<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
		>
<channel>
	<title>Comentários em: Eppure si muove</title>
	<atom:link href="http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Mar 2010 04:25:08 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.1</generator>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
		<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36436</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 01:01:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36436</guid>
		<description>É isso, não há diferença. Para além daquela que há por ter de haver. Mas a mentalidade salazarista continuou a moldar os 30 anos de democracia. Por isso criar riqueza tem sido tão difícil e pífio.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É isso, não há diferença. Para além daquela que há por ter de haver. Mas a mentalidade salazarista continuou a moldar os 30 anos de democracia. Por isso criar riqueza tem sido tão difícil e pífio.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: soluções?</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36435</link>
		<dc:creator>soluções?</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 00:54:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36435</guid>
		<description>&quot;mas o rendimento per capita e o nível da educação eram os mais baixos da Europa.&quot; Isto foi você que disse Valupi. E qual é a diferença de Portugal actual? tenho lido para aí que estamos na cauda da Europa em rendimento per cápita e em ileteracia.  Acho graça , sério , quando dizem que Portugal assim e assado no tempo da outra senhora ( eu gosto da teoria anarquista: todos montes de conscientes dos nossos deveres antes de reinvidicarmos direitos) e não dizem que em termos europeus estamos na mesma hoje em dia.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;mas o rendimento per capita e o nível da educação eram os mais baixos da Europa.&#8221; Isto foi você que disse Valupi. E qual é a diferença de Portugal actual? tenho lido para aí que estamos na cauda da Europa em rendimento per cápita e em ileteracia.  Acho graça , sério , quando dizem que Portugal assim e assado no tempo da outra senhora ( eu gosto da teoria anarquista: todos montes de conscientes dos nossos deveres antes de reinvidicarmos direitos) e não dizem que em termos europeus estamos na mesma hoje em dia.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36434</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 00:43:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36434</guid>
		<description>Muito bem pensado, soluções?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bem pensado, soluções?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: soluções?</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36433</link>
		<dc:creator>soluções?</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 00:39:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36433</guid>
		<description>A minha teoria até vale. Começou na educaçâo e num pai que se estava lixando para as tretas de trabalho infantil( atirei-lhe montes de vezes à cara que era um cabrão não me deixar disfrutar de uma infância à séria sem quaisquer tipo de preocupações , mas  hoje agradeço-lhe; também me ensinou que fiado- cartões de crédito e bancos-., só quando tinhamos certeza absoluta de poder pagar e se fossem coisas  absolutamente indespensáveis, porque eram uns ladrões. Small is beatifull( tá bem escrito?) foi o que me foi ensinado , em casa e no colégio marista( bué caro, mas que me fez definir prioridades e portanto , compensou). Sei bem que casa sem cozinha ( agricultura e pesca) jamais poderá sustentar uma sala ( estádios , tgvs , aeroportos , pcs,e coisas parecidas). E a casa de banho , aquelas coisas da saúde , também vêm primeiro que os enfeites.
Portanto , pessoazinhas com projectos de salas sem termos cozinha e casa de banho , são para mandar pelo autoclismo abaixo. Aparentar é idiota. Tipico daquela coisa do circulo vicioso da pobreza. Somos pobres. Qual é o mal? Há qe sair da pobreza  dando importância às necesidades básicas e meter num sitio que eu cá sei a cagança.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A minha teoria até vale. Começou na educaçâo e num pai que se estava lixando para as tretas de trabalho infantil( atirei-lhe montes de vezes à cara que era um cabrão não me deixar disfrutar de uma infância à séria sem quaisquer tipo de preocupações , mas  hoje agradeço-lhe; também me ensinou que fiado- cartões de crédito e bancos-., só quando tinhamos certeza absoluta de poder pagar e se fossem coisas  absolutamente indespensáveis, porque eram uns ladrões. Small is beatifull( tá bem escrito?) foi o que me foi ensinado , em casa e no colégio marista( bué caro, mas que me fez definir prioridades e portanto , compensou). Sei bem que casa sem cozinha ( agricultura e pesca) jamais poderá sustentar uma sala ( estádios , tgvs , aeroportos , pcs,e coisas parecidas). E a casa de banho , aquelas coisas da saúde , também vêm primeiro que os enfeites.<br />
Portanto , pessoazinhas com projectos de salas sem termos cozinha e casa de banho , são para mandar pelo autoclismo abaixo. Aparentar é idiota. Tipico daquela coisa do circulo vicioso da pobreza. Somos pobres. Qual é o mal? Há qe sair da pobreza  dando importância às necesidades básicas e meter num sitio que eu cá sei a cagança.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: susana</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36177</link>
		<dc:creator>susana</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 01:02:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36177</guid>
		<description>não cheguei a responder! sim, filha da mãe reclama amiúde.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>não cheguei a responder! sim, filha da mãe reclama amiúde.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nik</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36176</link>
		<dc:creator>Nik</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 23:05:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36176</guid>
		<description>Pronto, és um descontente contente.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pronto, és um descontente contente.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36174</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 22:12:11 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36174</guid>
		<description>A pobreza pode ser vária, de facto. Mas a minha noção diz respeito a números relativos à população, não ao Estado que dava a uns poucos e retirava a quase todos. Com o Estado Novo houve desenvolvimento económico para as famílias da indústria e da banca, mas o rendimento per capita e o nível da educação eram os mais baixos da Europa. Salazar concebia Portugal como uma nação rural com bolsas de desenvolvimento económico industrial. Mas nunca apostou na ciência e na cultura, pois isso iria demolir o sistema. Se isto para ti não é pobreza, podes levar a taça que ela não fica aqui bem.

Pessimismo? Por querer viver em democracia, com justiça, livre? E por considerar que é a comunidade que deve arregaçar as mangas, acabar com as lamúrias e exercer plenamente o seu poder político?... Fosga-se, tens o gatilho leve. Não está em causa o mérito dos que lutaram e fizeram o 25 de Abril. Não duvido das boas intenções e generosidade de muitos que nos governaram nestes 30 anos, mas é pouco. E saber que é pouco, querer mais, é aquele tipo de pessimismo que me enche de esperança e alegria.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A pobreza pode ser vária, de facto. Mas a minha noção diz respeito a números relativos à população, não ao Estado que dava a uns poucos e retirava a quase todos. Com o Estado Novo houve desenvolvimento económico para as famílias da indústria e da banca, mas o rendimento per capita e o nível da educação eram os mais baixos da Europa. Salazar concebia Portugal como uma nação rural com bolsas de desenvolvimento económico industrial. Mas nunca apostou na ciência e na cultura, pois isso iria demolir o sistema. Se isto para ti não é pobreza, podes levar a taça que ela não fica aqui bem.</p>
<p>Pessimismo? Por querer viver em democracia, com justiça, livre? E por considerar que é a comunidade que deve arregaçar as mangas, acabar com as lamúrias e exercer plenamente o seu poder político?&#8230; Fosga-se, tens o gatilho leve. Não está em causa o mérito dos que lutaram e fizeram o 25 de Abril. Não duvido das boas intenções e generosidade de muitos que nos governaram nestes 30 anos, mas é pouco. E saber que é pouco, querer mais, é aquele tipo de pessimismo que me enche de esperança e alegria.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nik</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36167</link>
		<dc:creator>Nik</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 21:21:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36167</guid>
		<description>Não contradigo nada. A pobreza de que falo nesse comentário não é a mesma de que falo no anterior. 

Quanto às tuas dúvidas sobre o que dizem os economistas (neste caso, os historiadores económicos), sempre as tive. Sei do que falo, porque tenho formação económica. Mas eu falei de números, não de interpretações ou modelos explicativos de economistas de diferentes escolas. Falei de estatísticas indiscutíveis, que revelam taxas de crescimento do PIB e dos salários reais que não são ficções. Concordarás que, quando se fala de pobreza, é a penúria material que ocorre primeiro à ideia. A pobreza de que eu falei em segundo lugar, era outra, mas não reparaste, se calhar. Se não distinguirmos as coisas e não fizermos justiça aos dados reais, caímos na retórica impressionista e metemos água por todos os lados. Acabamos por descredibilizar o conjunto daquilo que afirmamos ou defendemos, com as verdades e as mentiras misturadas. 

O pessimismo percorre muitas das afirmações que fazes, inclusive esta última: &quot;Foi o salazarismo que moldou a geração que fez o 25 de Abril e depois assumiu o poder.&quot; É verdade só em parte. O resto é a tua visão negra. Os portugueses não eram robôs passivos na cadeia de montagem do regime. Muitos reagiram a essa formação e tornaram-se no contrário do que o gajo de Santa Comba queria. O português, mesmo com ditadura, mesmo com pouca cultura, é desconfiado, é crítico, exige prova, esforça-se por distinguir, discernir, avaliar com independência.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não contradigo nada. A pobreza de que falo nesse comentário não é a mesma de que falo no anterior. </p>
<p>Quanto às tuas dúvidas sobre o que dizem os economistas (neste caso, os historiadores económicos), sempre as tive. Sei do que falo, porque tenho formação económica. Mas eu falei de números, não de interpretações ou modelos explicativos de economistas de diferentes escolas. Falei de estatísticas indiscutíveis, que revelam taxas de crescimento do PIB e dos salários reais que não são ficções. Concordarás que, quando se fala de pobreza, é a penúria material que ocorre primeiro à ideia. A pobreza de que eu falei em segundo lugar, era outra, mas não reparaste, se calhar. Se não distinguirmos as coisas e não fizermos justiça aos dados reais, caímos na retórica impressionista e metemos água por todos os lados. Acabamos por descredibilizar o conjunto daquilo que afirmamos ou defendemos, com as verdades e as mentiras misturadas. </p>
<p>O pessimismo percorre muitas das afirmações que fazes, inclusive esta última: &#8220;Foi o salazarismo que moldou a geração que fez o 25 de Abril e depois assumiu o poder.&#8221; É verdade só em parte. O resto é a tua visão negra. Os portugueses não eram robôs passivos na cadeia de montagem do regime. Muitos reagiram a essa formação e tornaram-se no contrário do que o gajo de Santa Comba queria. O português, mesmo com ditadura, mesmo com pouca cultura, é desconfiado, é crítico, exige prova, esforça-se por distinguir, discernir, avaliar com independência.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36130</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2008 06:22:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36130</guid>
		<description>Nik, a economia é uma ciência humana, de interpretação e reflexão, por isso se encontram diferentes perspectivas, diferentes critérios, diferentes visões. O que não se pode dizer, seja em que caso for, é que o Estado Novo não se apoiou na pobreza, porque essa é uma realidade objectiva e imune a qualquer dúvida. É a pobreza que está na origem da emigração desqualificada e generalizada, e foi a pobreza que espantou os estudantes universitários dos anos 60 que foram prestar ajuda aquando da cheia de 67 em Lisboa. É daí (e da Guerra Colonial, claro) que vem o toque a rebate de uma geração que iria, 10 depois, chegar ao poder. 

A riqueza de uma nação é, mais do que tudo, a qualificação dos seus recursos humanos. No Estado Novo, o projecto era oligárquico, permitindo-se que umas famílias controlassem a banca e a indústria, que uns poucos pequenos e médios burgueses ganhassem uns trocos e que o Estado controlasse tudo e todos. Por isso se chega a 1974 com um país que tem taxas de alfabetização, escolaridade e frequência universitária muito abaixo da média europeia, e muito abaixo do que poderíamos ter tido caso as opções tivessem sido outras, e muito abaixo do que precisávamos para criar riqueza e reformar a Nação.

