Realmente, há um antes e um depois de Pedrógão

Poucas horas depois de se conhecer a gravidade do incêndio de Pedrógão, em área ardida e em vidas perdidas, algumas pessoas com tribuna nos principais órgãos de comunicação portugueses (e até num espanhol, puta madre) começaram a repetir que passava a haver “um antes e um depois de Pedrógão”. Essas pessoas são políticos, jornalistas e comentadores profissionais. Em cada um desses papéis poderiam ter optado por serem decentes com as instituições e solidários com as vítimas, mesmo que quisessem lançar críticas para mostrarem a sua “oposição” ou “independência”, mas optaram exactamente pelo contrário num crescendo de violência verbal e emocional que culminou na cena desonrada de vermos o PSD a fazer um ultimato ao Governo para que cometesse um crime em nome do torpe e insano boato lançado pelo Expresso.

A expressão, como se viu pelas sondagens feitas após o incêndio, não carecia de qualquer ligação à sociedade. Tratava-se, e trata-se, de um instrumento retórico nascido da febril necessidade desta direita para explorar qualquer potencial negatividade que possa ser lançada contra o Governo e os partidos que o suportam no Parlamento. Esta direita, repetindo o seu paradigma calunioso em vigor como práxis após a traição de Barroso, chama a essa estratégia decadente “fazer política”. Se for preciso achincalhar as famílias, amigos e populações com ligação directa às vítimas do incêndio, então bute, salivam rapaces, toca a usar as suas mortes como carne para canhão. O que pretendem é criar um clima de alarme social que se transforme em perseguições mediáticas aos governantes e a qualquer tutela do Estado que possa ser denegrida – com sorte, conseguindo que a pressão mediática sensacionalista e a irracionalidade dos ataques lançados pelos comentadores incendiários tome conta do desespero de alguém e haja agitação popular aqui e ali; idealmente, com agressões que possam ser filmadas, seja lá quem for que se esteja a agredir. Uma política, literalmente, da terra queimada.

É verdade, há mesmo um antes e um depois de Pedrógão. Antes, ninguém imaginava que um ex-primeiro-ministro e actual líder da oposição pudesse aparecer em público a garantir que tinha conhecimento, de fonte “particular” e relativo a um caso de “família”, de “um” suicídio miraculosamente transformado em “suicídios”, só para se vir a descobrir logo depois que era tudo mentira: os suicídios, o suicídio, o familiar e até o particular. Também antes de Pedrógão ninguém imaginava que, factualidade dos suicídios e vocação para mentir do Pedro à parte, algum político com pretensões à governação, ou que fosse só ao cargo de deputado ou vereador, se dispusesse a usar a temática dos suicídios como arma de arremesso contra o Governo. Um caso onde a estupidez da atitude quase que ultrapassa a sordidez da mesma (quase…). Num efeito de vasos comunicantes, a estupidez do líder passou para o Hugo Soares e seu brilhantemente capitaneado grupo parlamentar, originando a cena gaga onde se cobriram de vergonha. Finalmente, antes de Pedrógão o Expresso ainda mantinha uma réstia de respeito próprio. Agora, na sequência de um já longo caminho de aproximação e rivalidade com outros esgotos a céu aberto, podemos ter a certeza de que o ideal jornalístico foi substituído neste vetusto e outrora prestigiado título por um escabroso fanatismo ao serviço da sua agenda de baixa política.

Moral desta triste história: os pulhas têm toda a razão.

12 comentários a “Realmente, há um antes e um depois de Pedrógão”

  1. é como tudo,
    Paris também teve um antes e um depois,
    ora leiam:

    “Millennials and Zs have absolutely no idea what existence was like before the boomers flooded us with these apes.
    It’s so incredible, the damage that was able to be done in a single generation. An entire civilization wiped out.
    Because it felt good to feel like John Lennon’s “Imagine” was truly coming to life.
    There may or may not be a Hell below us, boomers – but there’s one on the level plane.
    You created it.
    Liberated women and their cuck allies.
    You took our entire ancient civilization and flushed it down the toilet because it made you feel happy to feel like you were such a morally superior bunch of chaps – so much more open-minded and kind than your evil racist parents.
    Well: mission accomplished.
    Here’s Paris now.”

