Estava aqui a pensar no mesmo

«O que Marcelo e Costa perceberam, cada um à sua maneira, é que o modo da sua política deve estabelecer uma diferença marcada com o passado recente. Marcelo separa-se de Cavaco, que interpretava a austeridade melhor do que ninguém (e por isso se perdeu, com a lamúria sobre a sua pensão) e Costa separa-se do tempo da troika e do PSD e CDS (e por isso se perderam, com a sua gula de empobrecerem o país). Isso é totalmente óbvio na sua linguagem: ao contrário de Passos, que se passeia como se fora um primeiro-ministro no exílio e à espera de poder desembarcar no Terreiro do Paço, zangado com o mundo que o esqueceu, Costa sorri e é uma pessoa normal, enquanto Marcelo corre o país a acarinhar o povo.

De facto, ambos perceberam um segredo que pouco mais gente partilha: é que na política há dois mundos e dois tempos bem separados. Um é o frenesim de políticos e jornalistas, das grandes intrigas e das grandes frases (os suicidados de Pedrógão, ou que vivemos sob um governo totalitário porque o Ministério Público não juntou a senhora atropelada à outra lista das vítimas directas da tragédia!), outro é o da gente normal, que prefere que lhe garantam que não vão ser reduzidas as pensões dos nossos pais e que quer ver esforço para resolver as muitas dificuldades da sua vida.»


A chave da política

8 thoughts on “Estava aqui a pensar no mesmo”

  1. «Costa sorri e é uma pessoa normal, enquanto Marcelo corre o país a acarinhar o povo.»

    O Rabaça mostra neste opinoso artigo bastante perspicácia ao contrário do que exibiu e realizou como chefe bloquista. Se, então, tivesse esta lucidez de agora para observar e questionar-se sobre o que era e fazia Cavaco e o que era e fazia Sócrates quase certamente tinha chegado a uma conclusão semelhante ou, de igual alcançe político, e o país tinha sido poupado a muito estúpido sofrimento.
    Pensando eu que o Rabaça acerta no seu ponto de vista penso, contudo, que é o modo Marcelo que é arrastado pelo modo Costa e que é este que deixa espaço e permite a Marcelo distribuir selfies e afectos aos quatro ventos. Costa trata de por o país em ordem no fundamental: economia, emprego, segurança social e saúde, relações amigáveis com UE que garantem estabilidade política. E deste modo garante a Marcelo a possibilidade de fazer de padrinho amigo de quase todos, não de todos porque se tudo continuar neste harmonioso tandem a direita pàfista extremista não vai desculpar mais o Presidente.
    No fundo queria dizer que aquela frase do Rabaça, acima transcrita, de que Costa sorri e Marcelo acarinha é de um simplismo caricato. Costa sorri porque já ganhou o povo com justiça e determinação e trama os pàfianos dando a volta por cima sempre que estes o atacam com as mesmas armas de baixa política com que se habituaram a ganhar e agora perdem.
    Este é o grande mérito de Costa que até permite ao Marcelo ter a sua luz própria e brilhar.

  2. Quem diria que Portugal voltaria a ser o “melhor aluno” de Bruxelas e da Merkel?
    Tal como foi o Passos e o Cavaco…Porra que felicidade!

  3. Enquanto isso, no Brasil.
    Lava Jato, Moro e Janot promoveram a corrupção ao grau máximo. Congresso comprado à frente de toda a gente, com dinheiro público, protege Presidente, não eleito, de investigações a evidências cristalinas de banditismo no exercício do cargo.

    http://jornalggn.com.br/noticia/millor-a-lava-jato-e-a-fabula-do-burro-ou-do-canalha-por-luis-nassif

    Com os salários mais elevados da sociedade, com inflação inferior a 4%, procuradores e juízes exigem aumento salarial de 16% e 41%, respectivamente.

  4. Deixa o Lula, ó maricas!

    Este Lucas Galuxo nem chega a ser provocador, é um parvinho completo que se arrasta pelo Aspirina B sempre à procura do mais fétido dos assuntos para largar umas frases em que entra à força, saiba-se lá porquê!, a figura de um ex-PM e em que aproveita para exercitar sem ter noção do ridículo que provoca as suas parcas abordagens aos assuntos. Mentalmente doentias, quase sempre, e que de há muito reclamam ajuda profissional. Sugere-se, por isso, o manicómio de Rilhafoles ou o Albergue das Crianças Abandonadas (Lisboa), ou ainda, se lhe der mais jeito, o internamento compulsivo no Conde de Ferreira ou no Asilo das Raparigas Abandonadas (Porto).

  5. Bom dia, Valupi!
    Ora vejam só!…. Eu não tenho tomado aspirina estes dias…. E hoje visito o blogue e desço até esta maravilha que o Valupi escreveu há quase uma semana…. E gostei tanto que desci aos comentários para lho dizer “de viva escrita”!…. E o que vejo, ou melhor, o que leio? Uns 4 chicos burros – as usual – a tentarem compensar a sua azia direitola com comentários ao nível a que já nos habituaram…. Enfim, adiante!

    Belo texto, Valupi! …. Simples e certeiro sobre o “tempo certo” encontrado entre o maestro do coro da geringonça e o maestro da “ópera” a que o país está a assistir, quase em lotação esgotada…. É que PSD e CDS nunca levaram uma “lição” tão grande de como se deve governar bem os interesses do país!

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