Jacuzzi, uma carta para o Pacheco

Na minha também longa vida, e não só politica, sempre achei que se alguma dúvida existisse sobre o sr. ex presidente, entre outros, ela nunca seria objecto de grande atenção, investigação ou propagação pela comunicação social. Aliás sempre pensei que seria exactamente ao contrário. Nesse aspecto, também eu, não me enganei. Nem um bocadinho.


Sócrates

__

Em 2009, em cima das eleições legislativas e autárquicas, foi lançada uma golpada político-mediática que tinha como finalidade prejudicar o PS nessas votações. Essa golpada, ainda durante o período oficial da campanha eleitoral para as legislativas, foi exposta através de provas documentais que permanecem incontestáveis. A origem do estratagema era a Casa Civil da Presidência da República, a única dúvida que permanecia dizia apenas respeito ao grau de responsabilidade do próprio Presidente da República. Após o discurso de 29 de Setembro desse ano, supostamente para esclarecer a posição presidencial a respeito dos acontecimentos e que acabou por ser um dos momentos mais inenarráveis, degradantes e sonsos na carreira política de Cavaco Silva, qualquer interessado na questão encontrava uma solitária conclusão ao dispor da sua inteligência: o Presidente da República tinha participado na golpada eleitoral.

Este é um caso em que, até sem o recurso ao que foi revelado a respeito dos mandantes e agentes do embuste, somos conduzidos pela lógica para a solução do enigma. A 18 de Agosto uma inaudita bomba é lançada pelo Público: o Presidente da República suspeita que está a ser vigiado e escutado pelo Governo. Que se seguiu a uma suspeita que punha em causa os alicerces do Regime e era combustível para um clima de guerra civil? Pois nada. Não aconteceu rigorosamente nada durante 10 dias, excepção para a imediata exploração que PSD e CDS fizeram da calúnia. Só então Cavaco resolveu abrir a boca, mas não para extinguir o caso, antes para o manter na agenda. Ao dizer que acompanhava a situação mas fingindo desvalorizar o episódio, e chutando para depois das eleições o seu esclarecimento, Cavaco transmitia a exacta ideia de que estávamos perante uma invenção ao serviço da perversão da campanha eleitoral e da votação, daí não ser necessário actuar adentro dos seus poderes constitucionais como seria obrigatório que actuasse sendo o boato fundado em qualquer laivo de realidade. Três semanas depois, a poucos dias da votação, o DN publicou um relato baseado em provas que expunha a cabala. Que fez então Cavaco no confronto público com a verdade? Continuou a mentir, dizendo que estava realmente preocupado com questões de segurança, queimando Fernando Lima de forma a que não se queimasse a si, e deixando ir o eleitorado às urnas com essa grotesca suspeita tendo feito o seu caminho mediático e social sem nunca ter sido desmentida e continuando a pairar como avantesma que foi explorada ao máximo.

Na altura, pensei que Cavaco iria ficar com a reputação tão estraçalhada que não iria concorrer para o segundo mandato. Achava que nós, portugueses em Portugal com direito de voto, tínhamos um mínimo de respeito próprio e que, portanto, mesmo que Cavaco concorresse a sua derrota estava garantida. Fosse contra quem fosse. Isto porque a coisa era simples: ter um Presidente da República a cometer um crime de atentado contra o Estado de direito – é disso que se trata, senhores ouvintes – corresponde àquele limite que separa as repúblicas onde vigora a lei democrática das repúblicas das bananas. Só que basta olhar para os nomes que constituíram a comissão de apoio eleitoral de Cavaco nas eleições de 2011 para nos sabermos numa entidade colectiva onde a gana do poder pelo poder sobrepõe-se ao discernimento e à decência. Todas aquelas pessoas, sem excepção, tomaram conhecimento da real conspiração presidencial e, apesar disso, foram cúmplices da reeleição de alguém absolutamente indigno para ocupar o mais alto posto do Estado (ou qualquer outro, pelo menos sem que primeiro tivesse sido julgado e condenado pelo crime em causa).

Nós, os ingénuos, sofremos muito mais do que os cínicos, calafetados estes pela miséria moral onde se embrulham e a que passam a chamar mundo. Mas os ingénuos têm uma vantagem, ou que seja tão-só um penacho, que justifica todas as agruras a que ficam condenados: estão sempre a aprender – como dizia Sólon de si próprio, um dos venerandos patriarcas para todos os apaixonados pelo Estado de direito. E é preciso ser-se mesmo um grande ingénuo para elevar a lei abstracta e comunitária acima da fúria ideológica e tribal.

Ninguém no sistema partidário, à esquerda ou à direita, quis assumir as dores e o vexame da República na “Inventona de Belém”. A Procuradoria-Geral da República não viu motivo para intervir, até porque teria de ser o Parlamento a fazer a denúncia dado tratar-se do Presidente da República. A imprensa estabeleceu uma omertà que dura até ao dia de hoje, sete anos e meio passados. Os governantes e dirigentes socialistas ao tempo nada podiam fazer, pois estavam em cima das eleições e eram a parte fraca, o saco da porrada. E assim continuaram, indo para um Governo minoritário que foi queimado por Cavaco até às eleições presidenciais em 2011. Logo que foi reeleito, e no acto solene da tomada de posse na Assembleia da República, Cavaco apelou ao derrube dos socialistas por todos os meios, inclusive pela rua. A aliança negativa que chumbou o PEC IV fez-lhe a vontade. Foi a conclusão do mesmíssimo plano do qual a golpada de 2009 faz parte.

Cavaco podia ter continuado sem nada dizer a respeito do assunto, um assunto onde o País é cúmplice do crime ocorrido, mas como o seu sentimento de impunidade é total veio mentir mais uma vez. Nem sequer a confissão, também em livro, de Fernando Lima o travou. O desplante alucinado do que fez explica a reacção acabrunhada da direita, onde só os mais sordidamente fanáticos aparecem a louvar Cavaco pela desgraça ética onde está enterrado. Para piorar, um dos principais envolvidos na inventona, José Manuel Fernandes, também mente desbragada e impunemente, nem sequer sabendo o que o seu jornal realmente publicou e deu a publicar. Mentiras dos dois que não só rivalizam como chegam mesmo a superar as de Trump.

