4 comentários a “Porque hoje é sábado”

  1. mas esse animal não tem consciência do chato que é? bolas , pensei que mais carente que um cão era impossível. melga. nem se consegue ver isso.

  2. Há alguns anos, de férias em Marvão, tinha por hábito correr, lá para as três ou quatro da manhã, entre a vila e o cruzamento da Fonte da Pipa, que vai dar a Santo António das Areias. Não passam carros àquela hora e por vezes até me deitava de costas no alcatrão, namorando estrelas e ouvindo mistérios.

    Numa dessas noites, no fim da corrida, perto da chamada Porta da Vila (uma das duas entradas que na muralha dão acesso à povoação), vi ao longe um bicho, parado na estrada, a olhar para mim. Pareceu-me a princípio um gato noctívago que por ali costumava vadiar àquela hora, mas era grande de mais para gato e convenci-me de que era um cão. Nem uma coisa nem outra, era uma raposa. Como não fugiu logo, tentei aproximar-me devagarinho, chamando-a, conversando com ela. Mas como é que se chama uma raposa?! Como se conversa com uma raposa?! Sei lá! Cão ou gato, toda a gente sabe, mas raposa…? Mares nunca dantes navegados, estreia absoluta!

    Baixei-me o mais que pude, encolhi o perfil, reduzi o tamanho da ameaça, e lá fui inventando raposices, soando-me inevitavelmente a parvoíces, avançando devagarinho, agachado, encolhido, “rapozita amiga, anda cá amiguita que não te faço mal” e outras linhas de engate de calibre semelhante! Ela olhava, ouvia, esperava, mas, ultrapassada a distância de segurança, dava um salto e corria. Corria quatro ou cinco metros e parava de novo, especada, a olhar, a ouvir. Nova aproximação, mais umas parvoíces melosas da minha parte, novo salto, nova corrida, nova travagem, e lá ficava ela a olhar para mim. Ocorreu-me então que os saltos e travagens súbitas não pareciam fugas (em qualquer momento poderia ter escapado para o mato), mas sim convites para a brincadeira, como fazem os cães, e decidi alinhar, a ver no que dava. Pus as quatro patas no chão e entrei na onda: corria em direcção a ela, travava e fugia em sentido oposto, invertia de novo, ziguezagueava para a direita, para a esquerda, corria de novo na sua direcção… A resposta foi imediata, inegavelmente simétrica, e a tradução não podia ser mais clara: “Porra, até que enfim que percebeste, bora brincar!”

    Durou uma boa meia hora a maluqueira, a correr um para o outro e a fugir um do outro, as minhas patas da frente ficaram pretas do alcatrão. Éramos duas raposas, dois cães, dois gatos… duas quimeras, bichos estranhos, o mais estranho talvez o bípede. Senti-me como o Kevin Costner com o “Socks”, no “Danças com Lobos”, com a diferença de que o Costner não corria de quatro e o “Socks” do filme, obviamente, estava treinado…

    Quando já não podia com uma gata pelo rabo (experimentem correr de quatro durante meia hora…), sentei-me na estrada e tentei convencê-la a aproximar-se, a deixar-me tocá-la, mas já era querer de mais. Vinha a medo, passava por trás de mim, andava à volta, encostou-me duas ou três vezes o focinho aos pés, a cheirar! Afastava-se um pouco, regressava, subia a um muro branco que tem uma cruz de pedra, ficava alguns momentos expectante, as orelhas mexendo ao sabor dos barulhos nocturnos que ia ouvindo, imagino que a correria lhe tivesse dado fome e procurasse um bicharoco qualquer para a ceia. A dada altura experimentei estalar os dedos das duas mãos, como castanholas, e ela veio imediatamente a correr, cheia de curiosidade, aproximando o focinho até quatro ou cinco centímetros das minhas mãos e do estranho som que emitiam!

    Foi uma noite mágica, para mim, claro, já que para a minha improvável amiguita o estranho bípede reciclado em quadrúpede não passou de ocasional companheiro de brincadeira. Ser por aquela bendita raposinha tratado como par, como irmão, reconhecido como igual, ser por aquele bicho encarado, e certificado, como bicho entre bichos, deixou-me a alma tão leve que ainda me lembro da estranha sensação de que, se naquele momento abrisse os braços e os agitasse como asas, teria levantado os pés do chão e voado por cima das muralhas do castelo!

  3. “Vinha a medo, passava por trás de mim, andava à volta, encostou-me duas ou três vezes o focinho aos pés, a cheirar!”
    ahahahahahahahahahahahahahahahahahahah
    eheheheheheheheheheheheheheheheheheheh
    ihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihihih
    ohohohohohohohohohohohohohohohohohoh
    uhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuh
    ainda não parei de rebolar a rir

  4. cavalos, cães e outros animais que não gente são tão animais como outra gente qualquer. essa é que é essa. :-)

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