Osvaldo Castro, paladino da Liberdade

Na partida do Osvaldo, generosíssimo amigo do Aspirina B, convido à leitura desta memória – A revolta estudantil de 17 de Abril, em Coimbra, já lá vão 41 anos – e deixo as imortais palavras com que abriu o seu Carta a Garcia:

O título do blog apenas quer significar que a determinação, o sentido do dever, o respeito pelo cumprimento rigoroso das tarefas que aceitamos e a que nos propomos, bem como a decisão de superar obstáculos, são alguns dos valores que queremos que continuem a pautar a nossa vida.

Aqui procuraremos deixar fluir livremente palavras, enraizadas em ideias e princípios norteados pelos valores democráticos que desde há muito perfilhámos. Sempre aceitaremos as palavras dos que aqui passem para dois dedos de conversa ou de contradita…

Estaremos atentos a causas, designadamente às que se prendem com a defesa dos desprotegidos e dos que carecem do apoio e da palavra de outro ser humano.

Bater-nos-emos pela defesa dos direitos humanos e não pactuaremos com intolerâncias sejam de que tipo forem.

Sabemos bem do valor da liberdade, da igualdade e da fraternidade.

Continuamos a poder dizer mais de 35 anos depois que o 25 de Abril foi, nas palavras de Sofia de Mello Breyner, “O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio…”

22 thoughts on “Osvaldo Castro, paladino da Liberdade”

  1. “Nunca choraremos bastante quando vemos
    O gesto criador ser impedido
    Nunca choraremos bastante quando vemos
    Que quem ousa lutar é destruído
    Por troças por insídias por venenos
    E por outras maneiras que sabemos
    Tão sábias tão subtis e tão peritas
    Que nem podem sequer ser bem descritas”

  2. Osvaldo Castro:
    Fiquei surpreendido com a sua morte. Como surpreendido fiquei com os órgãos de comunicação social sobre a sua morte. Querem fazer crer que morreu um homem qualquer. Triste comunicação social e jornalistas que não se lembram que foi com homens como ele que têm liberdade de imprensa e de expressão. Vão dando oiro aos bandidos.
    Se fosse uma rusga a um qualquer Presidente de Câmara ou deputado do PS não faltavam notícias. Ou se fosse uma criada de António Oliveira Salazar até a iam esperar ao aeroporto. Triste País.
    Por isso Nuno Crato quer dar cabo do Ministério da Educação. Quantos mais brutos formos melhor eles governam.
    Conheci Osvaldo Castro através da Assembleia da República e do Carta Garcia. Gostava da maneira como intervinha na Assembleia da República e como escrevia no Carta Garcia. Depois começou a ler o meu “Coisas Que Podem Acontecer” e começou a incentivar-me, chegando ao ponto de o seleccionar para um prémio. Vi ali maneira do tal incentivo.
    Era assim Osvaldo Castro. Gostava de ajudar o próximo para que ele se instruísse mais. Os verdadeiros homens são assim mesmo sabendo que vão morrer no anonimato. Paz à sua alma.

    Recital da Morte

    Eu sou filho da razão,
    não como o pão de ninguém
    e à noite faço serão
    p´ra ajudar quem o não tem!

    Vim ao mundo p´ra dizer
    que detesto o dom dos nobres
    porque eu nasci p´ra viver,
    sempre ao lado dos mais pobres.

    Quando eu morrer, minha gente,
    quero levar bem de frente
    dois cravos nesta lapela.

    Um representa o meu povo
    o outro a luz do mundo novo
    que iluminou o Rodela.

    Versos: Autoria Rodela

  3. “Depois começou a ler o meu “Coisas Que Podem Acontecer” e…”

    … pediu uma água das pedras.