  2. ai jisas, que também me parece que há um antes e um depois em Berlim:

    “According to the July 2017 Infectious Disease Epidemiology Annual Report by the Robert Koch Institute in Berlin, Germany has seen a surge in chicken pox, cholera, dengue fever, tuberculosis, leprosy, measles, malaria, meningococcal diseases, hemorrhagic fevers, hepatitis, HIV/AIDS, paratyphoid, rubella, shigellosis, syphilis, typhus, toxoplasmosis, tularemia, trichinellosis, whooping cough, and many fungal and parasitic infections. Here are a few striking examples:
    Measles is up more than 450 percent. Hepatitis B is up 300 percent. Scabies escalated nearly 3,000 percent. HIV/AIDS increased 30 percent. Tuberculosis (TB) is at least 30 percent higher – but German and U.S. physicians suspect that the incidence of TB is actually far higher than reported, and is being downplayed to avoid causing public outrage over the influx of immigrants. In Germany, more than 40 percent of TB cases are multi-drug resistant TB (MDR-TB).Dengue fever is up over 25 percent just from 2014.”

    que lindo, que lindo, que inspiração foste para todos nós, lennon, seu fagote de merda

  3. O muito interessante de mais esta peixeirada da trupe do diabo foi a sempre calma e serena maneira como Costa fez a dita trupe engolir a sua falsidade.
    Quando a trupe e seus fieis avençados dos media estavam prestes a declarar a falência do governo por interposto “colapso” do Estado eis senão que o próprio MP da Dra. Vidal amiga do peito da trupe se vê obrigada a publicar a lista face ao “ultimato” tão manhoso como idiota.
    E deste modo, sem argumentos e desarmados perante o fogo amigo do MP tiveram de meter a viola no saco. Mas pior, foram totalmente desmascarados e desacreditados de forma visível e clara perante o povão que ainda tende a acreditar na trupe.
    Os truques da trupe que são já e apenas o seu modo de vida política ficaram cinza como o fogo real faz ao eucaliptal, seu ideal para o país.

  4. “prestes a declarar a falência do governo “… já repararam na estupidez do titulo do DN ,( “Gostava de não usar a bomba atómica”) de hoje, sobre a entrevista ao presidente ? Até parece que Marcelo não disse mais nada de relevante….
    Assim se vai destapando quem faz parte do circulo da trupe, mesmo que diga que não. Uma vergonha !

  5. Atenção, José Neves. A proibição da cultura do eucalipto é a medida mais danosas que o actual governo já tomou. É uma cedencia a demagogias baratas e obscurantismos da extrema esquerda e põe em causa uma das poucas fileiras económicas que permitiram a Portugal recuperar da crise financeira global. Essa fileira foi sabiamente apoiada por José Sócrates. Duvido que se este fosse chefe de governo aceitaria colocar assim o PS no campo da irresponsabilidade e entregar a clarividencia política aos partidos à direita. A desgraça é que nem eles se incomodam muito.

  6. Eucalipto sim, mas devagarinho, antes vinho que beber vinho
    dá de comer a um milhão de portugueses.

    O pouquinho papel que faziamos antigamente dava para o papel selado e chegava muito bem.

    Agora fazer tanto papel para os ricos limparem o cu? que o façam eles, com eucaliptos deles.

    Vou a Santa Comba em Romaria.

  7. Adenda, no dia seguinte. Este Lucas Galuxo nem chega a ser provocador, é um parvinho completo que se arrasta pelo Aspirina B sempre à procura do mais fétido dos assuntos para largar umas frases em que entra à força, saiba-se lá porquê!, a figura de um ex-PM e em que aproveita para exercitar sem ter noção do ridículo que provoca as suas parcas abordagens aos assuntos. Mentalmente doentias, quase sempre, e que de há muito reclamam ajuda profissional. Sugere-se, por isso, o manicómio de Rilhafoles ou o Albergue das Crianças Abandonadas (Lisboa), ou ainda, se lhe der mais jeito, o internamento compulsivo no Conde de Ferreira ou no Asilo das Raparigas Abandonadas (Porto).

  8. Quase certo.

    No Portugal atual há apenas um antes e dois depois: há um antes das Primárias do PS em que o António Costa desmantelou o espantalho Tó-Tó Seguro – uma esterqueira chamada Brutogal – e há o depois da estrepitosa chumbada do XX guverno consdidussionaul em S. Bento e o depois do beijoqueiro Marcelo “Sampaio da Nóvoa” R. de Sousa ter desalojado de Belém o escavacado porco Silva.

    Os coelhinhos piolhosos e demais pandilhas idosas e ranhosas bem podem chorar pelo tempo volta pa trás destes dois depois, que ao antes nunca mais o verão… Acostumem-se!

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