Exactissimamente

Corrupções
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Alberto Gonçalves, mal, muito mal,

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Há uma deliciosa ironia nesta sugestão dupla de leitura, a qual pede que sejamos fãs do Plúvio (como é o meu caso) para ser devidamente desfrutada. É que ele adora o Alberto Gonçalves e passou, nos últimos dois ou três anos (para a minha percepção e memória), a embirrar com o Pedro Marques Lopes. No entanto, o Alberto Gonçalves é um pulha, como o Plúvio finalmente reconhece, e o Pedro Marques Lopes é um chafariz de decência, patriotismo e cívica bonomia. Melhor, e para irritar o Plúvio: o Pedro espalha salubridade na comunidade, o Alberto espalha veneno na comunidade.

O facto é este e ainda não encontrei qualquer análise ou reflexão a respeito no comentariado ou na academia: há uma indústria da calúnia à direita, mas não a encontramos à esquerda. Tal fenómeno não pode ser separado de certos condicionalismos antropológicos e cognitivos, talvez genéticos, que promovem na direita a fulanização, a paranóia e o recurso ao ódio palaciano como modo de assimilação e reacção ao devir político. Porém, igualmente tal indústria implica um poderio fáctico na comunicação social e na cultura dos actuais PSD e CDS. Por actuais, refiro-me ao PSD que começa com Cavaco e ao CDS que acaba com a saída de Freitas do Amaral em 1991. O mesmo poderemos dizer do poder da direita na cultura empresarial, nos maiores escritórios de advogados e no fundo católico que alimenta pulsões e proto-ideologias. Finalmente, as oligarquias são sempre de direita, no sentido em que se tornam conservadoras e temem perder o que conquistaram e sonham conquistar, pelo que influenciam estruturalmente a qualidade da vida social e política. Essa influência explica o poder de fogo que exibem.

A indústria da calúnia é uma arma política, não apenas um negócio. Mas, pelos vistos, a esquerda portuguesa está perfeitamente adaptada a esse status quo.

9 comentários a “Exactissimamente”

  1. «Pedro Marques Lopes é um chafariz de decência, patriotismo e cívica bonomia.», …?

    Valupi, larga o tinto.

  2. O mesmo poderemos dizer do poder da direita na cultura empresarial, nos maiores escritórios de advogados e no fundo católico que alimenta pulsões e proto-ideologias

    A direita é uma bacia onde cabe tudo. Desde liberais (Margaret Thatcher) a estadistas (General Franco); desde anti-semitas (Hitler) a acérrimos defensores do Estado de Israel (Trump); desde ateus a religiosos, desde capitalistas a anti-capitalistas, desde corporativistas a anarco-capitalistas. Vai de um espectro ao outro.

    Alberto Gonçalves é disso um exemplo. Devoto da crença mais iliberal, fechada e obscura que existe, nascida do radicalismo positivista mais intransigente e austero, consegue levar com o rótulo de direita.

    Sim, Alberto Gonçalves não se define como agnóstico mas como ateu. O ateísmo é a convicção mais rígida, cruel, fechada, soturna, ostensiva para com a ciência, para com a razão e para com a liberdade. Marca d’água de todos os regimes totalitários, é a mais pura remanescência do jacobinismo radical.

    Escrever, num texto que tem como objectivo criticar um ateu (Alberto Gonçalves), a palavra “católico” é inqualificável.
    Sim, de facto a frase, naquele caso em concreto, não tem directamente a ver com Alberto Gonçalves mas misturar tudo num mesmo texto é de muito mau gosto. Para não dizer má-fé.

  3. Valupi, larga o vinho (e inspira-te no MEC, em mim e no Expresso Diário, por esta ordem).

    Mexia jura que não mexeu. Cinco estrangeiros tornam-se portugueses a cada hora que passa. Surpresas da Apple? Tem dias…

    Boa tarde,

    O presidente da EDP, António Mexia, veio esta terça-feira a público negar culpas no caso das rendas pagas pelo Estado à EDP e dizer que as questões levantadas pelas investigações do Ministério Público à REN e à EDP já foram arquivadas pelas autoridades europeias. Ao fim desta tarde era, entretanto, constituídos mais três arguidos, entre os quais o antigo presidente da REN (e atual presidente do conselho de administração do Novo Banco) Rui Cartaxo. O João Palma Ferreira conta as últimas.

    […]

  4. Finalmente, as oligarquias são sempre de direita, no sentido em que se tornam conservadoras e temem perder o que conquistaram e sonham conquistar, pelo que influenciam estruturalmente a qualidade da vida social e política. Essa influência explica o poder de fogo que exibem.

    A indústria da calúnia é uma arma política, não apenas um negócio. Mas, pelos vistos, a esquerda portuguesa está perfeitamente adaptada a esse status quo.

    Concordo, certeiro e brilhante, vou partilhar com licença.

  5. as pessoas que têm dinheiro ( que não são de direita nem esquerda , estão acima dessas tretas do povinho) compram os políticos , vistam a camisola do direito ou do avesso. eles encenam a coisa ospois desta forma : os do avesso caluniam clases inteiras ( porcos capitalistas , filhos da puta dos ricos , cabrões dos ctólicos bla bla ba ,.ainda que o belmiro , o amorim , a jonet e tal sejam caluniados apontamdo-lhes o dedo …l ) os de direita , diz o Valupi , fulanizam ….. o resto é conversa de quem não assimilou e reage mal ao devir político da democracia corruptiva :)
    já agora , o Júdice , aquele dos famosos escritórios de advogados è de direita ou esquerda?

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