquema que está na fronteira do ilícito, e que o mancha eticamente. O visado respondeu com uma ambiguidade: disse que sempre agiu dentro da lei. A partir daqui é com cada um. Eu não conheci o Sócrates de então, nem o de hoje. Eu só conheço o Sócrates político e actual primeiro-ministro – nesta dimensão, ele é um excelente exemplo.
    __

    zazie, confundes instâncias. O primeiro-ministro Sócrates não assinou os projectos de engenharia do engenheiro Sócrates. Que eu saiba, o engenheiro Sócrates não conspurcou a função do primeiro-ministro Sócrates. Se tu preferes dar mais importância à pessoa do que ao cargo, já não estás na esfera democrática. Estás a imaginar-te num outro tipo de regime.
    __

    Zeca, e fazes tu muito bem.

  41. E sim, eu sei que o problema é este- é a tara da ideologia que lhes entranhou no lombo e a vergonha do patriotismo por ser sinónimo desse dito “facismo”.

    Estamos tramados. Já vamos a caminho da terceira geração e este anti-facismo mumificado continua a reproduzir-se que nem coelhos. E a atracar no Estado, que é à conta de muito disto e de mais outro tanto que vive do orçamento que estamos como estamos. Desgovernados, na cauda da europa, cada vez mais atrás de tudo e, ainda por cima, com a escória da sociedade a ser guindada directamente ao bolo e a meter ao bolso.

    Alimentamo-los por trauma ideológico e porque a UE lá vai dando. E o resto fica entre amigos- porque é mesmo disso que se trata. Nem temos democracia- temos um bloco familiar de alterne.

  42. Valupi, passo. Já sabes que para manigâncias de retórica não tenho pachorra. Tens a casa por tua conta- resta-me agradecer o pequeno momento de antena.

    Olha, atura o zeca do anti-facismo que ele é capaz de te explicar a coisa melhor que eu. Ainda que dando um tiro no pé.

  43. Só uma nota: a complacência com esta conduta não é a que imaginam, apesar da propaganda e distorção dos media. Nem toda a gente é politizada dessa maneira. A maior parte tem os pés na terra e olhos na cara. E tanto que é assim que o próprio reagiu como reagiu e já foram uns para rua à conta disso.

    Não se pode manter uma dignidade de presente à custa de indignidades do passado que são presente no modo como as contorna e confirma pela falsidade de carácter que está à vista.

    E é isto- a falta de carácter que está em causa. Donde ninguém que demonstra nunca ter conhecido tal coisa poder agora queixar-se que lhe estão a assassinar o que não tem.

  44. Agora factos são factos. E este Sócrates que dizes ser o primeiro ministro que nada tem a ver com o Sócrates trafulha antes de o ser, só o é por ter sido trafulha.

    Ponto final. Que tudo o que fez foi para chegar onde chegou. De curso aldrabado e dado por um amigo de trafîcâncias na Câmara de quem já nem se lembrava e que por acaso foi o que conseguiu que ele chegasse a engenheiro para justificar a tutela do Ambiente. E daí a mais traficâncias anteriores e posteriores, incluindo a cena bem actual dos documentos da assembleia que milagrosamente já ninguém sabe quem tirou, e todas as traficâncias de dinheiros que fizeram dele um boy de sucesso de forma a conseguir ser candidato sem rival no próprio partido.

    A casuística justificativa que fique toda por conta de papagaios nonós.

  45. Porque, o que eu nunca vi, foi alguém ganhar aura por ser trafulha que nem consegue esconder no presente as trafulhices com que se besuntou e besunta. Que eu saiba só o arrependimento dá direito a santidade. A reincidência sempre deu direito ao oposto.

  46. O Agostinho da Silva adorava dar o exemplo do Tratado de Tordesilhas, onde os portugueses tinham enganado os castelhanos nas contas. Com isso, tinham garantido a posse do que viria a ser o Brasil.

    É assim: há alturas em que mais vale não ter carácter a não ter inteligência.

  47. Fora isso, é motivo de chacota pública, o que em termos pragmáticos e amorais – ao gosto da modernidade – também deve ser óptimo para a imagem de Portugal.