E é disto mesmo que falas no teu excelente comentário das 19.44 (no que contradizes o teu anterior, e ainda bem). Porque sendo verdade que se podem ir buscar causas do atraso português até em Alcácer Quibir, foi o salazarismo que moldou a geração que fez o 25 de Abril e depois assumiu o poder. Até a facilidade, a rapidez, com que se mudou de regime foi propício à manutenção da cultura e das regras tácitas. É preciso ver, por exemplo, que quase nenhum dos milhares de pides e informadores sofreu fosse que pena fosse. A 26 de Abril continuavam secretamente os mesmos, com as mesmas ideias (ou falta delas), apenas agora com outros nomes para decorar.
__

Politikos, foste tu que trouxeste o Vitorino à baila, daí ter falado nele e precisamente para relevar o facto de ninguém estar preocupado com o episódio do imposto. Eu não tenho nada contra as falhas, erros, pecados dos políticos. Por exemplo, estou-me a marimbar para as eventuais tropelias do Sócrates com o curso, as casas e os cigarros. Já com as suas decisões políticas, gostava que todo o País estivesse vigilante.

Na questão do Santana, não se sabe publicamente o que esteve na origem da decisão de Sampaio, mas deve ter tido origem em informações relativas a uma conduta descontrolada no exercício da função, não no modo como o cargo lhe veio parar às mãos. Sampaio teve muito tempo para reflectir e preferiu manter o quadro parlamentar. Foi uma boa decisão, tão boa como a destituição de Santana meses depois.
__

z, tens aí bom material de reflexão. Traz mais.
__

Rui, dizes muito bem: nem sequer deu para desenvolver o tema. Aliás, os temas, pois liguei dois.
__

soluções?, a mudança também depende de ti, do que tu mudares por ti e em ti. Não faltam ocasiões para ter um papel politicamente relevante e decisivo.
</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nik, a economia é uma ciência humana, de interpretação e reflexão, por isso se encontram diferentes perspectivas, diferentes critérios, diferentes visões. O que não se pode dizer, seja em que caso for, é que o Estado Novo não se apoiou na pobreza, porque essa é uma realidade objectiva e imune a qualquer dúvida. É a pobreza que está na origem da emigração desqualificada e generalizada, e foi a pobreza que espantou os estudantes universitários dos anos 60 que foram prestar ajuda aquando da cheia de 67 em Lisboa. É daí (e da Guerra Colonial, claro) que vem o toque a rebate de uma geração que iria, 10 depois, chegar ao poder. </p>
<p>A riqueza de uma nação é, mais do que tudo, a qualificação dos seus recursos humanos. No Estado Novo, o projecto era oligárquico, permitindo-se que umas famílias controlassem a banca e a indústria, que uns poucos pequenos e médios burgueses ganhassem uns trocos e que o Estado controlasse tudo e todos. Por isso se chega a 1974 com um país que tem taxas de alfabetização, escolaridade e frequência universitária muito abaixo da média europeia, e muito abaixo do que poderíamos ter tido caso as opções tivessem sido outras, e muito abaixo do que precisávamos para criar riqueza e reformar a Nação.</p>
<p>E é disto mesmo que falas no teu excelente comentário das 19.44 (no que contradizes o teu anterior, e ainda bem). Porque sendo verdade que se podem ir buscar causas do atraso português até em Alcácer Quibir, foi o salazarismo que moldou a geração que fez o 25 de Abril e depois assumiu o poder. Até a facilidade, a rapidez, com que se mudou de regime foi propício à manutenção da cultura e das regras tácitas. É preciso ver, por exemplo, que quase nenhum dos milhares de pides e informadores sofreu fosse que pena fosse. A 26 de Abril continuavam secretamente os mesmos, com as mesmas ideias (ou falta delas), apenas agora com outros nomes para decorar.<br />
__</p>
<p>Politikos, foste tu que trouxeste o Vitorino à baila, daí ter falado nele e precisamente para relevar o facto de ninguém estar preocupado com o episódio do imposto. Eu não tenho nada contra as falhas, erros, pecados dos políticos. Por exemplo, estou-me a marimbar para as eventuais tropelias do Sócrates com o curso, as casas e os cigarros. Já com as suas decisões políticas, gostava que todo o País estivesse vigilante.</p>
<p>Na questão do Santana, não se sabe publicamente o que esteve na origem da decisão de Sampaio, mas deve ter tido origem em informações relativas a uma conduta descontrolada no exercício da função, não no modo como o cargo lhe veio parar às mãos. Sampaio teve muito tempo para reflectir e preferiu manter o quadro parlamentar. Foi uma boa decisão, tão boa como a destituição de Santana meses depois.<br />
__</p>
<p>z, tens aí bom material de reflexão. Traz mais.<br />
__</p>
<p>Rui, dizes muito bem: nem sequer deu para desenvolver o tema. Aliás, os temas, pois liguei dois.<br />
__</p>
<p>soluções?, a mudança também depende de ti, do que tu mudares por ti e em ti. Não faltam ocasiões para ter um papel politicamente relevante e decisivo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nik</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36128</link>
		<dc:creator>Nik</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 22:45:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36128</guid>
		<description>E a tua teoria, ó soluções? Quanto vale?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E a tua teoria, ó soluções? Quanto vale?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: soluções?</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36127</link>
		<dc:creator>soluções?</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 21:56:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36127</guid>
		<description>A falta de interesse pela política está resumida na minha pergunta. Somos enganados , chulados , e apresentam-nos díagnósticos  que já todos intuímos, mas nunca planos de acção práticos de mudança. Ora , teorias sem prática valem zero.
E que tal , os informados , promoverem referendos de iniciativa popular que nos dêem instrumentos de efectiva fiscalização da actividade política?
E que tal , os tipos , ganharem à percentagem do valor que produziram? Estes , dos últimos 30 anos , tinham de devolver montes de massa. E bem precisávamos que nos fosse devolvida.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A falta de interesse pela política está resumida na minha pergunta. Somos enganados , chulados , e apresentam-nos díagnósticos  que já todos intuímos, mas nunca planos de acção práticos de mudança. Ora , teorias sem prática valem zero.<br />
E que tal , os informados , promoverem referendos de iniciativa popular que nos dêem instrumentos de efectiva fiscalização da actividade política?<br />
E que tal , os tipos , ganharem à percentagem do valor que produziram? Estes , dos últimos 30 anos , tinham de devolver montes de massa. E bem precisávamos que nos fosse devolvida.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: soluções?</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36126</link>
		<dc:creator>soluções?</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 21:43:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36126</guid>
		<description>E foi tudo dito , explicado claramente. E agora , diagnosticado ( e bem ) o problema , fazemos o quê?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E foi tudo dito , explicado claramente. E agora , diagnosticado ( e bem ) o problema , fazemos o quê?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: rvn</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36125</link>
		<dc:creator>rvn</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 21:22:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36125</guid>
		<description>val,
interessante abordagem, melhor análise. 
(uma pena não teres desenvolvido o tema, ficando-te por estas escassas linhas)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>val,<br />
interessante abordagem, melhor análise.<br />
(uma pena não teres desenvolvido o tema, ficando-te por estas escassas linhas)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: z</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36124</link>
		<dc:creator>z</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 19:45:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36124</guid>
		<description>Está interessante pás, essa discussão. Mas creio que o Botas fez da estabilidade do Escudo a religião do Estado, né? Aliás ele era doutorado em circulação fiduciária e apareceu em cena a seguir à encenação Alves Reis, que com os seus Vasco da Gama reeditados salvou a economia nacional da falência provocada pela cobrança das dívidas da Grande Guerra pela chulice inglesa que nos arrastou para ela via Tratado de Windsor, reclamando o apresamento da frota alemã no Tagus.