Ao ter vindo falar do caso, e ao fazê-lo do modo como o fez, Cavaco deu a Sócrates uma das melhores presenças mediáticas dos últimos anos. Essa exposição, frente a uma Judite de Sousa sem condições deontológicas e cognitivas para o papel de entrevistadora daquela figura a respeito deste caso, foi anulada mediaticamente nas horas e dias seguintes dado que nenhum dos fazedores de opinião, seja em jornais ou televisões, quer tocar no assunto. E não querem porque o que Sócrates disse é à prova de estúpidos.

Quando Vasco Pulido Valente, que não tinha de espetar essa lâmina para continuar a zurzir no seu ódio de estimação, escreveu “ele não gosta de escândalos como o escândalo das “escutas”, que vários peritos dizem que ele próprio inventou.” foi ultrapassado o Rubicão. O crime de Cavaco foi oficialmente proclamado como uma evidência, e as provas foram fornecidas pelo próprio. Só que nada lhe vai acontecer, porque o País prefere continuar a proteger Cavaco mesmo quando o que fez nos conspurca a todos.

Pacheco Pereira foi um dos mais activos e poderosos cúmplices de Cavaco na “Inventona das Escutas” e não só. Em cima das eleições de 2009, Pacheco andava desaustinado a dizer aos jornalistas que a seguir à votação se iriam descobrir os monstruosos crimes de Sócrates, e que se Cavaco não dizia mais a respeito disso era só porque não o podia dizer naquela altura, a poucos dias do escrutínio. O Pacheco continuaria nos meses seguintes a repetir essa cassete, e conseguiu fazer-se deputado para se enfiar numa saleta e escutar o que a espionagem a Sócrates nas conversas com Vara tinha recolhido. Saiu de lá a cuspir umas inanidades de imediato desmentidas pelo deputado comunista João Oliveira que se tinha prestado a exercício igual. De lá para cá, o Pacheco vestiu a toga de juiz do Regime e da sociedade, enchendo a boca com tiradas moralistas e morigeradoras a bem da Nação e seus costumes, mantendo a sua obsessão por Sócrates bem anafada e rosadinha. Pois bem, Pacheco, conta lá: não tens nem meio pingo de vergonha nessas barbas e nessa pose de cagão chico-esperto, pois não?

.

79 comentários a “Jacuzzi, uma carta para o Pacheco”

  1. Mas que merda é esta, clico em cima de Sicrates e sou dirigido para o Facebú ?! ?
    Que falta de maneiras !
    É favor apresentar-se à Dona Bobona ! Já !

  2. e que carta maravilhosa. ainda bem que a vergonha não tem de pagar impostos senão nós, os que a temos, estávamos fodidos e falidos. cambada de gente que anda a mamar à custa do boicote ao bem comum; miseráveis poderosos; ogres ranhosos pestilentos.

  3. E é por causa da arrogância e agressividade do dito da Covilhã, que falha em conceitos como educação, instância política e judicial, que está metido nos “bróculos” que o levarão à cadeia…com cúmulo jurídico.
    Estes tiperdas reduzem tudo a política, saudosistas das revoluções, prisões políticas…precisam do carimbo da cadeia…como os gangs da california, para serem reconhecidos, aceites…

    É só rappers in town…mais crappers, I´d say…

    Nem as alcoviteiras mixordeiam tanto…

  4. Aquela página do FB onde as pessoas asseadas não conseguem entrar é a que foi criada pela Jasmim, suponho, e por outros democratas do não sei o quê Sempre Presente que andou andava de autobus para cantar as Janeiras? A que os tipos do jornal i, aqui há dias, se referiam que tinha 1500 likes, saiba-se lá porquê? É que, se sim, ela foi criada quando o Aspirina B deixou de ser uma capela para os e as chorosos/as carpirem as mágoas naquela lista que o Plúvio se deu ao trabalho de elaborar…

    Estás arrependido, Valupi?

    Blogosfera – Capelas da socratolatria

    Câmara corporativa – ? > António Peixoto
    Em pausa desde Dezembro de 2015 por esvaziamento de pretexto e talvez, sabê-lo-emos,
    esvaimento de recursos.
    Aspirina B – ?
    Vai e vem – Estrela Serrano e Azeredo Lopes
    A estátua de sal – Manuel Gomes
    O jumento – Victor Sancho
    Jugular – Fernanda Câncio, Maria João Pires, Ana Matos Pires et alii
    Da literatura – Eduardo Pitta
    Causa nossa – Ana Gomes/Vital Moreira
    Um jeito manso – ?
    Defender o quadrado – Sofia Loureiro dos Santos

    Plúvio*, 19.Jan.2017

    ______

    * Metempsicose de Deniz Costa

  5. Essa Ana Matos Pires é do mais ignorante que há, e ilustra-o bem quando responde com a agressividade que se lhe cheira e sente, quando é confrontada por mulheres inteligentes.

    As limpezas históricas de quem pensava diferentemente dos esquerdistas continuam a ser seguidas por gente que não aceita que haja quem pense diferente. Se os comunas e afins, de facto, mandassem, este mundo repetiria o passado…

  6. Valupi: “E não querem porque o que Sócrates disse é à prova de estúpidos.”

    É exactamente isso, e o resultado está à vista: orelhas moucas e a vassourinha dos media para tentar varrer os cacos do Cavaco para qualquer lado, na esperança de que o povinho não dê por isso.

  7. 1/2

    Toma lá Valupi mais, e entretanto digam à Jasmim ou lancem um peça no Twitter para se arranjar alguém que arranje aquela retrete porque o pivete que ela exala não se pode. E deixem a porta fechada!

    Do que nós nos livrámos, obrigado.

    Sobre Francisca Van Dunem,
    a ministra da Justiça de Antó-
    nio Costa, a página “José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa”
    chega a mesmo a acusá-la de
    cobardia.

    “Arriscaria a chamar estas atitudes recorrentes de cobardia
    politica”, escreve-se na página
    a propósito de uma entrevista
    da ministra em que esta afirma
    não pretender “criar prazos fixos
    para a investigação” que visa o
    antigo secretário-geral do Partido Socialista.
    “A excelentíssima sra. ministra da Justiça, vem neste dia
    aliar-se à posição política dominante: não mexer naquilo que
    possa mostrar as feridas da instituição e do regime. Como se
    passar entre pingas da chuva
    fosse o alto desígnio de governante ou de um magistrado”, é
    apontado ainda.

    Jornal i, 23.2.2017, p. 6.

  8. 2/2

    Toma lá Valupi mais ainda, e entretanto digam à Jasmim ou lancem um pedido no Twitter para se arranjar alguém que arranje aquela retrete porque o pivete que ela exala não se pode. E deixem a porta fechada!

    Do que nós nos livrámos, obrigado.

    Notas de imprensa, convites
    para o lançamento do novo livro,
    comunicados da defesa, desabafos, ligações para notícias e
    entrevistas relacionadas e até
    correspondência privada com
    Mário Soares. [que caraças!]

    Há uma página na rede social
    Facebook, em nome de José
    Sócrates, que tudo isso revela.
    “José Sócrates Carvalho Pinto
    de Sousa” já conta com mais de
    mil e quinhentos “likes”.

    A página na rede social, que
    até há umas semanas tinha anexo um website amador e de apoio
    coletivo, entretanto retirado, foi
    criada em finais de 2016, estando agora a atingir maiores níveis
    de notariedade.

    idem, ibidem.

    _____
    Como diria o António Guterres, é só fazer as contas.

  9. […]
    2) Como se previa, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava (dois ex-génios da gestão) integraram o lote de duas dezenas de arguidos da Operação Marquês, onde pontificam José Sócrates e Ricardo Salgado (um ex-génio da política e um ex-mago das finanças). Espera-se que a decisão do procurador Rosário Teixeira e do juiz Carlos Alexandre não protele novamente o fecho do processo, o que seria mais uma machadada na justiça e no direito dos cidadãos de não andarem dezenas de anos sob investigações e julgamentos. Até porque a lentidão da justiça convém aos culpados e prejudica os inocentes, embora inocentes não devam abundar neste e noutros casos relacionados.

    Eduardo Oliveira e Silva, um dos ranhosos num momento de rara sensatez (a ironia aqui não conta).
    Jornal i, 1.3.2017, p. 27.

  10. “Pois bem, Pacheco, conta lá: não tens mesmo um pingo de vergonha nessas barbas e nessa pose de cagão chico-esperto, pois não?”

    É isso mesmo Valupi, o pacheco é uma miséria moral que, como igual a todas as misérias morais do cavaquismo, continua a contar com a sic do ti balsemão e outros media semelhantemente activos colaboracionistas dos negócios à mama do Estado, onde se prostitui diariamentea escondendo-se atrás de argumentos históricos convenientes e literatura habilidosa.
    A todos que detesta nunca se farta de pedir esclarecimentos e mais esclarecimentos que nunca o convencem e nunca são suficientes, claro, para manter a sua opinião de cagão xico-esperto como se fora uma infalibilidade.
    Mas onde estava a sua infabilidade quando era devoto apoiante e colaboacionista de cavaco? E quando se integrava na manhosa máfia do cavaquismo e se relacionava com ela irmamente? E, suprema estupefacção de gente honesta, aquela de ser braço direito durante anos dum corrupto criminoso sob todos os aspectos como duarte lima sem nunca dar por nada? E, depois, por sobre toda a sua prática política imunda voltou a dançar amorosamente enlaçado em durão barroso outro escroque de tão alto nível que ainda nenhum alpinista, de cá ou de Bruxelas, viu o cume ou o atingiu.
    O célebre episódio das vacas loucas já era premonitório do seu modus político que se foi salientando com o cavaquismo, o apoio indecente e cobarde da invasão e guerra do Iraque, da clautrofobia do bonequinho de bonifrates que ele transformou na intelectual “asfixia democrática” e que terminou no apoio a durão a troco do cadeirão de embaixador (ou representente) na OCDE.
    Rendido ao cavaquismo por interesse próprio, desde então, os media não param de lhe tecer os encómios necessários para que continue a vender a ideologia dos donos embrulhada numa retórica literária adequada e bem urdida que passa por sábia.
    O que pacheco faz com retórica histórico-literária faz o seu amigo lobo com rectórica juridico-económica: vender a ideologia dos donos.

  11. diariamentea = diariamente

    colaboacionista = colaboracionista

    irmamente = irmãmente

    claustofobia = claustrofobia

    representente = representante

    Dúvidas, mais duas:

    1. «retórica histórico-literária faz o seu amigo lobo com rectórica juridico-económica», não será req com mais uns acentos por ali Valupi?

    2. «E, depois, por sobre toda a sua prática política imunda voltou a dançar amorosamente enlaçado em durão barroso outro escroque de tão alto nível que ainda nenhum alpinista, de cá ou de Bruxelas, viu o cume ou o atingiu.», Valupi quem é quer quer ver o quê do Durão Barroso?

    _______

    José Neves, larga a algália.

  12. «Ricardo Salgado afirmou em inquérito que não sabia nada sobre as sociedades offshore que movimentaram o dinheiro suspeito de ter saído do “saco azul” do GES para Helder Bataglia, que acabaram na conta do amigo de José Sócrates. Viu no Expresso, disse, quando o jornal revelou a utilização das empresas-veículo durante a investigação Panamá Papers», ora nem mais! Entrámos na era dos factos alternativos, meus senhores, ou não?

    No Expresso, online.

  13. Liguem, gritem, usem o FB do senhor Pinto de Carvalho ou o da Jasmim, pois não é o score 36-1 do TRL (nem o jackpot do STJ dentro de um embrulho com um lacinho para os sôtores Delille e Araújo) mas hoje o José Sócrates já ganhou o dia!

    Procurador suspeito de corrupção emprestou dez mil euros ao juiz Carlos Alexandre

    Orlando Figueira é amigo do magistrado, e um dos principais arguidos da Operação Fizz. Dinheiro para ajudar na construção de casa em Mação já foi devolvido.

    ANA HENRIQUES 2 de Março de 2017, 19:23

    Aqui: https://www.publico.pt/2017/03/02/sociedade/noticia/procurador-suspeito-de-corrupcao-emprestou-dez-mil-euros-ao-juiz-carlos-alexandre-1763826

    [VIVA!]

  14. Ops, Carvalho Pinto (José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa é da emoção, desculpem).

    [Pinto de Carvalho era o Tinop, qualquer dia explico isto à Maria Só.]

  15. o Valupi quis organizar uma procissão ,mas foi. o santo crucificado lá no andor de missal aberto :) ainda bem que avisaram , não fossem confundir um transeunte com um participante :)

  16. O dinheiro do Orlando Figueira só pode ser do Alexandre. Onde é que já se viu alguém emprestar (ou partilhar) o seu dinheiro com um amigo sem escrituras e impostos?…

  17. Impõe-se um daqueles infogramas cheios de animações e música de fundo dramática, com montes de setas a dançar entre ministros angolanos, procuradores corruptos e juízes credores.

