Há jornalistas mas não temos imprensa em Portugal

Depois da leitura deste texto – Sócrates: quem ficou refém de quem – do episodicamente interessante João Pedro Henriques, gostava que o autor arranjasse uns minutos para responder às seguintes perguntas:

– Qual é o problema de se ter acrescentado no contrato a norma relativa aos 149 milhões de euros? Essa inclusão foi ilegal? Tem a certeza de que o consórcio ELOS não gastou dinheiro, nesse valor ou aproximado ou superior, em preparação da obra numa fase prévia ao do visto do Tribunal de Contas?

– Admitindo que JPH é um jornalista conhecedor dos processos relativos a essa adjudicação, estará em condições de explicar qual a relação de algum membro do Governo de então, e para essa decisão específica, com esse júri na berlinda? Se está, porque não incluiu no seu texto essa causalidade? Se não está, como se atreve a estabelecer um nexo difamatório e calunioso?

– Supondo que JPH é um jornalista na posse de todas as suas faculdades mentais e direitos inerentes à sua carteira profissional, que explicação dá para não se ter constituído arguido no “Processo Marquês” qualquer outro elemento do Executivo de Sócrates nem qualquer outro elemento do júri a quem atribui a entrega de 149 milhões de euros a entidades que os meteram ao bolso “sem construir um centímetro de linha”? Não tendo, não achará necessário ir à procura dessa explicação recorrendo à sua autoridade profissional e demais recursos da empresa onde trabalha? Ou também partilha da convicção de que Sócrates, talvez por telepatia ou artes mágicas, levou o júri a dar essa montanha de dinheiro aos bandidos?

– Crendo que JPH é não só um jornalista maturo e reputado (escreve num órgão da chamada “imprensa de referência”) como também um cidadão decente e preocupado com a qualidade da Justiça, donde lhe vem a baixeza de estar a falar em modo justiceiro de taberna sobre factos colados com cuspo e que não fazem qualquer sentido assim que se dissipa a fumarada da pulsão linchadora? Ou, então, que sentido achará que faz opinar sobre suspeitas de corrupção que atingem tantas empresas e indivíduos sem ter prova de coisa alguma mas feliz da vida por ter ocasião de teclar a sua impotência e paranóia?

Estes textos de “opinião”, de jornalistas com décadas de profissão e ocupando lugares de grande destaque mediático, onde se repete o discurso taxista do “andam todos a roubar”, não se limitam a espelhar o mundo subjectivo dos seus autores. São igualmente, por inerência sociológica, o retrato de uma classe mediaticamente inútil e civicamente tóxica – salvo honrosas excepções.

44 comentários a “Há jornalistas mas não temos imprensa em Portugal”

  1. «… o retrato de uma classe mediaticamente inútil e civicamente tóxica – salvo honrosas excepções.»

    Depois de longa reflexão, e como não encontrei nenhuma, ajuda-me lá ò Valupi, e dá-me exemplo de uma “honrosa excepção”.

  2. a questão é mesmo só uma: por que raios e coriscos um jornalista opina sobre um assunto que lhe é impossível escrever, através de factos, de forma isenta? e a entropia nasce e cresce e multiplica-se.

    eu gostava de ler o JPH em um artigo de opinião sobre a preparação da tapioca na sertã. qual acha que é aquele exacto momento em que está cozinhada sem queimar? acrescentar soja e levá-la ao microondas não transforma a mistura em uma espécie de gosma? vá, fico a aguardar. :-)

  3. Quando os jornalistas “opinam”, quem sobra para informar ?! Estará a democracia refém destes senhoritos que se servem da liberdade de imprensa para formatar a cabecinha dos eleitores? A indignação a que o Valupi dá voz sugere que sim. O estranho é que não haja quem transforme essa indignação em algo consequente.

  4. João Maria acho que a sua interrogação tem plena justificação. Há muito tempo que venho fazendo tal interrogação.

  5. não, mas fica perto. pagas é portagem.
    quanto a interrogações, respondeste zero.

    38 min (36,2 km)
    por A23
    Trajeto mais rápido
    Este trajeto inclui portagens.
    Abrantes

    Siga pela Av. Dr. Francisco Sá Carneiro para a Av. Dom Manuel Primeiro/N2
    3 min (1,4 km)

    Siga pela A23, Estradão EM Mação (Ortiga) (Vale do Carregal) e N244
    25 min (28,9 km)

    Siga pela Estradão Ponte do Castelo (Casas da Ribeira) para a Estradão Bando dos Santos (São Gens)
    9 min (5,9 km)
    Mação

  6. O que eu não consigo perceber é a lógica de pagar aos consórcios pelas despesas de preparação de projetos.

    Se o Projeto vai por diante e só uma é que ganha quem é que paga às outras o tempo e os meios que investiram na preparação da proposta.

    Não faz isso parte dos riscos da atividade económica?

  7. Também gostava de saber desde quando é que João Pedro Henriques é um jornalista às vezes interessante. Está convencido de que é brilhante e raciocina como um toco.

  8. JOAO-MARIA
    8 DE NOVEMBRO DE 2017 ÀS 18:06
    O Valupi não será o novo Abrantes?

    Ná, não tem pinta para tanto (perdida a sua fé ou a fézada de tantos anos, e nós sabemos que as teve!, e enquanto não encontrar outras comporta-se a solo como uma espécie de João Miguel Tavares com a sua psi porque não é todos os dias que se está ao lado de um poeta dos bons e de um humorista também dos bons, e ainda por cima cosmopolitas).

    [Ajudemos, pois.]

  9. Não se percebe a admiração pois, o jornalista em causa há muito que navega
    nas àguas laranja, até se diz ainda, existir uma célula laranja em plena activida-
    de no DN! Creio que, no artigo focado não se entende se é uma crítica à acusa-
    ção ou se o objectivo é reforçar tal delírio!!!

  10. Esse Lucas Galuxo nem chega a ser provocador, é um parvinho completo que se arrasta pelo Aspirina B sempre à procura do mais fétido dos assuntos para largar umas frases em que entra à força, saiba-se lá porquê!, a figura de um ex-PM e em que aproveita para exercitar sem ter noção do ridículo que provoca as suas parcas abordagens aos assuntos. Mentalmente doentias, quase sempre, e que de há muito reclamam ajuda profissional. Sugere-se, por isso, o manicómio de Rilhafoles ou o Albergue das Crianças Abandonadas (Lisboa), ou ainda, se lhe der mais jeito, o internamento compulsivo no Conde de Ferreira ou no Asilo das Raparigas Abandonadas (Porto).

  11. O JPH é mais um, não na corrida ao concurso do TGV mas sim na corrida dos jornalistas corruptos a ver quem é mais útil a “achar” boas invenções e ficções de culpas para Sócrates na tentativa vã de ocultar os verdadeiros corruptos agora bem escudados e defendidos atrás dos altamente bem pagos ditos “observadores” e derivados.
    Diariamente esta escumalha de jornalistas despejam directamente sem factos nem provas, portanto irracionalmente como animais “insinuações de corrupção” no saco de Sócrates. Porra que tal saco não tem fundo. Cuidado pode um dia acontecer que os vossos donos empresários apanhados, em caso de desespero e defesa pessoal não vos atire, também a vós todos, para dentro do saco que foi Sócrates e passa a ser vosso.

  12. bem , lé fui ler o artigo. Nem precisei de passar da 1ª inha. Fonix , um gruo que gasta 149 milhões (??????) a elaborar um projecto ??? que roubalheira descarada . o 1º ministro que deixou passar uma cláusula dessas devia ser preso por idiota , no mínimo . clarissímo que não defende os interesses do povo.

  13. … para mim nem é preciso ler o artigo do copião João Pedro Henriques, yo. Basta-me ter presente uma das mais desgraçadas respostas de José Sócrates ao Vítor Gonçalves na entrevista da RTP quando questionado sobre o assunto:

    – Mas você acha que as empresas não devem ser ressarcidas pelos investimentos que já fizeram?
    (de memória; por investimentos entendam-se as certidões, os estudos e as taxas para levantar e cumprir o caderno de encargos etc., que era essa a ideia segundo entendi).

    Fez-se um daqueles silêncios que, em televisão, sabe-se que duram uma eternidade. A pergunta inicial tinha exactamente essa cifra dos 149 milhões, e, se preciso fosse, ficou-se com a enésima hipótese, ou a certeza?, de que aquele ex-PM não consegue discernir aquilo que foi fundamental para as investigações avançarem, que depois é a parte essencial da acusação do MP e que, definitivamente, explica o quadro psicológico de que a personagem é detentora junto da opinião pública portuguesa).

  14. Adenda, em tempo.

    […]

    – Qual é o problema de se ter acrescentado no contrato a norma relativa aos 149 milhões de euros? Essa inclusão foi ilegal? Tem a certeza de que o consórcio ELOS não gastou dinheiro, nesse valor ou aproximado ou superior, em preparação da obra numa fase prévia ao do visto do Tribunal de Contas?

