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	<title>Comentários em: O Povo Certo</title>
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	<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 16:21:19 +0000</pubDate>
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		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16342</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Mar 2007 09:12:58 +0000</pubDate>
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		<description>xatoo

É verdade, ganda bojarda. Mas essa era a intenção. E tu, na linha de raciocínio que apresentas, não me ficas atrás.

Dizer que a "esquerda" (e o que é a esquerda?...) é responsável seja pelo que for (ainda para mais, por uma "terra queimada"), não passa de uma provocação - e muito básica. Porém, a discussão parece-me legítima, pois algo de bom se perdeu com o 25 de Abril: essa ligação entre a erudição e a cultura popular, que uma indústria do espectáculo forte promove.




</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>xatoo</p>
<p>É verdade, ganda bojarda. Mas essa era a intenção. E tu, na linha de raciocínio que apresentas, não me ficas atrás.</p>
<p>Dizer que a &#8220;esquerda&#8221; (e o que é a esquerda?&#8230;) é responsável seja pelo que for (ainda para mais, por uma &#8220;terra queimada&#8221;), não passa de uma provocação - e muito básica. Porém, a discussão parece-me legítima, pois algo de bom se perdeu com o 25 de Abril: essa ligação entre a erudição e a cultura popular, que uma indústria do espectáculo forte promove.</p>
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		<title>Por: xatoo</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16341</link>
		<dc:creator>xatoo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Mar 2007 23:00:46 +0000</pubDate>
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		<description>"a frágil indústria do entretenimento à portuguesa foi completamente destruída (...) Eis a obra cultural da esquerda, a terra queimada"

ganda bojarda!
e que tal uma treslidela à "Indústria da Cultura" de Adorno?
quem financia o què?
Porque é que o José Mário Branco não é "subsidio-dependente"? Nem o Zeca o foi enquanto vivo? (mas que agora todos os valupis neoliberais se fartam de  citar, depois de morto)
Esses é que são os ícones da verdadeira esquerda - não aqueles que a direita nos quer impingir como sendo "a esquerda"

e porque é que o Fausto, tendo a obra que tem sobre a nossa saga dos descobrimentos, p/e não foi convidado para a Expo sobre os Oceanos?
Então quem é que fez a politica da terra queimada cultural? foram os artistas que por serem  de Esquerda foram excomungados, ou foram os departamentos culturais que DEFINEM e financiam as politicas culturais?
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;a frágil indústria do entretenimento à portuguesa foi completamente destruída (&#8230;) Eis a obra cultural da esquerda, a terra queimada&#8221;</p>
<p>ganda bojarda!<br />
e que tal uma treslidela à &#8220;Indústria da Cultura&#8221; de Adorno?<br />
quem financia o què?<br />
Porque é que o José Mário Branco não é &#8220;subsidio-dependente&#8221;? Nem o Zeca o foi enquanto vivo? (mas que agora todos os valupis neoliberais se fartam de  citar, depois de morto)<br />
Esses é que são os ícones da verdadeira esquerda - não aqueles que a direita nos quer impingir como sendo &#8220;a esquerda&#8221;</p>
<p>e porque é que o Fausto, tendo a obra que tem sobre a nossa saga dos descobrimentos, p/e não foi convidado para a Expo sobre os Oceanos?<br />
Então quem é que fez a politica da terra queimada cultural? foram os artistas que por serem  de Esquerda foram excomungados, ou foram os departamentos culturais que DEFINEM e financiam as politicas culturais?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: sininho</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16340</link>
		<dc:creator>sininho</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Mar 2007 10:30:23 +0000</pubDate>
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		<description>(peço desculpa à Fatinha... ela mora na SIC e não na RTP. Oops!)
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>(peço desculpa à Fatinha&#8230; ela mora na SIC e não na RTP. Oops!)</p>
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		<title>Por: sininho</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16339</link>
		<dc:creator>sininho</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 23:40:07 +0000</pubDate>
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		<description>Adoraria ler a apologia da Fátima Lopes. É mais um personagem de ficção da RTP tal como o Fernando Mendes.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Adoraria ler a apologia da Fátima Lopes. É mais um personagem de ficção da RTP tal como o Fernando Mendes.</p>
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		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16338</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 20:06:48 +0000</pubDate>
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		<description>Anonymous