  48. concordo absolutamente: inocente até prova em contrário, ainda há dias invoquei isso mesmo a propósito de uma outra condenação colectiva, aqui. tens razão: estou a assumir indícios por factos.
    mas, pelo que dizes, na improvável eventualidade de ficar provado que sócrates assinou projectos que não eram dele, sendo cúmplice de um esquema ilegal (para não dizer impossível, pois não é o tipo de situação de que se consiga fazer prova), a tua posição seria exactamente a mesma, ou não?

  49. Prova em contrário já ele a conseguiu, agarrando a polícia e impedindo investigações no estrangeiro da corrupção em que estava metido na Cãmara e agarrando-a agora para conseguir aquele veredicto para enganar tolos.
    Ele que pegue nesse canudo e nesse curriculo e vá trabalhar para o estrangeiro que vai ver o veredicto que lhe dão- ó pá, aqui não queremos saber se quem assinou foi outro- porque a merda está em teu nome e tu que é estás a fazer passar isso por coisa séria.

  50. Muito gostam os tugas da casuística. A casuística já dizia o Quevedo – é a arte de enganar o demónio. São os animais de letras- do Goya, sempre com o livrinho das leis na mão e as garras afiadas. No útlimo patamar do inferno é que devem estar os casuísticos. C’um caraças. Por isso é que digo que isto é justificação de malabarismos ideológicos. Porque não há ninguém do povo, que não seja sensato e vá atrás de conversa de talho desta.

  51. Mas para isto basta recordar o que diziam quando tocava ao clube contrário. E por isso é que eu tinha dito que nem ia perder tempo. Já sei como é e o que dizem sempre. E os sms de convocatória para deitar abaixo o outro e agora a casuística para aparar este.

  52. ó zeca- a pissa usa-a com a tua maezinha que deve ser o gosto da casa. Eu gosto muito de registar estas grunhices quando vêm de anti-facistas contemporãneos. Saõ os mesmos que passam a vida com ” a mulher” na boca. O feminismo dos grunhos de esquerda é mesmo das coisas mais patuscas. Podes continuar que só te compõe os pergaminhos.

  53. Claro, susana, não tenho dito outra coisa. É-me indiferente se Sócrates participou num esquema que furou a lei. Isto porque todo o sistema político fura a lei. Pertencer ao PS, PSD e CDS (pelo menos) implica ser conivente com ilegalidades, falhas éticas, imoralidades de toda a sorte. Logo, se ele faz carreira dentro do partido desde os anos 80, tem de ser alguém cuja ética é conforme à ecologia onde cresceu. Qual é o espanto?!

    Espantoso é esperar-se pureza no currículo secreto dos políticos. Isso é absurdo, pois a política é um jogo de enganos e fugas à lei ou ao espírito da lei. Seguramente, os partidos e políticos que temos não podem arrogar-se qualquer tipo de superioridade moral e ética. É este o estado da Nação, e é por isso mesmo que a denúncia dos casos licenciatura, assinaturas e exclusividade é ridícula e nefasta se isolada do contexto maior do passado e do presente de toda a classe e sistema.

  54. mas que boa lição para dar aos meus filhos!, hehehe. filho, atropela à vontade, aldraba e manda a deontologia às urtigas, desde que os meios justifiquem os fins. não, não e não.

  55. Estarás, talvez, a querer deturpar – pois, quem te obriga a passar essa mensagem aos teus filhos? Que têm os teus filhos a ver com os políticos que não cumprem com os teus ideais?…

  56. Pureza? tu não consegues medir as coisas? não há medida para nada. É tudo o santo ou o cigano? E que raio é que têm a ver os partidos com a análise e gravidade da questão? acaso a cidadania está cativa dos grupelhos partidários?

    Quem é que ele governa? governa a oposição ou é primeiro ministro de Portugal? Isto diz respeito a rivalidades políticas ou a falta de estatuto e seriedade para um cargo de exemplo para um país?

    ´Foi precisamente por perceber que era aqui que ias ancorar que disse aquela boutade- que me parecia coisa de tribalismo de grupelhos antes do 25 de Abril e uma visão política ainda a esse nível.

