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Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



Acerca da publicação no Correio da Manhã de supostas escutas a Sócrates, Estrela Serrano e Fernanda Câncio apontaram para o que há de mais urgente a esclarecer no episódio. Acerca do próprio Correio da Manhã, apenas lembrar que não estamos perante um jornal de escândalos e porcalheiras convencional, um mero tablóide. Há uma intenção política na linha editorial que toma como alvo o PS, especialmente Sócrates e seus próximos, fazendo deste pasquim um instrumento poderoso para os objectivos da actual direita partidária, especialmente do PSD. Aliás, o modo como alimentam o ódio populista contra políticos e depois o conseguem canalizar contra individualidades estrategicamente seleccionadas é uma operação que merece estudo, um trabalhinho de manipulação muito bem feito.

Todavia, porém, contudo, o que nos interessa é o Pacheco Pereira. Esta sumidade da inteligência nacional passou os anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 a berrar inflamado as suas descobertas a respeito da malignidade de Sócrates: tratava-se do maior monstro que alguma vez tinha ocupado o gabinete de primeiro-ministro em Portugal, tendo ao seu serviço uma equipa de meliantes que tinha tomado conta do Estado e da sociedade através de técnicas dos serviços secretos e de dois ou três blogues (não necessariamente por esta ordem). Longe de mim duvidar da honestidade e perspicácia do Pacheco, e se ele o disse e escreveu é porque indubitavelmente assim aconteceu. De resto, este ex-deputado teve a valentia de cheirar as cuecas da sua presa dentro da Assembleia da República, no que fica como um triunfo ético e civilizacional que espero o acompanhe ao deitar para o resto da sua vida. Mas, eis o cabrão do meu berbicacho, como é que esses cromos todos das artes da espionagem deixaram Sócrates andar a ser escutado aqui e ali, sabe-se lá mais onde e porquê? Só sabemos para quê, graças ao Correio da Manhã, ao Sol, aos magistrados de Aveiro e inclusive ao próprio Pacheco que, no Verão escaldante de 2009, garantiu virem a existir futuras revelações das perfídias de Sócrates que causariam um pequeno fim do mundo. Era fixe que o Pacheco nos ajudasse a lidar com a contradição, mesmo porque não há mais ninguém nesta terra com os seus conhecimentos.

A “Inventona de Belém” tinha sido até agora o episódio político mais extraordinário a que me fora dado assistir em Portugal. O que teve de extraordinário foi o facto de ninguém de ninguém ter pedido responsabilidades a Cavaco face a uma tentativa de perversão de actos eleitorais. É do domínio do fantástico. E se do lado da direita tal não surpreende dada a sua actual decadência, embora continue a chocar, do lado da esquerda raia o mistério. BE e PCP, no fundo, viram com bons olhos essa conspiração made in Casa Civil, esperando colher vantagens. O Estado de direito, a decência das instituições, a democracia, tudo isso era para queimar juntamente com Sócrates. Pior ainda, indescritivelmente pior: dentro do PS havia quem enchesse a pança de gozo com os ataques à liderança do seu partido. O resultado foi o silêncio, e pelo silêncio os ficámos a conhecer.

Esta publicação de supostas escutas ultrapassa a gravidade da golpada de 2009. Faltam-me as palavras, literalmente, para exprimir o espanto perante, mais uma vez, o silêncio de tudo e de todos. Nem Ministério Público, nem partidos, nem PS, nem Sócrates, nem jornalistas, nem figuras públicas, nem ex-Presidentes da República, nem o cão do Alegre, nem a minha vizinha do 4º andar. Ninguém diz nada, o auto-de-fé prossegue no seu ritmo diário, para júbilo de ranhosos e broncos. E o que tal diz do país onde pagamos impostos é, como bem sintetizou a Fernanda, assustador. O susto não consiste na pulhice da exposição da privacidade de um cidadão sem aparente legitimidade legal, muito menos moral, adentro de uma campanha de assassinato de carácter. O susto vem da cumplicidade dos que estão calados, alheados, divertidos.

Haja a esperança de que o Pacheco Pereira, num dos seus mil veículos mediáticos onde ganha aquilo com que se compram os melões, encontre uns minutos para nos demonstrar como continua a ser Sócrates o único culpado por ter sido apanhado a tratar de assuntos privados ao telefone.