E depois cobrou a dívida com juros. Não se esqueçam que a Inglaterra reccuperou o padrão ouro para o esterlino à custa das Reservas de Portugal e essa foi a razão próxxima porque a I Republica afundou. Para atestar tudo isto lá partiu o Portuguese diamond, o Braganza, segredo de Estado, o maior diamante azul do mundo...

o UK ainda nos deve reparação, mas não: exercitaram o blame the victim e nós cumemos, assimilámos, agradecemos e reproduzimos, dirigido contra nos próprios, como se fossemos mais inteligentes. Metapolítica.

Por isso é que houve mãozinha de Deus naquele penalty que o beckham falhou no euro 2004. Eu não vos digo para onde apontava então o meu laser...

estoicismo lusitano: volto para o caralho da minha fortaleza d&#039;alma</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Está interessante pás, essa discussão. Mas creio que o Botas fez da estabilidade do Escudo a religião do Estado, né? Aliás ele era doutorado em circulação fiduciária e apareceu em cena a seguir à encenação Alves Reis, que com os seus Vasco da Gama reeditados salvou a economia nacional da falência provocada pela cobrança das dívidas da Grande Guerra pela chulice inglesa que nos arrastou para ela via Tratado de Windsor, reclamando o apresamento da frota alemã no Tagus.</p>
<p>E depois cobrou a dívida com juros. Não se esqueçam que a Inglaterra reccuperou o padrão ouro para o esterlino à custa das Reservas de Portugal e essa foi a razão próxxima porque a I Republica afundou. Para atestar tudo isto lá partiu o Portuguese diamond, o Braganza, segredo de Estado, o maior diamante azul do mundo&#8230;</p>
<p>o UK ainda nos deve reparação, mas não: exercitaram o blame the victim e nós cumemos, assimilámos, agradecemos e reproduzimos, dirigido contra nos próprios, como se fossemos mais inteligentes. Metapolítica.</p>
<p>Por isso é que houve mãozinha de Deus naquele penalty que o beckham falhou no euro 2004. Eu não vos digo para onde apontava então o meu laser&#8230;</p>
<p>estoicismo lusitano: volto para o caralho da minha fortaleza d&#8217;alma</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Politikos</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36123</link>
		<dc:creator>Politikos</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 19:01:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36123</guid>
		<description>Valupi, ainda sobre o Vitorino, não me diga que queria que o homem ainda hoje pagasse por causa daquela sisa do monte alentejano sobre a qual afinal até se concluiu que não havia grande coisa a apontar. Até na justiça, que funciona como sabemos, a falta expia-se com a pena. Não me diga que queria que isso ficasse numa espécie de cadastro eterno?!  
Sobre o Santana, pessoalmente ainda estou para saber porque razão ele foi apeado. A governação foi desastrada mas duvido que, se ele não tivesse chegado ao poder do modo como chegou, Sampaio tivesse aplicado a célebre «bomba atómica». O homem governou logo diminuído pela origem da sua legitimidade.
É evidente que somos bastante mais tolerantes para com as outras classes e muito menos para com os políticos e isso pode-se voltar contra nós.
Volto à sisa, v. pagou-a toda? E se fosse político, levava logo o labéu de «aldrabão». Ora, por esse critério, aldrabões somos todos quantos pagamos menos sisa do que a devida. isto só para falar neste exemplo. 
E com esses dois pesos e duas medidas, podemos estar a criar um caldo qualquer do qual sairá não se sabe muito bem o quê! Historicamente, porém, todos conhecemos porque é que falhou a 1.ª República!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Valupi, ainda sobre o Vitorino, não me diga que queria que o homem ainda hoje pagasse por causa daquela sisa do monte alentejano sobre a qual afinal até se concluiu que não havia grande coisa a apontar. Até na justiça, que funciona como sabemos, a falta expia-se com a pena. Não me diga que queria que isso ficasse numa espécie de cadastro eterno?!<br />
Sobre o Santana, pessoalmente ainda estou para saber porque razão ele foi apeado. A governação foi desastrada mas duvido que, se ele não tivesse chegado ao poder do modo como chegou, Sampaio tivesse aplicado a célebre «bomba atómica». O homem governou logo diminuído pela origem da sua legitimidade.<br />
É evidente que somos bastante mais tolerantes para com as outras classes e muito menos para com os políticos e isso pode-se voltar contra nós.<br />
Volto à sisa, v. pagou-a toda? E se fosse político, levava logo o labéu de «aldrabão». Ora, por esse critério, aldrabões somos todos quantos pagamos menos sisa do que a devida. isto só para falar neste exemplo.<br />
E com esses dois pesos e duas medidas, podemos estar a criar um caldo qualquer do qual sairá não se sabe muito bem o quê! Historicamente, porém, todos conhecemos porque é que falhou a 1.ª República!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nik</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36122</link>
		<dc:creator>Nik</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 18:44:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36122</guid>
		<description>Aquilo que Salazar não fez, aquilo em que realmente estagnou e empobreceu Portugal, foi em matéria de liberdade (política, económica, cultural, social e religiosa), em matéria de direitos do povo, de aprendizagem e exercício da cidadania, de elevação da população portuguesa para fora da menoridade política em que sempre tinha vivido, tirando curtos períodos de mudança. A censura, a perseguição de quem pensava diferente, a sufocação da vida político-partidária, a castração do ensino, o condicionamento da iniciativa privada, o agrilhoar da concorrência foram alguns dos seus instrumentos, com os quais Salazar provocou estagnação e até um grande retrocesso na vida social e nas mentalidades. 

Claro que esta herança, a verdadeira &#039;pesada herança&#039; do Estado Novo, marcou gerações e repercutiu-se nas décadas do pós-25. Em 1975, toda a gente achou por bem cantar loas à maturidade do povo português para a democracia, uma vez que não tinha havido desacatos nem mortes nas primeiras eleições. Grande erro. Os portugueses não estavam preparados para a liberdade nem para a democracia, pela simples razão de que a única preparação que há para essas duas coisas é a vivência delas que a fornece. Os desatinos colossais dos anos revolucionários mostraram-no bem. Os atentados à liberdade e à democracia começaram pouco depois do início da revolução. A grande maioria ignorava um dos pontos essenciais da vida em liberdade e democracia: o Estado de Direito, o respeito pela liberdade e direitos dos outros. A intolerância e a opressão mudaram de mãos, passando a servir os &#039;trabalhadores&#039;, que nunca ninguém soube quem eram. O povo, quase virgem de vivência política, analfabeto da tolerância, não entendeu nem soube lidar com os seus novos direitos. As classes esclarecidas fizeram-se notar pela irreflexão, pelo seguidismo em relação a programas estéreis e ideias mortas, pela adesão entusiástica às extravagâncias políticas provenientes do caixote do lixo dos países mais desenvolvidos. Os capitalistas, desprotegidos do Estado caceteiro de que eram cúmplices e usufrutuários, ficaram aterrados, debandaram em todas as direcções. 

Não foi fácil, nos últimos trinta anos, lidar com as sequelas do salazarismo e da revolução. Mas assistimos à instauração e consolidação de um sistema político assente no sufrágio universal em eleições livres. Ao despertar e consolidação do poder autárquico, única grande e efectiva realização do ideais municipalistas no século XX. À espantosa massificação e democratização do ensino, que faz hoje de cerca de 40% dos jovens portugueses candidatos a um curso superior (eram 3,5% nos anos 60). À revitalização da vida política, ao surgimento de novos partidos e movimentos, à libertação da informação, à consagração do debate público permanente sobre todas as questões que interessam ao país, ao estabelecimento de regras e hábitos de luta política livre e leal, à instauração de mecanismos cada vez mais aperfeiçoados de avaliação e controle da actividade dos eleitos. Qualquer semelhança com o Portugal salazarista é acidental.

Fico por aqui; muito mais haveria a dizer, mas tenho que fazer.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Aquilo que Salazar não fez, aquilo em que realmente estagnou e empobreceu Portugal, foi em matéria de liberdade (política, económica, cultural, social e religiosa), em matéria de direitos do povo, de aprendizagem e exercício da cidadania, de elevação da população portuguesa para fora da menoridade política em que sempre tinha vivido, tirando curtos períodos de mudança. A censura, a perseguição de quem pensava diferente, a sufocação da vida político-partidária, a castração do ensino, o condicionamento da iniciativa privada, o agrilhoar da concorrência foram alguns dos seus instrumentos, com os quais Salazar provocou estagnação e até um grande retrocesso na vida social e nas mentalidades. </p>
<p>Claro que esta herança, a verdadeira &#8216;pesada herança&#8217; do Estado Novo, marcou gerações e repercutiu-se nas décadas do pós-25. Em 1975, toda a gente achou por bem cantar loas à maturidade do povo português para a democracia, uma vez que não tinha havido desacatos nem mortes nas primeiras eleições. Grande erro. Os portugueses não estavam preparados para a liberdade nem para a democracia, pela simples razão de que a única preparação que há para essas duas coisas é a vivência delas que a fornece. Os desatinos colossais dos anos revolucionários mostraram-no bem. Os atentados à liberdade e à democracia começaram pouco depois do início da revolução. A grande maioria ignorava um dos pontos essenciais da vida em liberdade e democracia: o Estado de Direito, o respeito pela liberdade e direitos dos outros. A intolerância e a opressão mudaram de mãos, passando a servir os &#8216;trabalhadores&#8217;, que nunca ninguém soube quem eram. O povo, quase virgem de vivência política, analfabeto da tolerância, não entendeu nem soube lidar com os seus novos direitos. As classes esclarecidas fizeram-se notar pela irreflexão, pelo seguidismo em relação a programas estéreis e ideias mortas, pela adesão entusiástica às extravagâncias políticas provenientes do caixote do lixo dos países mais desenvolvidos. Os capitalistas, desprotegidos do Estado caceteiro de que eram cúmplices e usufrutuários, ficaram aterrados, debandaram em todas as direcções. </p>
<p>Não foi fácil, nos últimos trinta anos, lidar com as sequelas do salazarismo e da revolução. Mas assistimos à instauração e consolidação de um sistema político assente no sufrágio universal em eleições livres. Ao despertar e consolidação do poder autárquico, única grande e efectiva realização do ideais municipalistas no século XX. À espantosa massificação e democratização do ensino, que faz hoje de cerca de 40% dos jovens portugueses candidatos a um curso superior (eram 3,5% nos anos 60). À revitalização da vida política, ao surgimento de novos partidos e movimentos, à libertação da informação, à consagração do debate público permanente sobre todas as questões que interessam ao país, ao estabelecimento de regras e hábitos de luta política livre e leal, à instauração de mecanismos cada vez mais aperfeiçoados de avaliação e controle da actividade dos eleitos. Qualquer semelhança com o Portugal salazarista é acidental.</p>
<p>Fico por aqui; muito mais haveria a dizer, mas tenho que fazer.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nik</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36121</link>
		<dc:creator>Nik</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 17:46:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36121</guid>
		<description>Não acho nada que a pobreza seja um característica estrutural do salazarismo. Acho mesmo que essa afirmação desafia a firme realidade dos números. Vê as taxas de crescimento económico sobretudo do pós-guerra, incluindo a taxa de crescimento dos salários. Para sermos sérios, só poderíamos fazer essa afirmação numa comparação de longo prazo. Ora tanto antes como depois do salazarismo, o crescimento económico e o dos salários reais foi inferior, mesmo com as enormes injecções de fundos europeus. Para mais - não por mérito do salazarismo, é certo - a emigração dos anos 60-70 colocou um milhão e meio de portugueses a trabalhar por salários europeus e norte-americanos e a repatriar esse caudal de dinheiro bem suadinho lá fora, que arrancou milhares e milhares de aldeias e famílias portuguesas à miséria multi-secular. 

A estabilização da inflação pelo governo de Salazar antecedeu de muito a estabilização da inflação que, desde os anos 80, acompanhou a nossa entrada na CEE/UE. Como sabes, a inflação é a maior máquina de produzir pobreza, sobretudo em situação de estagnação ou crescimento económico incipiente, como nos dez anos que se seguiram ao 25 de Abril. 

O nosso atraso (conceito sempre relativo, como o da pobreza) é muito anterior ao salazarismo, ao século XX e mesmo ao século XIX. Sobre as suas causas e a sua permanência (ou não) têm escrito vários historiadores económicos de leitura instrutiva, o último e o melhor dos quais se chama Pedro Lains. Tem um site: http://pedrolains.typepad.com/pedrolains/ , que serve para uma aproximação à sua obra dele. Uma das coisas que ele tem mostrado, é que mesmo nos indicadores não puramente economicistas, o Portugal do Estado Novo compara bem com os períodos que o precederam e sucederam, e mesmo com muitos países estrangeiros. 

A questão que poderias pôr, a meu ver, era outra: poderia o Portugal pós-II Guerra ter evoluído economica e socialmente melhor e mais depressa do que realmente evoluiu? A esta questão platónica e quase metafísica seríamos todos tentados responder que sim, porque parece óbvio e nos dá consolo. Mas não é nada óbvio. O velho Botas não teve chispa, nem imaginação, nem visão futurista para operar um milagre económico. Sobretudo, tinha um medo patológico da liberdade e da democracia, a que por junto chamava &#039;comunismo&#039; para disfarçar. Mas se fores ver os países que operaram tal milagre no mesmo período, verás que são países que, apesar de destruídos pela guerra, já estavam num estádio de desenvolvimento económico, cultural e civilizacional mais avançado do que Portugal.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não acho nada que a pobreza seja um característica estrutural do salazarismo. Acho mesmo que essa afirmação desafia a firme realidade dos números. Vê as taxas de crescimento económico sobretudo do pós-guerra, incluindo a taxa de crescimento dos salários. Para sermos sérios, só poderíamos fazer essa afirmação numa comparação de longo prazo. Ora tanto antes como depois do salazarismo, o crescimento económico e o dos salários reais foi inferior, mesmo com as enormes injecções de fundos europeus. Para mais &#8211; não por mérito do salazarismo, é certo &#8211; a emigração dos anos 60-70 colocou um milhão e meio de portugueses a trabalhar por salários europeus e norte-americanos e a repatriar esse caudal de dinheiro bem suadinho lá fora, que arrancou milhares e milhares de aldeias e famílias portuguesas à miséria multi-secular. </p>
<p>A estabilização da inflação pelo governo de Salazar antecedeu de muito a estabilização da inflação que, desde os anos 80, acompanhou a nossa entrada na CEE/UE. Como sabes, a inflação é a maior máquina de produzir pobreza, sobretudo em situação de estagnação ou crescimento económico incipiente, como nos dez anos que se seguiram ao 25 de Abril. </p>
<p>O nosso atraso (conceito sempre relativo, como o da pobreza) é muito anterior ao salazarismo, ao século XX e mesmo ao século XIX. Sobre as suas causas e a sua permanência (ou não) têm escrito vários historiadores económicos de leitura instrutiva, o último e o melhor dos quais se chama Pedro Lains. Tem um site: <a href="http://pedrolains.typepad.com/pedrolains/" rel="nofollow">http://pedrolains.typepad.com/pedrolains/</a> , que serve para uma aproximação à sua obra dele. Uma das coisas que ele tem mostrado, é que mesmo nos indicadores não puramente economicistas, o Portugal do Estado Novo compara bem com os períodos que o precederam e sucederam, e mesmo com muitos países estrangeiros. </p>
<p>A questão que poderias pôr, a meu ver, era outra: poderia o Portugal pós-II Guerra ter evoluído economica e socialmente melhor e mais depressa do que realmente evoluiu? A esta questão platónica e quase metafísica seríamos todos tentados responder que sim, porque parece óbvio e nos dá consolo. Mas não é nada óbvio. O velho Botas não teve chispa, nem imaginação, nem visão futurista para operar um milagre económico. Sobretudo, tinha um medo patológico da liberdade e da democracia, a que por junto chamava &#8216;comunismo&#8217; para disfarçar. Mas se fores ver os países que operaram tal milagre no mesmo período, verás que são países que, apesar de destruídos pela guerra, já estavam num estádio de desenvolvimento económico, cultural e civilizacional mais avançado do que Portugal.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Valupi</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36118</link>
		<dc:creator>Valupi</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 13:47:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36118</guid>
		<description>Politikos, o exemplo do Vitorino (mas ainda mais o de Santana, e ainda Ferreira Leite) é prova da indulgência e mutável memória que abençoa os políticos. Obviamente, a sua demissão em 1997 parece hoje bizarra. E, de facto, foi-o, porque Portugal é um país onde não se cultiva a responsabilidade pública. Mas em 2005 era ele que o PS, e toda a sociedade, desejava como chefe e próximo primeiro-ministro. Até Sócrates declarou que só avançava se Vitorino recusasse a oferta. E ele recusou. Portanto, não houve nenhum impedimento relacionado com escrutínios mais rigorosos, excessos de zelo ou exigências de santidade. Ainda mais notável é o caso de Santana, um político incompetente e playboy, que se vê a recolher um terço dos votos dos militantes do seu partido em 2008, depois do que já exibiu.

Precisamente por saírem do colectivo que somos, é que há esta necessidade de escolhermos os melhores. Sempre assim foi e será. E a qualidade mede-se pelas ideias e pelas acções.
__

Nik, agradeço a tua atenta crítica. Concordo com tudo o que dizes, por ser a tua opinião. Não creio é que tenhas entrado em diálogo com o texto, pois te ficas pela adjectivação; mas isso também não te era pedido, como é óbvio. No entanto, tentarei levar o texto a dialogar contigo.

Repara: o salazarismo como regime é distinto do salazarismo como cultura. Tu dizes que abominas o primeiro, mas não te referes à presença do segundo. Ficas com o argumento a meio, e a parte publicada é nada. Eu não conheço ninguém que prefira o Portugal anterior ao 25 de Abril (ou o PREC, já que o referes). E conheço muitos que não sabem por que razão Portugal é ineficaz na criação de riqueza. A pobreza é uma característica estrutural do salazarismo, e explica a baixa qualidade dos nossos agentes económicos, dos empresários aos trabalhadores ao longo dos 30 anos de democracia. Basta ver como, nos anos 90, se desbarataram em fúria e festa todos os fundos recebidos da Europa. Foi um saque típico de sociedades miseráveis e ignorantes. 

Conseguir ver a realidade não me parece pessimista, bem ao contrário. Quem fala com o próximo arrisca-se a aprender e a mudar de ideias - é essa a minha disposição. Trata-se de um optimismo, mesmo que te pareça simples demais para o teu palato.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Politikos, o exemplo do Vitorino (mas ainda mais o de Santana, e ainda Ferreira Leite) é prova da indulgência e mutável memória que abençoa os políticos. Obviamente, a sua demissão em 1997 parece hoje bizarra. E, de facto, foi-o, porque Portugal é um país onde não se cultiva a responsabilidade pública. Mas em 2005 era ele que o PS, e toda a sociedade, desejava como chefe e próximo primeiro-ministro. Até Sócrates declarou que só avançava se Vitorino recusasse a oferta. E ele recusou. Portanto, não houve nenhum impedimento relacionado com escrutínios mais rigorosos, excessos de zelo ou exigências de santidade. Ainda mais notável é o caso de Santana, um político incompetente e playboy, que se vê a recolher um terço dos votos dos militantes do seu partido em 2008, depois do que já exibiu.</p>
<p>Precisamente por saírem do colectivo que somos, é que há esta necessidade de escolhermos os melhores. Sempre assim foi e será. E a qualidade mede-se pelas ideias e pelas acções.<br />
__</p>
<p>Nik, agradeço a tua atenta crítica. Concordo com tudo o que dizes, por ser a tua opinião. Não creio é que tenhas entrado em diálogo com o texto, pois te ficas pela adjectivação; mas isso também não te era pedido, como é óbvio. No entanto, tentarei levar o texto a dialogar contigo.</p>
<p>Repara: o salazarismo como regime é distinto do salazarismo como cultura. Tu dizes que abominas o primeiro, mas não te referes à presença do segundo. Ficas com o argumento a meio, e a parte publicada é nada. Eu não conheço ninguém que prefira o Portugal anterior ao 25 de Abril (ou o PREC, já que o referes). E conheço muitos que não sabem por que razão Portugal é ineficaz na criação de riqueza. A pobreza é uma característica estrutural do salazarismo, e explica a baixa qualidade dos nossos agentes económicos, dos empresários aos trabalhadores ao longo dos 30 anos de democracia. Basta ver como, nos anos 90, se desbarataram em fúria e festa todos os fundos recebidos da Europa. Foi um saque típico de sociedades miseráveis e ignorantes. </p>
<p>Conseguir ver a realidade não me parece pessimista, bem ao contrário. Quem fala com o próximo arrisca-se a aprender e a mudar de ideias &#8211; é essa a minha disposição. Trata-se de um optimismo, mesmo que te pareça simples demais para o teu palato.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Nik</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36117</link>
		<dc:creator>Nik</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 12:44:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36117</guid>
		<description>Para além de algumas frases e análises com que posso e todos podemos estar de acordo, trata-se de um texto globalmente muito pessimista, produto de concepções idealistas e maniqueístas, sobretudo confusas, da política (a democracia como poder assumido e exercido directamente pela &#039;comunidade&#039;, o papel salvífico dos homens &#039;bons&#039; ou &#039;melhores&#039;, a apologia do elitismo académico), que te fazem descambar para as estafadas tiradas anti-classe política ou para os rasgos à Fialho de Almeida como: &quot;Os candidatos a presidente do PSD são os paradigmas obscenamente pífios da necrose do modelo.&quot; 

No meio destes arrancos de retórica oitocentista, sobra-te tempo para arrepiares caminho e elogiares as análises científicas do Pedro Magalhães... 

