Na fauna dos publicistas oficiais — esses que frequentam jornais, rádios e TV, trocando opiniões por dinheiro e/ou fama — há uns que se prestam com genuíno entusiasmo ao ridículo gabarola. São todos aqueles que botam faladura sobre política internacional. Dividem-se em dois grupos, e dois grupos apenas: os omniscientes e os lorpas. Os primeiros transmitem a ideia de estarem melhor informados do que os próprios agentes da situação em análise e conseguem antecipar o desfecho de qualquer berbicacho que lhes apareça à frente. Se discorrerem sobre o actual conflito na Geórgia, por exemplo, ficamos a acreditar que os EUA e a Rússia andam ali aos papéis e à espera do seu urgente conselho. Para o mesmo caso, os lorpas preferem citar enciclopédias e concluir pela impossibilidade da conclusão através de conclusões múltiplas. Ambos os grupos comungam de uma atitude nefelibata, condescendendo em lançar migalhas de superior intelecção para cima das audiências pasmadas.
Não tem mal, aborrece.


É por estas e por outras, Valupi, que eu não tenho tv, nem tenciono comprar uma. Tenho um leitor dvd que me permite ver o que eu quero e basta.
Este fim-de-semana, fui a casa da minha mãe. Estava a passar o noticiário e fiquei absolutamente enojada, pois o jornalista da Sic ou TVI estava a anunciar o afundamento de um navio georgiano pelos russos como quem anuncia a vitória do FCP num jogo decisivo. Fiquei a pensar para com os meus botões: “Mas ele tem noção daquilo que anda a dizer? E se ele estivesse nesse mesmo navio, falaria com tanto entusiasmo acerca do facto?”.
A tv é uma grande badalhoquice. Sem contar que à hora do jantar, decidiram meter uma reportagem sobre um toxicodependente em altos transes por falta de droga e um gajo a apalpar-lhe as partes genitais, perguntando-lhe se já tinha tentado injectar-se no local. Compreenderia uma reportagem destas lá para as 23h, agora às 21h!!! Hora em que muita gente está à mesa, ainda a comer.
A tv é lixo. Façam como eu: não tenham nenhuma.
Eu tenho TV. Daquelas que até tem um botão de OFF e tudo.
Os meus pêsames. Gastei uma fortunaça num leitor sony, mas NUNCA, NUNCA gastaria numa tv. É só caca. As pessoas chateiam-me o juízo para comprar tv - pois consideram uma anormalidade eu não ter tv - e recuso-me, recuso-me peremptoriamente a gastar MONEY nisso.
Adoro fundamentalistas. Sobretudo os da TV. Aqueles que nunca a ligam, não vêem nada mas apanham sempre por acaso esta ou aquela reportagem, este ou aquele programa. E até são capazes de contar pormenores do sacrificio.
Escuta aqui. Não sou fundamentalista, nem tudo é mau na tv. Na tv, eu só veria filmes ou reportagens interessantes, portanto basta-me um leitor que dá tudo ao mesmo, entendes?
Quanto ao sacrifício, calhou eu estar em casa da minha mãe e como não sou surda, nem cega, dei com o que estava a passar naquele momento na tv… o que só me convenceu ainda mais da minha razão em mandar as tv’s às favas.
“A tv é uma grande badalhoquice”
“nem tudo é mau na tv”
Conclusão: nem toda a badalhoquice é má. Devem existir badalhoquices até muito interessantes.
(gosto sempre quando alguém começa uma frase com “escuta aqui”)
A tv é um antro de caca com objectivo a chamar as audiências, nem que seja pelo nível mais baixo. De vez em quando, lá surgirá talvez algo efectivamente interessante - e o interessante é diferente de pessoa para pessoa.
Saci, dou-te um conselho: vai ver tv e deixa-me em paz :-) Estou a ser tua amiguinha :-) Vês como penso em ti?
Minhas Senhoras, têm ambas razão…
(Antunes de Burnay, em “Apaziaguador mode”)
Eu deveria ter desconfiado.
Uma conversa que começa com “escuta aqui” só poderia acabar assim.
Comendador :-)
Se eu fosse o Nuno Rogeiro processava-te e ganhava. Não devias ter sido tão óbvio no retrato.
engraçado,
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=105214
O Rogeiro é um palermita convencido, mas o Carlos Gaspar e o Vasco Rato não lhe ficam nada atrás, salvo seja. O Rogeiro tem sobre eles a vantagem de não trabalhar para a C.I.A., pelo menos aos fins de semana não. O Luís Delgado e o César das Neves deliciam-me pelo cabotinismo presunçoso. Pena não me lembrar de mais nomes de comentadores cretinos. Ajudem-me!
Bettencourt Resendes, António Vitorino, António José Teixeira, Rúben de Carvalho, Fernando Rosas.
Não estão só na Direita os tais cabotinos, cara Lily…
hum,
http://dn.sapo.pt/2008/08/13/opiniao/a_desnecessidade_inveja.html
Saci, se estávamos a argumentar sobre prós e contras da tv, eu não sei de onde veio a noção descabida de fundamentalista. Quando as pessoas extrapolam do campo para atacar as pessoas em vez de argumentarem sobre o tema em questão, saio do jogo. Ou se joga ou não se joga. Quando a luta começa a doer, Saci, a tendência é sempre para golpes baixos, batotas. Cada um sabe de si. Quanto a mim, quando começam com golpes descabidos, acaba o jogo, querida.
Transcrevo:
Adoro fundamentalistas. Sobretudo os da TV. Aqueles que nunca a ligam, não vêem nada mas apanham sempre por acaso esta ou aquela reportagem, este ou aquele programa. E até são capazes de contar pormenores do sacrificio.
(gosto sempre quando alguém começa uma frase com “escuta aqui”)
Eu deveria ter desconfiado.
Uma conversa que começa com “escuta aqui” só poderia acabar assim.
Creio a tua defesa sobre os benefícios da tv valerem pelos teus argumentos: nada.
Muito bem visto.
Aborrece e muito!
Há alguns dias tive a “sorte” de ouvir (atenção, e até foi na TSF!) um tal intitulado (pelo locutor) “especialista em petróleos” pronunciar a seguinte e douta opinião sobre o actual momento que os mercados atravessam: «O preço final dos combustíveis líquidos é um somatório em que entram vários factores e, por isso, depreende-se (…) ser muito provável que, estando o preço do petróleo a descer no mercado internacional, a gasolina e o gasóleo possam também tornar-se mais baratos, em Portugal, mais cedo ou mais tarde…»
JURO que não me lembro do nome deste douto especialista (mas sei que não era lá muito comum, era até algo arrevesado, mas enfim, quase todos os nossos comentadeiros e comentatrizes têm geralmente nomes e, sobretudo, apelidos bastante arrevesados, como Rogeiro, por exemplo…)!