  1. 1 Joaquim Camacho

    Esqueces-te de incluir, no rol dos mudos e quedos, uma “coisa” que dá pelo nome de Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, bem como outra “coisa” que se chama Comissão da Carteira Profissional de Jornalista. Mas esqueces bem: a fazer fé numa escuta merdosa que um passarinho me comunicou, o primeiro jaz há muito, convenientemente congelado, numa câmara de criogenia de que se perdeu o rasto, suspeitando-se que se encontra a bordo de uma sonda espacial a caminho de Marte desde 23 de Abril de 1910, data do seu último sinal de vida (ver http://www.jornalistas.eu/?c=a365 ). A segunda limita-se a cobrar o preço pela emissão do documento que lhe dá o nome, no que parece ser a sua única razão de ser, e a tartamudear ocasionalmente uns “vigorosos” bitaites. A avaliar pelo que se pode ver em http://www.jornalistas.eu/?c=a78 , parece que até mesmo para bitaites perdeu a língua, nos idos de 2008.

  2. 2 Mário

    No meio do verdadeiro desabar da decência, da moral, da justiça e da política, resta-nos o conforto da lucidez de homens como Valupi, que não faço a mínima ideia quem seja e nem isso interessa, mas as verdades dos discursos como este.
    Vou ter um dia, um tudo nada mais desanuviado.

  3. 3 Mário

    Uma segunda nota sobre este post do Val.
    Acabei de afirmar a falência da moral, da justiça e da política nesta nossa democracia. E depois fui ler Fernanda Cancio e Estrela Serrano. Os seus artigos são um verdadeiro grito a denunciar aquelas falências.
    Não acredito e ningu’em acredita que o PSTJ e o PGR não tivessem conhecimento, mesmo que por portas travessas, do que se estava a passar. E não fizeram nada. E depois que, “oficilamente” souberam, o seu comportamento foi de fazer o mínimo dos mínimos e de forma tão atabalhoada que o resultado está à vista: as suas “sentenças” valem “zero” e o jornal Correio da Manhã cuspe na sua cara essa nulidade.
    Por mais estima pessoal que tenha por Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro, eles sâo, efectivamente, o rosto da rendiçâo e o rosto da cobardia perante os ataques mortais à cidania, à justiça, à dignidade humana.
    Perante o poderio esmagador dos assassinos da dignidade humana e das instituições da República, “encolheram-se”
    E só uma última palavra: estes dois senhores nâo quiseram ser heróis ou simplesmente cumpridores das obrigações do cargo. Deixo, porém, uma atenuante para a sua indesculpável atitude que é o facto de todos aqueles que representam, de algum modo, a consciência e a moral da nação, como por exemplo os ex-presidentes da república, algum clero e os “homens bons” (e com vez e voz) se terem remetido a um silêncio ensurdecedor. Como, aliás, acontece até ao dia de hoje.
    Restam estas nossa vozes escondidas, quase anónimas, quase impotentes. E tâo sofridas quanto desiludidas.

  4. 4 António

    No pontapé na bola existem duas equipas, o Benfica e o anti-Benfica. No pontapé na politica existe o PS e o anti-PS. Onde está a surpresa?

    Valupi recorda lá aquelas da “maioria silenciosa”, de “o povo é sereno”, “é só fumaça”. Outros tempos é verdade, mas o povo continua a ser sereno e a maioria continua a ser silenciosa.

    O que me chateia é que seja também abstencionista, e aí concordo contigo.

    Mas digo que o “povo” não é parvo e estas coisas julgam-se e pagam-se. Espera Valupi que o último a rir …

  5. 5 Marco Alberto Alves

    Este País é um gigantesco coio de COBARDES DE MERDA.

    Como sempre acontece, porém, um dia serão eles próprios as vítimas da sua incomensurável cobardia! E hão-de vir implorar-nos piedade, às pessoas decentes, mas hão-de levar é raspas.

  6. 6 Júlio de Matos

    Nem todos teremos uma oportunidade, na nossa vida, para nos tornarmos heróis.

    Contudo, temos sempre oportunidades, quase todos os dias, para ao menos não sermos cobardes.

