Imposto Passos Coelho

Desde o início de 2013 que os jogos sociais são taxados com um imposto de selo de 20% quando os montantes a distribuir forem iguais ou superiores a 5000 euros. Na altura, esta medida foi justificada com o estado de extrema carência em que as finanças públicas se encontravam. Era preciso ir ao bolso de todos, inclusive daqueles que já contribuíam para o Estado e, principalmente, para a Misericórdia ao comprarem o jogo na esperança de receberem as migalhas redistribuídas. Este saque pode não ter qualquer importância política, no sentido de nenhum partido se ter lembrado ainda de prometer acabar com ele, nem social, podendo não gerar sequer conversas de protesto. Todavia, a sua criação e a sua manutenção revelam algo acerca dos abusos do Estado, da incúria dos políticos e da passividade dos cidadãos.

Apesar de termos visto a Troika a bazar envolta em perfume de santidade, e de termos um novo Governo que prometeu e cumpriu inverter a lógica predadora da austeridade, esta aberração tem ficado. Provavelmente (mas corrijam-me se estiver enganado), o próximo Orçamento não irá dar-lhe o chuto que merece. Se for o caso, e se a ideia for a de manter o estúpido e mesquinho abuso para sempre, proponho que se passe a identificá-la como o “Imposto Passos Coelho”.

Seria uma bonita homenagem ao seu principal responsável e um justo monumento de evocação a esse tempo onde valeu tudo para castigar os piegas.

8 comentários a “Imposto Passos Coelho”

  1. eu gostava era de conhecer o resultado da sindicância à gestão da coisa santa durante o primeiro mandato do lopes, mas parece que a teve o mesmo destino dos papéis do panamá. as notícias da altura falavam em evaporação massiva de fundos, contratos aos amigos do costume e regime de bar aberto para as santanettes. não lembraria ao careca pôr o santana a gerir o casino nacional.

  2. “Apesar … de termos um novo Governo que prometeu e cumpriu inverter a lógica predadora da austeridade, esta aberração tem ficado. ”
    Esta seria a medida mais fácil de reverter (do ponto de vista da sua implementação), caso o novo Governo assim o quisesse. E já vai no seu 3º orçamento. Mas não quer, porque no fundo também gosta de “castigar os piegas”. E “os gordos”, com o imposto sobre o sal, as bebidas açucaradas, ….

  3. O que acho extraordinário neste post é que reconhece que este Governo não reverte esta medida no seu 3º orçamento, logo está de acordo com ela, mas propõe que o imposto se passe a chamar “Passos Coelho” (ao 3º orçamento do Governo atual!). Uma medida que o Governo facilmente revogaria. Se não a apoiasse, continuando a “castigar os piegas”! Incrível!

  4. Aposto que este Governo nem se lembra que este imposto existe.

    Foi tanta a fdaputice feita pelo governo Piegas que este governo vai precisar de andar com uma lanterna e de vassoura na mão durante muito tempo.

  5. “Aposto que este Governo nem se lembra que este imposto existe.”

    Caro Jasmin,
    Pode ter a certeza que o impacto deste imposto (receita) foi devidamente revisto e incluído no orçamento deste ano (e dos 2 orçamentos anteriores!). Mas, mesmo que não fosse, de certeza que tanto o BE como o PCP exigiriam a sua reversão se fossem contra. Não são, e assim têm o melhor de dois mundos: gastam a receita recolhida e chamam-lhe “imposto Passos Coelho para castigar os piegas”. Hipocrisias …

  6. ai que bom se todos fossemos trabalhadores da função pública.

    tinhamos as mãos cheias de calos de tanto bater palmas à geringonça!

    quem produz que pague os impostos (in)directos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *