Se estamos assim no andebol, temo pelos próximos encontros de badmínton e ginástica rítmica

Andebol, desporto onde os jogadores passam o tempo a mandar uma bola uns para os outros com as mãos e só com as mãos. Talvez por causa do modesto aparato viril, ver marmanjos em calções nestas duvidosas figuras levou as másculas claques do Porto e do Benfica para dois episódios que transcendem a modalidade, os clubes respectivos e até o desporto em geral pela violência simbólica e emocional que configuram.

As direcções do Porto e do Benfica fizeram de imediato declarações onde censuram as ocorrências e assumem uma qualquer responsabilidade moral pelos actos dos seus adeptos, quiçá também sócios. Só que não chega, é curto e, não passando do mínimo dos mínimos, fica como cumplicidade tácita. A natureza e dimensão daqueles cânticos não pede tão-só raspanetes aos miúdos e graúdos armados em miúdos que, coitados, são tontos. Acontece que aqueles precisos cânticos têm uma história, uma dinâmica e uma cultura, as quais estão intimamente ligadas à importância social e económica – portanto, também política – dos clubes “de futebol”.

Celebrar a morte de um adepto rival num acidente causado por um outro adepto do nosso clube não é estar a reinar com uma metáfora do assassinato. É usar essa morte, e o sofrimento que causou à família e amigos da vítima, mais à comunidade em geral por uma perda trágica e absurda, para expressar um desejo de destruição colectiva. E usar um terrível e histórico acidente que vitimou um clube estrangeiro com o qual não há nem haverá rivalidades desportivas para atacar os adeptos e equipa de um clube rival implica uma operação cognitiva de alta abstracção. Esses indivíduos tiveram de apagar qualquer laivo de empatia que ainda tivessem para com as vítimas reais do Chapecoense de modo a transformá-las numa irrealidade, numa ficção cuja existência fosse apenas tangível nos ecrãs, para assim manifestarem festivamente a sua pulsão assassina. Estamos perante rituais de guerra que ficam como monumentos da desumanização radical que os clubes aceitam e promovem nas claques por razões directamente associadas à cultura dos dirigentes e à mercantilização do desporto transformado em mero espectáculo.

Há algo a fazer aqui. Para começar, expondo a qualidade cívica dos dirigentes destes clubes com tanto protagonismo mediático e social. São eles que permitem esta violência, que se servem dela, que a alimentam. E, para acabar de vez com a praga, fazendo dos estádios e recintos desportivos campos de coragem colectiva contra a fatal estupidez dos estúpidos.

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16 comentários a “Se estamos assim no andebol, temo pelos próximos encontros de badmínton e ginástica rítmica”

  1. A anormalidade, destes comportamentos, têm uma génese que dura há muitas dezenas de anos, no dirigismo desportivo. O acirrar dos ânimos belicosos dos Cristãos contra os infiéis dos Mouros do sul, não augurava nada de bom…..
    O resultado está à vista…….

  2. Zé escorpião
    17 DE ABRIL DE 2017 ÀS 17:06
    A anormalidade, destes comportamentos, têm uma génese que dura há muitas dezenas de anos, no dirigismo desportivo. O acirrar dos ânimos belicosos dos Cristãos contra os infiéis dos Mouros do sul, não augurava nada de bom…..
    O resultado está à vista……!

    Deves ser do benfica….

  3. são uns anormais , consequência de tempos anómicos . é isso e “fazer dos estádios e recintos desportivos campos de coragem colectiva” …. fumas o quê ? não estamos em Esparta , homem , estamos no cu de judas e sem papel higiénico.

  4. “coragem colectiva”…

    Agora transpondo a inteligente expressão da Yo para o patamar do voto democrático….Já perceberam porque é que o resultado do voto de camelos resulta no país que temos…não é?

  5. OH VALUPI NÃO PERCAS TEMPO COM OS INDÍGENAS DO FUTABÓALU E DO ANDABÓALU, TAYYIPAS SARINAS DE ERDOĞANS SOBRE ELES.

  6. Caro Valupi, Totalmente de acordo. Só faltou mencionar a claque do SCP, que entrou, antes do jogo de Andebol no pavilhão, com cânticos, exactamente, do mesmo teor, com uma claque com a mesma «máscula».
    Infelizmente, a pobreza de espírito é total e é a abrangente a todos.

  7. TV the drug of the nation

    Quando acontecer uma tragédia, e se o MP quer mesmo ter uma função moralizadora, deverá prender os responsáveis pelas cadeias de televisão que detem em prisão de ignorância, pelo menos 2/3 da população portuguesa. O que se passa com os programas desportivos é doentio e promotor de violência . É pior que vender heroína em escolas do básico, um autêntico crime público.

  8. jv, não li, vi ou ouvi nada a respeito da claque do Sporting, daí não lhe fazer referência. Mas creio que não custa a perceber que todas as minhas palavras, incluindo o espaço em branco entre elas, incluem como destinatário o Bronco de Carvalho que foi parar à liderança do Sporting.

  9. Esse monte de esterco Bronco de Carvalho não será um dos filhos do monte esterco filipino Rodrigo Duterte? … Ai é! então colete de forças nele e casa de loucos com ele.

  10. Yeah yeah yeah… nada de choradeiras antecipadas, no sábado são 4-0 para o Glorioso. Os marqueses estão com a Saturday night fever mas o Jonas é um sex pistol. Pum, pum, pum, pum Whizz! Já tá!

  11. FUCK EU
    FUCK MACRON
    FUCK ROTHSCHILD
    FUCK SOROS
    FUCK GLOBALISTS
    FUCK LIBTARDS
    FUCK LEFTISTS
    FUCK SAUDI ARABIA
    FUCK ISLAM
    FUCK MECCA
    FUCK SICuta AGENDA
    FUCK YOU FAG CRACKPOT

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