    Há é por aí muito quem não as aproveite nunca. Miseráveis…

  7. 7 assis

    parece que estas escutas são de 2007 e foram autorizadas por um juiz mas não foram sujeitas ao aval do presidente do supremo (qualquer juizito de caracácá decide sobre escutar o pm). sendo assim o sócras esteve incessantemente a ser vítima de conspirações. depois da conspiração da aroeira (serra lopes+pj’s) ainda antes das eleições de 2005, e antes da conspiração oriunda de aveiro (tendo como objectivo o resultado eleitoral de 2009) e da intentona de belém (plano B para o plano de aveiro que estava a patinar nas mãos do procurador e do presidente), estas escutas de 2007 permitem definitivamente afirmar que o sócras esteve continuamente sob conspiração (e, extendendo ao ps, podemos ainda recuar a 2003, com o caso casa pia, que só surgiu para decepar a cúpula do ps na altura). o que dizer de tudo isto? se fosse nos estados unidos esta malta que faz mau jornalismo e os maus magistrados seus associados, estavam na prisão sem dó nem piedade. e nem a propósito, na inglaterra o correio da manhã local teve de ser encerrado pelo seu proprietário para ver se matava descoberta da canalhice à nascença (nã matou) e os ppm’s e zé maneis estão na prisão. cá em portugal a matilha anda à vontade.

  8. 8 Nuno Gaspar

    Este texto é excelente. Só que o anonimato do autor anula toda a eficácia política que ele deveria conter. Ou até a perverte, como tem acontecido com uma parte da blogosfera alinhada com o anterior governo. Acho que foi uma das coisas que mais o prejudicou. Pelo menos, neste meio.

  9. 9 mais_outro

    Oh Nuninho, ainda bem que Tu te identificas! És alguma coisa ao carcamano das finanças ou é só coincidência no apelido? Olhameste!!!

  10. 10 Dr. Fonseca Galhão

    E Nuno Gaspar é pseudónimo de quê?

  11. 11 Val

    Nuno Gaspar, mas de que anonimato falas tu? O texto não vem assinado? Ou o anonimato, para ti, é sinónimo de ocultação do BI?

  12. 12 M.G.P.Mendes

    Claro como água, Val !
    Neste país, a direita sempre usou de todas as estratégias/artimanhas (e quanto mais aflita mais estas eram criminosas…) para manter o poder ou para derrubar o PS. Os exemplos que aqui apresenta, ninguém os pode desmentir.
    Quanto às esquerdas, ao fim de quase 40 anos de liberdade democrática, os partidos auto-proclamados a “verdadeira esquerda” (PCP/Verdes, BE), INSISTEM nos seus comportamentos OPORTUNISTAS E INVEJOSOS – o que os continua a interessar é atacar o PS, que tem a única politica de esquerda democrática/reformista e que lhes tem provado nos governos onde actuou que é possível abrir um futuro melhor, com politicas de equidade, com mais justiça e solidariedade.
    A raiva contra o brilhante José Sócrates é que o homem e o seu governo estava já numa consolidação de reformas no campo social e económico – politicas educativas, apoio eficaz às PME e exportações, SNS efectivo, etc. Ora este “desabrochar” da canção dos cravos na sociedade portuguesa – que começava a cumprir os objectivos da “REVOLUÇÃO DO 25 DE ABRIL” é que não é aceite, nem pelas direitas nem pelas outras esquerdas.
    Isto só poderá mudar em Portugal, quando a maioria da população tiver acesso a uma C.S. independente, permitindo a formação de uma opinião pública “melhor informada”. E só quando os pasquins informativos forem devidamente responsabilizados por uma Justiça independente dos interesses a que estão ligados…!

  13. 13 José

    No meio de tudo isto, no alencar de tantos responsáveis, fica uma questão: E o Povo deste País, onde está, por onde anda? É claro, está anesteziado. Vai emprenhando pelos ouvidos, o que lhe diz uma certa imprensa, ou que a si se chama isso. Não se vê um rasgo de indignação generalizada. Está tudo apático. Eu, sinceramente, já deixei de acreditar nesta pseudo-democracia. Só estou à espera do que, aí para a frente, irá seguramente aparecer. E não vai ser nada de bom.

  14. 14 Nuno Gaspar

    “mas de que anonimato falas tu?”

    Daquele cuja cobardia afugenta a simpatia pela razão daquilo que escreve.

  15. 15 O verdadeiro anónimo, o da Bayer

    Nuno Gaspar, eu não o conheço nem nunca ouvi falar de qualquer Nuno Gaspar. Para mim você é um perfeito anónimo, que pode estar a usar um nome inventado. Já viu o perfeito ridículo da sua situação? Vem aqui com falinhas doces dizer que é uma pena o Valupi ser anónimo, mas a cruel realidade é que você, Nuno Gaspar, ou lá como se chama, é mil vezes mais anónimo do que ele. É isso que o chateia?