    Nota, importante. E perguntas como estas e quejandas, Valupi, se pensas que estás a ser muito inteligente deves pôr os pés no chão e pensares por um instante que só enterram mais que as faz, pintam com cores ainda mais negras a governação durante aquele período e, é claro!, aumentam a sdesgraças várias do ex-PM.

  15. A justiça digna desse nome parte dos crimes para a identificação dos seus autores. A perseguição judicial com fins políticos parte dos cidadãos e vai à procura de crimes. É o que acontece claramente com José Sócrates, em Portugal, com Lula da Silva, no Brasil, e com Trump, nos EUA. A indigencia intelectual ou o compromisso com este ou com aquele impede a denuncia desta barabaridade contemporanea.

  16. Lucas Galuxo, antes de ires para Rilhafoles ou para o Conde de Ferreira (ou ainda, se quiseres experimentar as comodidades no histórico Hospício Pedro II, no Rio de Janeiro, onde poderás continuar a seguir embevecido as tropelias da justiça brasileiras e as do team Lula da Silva) compra um teclado novo mas desta vez com os acentos.

  17. Pergunto a Eric e a Valupi (para derimirem) o que mais acima tb Miguel e Yo perguntaram. Não me interessa Sócrates, interessa-me o principio subjancente aos ressarcimentos destes concursos:

    «O que eu não consigo perceber é a lógica de pagar aos consórcios pelas despesas de preparação de projetos.

    Se o Projeto vai por diante e só uma é que ganha quem é que paga às outras o tempo e os meios que investiram na preparação da proposta.

    Não faz isso parte dos riscos da atividade económica?»

    e

    «bem , lé fui ler o artigo. Nem precisei de passar da 1ª inha. Fonix , um gruo que gasta 149 milhões (??????) a elaborar um projecto ??? que roubalheira descarada . o 1º ministro que deixou passar uma cláusula dessas devia ser preso por idiota , no mínimo . clarissímo que não defende os interesses do povo.»

  18. Se o TGV e o aeroporto tivessem sido construídos a economia portuguesa estaria melhor do que está hoje. Metade do investimento já estaria pago, ou a faltar pouco. Teria segurado muitas empresas de Construção Civil e Engenharia, muitos milhares de empregos, muitos trabalhadores qualificados que tiveram de emigrar e muitos créditos bancários que a crise apodreceu. E não vai passar meia dúzia de anos sem que essas obras tenham de voltar a ser lançadas.

  19. Valupi, tu que (pensas que…) sabes umas coisas viste ontem a Quadratura do Círculo, na SIC N?

    E que tal o elogio inusitado do Jorge Coelho ao antigo chefe das Finanças e ministro da Saúde e actual presidente da CGD?

    – Se não fosse ele durante a troika, custou mas se não fosse ele…, ele salvou o Serviço Nacional de Saúde!

    Ora, fiquei eu maldosamente a pensar que como o povinho vai sabendo como elas aconteceram e acontecem se, depois da morte do BES, o antigo ministro, CEO da Mota Engil e agora empresário com um projecto para uma ou várias queijarias tradicionais (?) não terá uns créditos pendentes ou atribuídos pelo banco público?

    E digo isto porque é uma enorme mentira o que ele disse, e bem que o Paulo Macedo poderia estar sentado no banco dos réus por ser, na altura, o titular de um cargo político que chegou a ser acusado por um gajo da ARS de Lisboa e Vale do Tejo de ter mandado cortar a direito nas verbas necessárias ao pagamento de equipas de neurocirurgia durante os fins-de-semana. Mais, se quiseres: não sei se foi definitivamente arquivado o caso, mas este é um excelente exemplo do que acontece num país em que os advogados pro bono, se existem, não se vêem ou estão a ganhar o deles, a dar aulas no público e no privado , a escrever artigos no DN e no P., a aparecer nas TV’s e um deles pelo menos a escrever umas teses de mestrado mediante bué de pilim a pingar na sua conta bancária.

  20. Meu caro Eric e Yo, onde foram buscar a ideia que os 149 milhões é para pagar um projeto, nomeadamente o da elaboração da proposta ao concurso público?

    Os 149 milhões, de acordo com a decisão do tribunal arbitral, foi para pagar os custos incorridos pela ELOS (empresa vencedora) entre a data de adjudicação do TGV (maio de 2010) e a data em que o Tribunal de Contas chumbou o contrato (Março de 2012) mais os custos de elaboração da proposta (cerca de 14 milhões).

    Nestes custos incluem-se:
    – Cerca de 60 milhões com os custos incorridos com os bancos financiadores, nomeadamente juros sobre os empréstimos realizados e os custos fixos de estruturação e montagem do financiamento contratualizado (entre Maio de 2010 e março de 2012);
    – Cerca de 68 milhões de despesas ocorridas com o contrato de empreitada (entre Maio de 2010 e março de 2012);
    – Cerca de 9 milhões com despesas diversas, advogados, contabilistas, sede, seguros e outras despesas de funcionamento (entre Maio de 2010 e março de 2012);
    – e os já citados 14 milhões de custos com a elaboração da proposta.

    Mas já que este tema é debatido com pouca informação disponibilizada publicamente não deixo de notar algumas curiosidades.

    Primeira curiosidade: o contrato celebrado com a ELOS não foi executado por decisão política do governo de Passos Coelho, ver programa de governo, aprovado na AR em Julho de 2011, declarações públicas e vários outros documentos estratégicos, nomeadamente Plano Estratégico de Transportes (2011). No entanto, o contrato caiu não por decisão política mas por chumbo do Tribunal de Contas (em março de 2012).

    Porque se optou por essa estratégia, usar o estado-jurisdição (Tribunal de Contas) para chumbar um contrato que o estado-administração (governo) já tinha decidido chumbar?

    Será que essa decisão, de usar o Tribunal de Contas para chumbar o contrato foi premeditada para possibilitar o acesso mais fácil ao ressarcimento das despesas? Note-se que se se recorresse às vias comuns para ressarcimento de despesas o processo teria ainda muitos anos para ser discutido judicialmente.

    Segunda curiosidade: Quais as razões do chumbo do Tribunal de Contas?
    O TC elencou várias razões, mas não deixa de ser curioso que entre elas estavam algumas que são responsabilidade do estado-administração pós Julho de 2011. Por exemplo, o TC, aponta no seu acordão que o facto de, ao contrario do verificado no governo anterior, não existir em Orçamento verbas para o TGV (Comportabilidade Orçamental) é razão suficiente para não atribuição de visto e consequente chumbo. Por outro lado, a ultrapassagem de todos os prazos para fornecimento de informação junto do TC também é razão para que a execução material do contrato fosse suspensa o que não aconteceu. Isto é, o estado administração que já tinha tomada a decisão de suspender o TGV usou o estado-jurisdição para obter uma decisão de chumbo (por exemplo, o não envio da comportabilidade orçamental, da responsabilidade do estado-administração, é razão suficiente para o chumbo). Por outro lado o estado administração ao deixar ultrapassar todos os prazos junto do estado jurisdição e ao não suspender a execução material do contrato incorreu em que custos que facilmente não teria incorrido.

    Daqui resulta a terceira curiosidade: Porque razão a Secretaria de Estado das Infraestruturas (Sérgio Monteiro) adiou e adiou o envio dos documentos necessários para que o TC procedesse à tomada de decisão?

    Na decisão do Tribunal Arbitral fica claro que a REFER insistiu por diversas ocasiões junto do Secretário de Estado Sérgio Monteiro (que detinha a tutela do caso) para que o processo fosse enviado para o Tribunal de Contas. O Tribunal Arbitral cita mesmo uma carta em que a REFER dá um prazo ao Secretário de Estado para enviar o processo para o Tribunal de Contas ou a própria REFER o faria na ausência de ação por parte do Secretário de Estado.

    Depois de várias insistências nomeadamente da REFER, que duraram meses, depois da decisão política de suspender o TGV, tomada em Julho de 2011, apenas em 7 de Março de 2012 o Secretário de Estado enviou o processo para o tribunal de Contas, tendo o TC tomado decisão passado cerca de 15 dias.

    Quarta curiosidade: Tendo tomada a decisão política em Julho de 11, tendo ultrapassado os prazos de resposta ao TC que obrigam, de imediato à suspensão da execução material dos contratos, porque é que o governo de Passos Coelho não mandou, em Julho de 2011, suspender todos os atos da concessionária. e evitou o acumular diário de custos da Elos?
    Porque deixou arrastar o processo e só em Março de 2012 respondeu ao TC?

    Quinta curiosidade: Porque é que em cima de cerca de 60 milhões de custos com os Bancos, incorridos, em sede de Tribunal Arbitral, o estado, por sua livre iniciativa e decisão, transferiu para a Parpública contratos de financiamento da ELOS que tinham associados 4 Swaps, que de acordo com o Relatório de Contas da Parpública (2016) trouxe para o estado mais de 200 milhões de euros de prejuízo (os 200 milhões apenas se referem a 3 swaps, os custos do 4º não estão quantificados porque entretanto foi transformado num contrato a taxa fixa de mais de 8% ao ano!!!!…
    Quem tomou esta decisão de transferir este contrato de financiamento ruinoso?

    Sexta curiosidade: Porque razão no meio disto tudo andam pessoas que ora representam os interesses dos privado ora representam os interesses do estado?
    Recorde-se que:
    – Sérgio Monteiro era o homem que estruturou o financiamento à ELOS, tendo assumido mesmo as funções de administrador da ELOS e aparentemente foi o homem decisivo que, em nome do estado, esteve envolvido em todas as curiosidades acima apontadas?

    – Ribeiro dos Santos, arguido na operação marquês, foi parceiro do Grupo Lena desde os anos 90, foi nomeado para a RAVE (empresa que geria pelo estado o processo da Alta Velocidade) pelo governo de Durão Barroso, mais tarde, foi demitido pelo governo de José Sócrates e assumiu a administração do Grupo Lena (acionista da Elos) e, depois, voltou a ser nomeado, por Sérgio Monteiro, para a REFER e IP, empresas que absorveram a RAVE e tratam do processo da Alta Velocidade.

    – João Grave, citado na operação marquês, nomeado para a Estradas de Portugal pelo governo de Santana Lopes, mais tarde, foi demitido pelo governo de José Sócrates e assumiu a administração do Grupo Lena (acionista da Elos) e em nome deste Grupo foi eleito administrador da ELOS, onde foi colega de Sérgio Monteiro. Depois, voltou a ser nomeado, por Sérgio Monteiro, para a administração da Estradas de Portugal.

    Pedro Gonçalves – Presidente da Soares da Costa (maior acionista da Elos), foi nomeado por Sergio Monteiro para elaborar o Plano Estratégico de Transportes e constituiu o Fundo Valis, que absorveu varias empresas de construção, nomeadamente a Edifer (acionista da Elos) através da cedência de créditos de instituições financeiras (nomeadamente BCP e CGD (também acionistas da Elos) à época geridos por António Ramalho e Sérgio Monteiro).

    António Ramalho – Nomeado pelo governo de Durão Barroso para a Rave, onde foi colega de Ribeiro dos Santos, e para a CP. Não foi reconduzido por José Socrates e, entre outras funções, assumiu a administração da Soares da Costa com Pedro Gonçalves. Á época da constituição da ELOS e do concurso da Alta Velocidade, António Ramalho era administrador da Soares da Costa. mais tarde saí da SC e vai para o BCP (também acionista da ELOS) onde constitui, através da cedência de créditos do banco, o fundo Valis, presidido por Pedro Gonçalves, que inclui a Edifer (acionista da Elos). Finalmente, a partir de 2012, por nomeação de SM passou a ser presidente da Estradas de Portugal e da IP (que absorveu as funções da RAVE e da REFER) tendo como colegas de administração, Ribeiro dos Santos, João Grave e como Fiscal único Vitor Almeida.

    – Vitor Almeida – Fiscal único da Elos em simultâneo com a participação de SM no Conselho de Administração da Elos, mais tarde foi nomeado, por Sérgio Monteiro fiscal único da IP, empresa que absorveu a RAVE e a REFER.

  21. João Santos, não sei se o Valupi te deu as boas-vindas perante uma estreia tão auspiciosa mas, em caso de a resposta ser negativa, eu dou com ou a despropósito.

    – Bem-vindo sejais, senhor!

    E agora uma pergunta, se não te importa. Li a tua longuíssima resposta, fi-lo apenas na diagonal e, para além de demonstrares seres um interessado no assunto (com interesses e quais, já agora?), não me pareceu que existisse um grama sobre a questão política em que entra a governação de José Sócrates. Deixemos as outras questões (não os indícios, mas as acusações) de qual terá sido o percurso de parte do pilim segundo a Operação Marquês, estarás de acordo.

    Mas uma das questões políticas passa por saber de que forma é que os portugueses vêem hoje a governação do PS se terão de pagar 149 milhões, carregando-o ao lombo? E sendo essa cifra para construir umas garatujas de um TGV, em papel?

    Este é o ponto, acho.

  22. Parabéns, João Santos. Serviço público. Numa caixa de comentários de um blog no cu do mundo digital encontra-se mais jornalismo de investigação do que em todos os jornais da praça juntos.

  23. Lucas Galuxo, e qual são as conclusões que tiras da resposta?
    Eu fiz uma ou duas perguntas, noutras cenas os tribunais que decidam, e aguardo uma resposta do João Santos (que não é o pai da psicologia infantil portuguesa, apesar de andar pelos caminhos da psicologia e da criancice alcandoradas ambas ao posto de chefe de governo e que acabará os seus dias como um youtuber… ‘stás a vêr a cêna, mêu?).

  24. A pergunta a fazer é por que é que o jornalismo em Portugal se resume a devassa da vida pessoal e sub-produtos de opinião e romance de conluios mediático-judiciais e não há investigação de contraditório. Não é uma tragédia pequena.

  25. Porque só temos 4 ou 5 patrões, alguns em sérias dificuldades económicas e porque a “imprensa” é a voz do dono porque se um jornalista perde o emprego está lixado e não tem mais para onde ir..

  26. xiça que é cona. se o brochista de serviço à joint venture correio da manhã & ministério público soubesse ler não fazia perguntas idiotas e demonstrações de parvoeira embrulhadas em celofane cabotinado.

  27. João Santos, Dado que está por dentro da questão de um modo mais completo, deixo-lhe algumas questões.

    Mesmo que tenha havido despesas após a adjudicação do contrato persiste-me uma dúvida. Como pode haver despesas de 14 milhões para preparara a proposta? E como ficam os consórcios a quem não foi adjudicada a obra? Também tiveram despesas, ou não? Não são do mesmo montante? E que acontece a uma empresa que entra em tais despesas e sucessivamente perde vários concursos? Não ganha para os preparar?

  28. Em resumo, para o ERIC a corrupção do Sérgio Monteiro e companhia do governo Passos e Portas “não vem ao caso”. O que interessa é Sócrates. Sócrates, Sócrates, Sócrates, pá ! Se não se vê Sócrates na coisa, em lado nenhum, então não interessa nada, “não vem ao caso”.
    Eric representa bem a perseguição ao alvo em vez da investigação ao crime.
    O que é que interessam os crimes que aconteceram no TGV se o Sócrates não é o criminoso ? o que interessa é arranjar qualquer coisa que dê para pegar no Sócrates, pá !

  29. cantaril

    Se uma empresa for a muitos concursos e nunca ganhar nenhum eu digo-te o que lhe acontece: vai á falência !
    Estás a ver ? a resposta é fácil, mas também já era fácil mesmo sem contar com as despesas preliminares dos concursos, ou não ?

  30. cantaril, as despesas dizem respeito à preparação da obra depois da adjudicação mas anteriores ao visto do Tribunal de Contas. Não são as despesas antes da adjudicação.

  31. Caro Eric, obrigado pelas boas vindas!

    Sobre o percurso do pilim não sou entendido, a curiosidade que me suscita é como é que um suposto corruptor paga, em 2007, a um suposto testa de ferro de um suposto corrompido vários milhões, para um concurso que à data nem existia, não para beneficiar a sua empresa no suposto processo, mas para beneficiar uma outra empresa, onde o corruptor só consegue vir a ter 13% e não para forjar o processo a seu favor mas para garantir uma clausula que permitisse, caso o empreendimento não viesse efetivamente a ser realizado, a ressarcir essa futura empresa dos custos entretanto já realizados.

    Saliento que a acusação diz expressamente que o suposto corrupto não interviu no processo de concurso nem na escolha do vencedor mas sim na conformação do contrato através da introdução de uma suposta clausula que beneficiava a ELOS.

    Isto é, em 2007, numa prodigiosa jogada de antecipação, o suposto corruptor, que apesar de já ter pago para ter tudo arranjado, só conseguiu posteriormente ter 13% da futura empresa supostamente beneficiária (ELOS), entregou milhões ao suposto testa de ferro do suposto corrompido nas seguintes condições:
    • não para viciar um presumivel futuro concurso e assegurar ser o seu vencedor;
    • mas para incluir uma clausula que previsse o seguinte futuro;
    a eventualidade de o suposto corrupto vir a perder o poder e de o seu sucessor querer suspender o eventual futuro contrato;
    a eventualidade, de neste caso, o estado administração usar a estratégia de acabar com o contrato através do uso do estado-jurisdição por forma a que este chumbe o contrato.

    Note-se, finalmente, que o corruptor pagou, em 2007, para uma sucessão de supostas eventualidades que em 2017 ainda não geraram nenhum pagamento do estado à suposta beneficiária do seu acto, onde o corruptor apenas dispõe de 13% (o processo continua nas suas varias fases jurídicas).

    Finalmente caro Eric, questionas sobre a responsabilidade do PS sobre o pagamento por todos nós de 149 milhões. Mais uma vez tentas baralhar o que não é passível de ser baralhado, em primeiro lugar, como já escrevi o que está em causa não são 149 milhões mas sim mais de 349 milhões (não estão aqui incluídos os custos do 4º Swap). Em segundo lugar, a responsabilidade pelo suspensão do TGV é de um Governo do PSD/CDS. A responsabilidade do governo PS foi dar seguimento aos acordos celebrados por anteriores governos com Espanha e de ter querido ligar Portugal com a Europa através de uma linha de alta velocidade. Se não se tivesse suspenso a construção do TGV e não se tivesse usado o estado-jurisdição para dar seguimento à decisão do estado-administração a cláusula não poderia ser invocada.

    Cantaril, não disponho agora de alguns minutos para responder às suas questões, mais tarde voltarei para lhe responder.

  32. Jasmim, tem calma pá.
    Depois de respirares fundo duas vezes, e ainda depois de dormires uma soneca, relê ou pede que te leiam o post Valupiano e o artigo no DN que lhe deu origem.

    (… e tens quinze ou vinte minutos, se necessário.)

    Está, chega ou foi muito apertado? Bem, então perceberás que o Sérgio Monteiro e as outras figuras menores que surgem nesta caixa de comentários não me recordo que tenham sido alguma vez ventilados pelo Valupi ou pelo Henriques… Deal?

    Depois, ainda que lentamente, entende como se comporta a cabeça de um gajo o mais normal possível que é a minha, sempre de memória:

    a. Li o post Valupiano, esbocei um certo enfado, escrevi-o e virei-me, figuradamente, para o outro lado.

    b1. A yo leu a primeira linha do artigo do tipo do DN, escreveu-o e então eu trouxe à conversa uma passagem que me escandalizou na RTP e disse-o de uma forma inteligente e inteligível (não confirmei o vídeo, fio-me em que o Valupi o tenha feito e, na sua cabecinha, tenha acenado em sinal de concordância e tenha dito entre dentes «De facto! Aquele gajo…» pois, como sempre, não vos engano nem voluntária nem involuntariamente porque sabes que a minha filantropia é eterna).

    b2. Mais, e ainda: que me lembre um tipo da RTP captou o momento em que o Vítor Gonçalves baixou os olhos eventualmente com vergonha alheia (?) e soprou apenas: «Está em recurso, o Governo do António Costa recorreu…» e em que o ex-PM prosseguiu em mais uma performance de carácter sintético: «Pois é, está em recurso, em recurso, em recurso…» Valupi, conferes ou não menino?

    c. No dia a seguir, vi que o João Santos me tinha interpelado. A mim, que apenas tinha como cadastro o que te acabei de dizer. Elos enquanto tal, Sérgio Monteiro, banca e os abutres vários que sobre os nossos cadáveres esvoaçam sem dormir e, ainda, sobre os outros bacanos da tribo (alguns que só conheço de nome, pois me considero apenas um leitor mediano sobre as patifarias que acontecem no rectângulo e ilhas adjacentes)… nada tinha dito. E, como me respondem, presumo que o fariam também sobre os limites do que escrevi.

    d. Dito isto, o que é “não vem ao caso” afinal? E porque raio é a mim que o que me interessa é Sócrates. Sócrates, Sócrates, Sócrates, pázinha?

    _______

    Adenda, segue também um desenho sobre o TGV desenhado pelos tipos da Elos, cuja autoria é atribuída, segundo vários historiadores de Arte, a um dos gabinetes do grupo Lena ou ao próprio Carlos Santos Silva descobertos num dos cofres onde guarda as suas obras de arte.
    http://buzz2000.com/coloriage/transport/17635-coloriage-transport.jpg
    (nota, importante: segundo o MP que tirou uma certidão para investigar as possíveis tropelias do Sérgio Monteiro, lá está!, concubinado com o CM e a Felícia Cabrita, aquele n.º 2 sugeriria a existência de mais um homem-sombra e seria apenas para iludir porque o N.º 1 era como sabemos o… José Sócrates).

  33. João Santos, como diria o outro não disponho agora de alguns minutos para responder às suas questões, mais tarde voltarei para… ler.

  34. Cantaril,

    Com a operação marquês o que está em causa é se houve ou não corrupção, nomeadamente no processo do concurso do TGV.

    Para o público em geral está demonstrado, com tudo o que tem sido dito, que de facto assim aconteceu.

    Lendo a acusação, lendo o acórdão do Tribunal Arbitral, o acórdão do Tribunal de Contas e tendo alguma atenção à cronologia dos factos fico com a sensação clara de que as imputações da acusação são uma fantasia muito longe da realidade.

    Aliás se ganharmos alguma distância ao processo qualquer pessoa de bom senso chega muito facilmente a essa conclusão. Por exemplo, quem conhece estes processos, sabe perfeitamente que face a um tão elevado número de participantes nas comissões de avaliação e nos júris do concurso, com a apreciação a ser feita por assessores económicos, jurídicos e técnicos de especialidade, com a decisão a ser tomada por Conselhos de Administração de empresas ou por elementos de instituições públicas a viciação só poderia acontecer com o conluio de várias pessoas. Ora no processo marquês, ao fim de vários anos de investigação não há uma única suspeita de conluio com o arguido principal sobre um ministro, um secretário de estado, um membro do conselho de administração de uma empresa pública, um membro da direção de um instituto público ou mesmo um membro de um júri. Mais os únicos envolvidos no processo marquês, relacionados com o TGV, é o acusado Ribeiro dos Santos, que curiosamente foi demitido por José Sócrates (portanto muito longe de fazer parte do suposto conluio) e a certidão tirada para investigar as ações do Secretário de Estado das Obras Públicas mas do governo de …. Passos Coelho de seu nome Sérgio Monteiro.

    Isto é, a acusação não encontrou nenhum facto, nenhuma ação, que permita envolver qualquer outro elemento do governo ou das pessoas da administração central da época. Esta conclusão da acusação é para mim muito esclarecedora.

    Sobre a famosa cláusula 102.3 transcrevo o que o Tribunal Arbitral escreveu sobre ela “a cláusula 102.3, resultou de um esforço de harmonização adequado dos interesse e dos riscos em presença.
    Justifica-se que o estado fique obrigado a reembolsar o contraente privado das despesas assumidas em vista da conclusão do contrato, da realização da prestação ou da minimização das consequências geradas pela impossibilidade do seu cumprimento.
    Em contrapartida da assunção de uma obrigação contratual de reembolso de despesas com este amplo conteúdo, o cocontratante, não apenas abdicou do direito à parte da remuneração que porventura estivesse prevista no contrato como teve de aceitar ainda que a cobertura de despesas não o podiam colocar em posição mais favorável do que aquela em que estaria se o visto tivesse sido oposto”.

    A tese do Tribunal Arbitral é de que o concessionário, com esta cláusula aceitou ser ressarcido pelas despesas incorridas e não por qualquer valor que incluísse a margem ou o preço da Elos.

    Não resisto em citar o Tribunal Arbitral numa passagem em que se considera estranho o comportamento do Governo de Passos Coelho:
    “Não foi sem estranheza que este Tribunal viu o Estado assim proceder. Na verdade. Se até seria compreensível que, no exercício das suas situações processuais, o Estado-administração tivesse remetido para a apreciação feita pelo Estado-jurisdição, sem dela se apropriar e sem truncar parte das razões de recusa de visto, para as quais concorreu de forma determinante (nomeadamente quando elementarmente, não faz acompanhar o original do contrato remetido ao TC da imprescindível declaração de cabimentação orçamental) aceitando as consequências pela verificação de um facto que se inscreve na sua esfera de domínio e de risco, já se estranha uma conduta contra tudo quanto esse mesmo Estado fez. (…)
    Ora quando o Estado atua mal, comportando-se de forma eticamente desvaliosa, violando conscientemente as obrigações que sobre si impendem, deverá indemnizar o particular por todo e qualquer dano que este haja sofrido. Admitir o inverso – ou seja, admitir que o Estado, depois de ter violado todos os deveres que sobre ele impendem quando determina a execução prévia de um contrato e depois instrói o processo junto do TC em termos tais que este só pode recusar-lhe o visto – seria aceitar que o Estado pudesse retirar consequência positivas – ficar imune ao dever geral de indemnizar – do seu próprio ilícito, o que é inaceitável.
    O comportamento do Estado no presente caso é tanto mais surpreendente quanto, em Novembro de 2011, o Estado veio afirmar peremptoriamente, por um lado, que o projeto de alta velocidade seria abandonado (PET aprovado por RCM), mas dizer, simultaneamente, estar pendente um processo de visto no TC, decisão que é independente do governo….
    Dir-se-á que ao ter deixado pendente de decisão do TC um processo que, depois desta declaração, veio a instruir mal junto do Estado-jurisdição, o Estado-administração fez uma escolha virtuosa”.

    Caro Cantaril, não é muito claro o acórdão do Tribunal Arbitral?

    Pergunto, mas porque razão tentam ligar o Sócrates a este desfecho no processo da Alta velocidade?
    Será que é para esconder o que de facto aconteceu?

  35. Gostava de saber o que é que João Pedro Henriques tem a dizer depois destes três misseis teleguiados do jornalista de serviço João Santos. O interessante é que estes materiais não são produto escutas, devassa, fontes anónimas ou intriga. São públicos. É só pegar em informação institucional e costurar, isto é, fazer jornalismo profissional apartidário.

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