  18. O pacheco tem que ter cuidado. Os desgostos que o cavaco lhe dá, os podres que virão a lume não tarda, as boas prestações do Ex. Primeiro Ministro José Sócrates fazem-lhe mal à saúde.
    Engorda sempre e fica mais corado. A idade já exigia mais serenidade e um caminho de redenção.
    O ódio a José Sócrates só pode ser inveja, despeito e, provavelmente não ser apreciado por ele.
    Mal empregada massa cinzenta com uso tão básico. Igual ao mãnhas.
    São de facto, umas barbas sem vergonha.

  19. Portanto a diferença entre ser honesto e não é que um pagou e o outro ia pagar?

    Tá fixe essa tua teoria, pensaste isso tudo sozinho ou tiveste ajuda?

  20. A pulhice retórica do lobo e o estado de obcessão paranoica do pacheco com Sócrates ficou à vista desarmada ainda há pouco na quadratura.

    A pulhice do lobo:
    inicia a conversa com a declaração de núncio como homem probo de integridade à prova de qualquer suspeita. Claro, com tal prefácio introdutivo de impoluta probidade à cabeça tudo está automaticamente justificado ou considerado como simples engano, erro, descuido ou culpa de outrem e impossibilidade de que se trate de acto de corrupção do dito núncio.
    A partir do preâmbulo foi um fartote de retórica e inversões de pormenores para justificar o injustificável e tratar o pagode por parvo como lhe respondia o pacheco.

    A pulhice do pacheco:
    Inicia a conversa contrariando inteiramente o amigo lobo, enquanto este abanava a cabeça a indicar desacordo e às tantas, entusiasmado a denunciar o núncio tendo sempre o cuidado de não chamar o nome à coisa, lança para o ar o vómito; «…claro tudo isto foi institucionalizado pelo Sócrates», blá, blá, blá pachecal.
    E deste modo, precisamente como o lobo branqueara à partida o núncio o pacheco, vesgo de ódio à superioridade política de Sócrates, duma penada atira todas as culpas e corrupções do núncio para cima das costas do seu inimigo político de estimação.
    Este pacheco que odeia passos porque não lhe concedeu cadeirões dourados de prebenda e odeia Sócrates pela sua superioridade moral, política e carisma quando tem de exemplificar algo de mal ou corrupção logo lhe vem à mente, como o cão de Pavlov, o nome de Sócrates.
    Neste caso nem sequer se lembrou que foi o governo Sócrates que, devido a suspeitas havidas, legislou de forma a que os movimentos para offshores fossem escrutinados e tornados públicos. Como também nunca lhe vem à mente o oliveira e costa feito banqueiro à custa de perdões fiscais nem do dias loureiro ou do relvas que agora até já é banqueiro a querer comprar o novo banco ou mesmo do cavaco e do cavaquismo, a mais ampla escola de alunos “probos” como o núncio.

    Pulhices de alta escola.

  21. Ah! Quando a matéria de facto começar a ser discutida, e as provas documentais a aparecer…vamos,então, ver o que são prestações políticas, prestações pecuniárias, prestações mitómanas, prestações generosas, prestações fungíveis e …eventualmente,alguém expulso da sala…

    Quanto ao comuna aí de cima, as tuas teorias teem lugar cativo na ótica traseira. Yawn.

  22. José Neves, vi que fez progressos na prova da redacção e que hoje quase que não deu erros.

    “Suficiente”, eis a tua nota (apesar do plural de probo se escrever probos, obsessão escreve-se com s),

  23. «Soistrampa disse: Porém, o dito juíz DEVOLVEU o dinheiro…»

    E não põe problemas a ninguém que o super-juiz inimigo figadal das tentações corruptivas ande a pedir dinheiro emprestado a procuradores do ministério público? E que se arme em vedeta mediática para dizer que não tem amigos que lhe emprestem dinheiro, razão pela qual não lhe resta senão viver do seu trabalho?

  24. Meirelles, dá-lhe e atiça-lhe esse tigre de papel que pode ser que lhe meta medo
    (a ele e aos infantilóides retardados que ainda acreditam no homem do saco ou em papões).

  25. Gungunhana Meirelles

    RESPOSTA: não!

    O dito juíz violou alguma regra? Qual?
    Há movimentações suspeitas na conta dele? Quais?
    Na sua inquirição resultou a violação de algum dever moral ou outro, inclusive o que é esperado ou é exigível do “homem comum”?

    Existe alguma regra que proíba mútuos entre amigos?
    Existe alguma regra que proíba relações de amizade entre profissionais?
    Existe alguma regra que imponha a um magistrado ou qualquer outro profissional que ADVINHE que um é corrupto?

    Há aqui alguma comparação com a generosidade identificada no processo Marquês?

    E a generosidade naquele processo é aceitável para a normalidade do “homem comum”?

    Logo, porque razão se enfoca no empréstimo ao aludido juíz?
    Por uma razão: os comunas e chupialistas não admitem sequer que o seu Sócrates possa ser alvo de investigação.

  26. Esse argumento do “homem comum” é fantástico! Do que dizes retira-se que ser acompanhante de luxo é mais grave que ser puta de beira de estrada, certo ? Pasmo! Pensava eu que todos éramos iguais perante a lei, mas está visto que tenho andado enganado.

  27. MRocha
    “Esse argumento do “homem comum” é fantástico!”

    Você é um ignorante! Um gigantesco ignorante! Não é você que pasma! Sou eu e outros que entendem o que escrevo! Aquilo que você chama “argumento do homem comum” e que qualifica de fantástico, é SIMPLESMENTE UM CRITÉRIO LEGAL!!!! Agora vá esconder-se na cave mais putrefacta que encontrar, para se confundir com o cheiro e ninguém dar por si durante uns tempos.

    É isto que anda a comentar processos judiciais….

  28. Então desenvolva , Meritissimo !Vista a toga de “espirito” da Lei Fundamental e explique aqui aos ignaros onde é que estriba esse “critério legal ” que divide esse seu mundinho de trampa em homens comuns e incomuns !

  29. Não Ferra! Esse gajo é mais que isso: é um bactéria lançada pela direita caceteira como primeira linha na sua batalha pela reconquista do poder. Contaminam o espaço publico e tentam silenciar o debate democrático com o ruído que produzem.
    E é um erro subestimá-los. Não esqueças que é da metamorfose disto que eclodem os trumps da História.

  30. MRocha, larga as pedras e deixa-te de zinhos e outras mariquices que o homem é hetero
    (a mim também me incomodam tantas parvoíces, sim).