    Na net não se usa o BI, mas sim o IP, que quem de direito pode identificar. Apresentar queixa é na esquadra mais próxima. Na net não se dão dados pessoais, números de telefone ou endereços. Na net só há uma maneira de não ser anónimo: é ser conhecido, reconhecível e estar onde se espera que esteja. Ora a pessoa que você veio aqui censurar faz parte da gente mais conhecida da blogosfera em Portugal, deixa a sua impressão digital no que escreve e vem diariamente ao Aspirina. Você, Nuno Gaspar, népia, népia, népia. Ridícula situação a sua…

  16. 16 Vieira

    Gostei do texto.
    Sempre achei que o Pacheco se encontrava na origem de muita da “boatagem” que, estratégicamente amplificada pela comunicação social, se colou às beiças da burgessada ignorante e ressabiada que abunda nas repartições públicas, blogues e tascas desta colónia alemã.
    Se bem me lembro, foi o primeiro que ouvi referir a famosa arrogância do Sócrates.
    Depreendo, pela ausência de críticas, que o Coelho e o Relvas são exemplos extremos de humildade monástica.
    Quanto ao Gasparzinho que lançou os bitaites anteriores, não sejam duros com o chavalo porque, ou muito me engano, ou é discurso de pêlo de barba encravado no acne.

  17. 17 Val

    Nuno Gaspar, és um valente.

  18. 18 O Verdadeiro Anónimo Anónimo Mesmo - ip under proxy

    O Verdadeiro Anónimo sou eu, desculpem lá.

    E já agora também vou mandar o bitaite com estilo:

    Tenho imensa pena do Sócrates e daquilo que lhe fizeram. Tadinho… teve que ir , qual Suza, de mala de cartão de débito para Paris de França – exilou-se na pubele.

    O grande estadista que depenou o país deixou chorosos/as defensores que se empertigam por a CS fazer o serviço pelo qual os leitores pagam. Grandes heróis e heroínas receosa-mente cegos pelo medo de que o seu Sebastião não volte em condições para as presidenciais montado numa Nova Oportunidade.

    Não é que a magistratura devia agir contra a CS mesmo não tendo agido para esclarecer cabalmente os casos de suspeita de enriquecimento da suza pós-moderna?
    Ái a CS… Ái a CS…

  19. 19 Vieira

    Sim senhor!
    Realmente, que bitaite tão estiloso, pareces mesmo o teu tio Relvas a bojardar: É só inteligencia e assertividade.
    Porreiro, pá!

  20. 20 Marco Alberto Alves

    A questão do Nuno Gaspar, contudo, pode ser interessante. Já que ninguém lhe parece querer pegar, sem ser pela forma provocatória, tento eu.

    A questão essencial não se refere ao comentador, que tanto faz seja anónimo ou não, mas sim ao articulista. Eu não compreendo esse ponto de vista, mas gostaria de que alguém me tentasse esclarecer em que é que, o facto de se conhecer pessoalmente quem escreve, confere forçosamente mais credibilidade ao que se escreve.

    Em concreto, eu não faço a mínima ideia de quem seja este Valupi, ou o Miguel Abrantes, ou mesmo a “maradona”. Como não faço a mínima ideia de quem seja a Estrela Serrano, o Porfírio Silva, ou o maranhal que assina como “o jumento”! Mas isso em nada interfere com a minha apreciação ou concordância (se for o caso) com aquilo que me apresentam.

    De igual modo, não faço a mínima ideia de quem sejam o José Gil, o Pacheco Pereira, o Vasco Graça Moura, o Miguel Sousa Tavares, o João Pinto e Castro, ou a Fernanda Câncio. Apenas sei que existem, porque os vejo, se não ao vivo, ao menos na televisão, ou apenas em infografia. Ou seja, não os diferencio dos restantes Autores anónimos.

    Então em que é que o conhecimento da fronha, da morada, do estaminé, da idade, da côr, da naturalidade, ou do estado civil do Valupi, ou mesmo de qual a Primária, Liceu ou Escola Técnica onde andou, me poderiam de algum modo influenciar quanto à sua… credibilidade?

  21. 21 Val

    Marco Alberto Alves, e pegaste muito bem no assunto. Faço só uma nota: este disparate do “anonimato”, no que a mim diz respeito, tem anos de chuva no molhado e atingiu o seu auge em 2009 e 2010. Repito o que sempre repeti, e que vai ao encontro do que disseste: “Valupi” é um nome e é meu. Quem não aceitar isto, seja lá pelo que for, também dirá que Miguel Torga, entre centenas ou milhares de exemplos, é um anónimo.

  22. 22 anonimo com as cotas em dia

    anonimo há só um, o verdadeiro, o legítimo, o da bayer.
    os outros são imitações baratas que deveriam ter intervenção da asae.

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