  4. acabei de assistir ao concerto deste ano, da minha janela…Comovente. Ainda não há imagens e sons no youtube. Estas são do ano passado e com sons que não fazem parte. Lisboa em Si. Concerto para sinos de igreja, sirenes de cacilheiros e de bombeiros, campaínhas de eléctricos… Absolutamente belo. E o que comoveu, para além do belo? Pensar na forma empenhada e crente com que os “músicos” se entenderam, cumprindo a partitura, no rio, na igreja, na rua. Nesta ocasiões volto a acreditar nesta gente e nesta cultura. Claro que nem todos lhes dão motivos para dar o seu melhor. Mas o seu melhor é extraordinário. Estou feliz por viver nesta cidade.
    http://www.youtube.com/watch?v=YSKZP_WyLII

  5. ignatz, voltando atrás, mas não muito…que belas homenagens deixaste ao Osvaldo. Mas desta vez não podes alegar que leste algures que eram as suas preferências musicais, podes, sim, manter que as preferências musicais de alguém dizem muito sobre si próprio.

    Identifiquei-me totalmente com a primeira pela letra, pela música, pelo Ben; com a segunda pela letra; com a terceira, pela figura inspiradora. Obrigada.

    Entretanto, espero que não passemos só música quando eles partem.
    http://www.youtube.com/watch?v=CWUW2Vcb_-k

  6. e já agora segue especificação e letra introdutória (só em disco):
    A3 Vocals:
    The Very Rev. Dr. D. Wayne Love (Jake Black)
    First Minister of The Church of Presleyterian The Divine UK. Larry Love (Robert Spragg) vocals Band: Mountain of Love (Piers Marsh) harmonica & vocal Sir Real Congaman (Simon Edwards) percussion & acoustic gtr. The Spirit (Orlando Harrison) keybrds L.B. Dope (Johnny Delafons) drums Album: Exile on Coldharbour Lane

    Spoken intro:
    And after three days of drinkin’ with Larry Love
    I just get an inklin’ to go on home
    So, I’m walkin’ down Coldharbour Lane Head hung low, three or four in the mornin’
    The suns comin’ up and the birds are out singing I let myself into my pad Wind myself up that spiral staircase An’ stretch out nice on the chesterfield
    Pithecanthropus Erectus already on the CD player And I just push that remote button to sublimity
    And listen to the sweet sculptural rhythms of Charles Mingus And J.R. Monterose and Jackie Mclean Duet on those saxophones
    And the sound makes it’s way outta the window Minglin’ with the traffic noises outside, you know and
    All of a sudden I’m overcome by a feelin’ of brief mortality
    ‘Cause I’m gettin’ on in the world
    Comin’ up on forty-one years
    Forty-one stoney gray steps towards the grave
    You know the box, awaits it’s grissly load
    Now, I’m gonna be food for worms
    And just like Charles Mingus wrote
    That beautiful piece-a music, ‘Epitaph for Eric Dolphy’
    I say, so long Eric, so long, John Coltrane And Charles Mingus, so long, Duke Ellington And Lester Young, so long, Billie Holliday And Ella Fitzgerald, so long, Jimmy Reed So long, Muddy Waters, and so, long Howlin’ Wolf
    (Wo-wo-woke up this mornin’)
    Woke up this mornin’
    Got yourself a gun
    Mama always said you’d be the chosen one
    She said, ‘You’re one in a million
    You got to burn to shine’
    That you were born under a bad sign With a blue moon in your eyes (yeah)
    Woke up this mornin’ And-a all that love had gone Your papa never told you About right and wrong
    But you’re, but you’re looking good, baby I believe you’re a-feelin’ fine
    Shame about it, born under a bad sign
    With a blue moon in your eyes
    So, sing it now
    (Woke up this mornin’) etc.

  7. não encontei nenhuma etiqueta da música. Mete link, se quiseres.
    O facto de seres um pesquisador atento, não invalida o que eu disse (perdão, o que tu disseste) sobre as escolhas musicais e quem as escolhe.

  8. reparei que estavam lá o G. Harrison, o J. Lennon, os Beatles, outros companheiros do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta a que, pelos vistos, o Osvaldo pertencia.

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