Tens de procurar. Se tiveres dois dedos de testa, encontras em dois segundos.
__

Primo, e para quando essa inevitável obra-prima?
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Anonymous</p>
<p>Tens de procurar. Se tiveres dois dedos de testa, encontras em dois segundos.<br />
__</p>
<p>Primo, e para quando essa inevitável obra-prima?</p>
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		<title>Por: João Pedro da Costa</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16337</link>
		<dc:creator>João Pedro da Costa</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 19:11:52 +0000</pubDate>
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		<description>Tenho mesmo de escrever a minha apologia da Fátima Lopes (a que tem estilo, não a estilista).
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho mesmo de escrever a minha apologia da Fátima Lopes (a que tem estilo, não a estilista).</p>
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		<title>Por: Anónimo</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16336</link>
		<dc:creator>Anónimo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 18:24:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16336</guid>
		<description>Com que então a malvadda da esquerda queimou a terra da pobre cultura portuguesa? Sobra-te sempre Fátima, o Estádio da Luz, o Campo Pequeno, as casas de fado e o Parque Mayer...
De todos estes antros de espectáculos, cheira-me que apenas o último morreu. e de morte natural e há muito atrasada.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Com que então a malvadda da esquerda queimou a terra da pobre cultura portuguesa? Sobra-te sempre Fátima, o Estádio da Luz, o Campo Pequeno, as casas de fado e o Parque Mayer&#8230;<br />
De todos estes antros de espectáculos, cheira-me que apenas o último morreu. e de morte natural e há muito atrasada.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Anónimo</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16335</link>
		<dc:creator>Anónimo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 18:21:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16335</guid>
		<description>Mas quem são os tais "dos pseudo-guardiões"? Quem é que, de entre a malta com dois deditos de testa, é que tem falado disto?
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mas quem são os tais &#8220;dos pseudo-guardiões&#8221;? Quem é que, de entre a malta com dois deditos de testa, é que tem falado disto?</p>
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		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16334</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 16:43:36 +0000</pubDate>
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		<description>ser objectivo, no caso, seria ser crítico, estabelecer um juízo; sobretudo ser imune às influências, como referes.
de acordo, não é académico, mas tem esse princípio do juízo de gosto - e até mesmo de valor - e, nesses dois pontos, está livre e fundamentado, ainda que com algum lirismo a substituir tecnicalidades (mas isso... é mais forte, não?) :D
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>ser objectivo, no caso, seria ser crítico, estabelecer um juízo; sobretudo ser imune às influências, como referes.<br />
de acordo, não é académico, mas tem esse princípio do juízo de gosto - e até mesmo de valor - e, nesses dois pontos, está livre e fundamentado, ainda que com algum lirismo a substituir tecnicalidades (mas isso&#8230; é mais forte, não?) :D</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16333</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 16:30:28 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16333</guid>
		<description>susana,

Concordo contigo. Os compromissos parecem inevitáveis - o que trará, será?, as inevitáveis excepções. Por exemplo, era um fanático leitor do invocado Mário Castrim, mas teria de voltar à releitura para conseguir descobrir, agora, qual o grau da distorção ideológica. O mesmo para o caso do Carlos Porto (crítico de teatro no mesmo Diário de Lisboa), igualmente radical no juízo de valor - porém, não faço a menor ideia se ele era "objectivo", nem o que tal designação implique. Tal como não sei medir a "independência" do Eduardo Cintra Torres - podendo até nem sequer fazer sentido estar a usar essa categoria, pois poderá  corresponder a uma situação de completo absurdo: nenhum crítico profissional é independente, porque não o poderá ser enquanto for pago (como referes).