    Como se agora ainda fosse coisa a brincar e por ideais e não fossem poder e governo. É mesmo este o problema. Pensar-se ainda a política como coisa que não é poder e onde todos se julgam em ´pé de igualdade dos que estão em cima, apenas porque têm direito a escrever num blogue ou a falar no café.

    É que isto agora é coisa entre amigos e nós, os que não fazemos parte dos bandos que comem à mesa do orçamento, o mais que para servirmos é para baixar as costas e ajudá-los a ir lá para cima.

  57. a brincadeira era referente à frase «há alturas em que mais vale não ter carácter a não ter inteligência». como te disse, posso até compreender que não haja existência no sistema partidário sem essa conivência e participação desonesta. mas não vejo porquê essa aceitação vá sem crítica.

  58. È mesmo este o problema. O raio de gerações excessivamente cheias de ideologia que nunca perceberam que a dita democracia é Poder e com vícios bem mais complicados que no tempo em que achavam que o Poder era todo coisa a deitar abaixo e fora dos ditos ideais.

    Não há ideais. Pode e deve haver é cidadania e necessidade e exigência de curriculo, saber e seriedade para um cargo público em que o destino de grande parte do que se pode passar no país até da sua responsabilidade.

    Apenas isto. E é por isso que temos ministros com doutoramentos e com credibilidade intelectual que lhes é exigida nos países mais civilizados e ciganos ricos e trafulhas no terceiro mundo.

    É esta a diferença de grau. E, quando a trafulhice impera, como na Itália eles caem e ainda há lei e justiça e polícia para os caçar. No terceiro mundo é que não há nada disto e porque quem faz a lei e a socieade civil é o soba.

  59. Mas, zazie, qual foi a trafulhice que o primeiro-ministro Sócrates cometeu?

    Entretanto, com essa obsessão com o currículo (agora já falas em doutoramentos, as if…), vejo-te adepta de um regime oligárquico.

  60. ninguém me impediu a crítica. o que se virmos bem, é magnífico, só por si. o que me pareceu foi que a crítica te aparece como inútil, extemporânea, até ruído prejudicial. quanto a mim, surge como inevitável e obrigatória.

    (quanto ao currículo, dizer que quem desempenha cargos executivos não costuma ter grande opinião sobre os doutoramentos para o desempenho de funções executivas. os doutoramentos servem para produzir conhecimento, para fazer ciência. mas impedem a rapidez na decisão.)

  61. atão eu é que já tou ran-tan-plan…

    fui lá ao blog da minha prima zazie, encantei-me com uma história que rematava com umas ferroadas nos jacobinos, lá me lembrei eu que tinha de estudar isso, mas não me senti nada atingido muito menos ofendido, só que cometi a imprudência de querer tirar uma dúvida com a minha prima que devia estar lá na cozinha ou coisa assim,

    levei logo com uma cadeirada social-fascista ou parecido, e já ia a rapariga desembestada por ali fora, e ainda consegui titubear umas coisas… Vai daí a rapariga que já ia lá não sei onde, passou-se-lhe de repente um ? e pensou: espera lá que o rapaz não disse aquilo por mal, e pronto, ainda ganzado com a cadeirada lá dei comigo num instante sentadinho, já com bolsa de gelo no galo, e com uma sopinha de grão com espinafres quentinha, pronto para ir xonar, que a minha prima é muito despachada

    mas isto não é por mal, é tudo para me deixar curado cá de umas coisas

    ————

    zazie minha linda, não percebo grande coisa do que achas a não ser quando estás na floresta – ainda não fui ver o jacobinismo mas houve um tempo que li alguma coisinha sobre isso, quando todos me diziam que o Rosas era jacobino. lá percebi que era a modos que um estalinista de tempos mais antigos e que um tal de Robespierre usou a invenção do dr. Guillotin para despachar não sei quantos em nome da incorruptibilidade de não sei quê, e depois por efeito reverso, a si.

    Tu não percebes que o pequeno pecado que é imputado ao Socrates faz parte do humano? Para mim na fronteira do politicamente admissível, ao contrário dos despachos do Telmo, que só leva maiúscula para se ver mesmo que é ele.