  31. «Soistrampa disse: E a generosidade naquele processo é aceitável para a normalidade do “homem comum”?»

    Soistrampa, se pensardes um pouco, percebereis que se tratava de (esperançosamente) fina ironia. A generosidade que está em causa é a generosidade com que se prende sem justificação, se julga sem imparcialidade, se goza com a surrealista noção de prazos máximos indicativos, se atropelam direitos, e se condena em praça pública sem acusação — quanto mais provas — através de violações clamorosas da lei que se repetem diariamente ao longo de anos, sem a mínima investigação séria dos óbvios suspeitos judiciais — quanto mais castigo penal ou unicamente repreensão disciplinar que fosse…

    Tudo isto perante uma população completamente ignorante em matéria de direitos civis, cada vez mais imbecilizada pelas cabeças falantes da tele-tela.

  32. Mas não se pense que este conúbio incestuoso dos poderes judicial e mediático só ocorre em Portugal. Longe disso. Aconselho os corações esquerdistas que por aqui palpitam a seguir mais de perto o que se passa por toda a infeliz União Europeia, e não só. Por exemplo:

    Faut-il incarcérer les révisionnistes?

    E aí está a verdade numa casca de noz, como dizem os anglófonos: «La responsabilité de chacun implique deux actes : vouloir savoir et oser dire» (Abbé Pierre).

  33. Meirelles, não sei se é muito sapiente atirares o assunto para canto. Case study, queres?

    Tens a decorrer uma novela com o François Fillon que tem, óbvias, semelhanças com o caso do ex-PM. Não em relação à substância mas porque tens em presença os diferentes poderes: político, judicial e mediático, apimentado neste caso porque tens um calendário a decorrer!

    Para além disso, tens a voz do Soberano, tantas vezes invocado no Aspirina B a propósito de alguma coisa ou não se sabe de quê (ou melhor sabe-se, já que ele infelizmente é chamado a maior parte das vezes porque dá jeito na argumentação Valupiana sobre o assunto a ou bê… e, como no Eterno Retorno, chega-se quase sempre ao Zê de José S.), vozes amplificadas e que são parte activa desse espectáculo.

    Suspeita-se de, o MP investiga como deve fazer e o François Fillon começa por desaproveitar as sucessivas oportunidades para esclarecer convincentemente os indígenas francófonos e prossegue em campanha assobiando mais uma chanson da Edith Piaf (até acabar por esbarrar com os cornos na parede e desdizer-se, passando ao estatuto de arguido).

    Enquanto isso, nas ruas, os eleitores dizem incrédulos que não é possível pedirem-lhe que votem num tipo que quer ser PR e é acusado de ser ladrão. Eu vi, está tudo doido?, e é assim mesmo.

    Nota. A propósito de um link de uma prosazinha sempre brilhante sobre o populismo que o Eduardo Dâmaso escreveu, e que deveria ser verdadeiramente brilhante porque o tipo é um dos escritores de cabeceira tanto do Valupi como da Penélope, eu fiz um copy dos editoriais do Libération. Silêncio, schiu! que se vai cantar o fado.

  34. «Aeiou: o MP investiga como deve fazer

    Tudo se resume a isso. Por lá, não sei como foi porque não tenho seguido o caso Fillon. Por cá, sei, porque vejo todos os dias a farsa judicial em curso.

  35. E já agora, o Fillon (ou a Mme. Fillon) já foi preso com grande fanfarra na véspera exacta de um importante congresso do seu partido? Não tenho seguido, mas estou curioso.

  36. A ver se nos entendemos, o que é interessante analisar num case study é como os diferentes poderes e os protagonistas reagem.

    Sobre o caso José Sócrates poder-se-ia perceber se o assunto está “inquinado” e se há culpas várias (eu acho que sim e já referi isso aqui, criticando o Valupi por não assumir as do Aspirina B quanto ao frenesim que tornaram o tema numa árvore que foi perdendo as folhas algures desde o Outono… aliás, como só ao fim da noite li este post de fio a pavio e é no fim que acontece a revelação espectacular diante dos nossos olhos esbugalhados!, o escrevente lançou saiba-se lá porquê uma cruzada contra o coitado do JPP porque ele não dedica um “pingo” de atenção aos esgares televisivos dos senhores Cavaco Silva e de José Sócrates, só visto!). E que diz para ajudar à festa, nomeadamente? Ora, o Valupi escreve “apenas” que «Ao ter vindo falar do caso, e ao fazê-lo do modo como o fez, Cavaco deu a Sócrates uma das melhores presenças mediáticas dos últimos anos»! Diria mesmo mais: ou de décadas ou, porque não dizê-lo, desde a Renascença até ao século XX em diante?!

    Quando as coisas passam a ser do domínio da fé ou da fezada, ná!
    Eu estou noutra, como se percebe.

  37. «Aeiou: A ver se nos entendemos, o que é interessante analisar num case study é como os diferentes poderes e os protagonistas reagem.

    Aeiou, para abreviar, o que é interessante num case study como tal considerado, é a parte que como tal o faz ser considerado, não lhe parece? No caso vigente, até agora, a saber: o escandaloso desempenho da justiça e seu recurso a meios clamorosamente ilícitos para prender e condenar na praça pública sem julgamento e nem sequer acusação.

  38. Meirelles, estás como a pescada antes de o ser já o era (e não se sai do mesmo sítio).

    Nota, é-o também, mas faz isso com uma máquina em movimento como fazem no cinema: «o que é interessante num case study como tal considerado, é a parte que como tal o faz ser considerado». Seja antes, a filmar, e depois no escurinho como diz a Rita Lee. No flagra, que até tem sinónimos vários.

  39. «Aeiou: Meirelles, estás como a pescada antes de o ser já o era (e não se sai do mesmo sítio).»

    Aeiou, quente, quente, estás quase a conseguir equacionar o fulcro do case study, que tem muito a ver com o pecado original, com o processo Casa Pia etc.: quem nasce culpado, antes de o ser já o é, como a pescada. A mais lapidar colocação do problema que até agora ouvi, foi a do Daniel Oliveira no último Eixo do Mal: «o Ministério Público já sabe que o Sócrates cometeu crimes; agora só lhe falta descobrir que crimes é que cometeu».

    Nada de novo no panorama histórico da Justiça portuguesa.