A questão é muito mais interessante, e muito mais vasta, do que as banalidades que escrevinho acima, como é óbvio. Só acrescento o seguinte: o texto "O Povo Certo" não alcança o estatuto da crítica, por não pretender ser rigoroso em sentido académico (está, aliás, cheio de pontos não fundamentados, outros exagerados e mesmo alguns factualmente errados) - é, antes, um texto panegírico; um abraço.
__

'Caríssimo',


A temática da crítica também reclama uma basilar justiça: a de reconhecer ao critico o papel de divulgador; logo, de pedagogo. Por aqui, apenas se pede ao crítico sensibilidade e bom-senso.

Noutras andanças, é exactamente como bem escreves: o crítico que influencia será aquele que for imune às influências.


</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>susana,</p>
<p>Concordo contigo. Os compromissos parecem inevitáveis - o que trará, será?, as inevitáveis excepções. Por exemplo, era um fanático leitor do invocado Mário Castrim, mas teria de voltar à releitura para conseguir descobrir, agora, qual o grau da distorção ideológica. O mesmo para o caso do Carlos Porto (crítico de teatro no mesmo Diário de Lisboa), igualmente radical no juízo de valor - porém, não faço a menor ideia se ele era &#8220;objectivo&#8221;, nem o que tal designação implique. Tal como não sei medir a &#8220;independência&#8221; do Eduardo Cintra Torres - podendo até nem sequer fazer sentido estar a usar essa categoria, pois poderá  corresponder a uma situação de completo absurdo: nenhum crítico profissional é independente, porque não o poderá ser enquanto for pago (como referes).</p>
<p>A questão é muito mais interessante, e muito mais vasta, do que as banalidades que escrevinho acima, como é óbvio. Só acrescento o seguinte: o texto &#8220;O Povo Certo&#8221; não alcança o estatuto da crítica, por não pretender ser rigoroso em sentido académico (está, aliás, cheio de pontos não fundamentados, outros exagerados e mesmo alguns factualmente errados) - é, antes, um texto panegírico; um abraço.<br />
__</p>
<p>&#8216;Caríssimo&#8217;,</p>
<p>A temática da crítica também reclama uma basilar justiça: a de reconhecer ao critico o papel de divulgador; logo, de pedagogo. Por aqui, apenas se pede ao crítico sensibilidade e bom-senso.</p>
<p>Noutras andanças, é exactamente como bem escreves: o crítico que influencia será aquele que for imune às influências.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Anónimo</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16332</link>
		<dc:creator>Anónimo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2007 03:05:10 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16332</guid>
		<description>No caso, Susana, é mesmo 'caríssimo'. Há quem sustente que isso fica estampado no discurso, denunciado na tournure da frase, que há escrita masculina e feminina, eu sei lá. Quase intuo que sim, mas não tenho a certeza, por isso não arrisco.
O que acho notavelmente certeira é a tua frase, se expurgada do advérbio de dúvida:'talvez a crítica, para ser crítica, não deva mesmo ser instituição'.
Por um lado, acho que não pode ser instituição, a não ser em regime totalitário. Em regime que o não seja, falta sempre ao crítico uma base de poder e autoridade, que avalize uma norma estética e imponha o critério do crítico. O saber, a cultura, o senso, a estatura construída, sabemos como tudo isso é friável nos tempos que correm.
A crítica é assim, sempre, um 'arriscanço'. E ainda bem que o é. O que me parece que há-de esperar-se do crítico, não é que ele produza a palavra definitiva. Mas tão só que ele nos diga a palavra que pensa, e não aquela que convém, ou a que lhe é mais útil.
A nossa dimensão é paroquial, o que só favorece o espírito de capela. Depois ele há a vida, às vezes a carreira, e sempre uma imagem a retocar e a compor. Isso faz-se mais facilmente com inanidades do que com punhadas duras. Já se sabe que o vento de frente prejudica qualquer maratonista.
Uma conclusão parece-me lícita: o crítico mais na berra, com mais abrangente consideraçãozinha, é por certo o que mais inanidades nos impinge, e mais merdices nos induz a trazer para casa.
Nota 1- Até hoje, só ouvi um crítico pôr claramente em cima da mesa a questão do génio criativo a que o Lobo Antunes acedeu. Com pezinhos de lã, não deixou de dizer que precisaremos de algumas décadas para tirar o definitivo talho à coisa. E não está, aqui, muito longe de nós.
Nota 2- Houve um crítico de televisão, o Castrim, que não tirava o chapéu a eminências e dizia o que tinha a dizer. Não sei se o rigor ideológico que habitava era ou não a sua bengala de arrimo. Talvez fosse, e alguma coragem pessoal. Ou seria desespero?


