Helena Matos, um caso interessante

Sócrates é uma pessoa, uma figura, um nome, uma questão que desperta o interesse da Helena Matos. Esta senhora é jornalista e historiadora, para além de opinadora multimeios. Quer dizer que o seu interesse é não só informado como formado por duas escolas, da investigação e do jornalismo, onde se cultiva a objectividade e o rigor, o método e o serviço público. Depois, pega nessas características e molda uma opinião que distribui em diversos meios para proveito dos felizardos que consumam o seu labor intelectual. Certo? Certíssimo. Quão importante é Sócrates para a Helena Matos? Se alguém se desse ao trabalho de contar as vezes em que falou dele em público poderíamos ter uma ideia exacta na comparação com os restantes tópicos tratados pela sua inteligência. Faltando essa estatística, vai a olho: a Helena importa-se bué com Sócrates. Mas não só com Sócrates, honra lhe seja, também com o PS e com os socialistas; especialmente, socialistas que se possam relacionar com Sócrates seja lá pelo que for. Por exemplo, pelo facto de terem trabalhado com ele. Ou por com ele terem privado.

Ontem, partilhou connosco mais um pedacinho do seu profundo e apurado saber socrático:

O homem que jantava sozinho. Fazia férias sozinho. Governava sozinho… Falo de Sócrates, claro. A cada nova revelação o silêncio adensa-se. E de cada vez que Sócrates fala o silêncio cresce ainda mais. A falta de solidariedade daqueles que tanto o bajularam não me espanta (presumo que Sócrates não os deixará esquecerem-se de si com tanta facilidade). O que continua a ser surpreendente é que essas pessoas que estiveram com Sócrates no Governo, que com ele privavam, que com ele trabalhavam tentem convencer os demais que o dia a dia do chefe do executivo nada dava a entender. Que as decisões que tomava lhes pareciam racionais e independentes.

A jornalista, historiadora e opinadora multimeios diz-nos que “a cada nova revelação o silencio adensa-se“, pelo que devemos perguntar: de que revelações está a falar? Acaso o Ministério Público anda a fazer revelações sobre uma investigação em curso? Será que a Helena convive com Sócrates ou anda a espiá-lo? Ou estará a falar do que lê em certos jornais, vê em certos canais televisivos? Se a última hipótese for a correcta para explicar qual é a fonte das revelações que assume estarem na sua posse, as quais não identifica talvez por falta de tempo, então um retrato mais nítido da historiadora, jornalista e opinadora multimeios começa a poder ser feito. Enquanto historiadora, está particularmente interessada na privacidade de Sócrates. Enquanto jornalista, está entusiasticamente interessada no que certas pessoas alegam que Sócrates fez, e muito pouco ou nada em saber o que Sócrates realmente terá feito. Isto porque no lugar donde fala, o de opinadora multimeios, já não há dúvidas. Melhor, nunca houve. E daí o seu espanto, uma mágoa que não dói antes lhe faz ferver as entranhas e a enche de ânimo, de confiança: se ela sempre soube que Sócrates era o maior criminoso da História de Portugal, aqueles que se relacionaram com Sócrates de perto, nos gabinetes, nos restaurantes, nos corredores, num avião, numa praia, não podiam ignorar o que estava à vista de todos, de toda a gente séria, da Helena Matos, historiadora, jornalista e opinadora multimeios.

Pelo que, eis o que se tem, está e vai continuar a passar. A cada nova revelação, as tais que adensam o tal silêncio, a Helena puxa de um caderninho de capa vermelha e abre na página onde parou de escrever da última vez que saiu uma revelação interessante. Pega na sua esferográfica preferida e acrescenta a nova revelação com a devoção de quem sabe estar a deixar obra para as gerações seguintes. Este conversou com Sócrates no dia tal. Aquele comeu um cherne grelhado com Sócrates ali pelo Natal. O outro partilhou um táxi com Sócrates na dia tantos, às tantas da matina. Aquela parece que coiso com Sócrates ali e acolá. Por causa do não sei quê, Sócrates disse uma caralhada em conversa com amigos. Acerca de Costa, Sócrates parece que disse alguma coisa que as gravações não captaram em condições, mas não devia ser coisa boa, dado o tom da sua voz. Depois fecha o caderninho de capa vermelha. E vai colocá-lo na estante ao lado dos restantes 57 caderninhos de capa vermelha onde tem registado exaustivamente as revelações que encontra nas fontes do seu interesse.

Trata-se de muita gente que não irá escapar à sua memória encadernada. O interesse da Helena Matos por Sócrates tem consequências na sua vida íntima e saúde moral, e essa malandragem que anda a ser apanhada nas revelações não se vai ficar a rir. Terão de pagar o preço de tanto interesse. O preço pelo que a sua liberdade e o seu direito à privacidade causaram a esta historiadora, jornalista e opinadora multimeios.

7 thoughts on “Helena Matos, um caso interessante”

  1. Há vários anos que, a comentadeira Helena Matos revela uma enorme
    admiração por José Sócrates, que se foi transformando em ódio por o
    seu amor não ter sido correspondido … está será uma plausível explica-
    ção para uma fixação tão ardorosa como insustentável pelo ex P. Ministro!!!

  2. se fossemos à cena da contabilidade acho que por aqui há quem ganhe à matos por largas centenas de uso do termo e assunto sócrates :)
    bolas ,choradinhos caliméricos a esta hora ? e no coments à la entrevistaa la voz de galicia : o ps sou eu ! ( uma variante de l etat c est moi muto interessante )

    ps ) a criação de falsas memórias é sintoma clarao de um problema mental qualquer. a outra matos , a pires , bem lhe podia dar uma ajudinha.

  3. Julgo que não vale a pena perder tempo com muitos destes jornalistas e opinadores menores da nossa comunicação social. Aliás, alguns estão apenas a fazer pela vida, com o pouco que podem e sabem.

  4. Quando esta canalhada chegar ao fim que as gentes de boa índole estão a vislumbrar quero ver se a rtp agarra a oportunidade jornalística de desmontar o que agora tanto rende à matilha raivosa e a estação do povo tão bem navega.
    A rapariga da histórias e seu adjunto soromenho metem nojo. A sério que metem.
    E o povo apagar a estes trastes.

  5. Por agora estou entretida em directo com o referendo ilegal dos separatistas catalães .
    Vejam o que se passou no parlament….~
    Observem o movimento de ciudadanos, psoe e governo de espamha.
    Rajoy está apegar bem o toiro pelos cornos.
    Nunca imaginei apreciartanto a direita espanhola.
    Prestem atenção ao que se está a passar e avisem o Costa do perigo de criar tiranetes pelos distritos pelo país fora.
    Medonho…

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