  40. Bem, Meirelles, eu sempre acompanho umas coisinhas melhores do que as graçolas do Daniel Oliveira no Eixo do Mal. No entanto, reparo que começa aqui a formar-se um padrão:

    Meirelles cita o Daniel Oliveira no Eixo do Mal,
    Valupi elogia o Pedro Mexia,
    Penélope ama o Eduardo Dâmaso (ou co-ama, pois o Valupi também ama),
    Strummer gosta das cenas duras do Youtube.
    A Jasmim gosta de puro stand-up mas do RAP tem dias, acho,
    Corvo Negro da voz insinuante do Vítor Espadinha,
    Olinda ama sempre o Valupi (é co-, mas chega!)
    etc. etc.

    vs.

    José Neves, esse ínclito varão simultaneamente nascido no século XII e nosso contemporâneo,
    por sua vez, acha esses bandalhos todos uma cambada de “engraçadistas”
    (e o Pacheco não é melhor!)

    _____

    [E tu, menino? Ah, eu gosto mesmo é do Glorioso.]

  41. Aos ignotarancios above, continuem pasmados com a vossa ignorância…que gera muito riso e gargalhada…eheheh, ignorantes! Então, o critério do “homem médio” é algo ….que nunca ouviram falar mas estupidamente continuam a mencionar o tema de forma totalmente absurda…yawn.

  42. Aos ignotarancios above, continuem pasmados com a vossa ignorância…que gera muito riso e gargalhada…eheheh, ignorantes! Então, o critério do “homem médio” é algo ….que nunca ouviram falar mas estupidamente continuam a mencionar o tema de forma totalmente absurda…yawn.

  43. Gungunhana Meirelles

    Meu caro…eu já pensei. Parece é que há esquerdalhas burróides que não querem ler nem perceber o que está ao alcance de um ser minimamente instruído…quanto à “fina ironia”, como sabeis, não pode ser convidada em matéria tão…”penalística”….
    Quando um “ser” fica pasmo com o “homem comum”, só pode concluír-se que a amostra de “pensamento” é, de fato, o que carateriza a idiotia que anda a clamar direitos, deveres etc e mais, na justiça.

  44. MRocha
    3 DE MARÇO DE 2017 ÀS 15:35
    Então desenvolva , Meritissimo !Vista a toga de “espirito” da Lei Fundamental e explique aqui aos ignaros onde é que estriba esse “critério legal ” que divide esse seu mundinho de trampa em homens comuns e incomuns !

    A IGNORÂNCIA deste MRocha e demais alcunhas que o tipo usa aqui, devia ser emoldurada. ÉS BURRO, mas BURRO de verdade. Mundinho de trampa vives TU, com a cabeça que tens, grande BURRO! SE QUERES COMENTAR, OPINAR, ÉS LIVRE DE FAZÊ-LO, MAS FÁ-LO COM UM MÍNIMO DE INTELIGÊNCIA, PARA NÃO SERES CHAMADO DE BURRO! NA VERDADE, ÉS O GERME QUE INFETA QUALQUER POPULAÇÃO E DÁ NOME – mau – A UM PAÍS.

  45. MRocha
    3 DE MARÇO DE 2017 ÀS 15:52
    Não Ferra! Esse gajo é mais que isso: é um bactéria lançada pela direita caceteira como primeira linha na sua batalha pela reconquista do poder. Contaminam o espaço publico e tentam silenciar o debate democrático com o ruído que produzem.
    E é um erro subestimá-los. Não esqueças que é da metamorfose disto que eclodem os trumps da História.

    Deves lavar a boca antes de falar de TRUMP. TRUMP não tem paciência para tipos com o teu handicap, nem para lhe limpar a retrete. Antes TRUMP que um comuna que se abotoou ao poder, e se azia perante os comunóides como tu. Passa hoje na casa do costalha e senta-te à mesa dele, porque na tua democracia sáo todos iguais e partilham todos riqueza. No entretanto, durante o banquete pago por mim, vi produzindo o debate democrático, com o afundamento da economia no meio…um pouco como o outro que votou tornar os portugueses mais pobres – o teu Sócrates…

  46. O “abecedário” está a chamar-me à liça? Então aqui vai:
    Os Meretíssimos “homens de mão do MP” não largam este blogue. Pelo menos podiam acrescentar-lhe algo de útil, mas como devem ter feito o curso nas aulas de Castelo de Vide, não conseguem articular uma frase sem nela inserirem trampa, burros, idiotas e quejandos, melhor fora que tivessem antes estagiado com quem verdadeiramente sabe de Leis e Justiça.
    Ora limpem-se lá a este guardanapo:

    ” “A OPERAÇÃO” (8 agosto de 2016)
    O caso Sócrates conheceu há dias mais novidades, nem mais nem menos indecorosas que as novidades anteriores.
    Centremos as coisas onde sempre estiveram.
    José Sócrates foi detido, sob pretexto de perigo de fuga, quando regressava ao país; a prisão preventiva decretou-se com invocação de “fortes indícios” de corrupção para acto ilícito.
    Correram dez meses de prisão preventiva (com quase outros tantos em liberdade provisória) e o Ministério Público ainda não conseguiu dizer que acto ilícito seria esse, embora tenha – com aquela técnica da cara séria com que o MP faz as mais desvairadas asneiras – atirado o barro à parede com uma Lei regularmente votada sob proposta elaborada pelo Ministro das Finanças (que permitia e estimulava o regresso ao país de recursos financeiros em fuga).
    E verificando-se que isso era um disparate insustentável, descobriu-se a “nova solução” de Vale de Lobo que uma resolução do Conselho de Ministros (acto obviamente colegial) teria beneficiado sem que se veja como, porque as competências em causa são autárquicas e se a autarquia estava a aplicar mal a Lei, o MP deveria ter requerido em conformidade junto do Tribunal Administrativo competente.
    Ainda estávamos assim quando há dias novas explosões informativas de um jornal tecnicamente insolvente vieram alertar para o facto do MP estar a investigar um dos advogados de defesa, porque seria sócio de uma “rent-a-car” que teria feito alguma coisa com um carro a que se liga Sócrates.
    Um dia virá em que o MP noticiará – sempre por estes modos ínvios – que está a investigar o número de obturações dentárias de Sócrates e a investigar os seus dentistas.
    Pelo caminho confessou a Hierarquia dos Tribunais uma rusticidade confrangedora e uma malevolência assustadora, o que não é pequeno problema político.
    Minutou a Hierarquia dos Tribunais – com duas excepções honrosíssimas – quase em uníssono, portanto, os “fortes indícios” onde rigorosamente não podia nem pode haver sequer suspeita séria. E já nas diversas datas em que isso foi sendo subscrito não podia haver suspeita séria.
    É agora esta tristíssima figura da Hierarquia dos Tribunais o grande argumento da imprensa insolvente – “dezenas” de magistrados confirmaram… É verdade. Infelizmente.
    Há um bom número de colégios decisores que reduziram a um quase-nada a respeitabilidade do aparelho judiciário inteiro.
    No TC saiu um aresto inqualificável a dizer que se pode presumir factos em processo penal usando a própria indução (sem especificações, podendo ser a empírica, por exemplo). O Supremo Tribunal de Justiça disse que não estava em contexto processual que lhe permitisse resolver as complexas questões jurídicas em presença (!) E a Relação de Lisboa, presidida pelo desembargador Vaz das Neves (gravado em escutas telefónicas dos “vistos gold”) recusou um projecto de acórdão notável que passou a declaração de voto, transmutação operada pela Senhora Presidente da Secção. Pelo meio e até agora, até os prazos se tornaram meramente indicativos… Durante este tempo, ou boa parte dele, o “segredo interno” vedando o acesso da defesa aos autos, serviu para proteger não o que nos autos houvesse, mas o que nos autos não estava.
    Há um problema político gravíssimo aqui. Um verdadeiro buraco na concretização da Teoria Geral do Estado. É que os Tribunais imparciais com os quais haveria de julgar-se fosse o que fosse, deixaram manifestamente de existir entre nós.
    Por comprometimento próprio. Foi a Hierarquia dos Tribunais quem geriu deste modo a respeitabilidade que lhe restava.
    Reabrindo agora as hostilidades e virando-se contra a equipa dos defensores, o aparelho demonstra que carece completamente de maturidade e equilíbrio para continuar só. Foi até agora incapaz de respeitar a disciplina intelectual mínima nestes autos – como de resto noutros, infelizmente – e a liberdade e segurança dos cidadãos exige que seja rapidamente colocado sob monitorização externa.
    Tudo aqui opera de acordo com o diagnóstico de Montesquieu: nas situações de opressão extrema, a ignorância é a regra nos que comandam como nos que obedecem, porque não há nada a estudar, a deliberar ou a ponderar onde basta querer. É assim que se vive aqui, como tudo o demonstra.
    É portanto imperioso requerer medidas provisórias numa queixa ao Tribunal de Estrasburgo. Ou – caso se prefira esta outra linha, que em concreto não recomendaria se alguém me pedisse a opinião – suscitar uma questão prévia de Direito da União a título de eventual reenvio prejudicial.
    Do ponto de vista político, porém, é claramente imprescindível uma reforma do aparelho judiciário que inviabilize a repetição destas confrangedoras cenas. Esta gente não pode ser deixada em condições de poder repetir. Há infelizmente carreiras que devem ser imediatamente cessadas. Evidentemente.
    Um aparelho judiciário neste nível de degradação é uma ameaça iminente à segurança do Estado (q.e.d.).
    Quanto à Operação Marquês, o processo não existe. Não há processos assim. Processos que sejam processos, correm diante de tribunais imparciais, tecnicamente suficientes, respeitando a equidade e a disciplina própria dos actos. Este processo não existe. Existem procedimentos que surgem, quase todos, como crimes indiciados. Têm-lhes chamado processo. Mas é preciso chamar-lhes outra coisa. “Operação”, parece designação aceitável.
    SUGIRO VIVAMENTE QUE NUNCA SE CHAME PROCESSO A ISTO.”
    José Preto/Jurista

  47. Sois Trampa,

    Há algum argumento no meio dessa berraria ?
    Não o vislumbro!
    Na melhor tradição de certos nativos de Mação, também tu desempenhas na perfeição o papel de filho do feitor: aquele comun que se julga melhor por ter por objectivo de vida imitar a vida dos ricos, normalmente comprando-lhes as sobras em segunda mão, graças aos fretes que faz e limpar-lhes o cu e ao que poupa comendo-lhes os restos. És um mero Kapo. E o mais triste é que nem tens consciência disso.

  48. Um comentário serôdio: lembro-me do Pacheco Pereira,em Coimbra, na crise ,académica,de 1969. Ninguém acredita,pois não? Ensinamento que retiro dessa memória: as pessoas não mudam com o tempo,só refinam.

  49. MRocha

    BURRO. Não precisas de confirmar a tua GIGANTESCA BURRICE!!! Faz, porém, um favor a ti próprio, ignrazoncio: pede ao dono da tasca para APAGAR a tua BURRICE. Eu não preciso de argumentar contigo; não tens conhecimento sequer para seguires o que escrevo; porém, ainda te digo: não confundas ARGUMENTOS com CRITÉRIOS/PRINCÍPIOS LEGAIS.

  50. MRocha

    Igualmente, não precisas de mostrar o teu preconceito, porque todos sabem o pensamento invejoso, ditador e preconceituoso da esquerdalhice mal amanhada com a vida. Agora desanda e vai fazer jardinagem, ao som do Espadinha.

  51. Um gajo que acusa outro de preconceito para depois o mandar jardinar, como se as coisas da terra fossem competências menores, coloca-se exactamente ao mesmo nível dos saloios de Mação, quando criticam aos outros a moral duma prática que partilham .

  52. Corvo Negro

    Tens de mudar de gosto musical, pois o Espadinha não te amoleceu a cabeça suficientemente para compreenderes. Que pretendes com o que alegadamente diz o José Preto? Conheces o José Preto? Conheces? Vê lá a resposta que vais dar…
    Quando andas na jardinagem, a plantar cravos, eventualmente segues alguns passos, até para te equipares para a plantação. Ou será que chegaste, fizeste um buraco e meteste lá tudo e depois começaste a alardear que plantaste cravos e nada mais fizeste senão clamar o que fizeste?