    Por outro lado só mesmo tu: foste buscar esse argumento de que o Salazar não enriqueceu… Só se fosse estúpido de todo, o que não era, pois enriquecer para quê? Não tinha filhos, e não precisava de dinheiro para ter poder, porque tinha o Poder.

    Dizia-me o António Capucho, que é homem que prezo e com quem gosto de conversar, que o via ali no forte, de mãos cruzadas atrás das costas a olhar perdidamente o mar. e arrematava: temos que convir que era um homem de hábitos frugais! Ao que eu anuí, recordando-lhe que havia tanmbém prisioneiros políticos, gente torturada, censura e guerra colonial, só para falar do mais evidente.

    Num certo sentido S é o protótipo máximo do jacobinismo entre nós, não? Travestido de outras vestes, mas isso não importa.

    Contra o Poder, zazie, como sabes, o único antídoto é o Amor, e não se sabe quem vence.

    Por outro lado o Poder, assim com maiúscula é realmente uma ilusão que se desvenda por entre o marulhar duma ribeira, a que se segue um estrondo irreversível.

    ——————-

    Eu prefiro um homem com uns pecadilhos do que um homem sem pecado nenhum, desde já te digo. O segundo nunca poderá ser meu camarada, porque naquele cérebro reptilínio devem esconder-se coisas abomináveis.

    E não devo nada a ninguém: fui despedido ilegalmente pelo Estado criando-me uma situação que até é inconstitucional porque ousei combater o insucesso escolar no meu departamento, combater os fogos florestais e contrariar a invasão do Iraque. Insuportável para as instituições. E não estou arrependido, e a minha recompensa é que ando o mais das vezes feliz.

    ——————-

    Deves ter tido uma infância e adolescência felizes, numa família abastada, e ainda bem, e pugnas pelo teu cenário de felicidade. Mas olha que para muita gente não é assim, vêm da lama, e mesmo que se façam limpos tiveram de a lavar.

    Crucifixas o Socrates por causa duma coisa quase irrelevante, embora lhe dê mais uma mordidinha na credibilidade, o que também é bom, vai pôr-nos mais atentos.

    A base da democracia é a inveja, é um terrível dito de B Russel, com o qual felizmente não concordo em última análise mas reconheço-lhe relevância

  62. e não venhas para aí a pensar que eu te estou a chamar invejosa, de rajada, porque não estou. Estava a enunciar, ou melhor, a citar, num plano abstracto.

  63. meus amigos,
    O mal d’a gente se ir deitar deixando as visitas a cumbersar na sala é que no dia seguinte acabaram-se os pastelinhos e licores e as ideias ficaram tão desarrumadas como as cadeiras.
    Só para a gente se situar no assunto que foi gasolina da zazie (menos octanas para valupi) eu permito-me deixar aqui umas palavrinhas de uma amiguita que citei ontem num post chamado ‘canduras’. Porquê canduras hoje e aqui, no aspirina? Porque depois de ler toda a conversa a que se atreveram durante o meu ressonar, é a palavra que melhor a define: canduras, canduras várias, esgrimidas no fio da navalha da razão. Ora tomem lá Natália:

    Malvadas línguas que dão fel à fama
    Dizem que nestes lúdicos quadrantes,
    Os políticos querem é ter mama.
    Como não hão-de querer se são lactantes?

    Onde os meninos de tudo são senhores
    Forçoso é que da asneira haja fartura.
    E se alguns deles são uns estupores.
    É só por traquinice. É só candura.

    Ah, é verdade: bom dia a todos.

  64. frase da noite: ‘Não temos democracia, temos um bloco familiar de alterne’.
    dúvida do dia: ‘pissa’ é com dois ‘s’ ou com ‘ç’?

  65. ufff. acho que já li tudo.

    Estou a digerir, mas para já saltam-me assim duas ou três ideias para pôr na porta do frigorífico e não esquecer.
    zazie, vou tentar, nas próximas eleições, estar mais atenta ao tamanho dos canudos e à solidez dos ditos antes de me decidir onde pôr a cruzinha;
    Valupi, o perdoa-se o mal que fez pelo bem que sabe é quase como a teoria da minha avó quando se empaturrava de ovos moles;
    Susana, aos nossos filhos podemos sempre dizer façam o que eles dizem, não façam o que eles fazem…
    z, um homem sem pecados? isso não é uma contradição nos termos?

  66. e agora é assim,

    Já paguei muitas “luvas” ao longo da minha vida. Nada de muito, mas variadíssimos poucos. Durante muito anos o envelope com a nota era um acessório essencial na minha profissão. De nada me serve dizer que tinha vergonha cada vez que o fazia, porque o fiz, e na plena posse de todas as minhas faculdades. Até há pouco tempo não conseguia marcar uma única esccritura sem passar a notinha do costume – isto estava tabelado e tudo! – à funcionária do costume, nem arranjar uma certidão em cima do acontecimento sem deixar um largo troco, nem conseguir uma informação por telefone de qualquer funcionário anónimo a que não tivesse “untado” as mãos antes. Éticamente reprovável? Sem dúvida, e lá por ser eu a pagar e não a receber não me deixa melhor na fotografia.
    Também já usei muitas vezes o meu telefone para ligar àquele primo e pedir uma especial atenção para o marido da vizinha que acabou de entrar nas urgências, ou para o amigo que só precisa de assinar o despacho no ministério da educação e a escola das minhas crianças vai abrir o ATL que me deixa trabalhar até mais tarde, ou para o chefe de serviços daquela câmara municipal, que preciso urgentemente que venham vazar a piscina que apareceu na cave.
    O ditado diz que quem rouba um tostão rouba um milhão e, portanto, tenho de confessar a minha culpa – já corrompi, já trafiquei influências.
    Interessante é que, nos últimos tempos, deixei de precisar de andar com notinhas em envelopes e uso o telefone muito menos vezes. Não houve uma estrela que desceu e transformou as pessoas do meu país em paladinos da ética, mas houve regras que mudaram e o tal poder que corrompe ficou melhor distribuido, melhor vigiado e a máquina que só funcionava com um óleo especial foi desmontada.
    Na minha profissão noto uma enorme diferença nos últimos dois anos. Abriram-se serviços à iniciativa privada, abriram-se arquivos, facilitou-se o acesso à informação e apertaram-se as malhas do fisco. Funciona tudo muito melhor, toda a gente poupa tempo e dinheiro e é muito mais justo. As pessoas não mudaram, mudou foi a lei.
    Não acredito na bondade intrinseca do homem que o Rousseau perdeu-se no tempo e o Kant já dizia que o mundo das ideias puras não era por nós atingível. Acredito que bons contratos fazem bons negócios e que não basta, como o meu pai gostaria, de escrever uma única cláusula – as partes devem comportar-se de acordo com o princípio da boa-fé.
    Mas vamos ao Sócrates e ao silogismo do todos os politicos são corruptos, Sócrates é político, Sócrates é corrupto.
    Não sei que projectos o tipo assinou, mas imagino porque o terá feito. Era legal? Talvez. Neste caso interessa-me muito mais saber como foram aprovados os projectos que ele assinou. Tiveram algum tratamento preferêncial? O autor dos projectos assinou projectos da autoria do Sócrates e este pagou-lhe na mesma moeda?
    As leis mudaram, sim, mas há sempre um bocadinho de discricionariedade em todas as decisões. Está estudada e tenta-se que esteja limitada. Mas o policia pode decidir passar a multa ou não e o funcionário mudar o processo para o cimo da pilha. Não posso esperar que todos tenhamos uma ética irrepreensível, mas espero que a possibilidade de asneirar esteja limitada e que a sanção seja real e eficaz.
    A Susana disse há uns tempos que nunca tinha copiado num teste. Eu também não. Mas sei que se o tivesse feito, mesmo na faculdade, nada de muito grave me acontecia. Zazie, deves saber, que pareces conhecer melhor o direito internacional privado, que numa universidade inglesa o copianço dá expulsão imediata e mancha indelével no curriculum. Achas que há mais ética? Eu acho que há mais medo.
    Não sei se o Sócrates é um boy, se é mentiroso, trafulha, vigarista ou imbecil. Sei que se apresentou a umas eleições e que tivemos todas as possibilidades de o escolher ou não e de meter o nariz em todos os possíveis podres. Sei também, que me lembro, que na altura andava tudo muito mais preocupado em lhe avaliar o carácter procurando-lhe as manchas nos lençois do que procurando-lhe as manchas no curriculum…

  67. Ernesta: parabéns, tiro-te o chapéu pela limpeza e profundura do teu comentário. Assim podemos todos ficar um nadinha melhores e basta isso para alimentar a esperança e urdir um amanhã_hoje mais descontraído e até activo. Nunca corrompi ninguém até hoje nesses domínios burocráticos, mas também nunca precisei, as poucas coisas correm bem e nem sei como se faz, mas já Cristo deu o mote.

    claro que homem sem pecado, dá vazio ou monstro

    eu peco muito por aí entre refeições, ao almoço foi bacalhau à braz

  68. amanhãs que cantam, z? e urdir? isso não tem a ver com teias?

    mas pronto, ainda bem que nunca precisaste do jeitinho para nada. eu já, mas se pequei só posso não ser um monstro, não é?, que vazia não sou apesar de ter azia de vez em quando…

  69. ernesta, o contexto em que falei dos copianços era outro. nunca copiei, mas dei a copiar, o que vai dar ao mesmo…

    quanto à probabilidade do que se passou com os projectos de sócrates a mais óbvia é a da situação que antes descrevi, e que vem indiciada pela coincidência entre a caligrafia nas memórias descritivas e nos pareceres camarários: há um engenheiro na câmara responsável pela aprovação de projectos. porque há conhecimento e conivência de todos os intervenientes, o público que quer ver os seus projectos aprovados dirige-se a este senhor. ele faz os projectos, outro assina e ele aprova. pagará da mesma moeda com que recebeu, ou meramente em gratidão partidária…

  70. e outra coisa, ernesta, aquilo que relatas teres feito resultava de um sistema que o ditava como único modo de obter operatividade. aquilo que aqui se descreve, a ter acontecido, só beneficiou os próprios, os que engendraram a tramoia. e não esquecer que neste sistema, felizmente também em declínio, ainda se prejudicavam os outros, os que não viam os seus projectos aprovados por respeitarem a lei ao invés de usarem o esquema vigente.

  71. amanhãs mais descontraídos, ernesta, não tenho medo de enunciar o futuro, pour moi e para a vizinhança, esta de geometria variável

    teia, sim: a metáfora do sistema é ainda uma teia, embora haja quem prefira dizer rizoma

  72. Susana,

    Não sei se a aprovação destes projectos prejudicava a aprovação de outros, mas sei bem como funcionava…
    A última história que ouvi da aprovação de um projecto foi muito interessante. O dono da casa queria legalizar umas obras e foi ter com o arquitecto da cãmara, na Cãmara. Ele prontificou-se a resolver o problema e o dono da casa, inglês e bem educado, como diria a zazie, convidou-o para um café. que não, nesse dia não podia, mas telefonava depois. telefonou numa altura de férias de natal. aceitava que lhe pagasse o cafezinho – no Brasil!! Por incrivel que pareça, isto não é uma criação literária….

    Quanto ao Sócrates continuo a dizer que não sei o que aconteceu e, até prova em contrário, é justo que seja inocente.
    O mesmo não direi dos senhores da guerra – já toda a gente sabe que mentiram, mas agora até o Blair vai ser proposto para Presidente da CE….

  73. sim, sim, ernesta, nessa parte já entrava em generalização.

    olá sem-se-ver. e sim, sim, também, piça é com ç, pissa é outra coisa, uma piça aos esses.

  74. Ernesta, tod@s @s pecadores fossem como tu e mundo era bem mais feliz, não havia essa hipocrisia venenosa que destroça a conviviabilidade. Mas como eu também acho que anda melhor cá no tugal, já me chega.

  75. cabrinha, não te chateies com a minha prima zazie, que a rapariga é de raça. Agora deve estar amuada comigo por eu ter feito um reparo público, mas depois mais à frente lá vem toda alegre outra vez.

    Uma vez ela falou triste, da terraplanagem dos valores, e essa mistura de tristeza e confissão tocou-me o coração e acendeu uma luzinha laranja que ainda cá anda. Felizmente não passou a vermelho e sobretudo não apita, embora pisque de vez em quando.

    Eu sou a favor dessa terraplanagem que ela fala contra, igualdade de direitos em várias dimensões, e demorei muito tempo a pensar nisto, é porque a terraplanagem é a operação que antecede a cidade, a polis, é condição necessária e portanto está certo.

    A zazie é da floresta e isto faz-lhe tristeza. Bem, mas se escolhemos viver nas cidades temos de agir em conformidade ou lá que é.

    O que eu sei é que eu cuidava da minha ribeirinha, limpava-lhe o lixo vai que não vai, só porque achava bonita e ainda ficava mais bonita, e de repente ela toda vaidosa salta-me para ali feita nereide ou ninfa, só espero que não lhe dê para ficar matrona.

  76. Alexia e Dislexia
    São duas primas direitas
    Pela linha geno-mitocondriática directa,
    E ininterrupta,
    Duma bisavó chamada Tereza São Lazarus.
    Uma é vesga e distorcionária,
    A outra revolucionária e crente no Retornelo,
    Que é, como toda a gente sabe,
    O Marmelo-Geral do Partido dos Tautofaustos.
    Tautofaustos enganadores.
    O mal da inadaptação
    Com espasmo cerebral incontível
    Sempre correu nas duas famílias
    Em sangues de coagulações
    Com densidades de azeites virginais.
    E sabe-se disso,
    Porque já o o avô de Alexia,
    Pleonasmo Eco Monocordus,
    Apresenta e carrega DNA nuclear
    Exactamente igual ao do irmão de Dislexia,
    De seu nome Diplasiasmo Superficialis Incansabilis.
    Esteriotipas,
    Mãe de Disléxia, irmã de Écoa Circundutas,
    É ainda uma iluminada, incorrigívelmente vaidosa e catacáustica..
    De mencionar também que Iteratus Catafasicus
    Tio de Disléxia, já não existe, já não é mais:
    Coitado, morreu novo na noite do casamento,
    Depois de rebentar com os tampos que estavam entre as pernas de Écoa Circundutas.
    Mas tarde: Alexia já vinha a caminho.
    Écoa Circundutas, sabe-se, continua a repetir em todo o lado,
    E até no silêncio da alcova da sua solidão,
    Que nunca mais voltará a casar…

  77. toma lá, z

    .–. — … – .- .-.. .. -. …. — … / –. .. .-. — … / . / .- ..-. .. -. .- .-.. / — / –.. / -. .- — / . / -.. . / –.. .- -. –. .- -.. —

    eheh…. isto do morse é giro e assim até é fácil…

  78. altere-se a lei. que as ‘assinaturas de favor’ sejam criminalmente penalizadas.

    e pronto.

    (e, já agora, o dec lei 73/73. a sua alteração mexe com os interesses obscuros de tanta gente que até a pobre da roseta já desistiu dessa campanha… tstststs)

    e ainda: quem singra ou deseja singrar na vida política tem que ser cidadão impoluto e sem mancha. antes e durante. (depois também lhe ficaria bem)

    isso é – devia ser – líquido.

  79. sem-se-ver,
    creio que é a primeira vez que lhe riposto,

    «e ainda: quem singra ou deseja singrar na vida política tem que ser cidadão impoluto e sem mancha. antes e durante. (depois também lhe ficaria bem) isso é – devia ser – líquido»

    colocar a questão assim, no perfeito que não comporta mácula, para o político, é a meu ver o pior que se pode fazer. tais homens ou mulheres pura e simplesmente não existem ou são perniciosos. Uns pecadilhos identificáveis e toleráveis, não pecados notórios e reincidentes, é o que eu aceito e me parece bem mais saudável que qualquer fundamentalismo no campo dos políticos.

  80. o que é um pecado identificável e tolerável e pecado notório? reincidente sei o que é. será que estás a encostar-te ao catecismo, agora que é quaresma, e a usar as definições de pecado venial e pecado mortal?

  81. eu nem sou baptizado, linda cabrinha, por isso se calhar troco umas coisas, e ainda por cima

    quanto à medida daquelas palavras tu terás a tua

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *