Louçã confessional

O sectarismo é uma consumição

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Quem te viu e quem te lê, Anacleto. Que é feito do valente guerreiro que saltou para a frente das câmaras a garantir que Sócrates, em carne e osso, lhe andava a tentar roubar uma garina? Era tanga, mas isso nunca te atrapalhou. E que é feito do generalíssimo que, na noite mais gloriosa da sua carreira política, largou em êxtase estas lindas palavras?

"Este é um novo dia para a esquerda portuguesa. Nada será como dantes. Teremos uma esquerda mais rigorosa, com mais capacidade de diálogo. Nenhum eleitor do Bloco de Esquerda terá qualquer dúvida de que todo o voto dado ao Bloco de Esquerda será gasto na defesa dos direitos fundamentais de uma resposta que possa transformar o país."

Fonte

Se bem o disseste melhor o despachaste. Um ano e meio depois estavas a doar a tua imparável “esquerda grande” ao compincha Passos Coelho, esse transformista que usou os votos do BE e do PCP para afundar o País e iniciar um ciclo de devastação. Realmente, nos idos de Março de 2011 a esquerda portuguesa conheceu um novo dia. Mas vergonhoso e triste de tão sectário. De tão estúpido e indefensável sectarismo.

Mas tu agora já consegues compreender, ou entender, ou perceber o que andaste a fazer com a esperança de centenas de milhares de cidadãos que acreditaram em ti em 2009, né? Já sabes que nem tudo vale a pena mesmo quando se tem uma alma como a tua, nada de nadinha pequena, certo? Ou talvez não, por seres tão grande. Porque o lixo do vizinho continua sempre a cheirar muito pior do que o nosso, e tu sentes que podes dar lições de antisectarismo aos comunas.

És grande, Louçã. Enorme. Para nosso azar.

18 comentários a “Louçã confessional”

  1. FLouçã alinhava este género de discurso porque sabe de saber seguro que a memória é coisa volátil. No limite até admito que o próprio já não saiba muito bem o que o levou a chumbar o PECIV. Não fosse isso e seria caso para parafrasear o outro:” é preciso ter topete!”

  2. O que é estúpido e indefensável é pensar que o apoio parlamentar que o PS e o BE deram ao governo do Costa era possível acontecer no tempo do “líder que a direita gostava de ter”. Esse mesmo líder que mesmo antes da crise já andava a fazer cortes (ou “reformas”) no Estado Social, e que pelos vistos ainda continua a ter apoiantes entre alguns idiotas em estado de negação (em relação ao amigo do generoso Carlos Santos Silva).

  3. «O que é estúpido e indefensável é pensar que o apoio parlamentar que o PS e o BE deram ao governo do Costa era possível acontecer no tempo do “líder que a direita gostava de ter”.», muito bem mas por aqui nem se dão ao trabalho de pensar nisso um poucochinho.

  4. Ó Fé socrática das 11.19;
    Eu “apoiante socrático” me confesso. Tenho esse direito, como tu o tens de apoiar quem muito bem te der na mona.
    E idiota és tu, a tua tia e mais os burros com pala que comem a palha que os “donos” lhe dão, sem verem que há um prado com erva mesmo debaixo das patas.
    Percebes ou queres um desenho?

  5. Corvo Negro, não te zangues pá!
    (até porque o senhor não tem culpa de não veres a luz que ilumina o caminho do PS, ceguinho)

  6. Caro JRodrigues,

    Concordando ou não, Louçã não podia ser mais claro na resposta ao comentário do caro sobre as razões do chumbo do PEC IV. Quem errou redondamente na resposta à crise foi a UE. Como hoje se comprova muito facilmente. Pedir apoio ao BE para os trabalhadores portugueses resgatarem a banca europeia?! E os verdadeiros responsáveis por tudo o que se seguiu foram como sempre em Democracia, os eleitores. Os mesmos que em 2015 reclamaram pela devolução de rendimentos.

  7. Caro P,

    Quem estiver na politica em democracia sem ter percebido que ela é feita de compromissos e consiste na arte do possivel face às circunstâncias, ou sofre de autismo ou foi vitima de um erro de casting. Não sei qual será o caso de F Louçã. Também ignoro se , tacticamente, ele pensou que o chumbo do PEC iv poderia induzir um fenómeno Siryza. O que sei é que aquilo que fez não serviu a esquerda. E se conseguir demonstrar o contrário, desde já os meus agradecimentos.

  8. Vi agora que no P. online o Francisco Louçã respondeu ao JRodrigues, e é tão fácil de compreender o que ele diz que até o Gervásio faria um brilharete.

    Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=V9sQffZ3QcM, literalmente separar é fácil de facto.

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    JRodrigues
    9 Outubro, 2017 às 9:31
    Caro F Louçã,

    Em primeiro lugar eu não votei PS em 2009, votei BE, e vexas defraudaram as minhas expectativas.
    Em segundo lugar não teci qualquer critica à politica actual, mas aquela que prevaleceu durante os quatro anos que o chumbo do PEC IV desencadeou.
    Em terceiro lugar continuo sem perceber o que vos impediu em 2011 de promover uma politica de alianças à esquerda que permitisse uma gestão de danos tão eficaz quanto possível, atendendo às dificuldades da conjuntura de então. Se não foi sectarismo, não sei o que lhe chamar.

    Cump.

    JRodrigues

    Francisco Louçã
    9 Outubro, 2017 às 9:52
    Temos uma noção diferente do que é o compromisso com os eleitores. O programa do BE em 2009 defendia o SNS, a alteração da política fiscal para defender os trabalhadores, opunha-se à liberalização dos despedimentos. O J Rodrigues entende que o BE deveria, pelo facto de o PS ter falhado a negociação com o PSD para aplicar as exigências europeias de austeridade, substituir a direita e renegar os seus compromissos com os eleitores, aumentando o IRS, facilitando despedimentos, promovendo privatizações e cortando no SNS – exactamente o que era o PEC4. Chama “sectarismo” a cumprir o compromisso eleitoral. Eu chamo seriedade. Espero que um dia entenda que o acordo actual só é possível porque o PS renegou a austeridade do PEC4, que foi exactamente o que o PSD-CDS aplicaram linha a linha.

  9. Caro JRodrigues,

    Eu continuo a pensar que o chumbo do PEC IV foi acima de tudo um voto de protesto contra as políticas da UE e a melhor forma de servir a esquerda em 2011. E continuar com o mito que os partidos de esquerda que chumbaram o PEC IV são responsáveis pela eleição de um execrável demagogo está mais ou menos ao nível dos pafiosos que ainda hoje não perceberam o intuito das eleições para o Parlamento. Não ultrapassar esse mito implicava desde logo nunca ter sido possível o actual compromisso – como diz o JRodrigues – que suporta o Governo.

    Cordialmente.

  10. Caro P,

    Eu quando vou votar o programa de um Partido Politico não o faço para avalizar experimentalismos de engenharia social nem para subscrever um texto sagrado. Como acredito que em democracia a persecução do ideário das esquerdas implica algum tipo de sageza táctica na gestão dos processos que conduzem aos fins, não me tinha custada nada que o BE de 2011 tivesse feito cedências em nome de valores maiores face a perigos que só não via quem não quisesse. O voto das esquerdas do PSno chumbo do pec iv abriu o caminho ao governo da direita e à procissão de malfeitorias que se adivinhavam. E desculpe que lhe diga mas comparar o que sucedeu nessa altura com o processo que deu origem à gerigonça é tomar o cu pelas calças.

    Saudações democráticas.

  11. O política e patrioticamente inqualificável chumbo do PEC IV pelos camaradas Anacleto e Jerónimo que previam o abate de Sócrates como “o princípio do fim da resolução de todos os problemas do país”, e quem sabe talvez o princípio da “revolução” marxista-trotkista levou às duas consequências:

    1) O derrube de Sócrates e elevação de Passos a PM que ameaçava a existência do PCP e do BE na democracia portuguesa teve como consequência final obrigar estes partidos a promoverem e apoiarem urgentemente a constituição da “geringonça” como forma de catarze.
    2) O apoio do PCP e BE à manutenção do abate de Sócrates pela perseguição da “(in)justiça” promovida pelo MP e feita na praça pública tem como consequência o encobrimento, sob forma de catarze nacional, da idiota condução política do PCP e BE relativamente ao PEC IV e da verdadeira montanhosa corrupção do cavaquismo na qual quase todo o país está comprometido.

  12. Caro JRodrigues,

    Comparação só no estrito sentido em há muita gente de ambos os lados que não consegue ultrapassar o sucedido. De resto não julgue que eu não compreendo o raciocínio do caro. Claro que compreendo e claro que também antevi o perigo do chumbo do PEC. Sobretudo a golpada do Cavaco com o aldrabão que andava a rezar pela Troika . Mas eu não tenho eleitorado a quem prestar contas. Para além de que a UE foi a grande responsável pela crise das dívidas soberanas depois da Grécia. UE que até começou por reagir bem à crise do outro lado do Atlântico. Muito do despesismo de que acusam Sócrates também foram directivas da UE. Como comparticipações a 85%, que é como quem diz, ainda entrou dinheiro no Tesouro Nacional. Já os resgates visaram unicamente a transferência de dívida dos grandes bancos. Perfeitamente inaceitável para quem quer que seja que se diga de esquerda. Ou com dois palmos de testa.

  13. Acerca do “despesismo” de que acusam Sócrates assinalado acima por P.
    Ouvi há pouco na tv que a barragem do Alqueva já estava a abastecer água para populações e rega de quase todo o Alentejo dos distritos de Beja e Évora. E que se não fora tal muitas populações estariam em situação de grande gravidade acerca de falta de água.
    Nas palavras de um funcionário catita dizia-se que do Alqueva se “chupava” uma piscina olímpica de água em cada 2 minutos para alimentar pequenas barragens de abastecimento de água naqueles distritos mencionados. E que mesmo mantendo-se esta situação de seca o Alqueva ainda teria água para mais 2 anos 2 de seca igual.
    Era acerca do “despesismo” de Sócrates que foi e é ainda feita uma grande parte da campanha contra ele e já a barragem estava a armazenar água e ainda o oportunista do Portas andava a chamar-lhe um “elefante branco”. Claro para quem a visão política é apenas pensar como sacar o máximo possível do pote só não é elefante branco o que permite negócios à la Portas estilo submarinos.
    E, também, o atribuído “despesismo” do que nem sequer foi feito em devido tempo oportuno como o TGV e Aeroporto hão-de custar-nos os olhos da cara em custos de atrasos de funcionamento, como já é hoje o caso do Aeroporto, além do enorme encarecimento da obra.
    Até nesta assumpção política de imobilismo, do não fazer nada, de considerar o custo da modernização do país um despesismo estão incluídos aspectos vários de corrupção de elevado custo posterior para os portugueses.
    E o corrupto é o Sócrates? Ou estará este, antes, a servir de mata-borrão da imensidão de portugueses corruptos e cumplices serventuários!

  14. P,

    Tem razão: eu não consigo ultrapassar o sucedido, pois não voltei a votar BE nem tenho intenções de o vir a fazer. E como eu muitos mais, ou os resultados eleitorais do BE não teriam dado o trambolhão que deram depois de 2009. Veja só no que deu a “seriedade” do nosso amigo F Louçã!
    É que, repare, se em 2011 o BE fosse liderado, digamos, pelas manas Mortágua, eu até não lhes levava a mal a ingenuidade. São jovens e não se nasce ensinado. Mas o FL não é puto nenhum nem andava nisto há dois dias, pelo que vir falar de respeito pelos compromissos eleitorais é tentar tapar o sol com uma peneira. Diz ele: ai, mas não fui eu quem disparou a arma ! Pois não foi, tem toda a razão. Apenas lhes forneceu ( à direita )a bala de prata. E como eleitor do BE de então nunca percebi em que é que isso respeitou o sentido do meu voto.

  15. JRodrigues, para além de outras coisas importantes para a tua vida que outro alguém te diga, é caso para dizer aleluia! que assim se percebem duas coisas:

    Um, o alcance da tua argumentação num bate-boca mantido com o Valupi em te referias ao “encornanço” de que és vítima (um conceito fortíssimo utilizado nas Ciências Sociais, e é claro pelos melhores autores de Ciência Política);

    Dois, assim se vê ainda a tua cegueira política (e é caso para dizer que se trata mesmo da cegueira, pois aparentemente te tornaste num desvalido depois do acidente que sofreste no longínquo ano de 2011). E o Aspirina B tornou-se na tua bengala branca, presumo.

    Nota. Eu votei no PS para a CM e, conscientemente, fi-lo no BE para a AM, que é um voto adequado nestes dias de descompressão.

    Nota segunda, intimista. Nota-se também que és um fã do copianço porque a imagem da “bala de prata” foi ontem utilizada num artigo do Bernardo Ferrão (está no Expresso online). Mas, lá está!. enquanto tu copias afanosamente e às paredes te confessas há outros gajos que, como eu, ficam espantados com os erros de ortografia mais básicos plasmados na prosa do rapaz.

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