Estou absolutamente em desacordo com os &quot;30 anos perdidos para a cidadania, a democracia e a liberdade; ou seja, 30 anos de estagnação e marasmo cívico&quot;. Penso o contrário, exactamente o oposto. A tua visão da política portuguesa como um salazarismo que trocou de pele é uma visão rotundamente falsa. Não é por acaso que utilizas muito na tua análise, como os escritores políticos oitocentistas, as analogias organicistas e biológicas, ferramentas inapropriadas para compreender a política, mas adequadas para mistificações. 

Prefiro um milhão de vezes ver o Patinha Antão a discutir descidas de impostos e privatizações com o Santana e a Leite do que chupar com uma nota oficiosa do Salazar, uma conversa em família do Caetano ou um esgar revolucionário de Vasco Gonçalves. Prefiro um autarca prevaricador que é filado pela comunicação social e perseguido pela justiça a uma câmara &#039;honesta&#039; nomeada por uma ditadura. Prefiro mil mentiras da imprensa livre a uma verdade da imprensa censurada. Prefiro políticos preocupados com questões práticas a vendedores de ideologias estéreis e ilusões perigosas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Para além de algumas frases e análises com que posso e todos podemos estar de acordo, trata-se de um texto globalmente muito pessimista, produto de concepções idealistas e maniqueístas, sobretudo confusas, da política (a democracia como poder assumido e exercido directamente pela &#8216;comunidade&#8217;, o papel salvífico dos homens &#8216;bons&#8217; ou &#8216;melhores&#8217;, a apologia do elitismo académico), que te fazem descambar para as estafadas tiradas anti-classe política ou para os rasgos à Fialho de Almeida como: &#8220;Os candidatos a presidente do PSD são os paradigmas obscenamente pífios da necrose do modelo.&#8221; </p>
<p>No meio destes arrancos de retórica oitocentista, sobra-te tempo para arrepiares caminho e elogiares as análises científicas do Pedro Magalhães&#8230; </p>
<p>Estou absolutamente em desacordo com os &#8220;30 anos perdidos para a cidadania, a democracia e a liberdade; ou seja, 30 anos de estagnação e marasmo cívico&#8221;. Penso o contrário, exactamente o oposto. A tua visão da política portuguesa como um salazarismo que trocou de pele é uma visão rotundamente falsa. Não é por acaso que utilizas muito na tua análise, como os escritores políticos oitocentistas, as analogias organicistas e biológicas, ferramentas inapropriadas para compreender a política, mas adequadas para mistificações. </p>
<p>Prefiro um milhão de vezes ver o Patinha Antão a discutir descidas de impostos e privatizações com o Santana e a Leite do que chupar com uma nota oficiosa do Salazar, uma conversa em família do Caetano ou um esgar revolucionário de Vasco Gonçalves. Prefiro um autarca prevaricador que é filado pela comunicação social e perseguido pela justiça a uma câmara &#8216;honesta&#8217; nomeada por uma ditadura. Prefiro mil mentiras da imprensa livre a uma verdade da imprensa censurada. Prefiro políticos preocupados com questões práticas a vendedores de ideologias estéreis e ilusões perigosas.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Politikos</title>
		<link>http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36115</link>
		<dc:creator>Politikos</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jun 2008 09:55:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://aspirinab.com/valupi/eppure-si-muove/#comment-36115</guid>
		<description>Valupi, claro que exerce o Poder (mantenho as maiúsculas). Claro que se tem de exercer sobre ela uma «fiscalização especial e constante». Totalmente de acordo, quanto a isso. Corremos é o risco de acabarmos entregues a gente que nunca lá devia chegar. Isto porque os melhores não estão para ser enxovalhados de todas as formas e feitios. E temo que tenhamos um peso para nós e outro, diferente e bem superior, para os políticos?! Por exemplo, andamos a apear gente que não pagou uns «trocos» de uma sisa mal explicada (falo por exemplo do Vitorino), e se calhar - é mais do que certo - que quem escreveu sobre isso e averiguou também não a pagou. Chego a perguntar-me quantas pessoas não terão rejeitado cargos políticos por causa, por exemplo, da porcaria da sisa! Parece que queremos uma espécie de virtuosos na política! Ora isso não existe em lado nenhum! Os políticos saem do colectivo que nós somos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Valupi, claro que exerce o Poder (mantenho as maiúsculas). Claro que se tem de exercer sobre ela uma «fiscalização especial e constante». Totalmente de acordo, quanto a isso. Corremos é o risco de acabarmos entregues a gente que nunca lá devia chegar. Isto porque os melhores não estão para ser enxovalhados de todas as formas e feitios. E temo que tenhamos um peso para nós e outro, diferente e bem superior, para os políticos?! Por exemplo, andamos a apear gente que não pagou uns «trocos» de uma sisa mal explicada (falo por exemplo do Vitorino), e se calhar &#8211; é mais do que certo &#8211; que quem escreveu sobre isso e averiguou também não a pagou. Chego a perguntar-me quantas pessoas não terão rejeitado cargos políticos por causa, por exemplo, da porcaria da sisa! Parece que queremos uma espécie de virtuosos na política! Ora isso não existe em lado nenhum! Os políticos saem do colectivo que nós somos.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
</rss>