</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>No caso, Susana, é mesmo &#8216;caríssimo&#8217;. Há quem sustente que isso fica estampado no discurso, denunciado na tournure da frase, que há escrita masculina e feminina, eu sei lá. Quase intuo que sim, mas não tenho a certeza, por isso não arrisco.<br />
O que acho notavelmente certeira é a tua frase, se expurgada do advérbio de dúvida:&#8217;talvez a crítica, para ser crítica, não deva mesmo ser instituição&#8217;.<br />
Por um lado, acho que não pode ser instituição, a não ser em regime totalitário. Em regime que o não seja, falta sempre ao crítico uma base de poder e autoridade, que avalize uma norma estética e imponha o critério do crítico. O saber, a cultura, o senso, a estatura construída, sabemos como tudo isso é friável nos tempos que correm.<br />
A crítica é assim, sempre, um &#8216;arriscanço&#8217;. E ainda bem que o é. O que me parece que há-de esperar-se do crítico, não é que ele produza a palavra definitiva. Mas tão só que ele nos diga a palavra que pensa, e não aquela que convém, ou a que lhe é mais útil.<br />
A nossa dimensão é paroquial, o que só favorece o espírito de capela. Depois ele há a vida, às vezes a carreira, e sempre uma imagem a retocar e a compor. Isso faz-se mais facilmente com inanidades do que com punhadas duras. Já se sabe que o vento de frente prejudica qualquer maratonista.<br />
Uma conclusão parece-me lícita: o crítico mais na berra, com mais abrangente consideraçãozinha, é por certo o que mais inanidades nos impinge, e mais merdices nos induz a trazer para casa.<br />
Nota 1- Até hoje, só ouvi um crítico pôr claramente em cima da mesa a questão do génio criativo a que o Lobo Antunes acedeu. Com pezinhos de lã, não deixou de dizer que precisaremos de algumas décadas para tirar o definitivo talho à coisa. E não está, aqui, muito longe de nós.<br />
Nota 2- Houve um crítico de televisão, o Castrim, que não tirava o chapéu a eminências e dizia o que tinha a dizer. Não sei se o rigor ideológico que habitava era ou não a sua bengala de arrimo. Talvez fosse, e alguma coragem pessoal. Ou seria desespero?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16331</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 23:03:46 +0000</pubDate>
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		<description>(faltou-me concluir) a crítica, quando instituição, tem o hábito de se tornar acrítica: cai mais na recensão, na troca de galhardetes, na constatação. não sendo, assim, crítica na sua verdadeira acepção.

(e o anonymous, porquê «caríssimo» e não «caríssima»...?)
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>(faltou-me concluir) a crítica, quando instituição, tem o hábito de se tornar acrítica: cai mais na recensão, na troca de galhardetes, na constatação. não sendo, assim, crítica na sua verdadeira acepção.</p>
<p>(e o anonymous, porquê «caríssimo» e não «caríssima»&#8230;?)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16330</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 22:56:27 +0000</pubDate>
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		<description>a critica nos jornais e demais meios de comunicação social (mas penso sobretudo nos jornais, pois não me estou a lembrar de situações de efectiva pretensão crítica na televisão e na rádio, que vejo/ouço pouco) raramente é crítica. por acaso depois lembrei-me do eduardo cintra torres, que costuma ser objectivo. de um modo geral, parece-me, a crítica é comprometida, quando convertida em instituição. ninguém quer comprometer-se com um juízo arriscado, não venha o futuro desdizer a aposta; e poucos  arriscam um elogio fora do &lt;em&gt;mainstream&lt;/em&gt;, não vá o presente ser fonte de constragimento. por outro lado, um fenómeno interessante que (ainda) se verifica nos blogues é a independência, a individualidade no gosto, o prazer de ir contra à corrente – talvez porque ninguém paga aos que aqui escrevem?
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>a critica nos jornais e demais meios de comunicação social (mas penso sobretudo nos jornais, pois não me estou a lembrar de situações de efectiva pretensão crítica na televisão e na rádio, que vejo/ouço pouco) raramente é crítica. por acaso depois lembrei-me do eduardo cintra torres, que costuma ser objectivo. de um modo geral, parece-me, a crítica é comprometida, quando convertida em instituição. ninguém quer comprometer-se com um juízo arriscado, não venha o futuro desdizer a aposta; e poucos  arriscam um elogio fora do <em>mainstream</em>, não vá o presente ser fonte de constragimento. por outro lado, um fenómeno interessante que (ainda) se verifica nos blogues é a independência, a individualidade no gosto, o prazer de ir contra à corrente – talvez porque ninguém paga aos que aqui escrevem?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16329</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 22:23:32 +0000</pubDate>
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		<description>Caríssimo "não sei quem és, mas gostava muito de saber",


Com certeza. Não mudaria uma vírgula ao teu comentário. Nos anos 60, até, já a cultura rural estaria a fenecer na memória colectiva. Contudo, a minha tese não se elabora a partir da dicotomia das  culturas rural/urbana. Por exemplo, a revista, o fado, mesmo as touradas (aqui, diferenciando da "festa brava", a feira e a romaria,  esta com uma fundamental dimensão rural), são fenómenos urbanos. E correspondem à tradição da indústria cultural portuguesa (como, durante um par de décadas, também o cinema).

A cultura rural foi caracterizada pelo calendário religioso (as festas) e pelo trabalho agrícola (os cantares e danças). Este Portugal rural nunca entrou na cidade. O folclore foi sempre estigmatizado. Porém, era (e é!) um filão criativo à disposição do lirismo e da sátira nacionais.

O que eu vejo no Fernando Mendes é o mesmo espírito que faz o sucesso - portanto, a actualidade - das comédias portuguesas postas em celulóide pelo António Silva e Vasco Santana (entre muitos outros, mas sem a importância carismática destes dois). Aquele humor é de adesão imediata, porque muito trabalhado na caracterização, na tipagem, e sem agressividade psicológica. Cria figuras universais, paradigmas de carne e osso. E a Língua sai muito bem tratada na sonoridade (este, um aspecto bem mais importante do que possa parecer - pois tem implicações variadas nos processos de comunicação).

Não é, precisamente, deste tipo de material que se tem feito a grande literatura, desde Homero?...
__

Fernando,

Eis a tua generosidade em acção. Sorte a minha.

Entretanto, também acho evidente que o convidado mistério não é o nosso titio.
__

susana,

Coro com o elogio.

Se puderes, gostava que desenvolvesses mais um bocadinho este ponto: "talvez a crítica, para ser crítica, não deva mesmo ser instituição." Fiquei curioso.


</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimo &#8220;não sei quem és, mas gostava muito de saber&#8221;,</p>
<p>Com certeza. Não mudaria uma vírgula ao teu comentário. Nos anos 60, até, já a cultura rural estaria a fenecer na memória colectiva. Contudo, a minha tese não se elabora a partir da dicotomia das  culturas rural/urbana. Por exemplo, a revista, o fado, mesmo as touradas (aqui, diferenciando da &#8220;festa brava&#8221;, a feira e a romaria,  esta com uma fundamental dimensão rural), são fenómenos urbanos. E correspondem à tradição da indústria cultural portuguesa (como, durante um par de décadas, também o cinema).</p>
<p>A cultura rural foi caracterizada pelo calendário religioso (as festas) e pelo trabalho agrícola (os cantares e danças). Este Portugal rural nunca entrou na cidade. O folclore foi sempre estigmatizado. Porém, era (e é!) um filão criativo à disposição do lirismo e da sátira nacionais.</p>
<p>O que eu vejo no Fernando Mendes é o mesmo espírito que faz o sucesso - portanto, a actualidade - das comédias portuguesas postas em celulóide pelo António Silva e Vasco Santana (entre muitos outros, mas sem a importância carismática destes dois). Aquele humor é de adesão imediata, porque muito trabalhado na caracterização, na tipagem, e sem agressividade psicológica. Cria figuras universais, paradigmas de carne e osso. E a Língua sai muito bem tratada na sonoridade (este, um aspecto bem mais importante do que possa parecer - pois tem implicações variadas nos processos de comunicação).</p>
<p>Não é, precisamente, deste tipo de material que se tem feito a grande literatura, desde Homero?&#8230;<br />
__</p>
<p>Fernando,</p>
<p>Eis a tua generosidade em acção. Sorte a minha.</p>
<p>Entretanto, também acho evidente que o convidado mistério não é o nosso titio.<br />
__</p>
<p>susana,</p>
<p>Coro com o elogio.</p>
<p>Se puderes, gostava que desenvolvesses mais um bocadinho este ponto: &#8220;talvez a crítica, para ser crítica, não deva mesmo ser instituição.&#8221; Fiquei curioso.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Fernando Venâncio</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16328</link>
		<dc:creator>Fernando Venâncio</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 15:13:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16328</guid>
		<description>Certo, Susana. Também hesito na atribuição. Mas ela intentava (e intenta) provocar o autor a mostrar a carinha.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Certo, Susana. Também hesito na atribuição. Mas ela intentava (e intenta) provocar o autor a mostrar a carinha.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16327</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 12:48:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16327</guid>
		<description>o texto é uma belíssima crítica. talvez a crítica, para ser crítica, não deva mesmo ser instituição.

quanto ao fernando mendes, o pretexto, não me provoca grande riso, mas simpatia sim, sem dúvida. deve ser mesmo boa pessoa. :)

(tiozinho, fernando? hum, não me pareceu...)
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>o texto é uma belíssima crítica. talvez a crítica, para ser crítica, não deva mesmo ser instituição.</p>
<p>quanto ao fernando mendes, o pretexto, não me provoca grande riso, mas simpatia sim, sem dúvida. deve ser mesmo boa pessoa. :)</p>
<p>(tiozinho, fernando? hum, não me pareceu&#8230;)</p>
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		<title>Por: Fernando Venâncio</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16326</link>
		<dc:creator>Fernando Venâncio</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 12:36:34 +0000</pubDate>
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		<description>Ovação em bicos de pés, Valupi.

Aplauso, tiozinho Anomymous.

</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ovação em bicos de pés, Valupi.</p>
<p>Aplauso, tiozinho Anomymous.</p>
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	<item>
		<title>Por: Anónimo</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/o-povo-certo/#comment-16325</link>
		<dc:creator>Anónimo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 12:08:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/geral/o-povo-certo/#comment-16325</guid>
		<description>Aplaudo este trabalho de Valupi, por conter, em si mesmo, uma seriedade tentada.
Já dos conteúdos duvido.
Fazer a apologia dos valores culturais tradicionais era, já em 1974, agitar uma bandeira anacrónica.
A cultura genuinamente popular, rural, telúrica, já tinha morrido em 74, no deserto criado pela emigração.
A música já tinha sido substituída pelas litanias nostálgicas da mala de cartão, e o fenómeno pimba, mais tarde avassalador, já tinha raízes.
A brejeirice malandra dos cantos populares já estava a ser destronada pela obscenidade alarve que ainda hoje acompanha as bebedeiras juvenis de quantos doutores e engenheiros andam por aí.
A revista à portuguesa, essa suburbanidade, nunca poderia ter sobrevivido à 'revolução'. Subitamente, tornou-se um símbolo tacanho da pequenez lusíada. E era-o.
E o tempo acabou a definir claramente a dramática divisão em que a 'sociedade portuguesa' se consome. Dum lado a cultura dum Portugal urbano, dito letrado e bem- pensante, com a sua literatura, o seu teatro (porque o vai havendo, Valupi!) a sua música, os seus rituais. E do outro a cultura do Portugal rural, mesmo se metade desta ruralidade habita em ambiente urbano.
Estes dois países não se entendem mutuamente, não se reconhecem nem se encontram. Compartem um convés transitório, à espera de que um deles acabe lançado ao mar.
A fulgurância de 'estrelas' como Toni Carreira mostra o fenómeno exemplarmente. O vazio estético absoluto a mover multidões. Menos claro mas igualmente exemplar é o desdém 'popular' pela cultura dita letrada, citadina, mais elaborada e erudita. Por isso faltam plateias no teatro, na literatura, na música. Na arte em geral o que há são nichos de mercado.
A televisão, com o fenómeno das privadas, é o dramático ponto de encontro dos despaisados. É o grande arrastão que procura a síntese impossível do entretenimento e da cultura, da educação cívica e da alienação, dos interesses e das audiências, e acaba a tudo sacrificar aos lucros.
O futuro não é brilhante, e não vai lá sem algum sangue.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Aplaudo este trabalho de Valupi, por conter, em si mesmo, uma seriedade tentada.<br />
Já dos conteúdos duvido.<br />
Fazer a apologia dos valores culturais tradicionais era, já em 1974, agitar uma bandeira anacrónica.<br />
A cultura genuinamente popular, rural, telúrica, já tinha morrido em 74, no deserto criado pela emigração.<br />
A música já tinha sido substituída pelas litanias nostálgicas da mala de cartão, e o fenómeno pimba, mais tarde avassalador, já tinha raízes.<br />
A brejeirice malandra dos cantos populares já estava a ser destronada pela obscenidade alarve que ainda hoje acompanha as bebedeiras juvenis de quantos doutores e engenheiros andam por aí.<br />
A revista à portuguesa, essa suburbanidade, nunca poderia ter sobrevivido à &#8216;revolução&#8217;. Subitamente, tornou-se um símbolo tacanho da pequenez lusíada. E era-o.<br />
E o tempo acabou a definir claramente a dramática divisão em que a &#8217;sociedade portuguesa&#8217; se consome. Dum lado a cultura dum Portugal urbano, dito letrado e bem- pensante, com a sua literatura, o seu teatro (porque o vai havendo, Valupi!) a sua música, os seus rituais. E do outro a cultura do Portugal rural, mesmo se metade desta ruralidade habita em ambiente urbano.<br />
Estes dois países não se entendem mutuamente, não se reconhecem nem se encontram. Compartem um convés transitório, à espera de que um deles acabe lançado ao mar.<br />
A fulgurância de &#8216;estrelas&#8217; como Toni Carreira mostra o fenómeno exemplarmente. O vazio estético absoluto a mover multidões. Menos claro mas igualmente exemplar é o desdém &#8216;popular&#8217; pela cultura dita letrada, citadina, mais elaborada e erudita. Por isso faltam plateias no teatro, na literatura, na música. Na arte em geral o que há são nichos de mercado.<br />
A televisão, com o fenómeno das privadas, é o dramático ponto de encontro dos despaisados. É o grande arrastão que procura a síntese impossível do entretenimento e da cultura, da educação cívica e da alienação, dos interesses e das audiências, e acaba a tudo sacrificar aos lucros.<br />
O futuro não é brilhante, e não vai lá sem algum sangue.</p>
]]></content:encoded>
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