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O combate à corrupção é para os lúcidos e corajosos. Por isso são tão poucos os que se dedicam à causa, e tantos os que a prejudicam.

Do que li e ouvi nestes dias, o melhor pensamento acerca da problemática está como comentário de um texto também útil, mas o qual não toca na ferida: a corrupção não se combate necessariamente com mais ou melhores leis, combate-se inevitavelmente com a aplicação das mesmas, sejam elas quais forem. Colocado desta forma, o problema abandona a paralisia que decorre de não se saber o que fazer, dada a complexidade, melindre e magnitude das questões, e salta para a evidência de competir ao poder político decidir onde gastar os seus recursos. Se não temos meios de dissuasão, investigação e punição, então estamos a escolher ser cúmplices da corrupção. Ou seja, se o Governo ou o Parlamento quiserem, a corrupção diminui drasticamente, tanto pelo fim da actividade de redes e indivíduos, como pelo efeito profiláctico. É só isto que está em causa para começo de conversa.

Cá vai o naco de inteligência:

Comentário Corrupção


  1. 1 tra.quinas

    Uma visão não só lúcida e conhecedora do assunto como difícil de atacar do ponto de vista pessoal a partir dos 9:30

    Tirando isto, a corrupção é uma brejeirice nos tempos que correm: coça-me tu as costas agora, que eu logo espremo-te os pontos negros.

  2. 2 Maria da Guia

    Obviamente que a corrupção é um fenómeno universal, de todos os tempos e de todos os regimes, politicos ou outros das sociedades organizadas. Mas o que nos preocupa é aqui e agora! E a questão parece-me dever ser equacionada no nosso país em dois níveis de intervenção:
    – Uma aplicação “efectiva”de todos os instrumentos legais existentes no controle dos actos de todas as entidades cujas actividades implicam transferência de valores. Porque o quadro legal português tem legislação mais do que suficiente para alcançar tal objectivo.
    E que aos infractores, após decisão atempada dos tribunais, sejam aplicadas as respectivas sanções. E dêsse os meios necessários, quer aos serviços para o exercício desse controle, quer aos tribunais para a constituição da prova e para o julagamento em tempo útil – na Alemanha, um processo por mais complicado que seja tem uma média de seis meses a um ano para estar concluido! Idem nos EUA! ou na Suécia!
    – Em paralelo – e é o mais dificil de levar a cabo dada a nossa mentalidade de “chico esperto” – é necessário que todos os “actores públicos”, i.e. os jornalistas, os comentadores, o MP, a PJ, os tribunais, etc, tenham uma ética da verdade na actuação.
    É a nossa educação e cultura que têm de ser mais exigentes.

  3. 3 Sinhã

    o conceito de corrupção é que não é universal

    (é, assim, subjectivo,
    consoante um ou outro umbigo).:-)

  4. 4 Ibn Erriq

    Ora, a tua formulação deixa-te automaticamente de fora. É a vida.

  5. 5 manutor

    Permalink

  6. 6 manutor
  7. 7 A Nónima

    O défice…o défice… não o vejo nas contas bancárias dos políticos e outros agentes e dirigentes…

  8. 8 Manuel Pacheco

    Enquanto todos os agentes que prestam serviço na Função Pública, e noutros organismos do Estado, não forem transferidos com regularidade, não vejo como se acaba com a corrupção. São muitos conhecimentos, assim como muitos anos no mesmo sítio. Dois anos eram o máximo, ainda que depois voltassem. Haver sindicâncias regulares e de surpresa. Tive conhecimento de várias situações, quem a revelava se o nomeasse negava tudo, por isso não tinha outro remédio se não calar-me. Se assim não procedesse ainda passava por caluniador e levava com um processo disciplinar.

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