  53. Trica entre Sócrates e Cavaco terá cobertura na SIC Caras e tablóides e não na imprensa política, pois são dois famosos em decadência

    Cavaco Silva lançou uma biografia política onde acusa José Sócrates de mentir e de esconder determinados assuntos enquanto era primeiro-ministro e José Sócrates encomendou uma entrevista à TVI, o canal do amiguinho Sérgio Figueiredo, para acusar Cavaco Silva de mentir e de conspirar contra ele e o PS. Este conflito está a ser ignorado pela imprensa política por razões editoriais. São duas pessoas com uma carreira importante no passado mas que actualmente são absolutamente irrelevantes e no futuro serão ainda mais. Já não têm mais nada para dizer que interesse ao país. É uma mera guerrinha pessoal movida por futilidades, ressentimento e vingança ao nível rasteiro dos concorrentes de reality shows. As pessoas querem ver o acidente. Os comentadores estão ocupados a analisar os players políticos que estão na berra agora e Cavaco e Sócrates só estão a aparecer na capa da Tele Novelas, TV Mais, TV 7 Dias, Nova Gente, a serem comentados por Cláudio Ramos e Joana Latino na Passadeira Vermelha da SIC Caras, no Flash!Vidas da CM TV e no site Dioguinho.pt. JH

    Inimigo Público, 3.3.2017, p. 3.

    [LOL, dedicado ao Valupi e à troupe do Aspirina B com uma adenda a seguir]

  54. Adenda, a dita.

    […]
    Os comentadores estão ocupados a analisar os players políticos que estão na berra agora e Cavaco e Sócrates só estão a aparecer na capa da Tele Novelas, TV Mais, TV 7 Dias, Nova Gente, a serem comentados por Cláudio Ramos, [Valupi, Penélope] e Joana Latino na Passadeira Vermelha da SIC Caras, no Flash!Vidas da CM TV, no site Dioguinho.pt [e no blogue Aspirina B]. JH

    Inimigo Público, 3.3.2017, p. 3 (adaptado).

    [dedicado ao Valupi e à troupe do Aspirina B com uma adenda a seguir]

  55. MRocha
    4 DE MARÇO DE 2017 ÀS 15:03
    Um gajo que acusa outro de preconceito para depois o mandar jardinar, como se as coisas da terra fossem competências menores, coloca-se exactamente ao mesmo nível dos saloios de Mação, quando criticam aos outros a moral duma prática que partilham .

    MRocha, larga as flores e deixa-te de mariquices.

  56. Na Operação Fizz foi detectada uma transferência bancária de 10 000 euros do juiz Carlos Alexandre para o procurador Figueira. O juiz justificou que era a devolução de um empréstimo recebido 2 anos antes para pagar obras na casa de Mação ..

    Pergunta pertinente: e a mesma investigação não detectou igual transferência do Procurador Figueira para o Juiz Carlos Alexandre dois anos antes ? não procurou, ou não encontrou ? esse empréstimo foi feito em numerário ? …

    Desculpem-me não comer logo a tese do empréstimo mas foi esse mesmo juiz quem mo ensinou …

  57. Este Jasmim …tadinho, é coxo…

    Primeiro passo para o jasmim se armar em sherlock …estude um tipo penal chamado “CORRUPÇÃO”.
    Parte objetiva e subjetiva.

  58. «Pergunta pertinente: e a mesma investigação não detectou igual transferência do Procurador Figueira para o Juiz Carlos Alexandre dois anos antes ? não procurou, ou não encontrou ? esse empréstimo foi feito em numerário ?»…, glup!

    Jasmim, deixa-te de parvoíces e bebe uma água das pedras (já que andas com problemas digestivos, pode ser da tal retrete no FB que precisa da arte de um canalizador).

  59. Eis o editorial do Libération , o de ontem e anteontem, à borla e com uma dedicatória especial para o Meirelles e para relembrar ao Valupi e à Penélope o porquê de eu me rever, completamente, no tipo de clareza e higiene de que é capaz o Laurent Joffrin por oposição às tangas servidas-a-metro antigamente pelo Aspirina B. Antigamente, sublinho, porque hoje sobram umas tanguinhas por aqui e por ali, seja nalguns comentários juvenis seja nuns posts; a propósito, estou a recordar-me de um post longo e manhoso que a Penélope escreveu sobre o dinheiro gasto com a última Visão, que li a posteriori e cuja “construção” se alicerça na antiga fé e fezadas e em mais uns baldes despejados sobre a moleirinha dos incautos que se aproximam da sua aparentemente inesgotável (?) camionete de areia. A ler, para recordarem as bases do passado e o aeiou.

    ÉDITORIAL

    Par LAURENT JOFFRIN

    Equipée solitaire

    Ce ne sont plus les rats qui
    quittent le navire. C’est le
    navire qui quitte le rat. Les
    défections s’accumulent
    parmi les soutiens de François
    Fillon, des simples soldats
    aux généraux. Bientôt,
    il fera campagne dans un
    side-car avec les partisans
    qu’il lui reste. Pourtant,
    vendredi après-midi, il
    était toujours décidé à
    conduire jusqu’au bout une
    équipée de plus en plus solitaire.
    Il s’accroche à un espoir : conserver dans l’opinion
    de droite l’adhésion
    qui lui fait défaut parmi les
    élus et les responsables. Il
    peut s’appuyer sur les sondages,
    aussi fragiles soientils.
    Surclassé par Marine
    Le Pen et Emmanuel Macron,
    il garde quelque 20%
    d’intentions de vote dans
    la plupart des enquêtes.
    Preuve que malgré ces vicissitudes,
    l’électorat de la
    droite est encore là. Mais
    aussi que celui-ci ralliera
    sans grande difficulté un
    autre candidat, Juppé par
    exemple. Contrairement à
    ce qu’on écrit souvent, la
    droite n’a pas perdu cette
    élection…
    Fillon compte aussi sur la
    manifestation organisée
    dimanche avec la participation
    très active du mouvement
    Sens commun, qui
    a démontré sa capacité de
    mobilisation. Le peuple,
    pense Fillon, imposera sa
    volonté à la justice. Le calcul
    a pour lui l’apparence
    d’une logique démocratique.
    Mais en réalité, il
    mine l’esprit même des
    institutions. La démocratie
    ne consiste pas seulement
    à désigner les dirigeants
    par un vote populaire. Il
    suppose aussi le respect
    d’un Etat de droit préétabli
    et garanti par des règles
    constitutionnelles. Les juges,
    enmenant leurs investigations,
    ne font qu’appliquer
    les règles en question,
    selon lesquelles la loi vaut
    pour tous, citoyens ou dirigeants,
    élus ou électeurs.
    En faisant appel à la rue
    contre la loi, alors même
    qu’il est candidat au plus
    haut poste de la République,
    Fillon sort du cadre
    démocratique. Il peut
    encore survivre, et même
    gagner. Mais c’est l’esprit
    de la République qui
    perdra.•

    Libération, 4/5.3.2017, p. 2.

    [em estéreo, algures.]

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *