É pena, Costa

Sabemos que os direitolas estão a sofrer quando se calam. Costa foi entrevistado por José Gomes Ferreira na quarta-feira e os direitolas ficaram calados. Portanto, ficaram em sofrimento. Não gostaram de ver a facilidade com que o socialista limpou o rabinho ao palhaço pago pelo Balsemão.

Não há nada de errado nisto de existir um império de comunicação, o Grupo Impresa, que serve os interesses políticos do seu dono. É a iniciativa privada, é a democracia, é a liberdade. Mas, então, que comam todos posto que não há moralidade. A gestão das linhas editoriais da SIC e do Expresso fez de Mário Crespo e do Zé Gomes, para dar exemplos notáveis na sua completa e caricatural distorção do código deontológico dos jornalistas, dois operacionais de uma estratégia reles, maníaca, de propaganda política a favor do PSD e contra o PS. Por extensão, e de acordo com a mesmíssima lógica, o papel político de Ricardo Costa e de Pedro Santos Guerreiro – o qual até pode estar a ser exercido de forma natural; isto é, genuína, porque eles serão isso e sempre o seriam mesmo que não trabalhassem para o militante nº 1 do PSD – é o de orientar a leitura noticiosa oficial para aquela perspectiva que promova os interesses de uma certa direita e que denigra ou apague os interesses de uma certa esquerda. Nenhuma novidade nisto, obviamente, apenas se lamentando que tal não seja assumido frontalmente.

A novidade que importa chama-se António Costa. Estava destinado há muito a ser primeiro-ministro, mas ninguém conseguiu antecipar, sequer imaginar, a pedrada no charco que constitui a actual solução de Governo. Fruto de várias circunstâncias felizes, desde a chegada de Marcelo à manutenção de Passos, da recuperação do poder de compra aos ganhos nas exportações, Costa vai com um ano e meio de sucessos ininterruptos e crescentes. Se conseguir levar as agências de notação financeira a retirar Portugal da categoria “lixo”, não haverá champanhe suficiente em Lisboa para acudir aos brindes no Rato. Este o contexto do seu confronto com o cão de fila da SIC, o qual decorreu sem qualquer laivo de agressividade, sem a mínima acrimónia. De um lado, o pseudo-jornalista que explora a iliteracia económica generalizada e o populismo do tempo para disparar contra o PS com fanatismo circense, do outro, o líder do partido mais importante do sistema partidário e actual chefe de um Governo que promete inaugurar uma nova era na cultura política portuguesa – caso os dirigentes do PS, PCP e BE reproduzam nas próximas décadas a inteligência ideológica que levou ao acordo de 2015. Dois mundos sem qualquer contacto entre eles, pelo que a entrevista serviu apenas para vermos como a famigerada displicência de Costa chegou e sobrou para a vacuidade e deboche do Zé que nos toma por muito parvos.

Porém, Costa merece que se diga algo mais a seu respeito. Ele tem gosto em exibir a sua capacidade para meter no bolso os profissionais da caça aos socialistas que pululam no ecossistema mediático ao serviço da direita. Com isso igualmente transmite a ideia de que não há mal nenhum neste aspecto da nossa vida social e política, de que é errado estar a protestar, a indignar-se. Pelo contrário, há que cobri-los de sorrisos, risinhos e até oferecer-se para tomar conta dos seus filhos nas instalações do Governo caso precisem de ajuda. Foi assim que terminou a entrevista com o grande especialista em acções do BES, satisfeito da vida pelo “debate” que tinha ganhado por KO. É verdade, como escreve a Isabel, que valeu a pena vermos Costa esmagar os sofismas do palhacito, mas não há nada de admirável num chefe político que sente a necessidade de recorrer à adulação para lidar com a escória da indústria da calúnia.

21 comentários a “É pena, Costa”

  1. A vulgaridade comunista à staline pensa num mundo dual onde há o mal e o bem. Logo é simples resolver os males do mundo: acaba-se à força e violentamente, se for preciso, com o mal e prontos, o mundo fica livre do mal e resta apenas o bem, uma espécie de mágica de “deus ex-machina”.
    O Valupi, especialmente relativamente a Costa, também pensa algo semelhante. Vai daí atribui caso de “adulação” onde cabe mais uma designação de “educação”. Disse aqui várias vezes que Costa caça moscas com açucar e não com vinagre e a sua actuação mostra à evidencia que realmente é assim. O que Costa faz com jgf ou jmt e outros fariseus inclassificáveis é responder-lhes de forma inesperada a contrasenso e até subtil nonsenso que desarma e deixa os fariseus sem resposta.
    Costa não pensa diferente de Sócrates mas usa, ou por feitio e jeito inato ou por estratégia política bem estruturada, uma táctica não socratiana de afrontamento à cabeça mas de pequenos passos de subtil oposição firme que permita muitas pequenas vitórias que lhe farão vencer a guerra.
    Eu penso que ele pensa assim e o que entretanto se vai vendo indica essa paciência-resistência incrível que é também e sobretudo uma qualidade política invejável. Qualidade ao nível de um carisma diferente, não ferversente impetuoso mas de lume brando, ao estilo de deixa pousá-los.
    Costa sabe que primeiro tem de demonstrar ao povão para ganhá-lo racional e conscientemente para as suas causas que as suas políticas são as melhores. Este trabalho está, praticamente, concluído. Contudo Costa não pode avançar para a oposição pura e dura contra velhos valores e ideias instaladas até porque do seu lado tem, e não pode hostilizá-los, os partidos que fizeram conluios negros com o diabo na AR contra Sócrates e que têm esse diabo no corpo, tal como passos, para exorcisar. Além de que tem. igualmente, toda a nata de balsemãos à espreita do deslize para atacar em força com todos os cipaios ao serviço e outros contratados se necessário.
    Até aqui os resultados são bons e isso permite-lhe manter a estratégia de demolir os inqualificáveis fariseus pelos argumentos da prova dos nove e também juntando-lhe pitadas de educação a bofetadas de luva branca pelo uso de respostas inesperadas a contrasenso.

  2. jose neves, não precisamos de estar a invocar Sócrates sempre que fazemos juízos sobre outros dirigentes socialistas. No caso de Costa, concordas que um primeiro-ministro se ofereça para ficar com os filhos de um comentador qualquer à sua guarda em S. Bento, e para mais do comentador em causa?

    Que dirias se tivesse sido Passos a lembrar-se disso?

  3. :-) ele é que a sabe toda. não seria maravilhoso que nestas verbalizações de adulação aparecesse um balão com o real pensamento? claro que só alguns poderiam vê-lo e encher a pança de riso – aqueles que identificam o adular e que adular, ao invés do navegar, não é preciso. :-)

  4. Valupi: o governo de A. Costa aumentou a dívida pública portuguesa, entre abril de 2016 e abril de 2017, à média de 37.675.805,00 euros por dia. Por extenso, porque às vezes os números baralham: o governo de A. Costa pediu emprestados, durante esse período, uma média de trinta e sete milhões, seiscentos e setenta e cinco mil, oitocentos e cinco euros por dia. A dívida pública atingiu o montante astronómico de 244.020.280.780 €. É óbvio que a gastar assim, não há oposição que resista muito tempo. Mas, como perguntava B. Brecht, quem vai pagar a fatura («Em cada página uma vitória, quem cozinhava os festins? Em cada década um grande homem, quem paga as despesas?»)? É notório que o Valupi é impulsivo e raciocina sob o estímulo de estados de alma, mas ocultar uma parte da realidade em favor apenas daquela(s) de que gostamos não releva apenas como uma das piores parcialidades – é também, quando sistemática, uma forma de fanatismo. Não compreendo o teu embevecimento político com A. Costa quando é notório e público que ele é hoje o principal incriminador de Sócrates. Não é só pelo convívio farsante com alguns dos seus mais militantes acusadores. É, sobretudo, o seu silêncio perante o linchamento público de que JS está a ser alvo há anos. Costa, não só se calou (coonestando, assim, todas as acusações), como silenciou o próprio PS de que Sócrates fora líder. Hoje, como exceção de alguns franco-atiradores, ninguém no PS levanta a voz em defesa do condenado (sim ele já está pelo silêncio do seu próprio partido). Costa e os socráticos que levou para o governo agem na vida pública como se nunca tivessem conhecido o seu antigo líder. Passos Coelho é o adversário de costa; o seu inimigo é José Sócrates e isso vê-se à vista desarmada.

    Quanto ao José Neves cada vez se parece mais com aquele grandessíssimo teórico da vertente estalinista do marxismo, cujos livros abundavam nas bibliotecas dos militantes dos PC’s europeus, Louis Althusser, cuja notoriedade muito ficou a dever-se também ao facto de ter estrangulado a mulher. O Sr. Althusser, através das suas ruturas epistemológicas, acabava sempre por branquear (dar cobertura epistemológica, dizia-se então) às práticas revisionistas, chauvinistas e direitistas do Partido Comunista Francês. Agora o José Neves, aparece sempre a branquear politicamente o costismo, a dar densidade política à arte de comprar consciências, de domesticar vontades com dinheiros públicos. Vejam o que ele fez ao vendido do José Sá Fernandes ou à reeducada Helena Roseta? O que é feito de ambos? Estão perdidos num dos bolsos de Costa. É isto que é António Costa: um homem sem escrúpulos e sem princípios que sabe utilizar como poucos o dinheiro que não é seu. Entretanto, já há sinais de que se começam a fazer negociatas. O cheiro a pimenta e a canela já se sente em alguns dos gabinetes próximos dos do PM.

  5. Ai, ai, gostei dos comentários e do artigo, O Costa não pode ser acusado por levar adversários com educação, diacho, que ele não é perfeito, às tantas, que talvez não seja, de todo, mas quem já o foi?, nem madre tereza e nem o mesmo Cristo, que o Paulo inventou .

  6. Fillotemis, és mesmo burro. Se o o Governos tivesse gasto esse dinheiro todo como é que poderia ter obtido o reduzido défice que nos permite sair do procedimento por défices excessivos? Não percebes que se estão a antecipar receitas com empréstimos para aproveitar as baixas taxas de juro? Esse dinheiro dinheiro entrou como receita mas não saiu ainda como despesa. E quando for gasto será para amortizar empréstimos contraídos anteriormente ou substituir empréstimos anteriores que têm taxas de juro mais elevadas. Chama-se gestão da dívida, já ouviste falar? Andas a citar frases do Brecht que perguntaste ao Dr. Google mas és um burro.

  7. Costa é um sevandija de esquerda, que os há e não são poucos. A maioria depende da direita para existir e sobreviver, cambada de lambe cus.

  8. Quase de certeza Valupi, tvesse passos tomado tal iniciativa junto de um seu tão crente farisaico sentir-me-ia insultado.
    Mas é, precisamente, o facto de tal iniciativa partir de uma personalidade que é de sinal contrário que cria o inesperado e desse modo desarma o contra-atque do adversário. Tal, visto segundo o ponto de vista moral comum pode até tomar-se como um oportunismo mas o caso é que funciona como um pequeno golpe de magia (coelho tirado da cartola) e depois resulta em mais uma pequena vitória.
    E, Valupi, também estes pequenos anedóticos casos nos mostram e faz pensar na imensa diferença que existe entre um governante ao estilo seco e rígido de cavaco ou um passos e ao estilo descontraído e sorridente de Costa.
    E face a tal que pensamos ou podemos concluir nós? Que tal iniciativa e tomada de atitude era de todo impossível da parte de um carácter desconfiado e vingativo como são cavaco e passos.

  9. D.S.: Nos 12 meses de 2016 a dívida pública aumentou à média de 27.103.923 € por dia, em 2015 de 25.305.121 €, em 2014 a média diária foi de 35.271.397 € e em 2013 de 26.667.217 €. Só nos anos loucos da crise (2009 com + 39.133.457 €/dia e 2010 com + 52.132.112 €/dia) e nos dos empréstimos para a enfrentar (2011 + 63.331.160 €/dia e 2012 + 53.616.271 €/dia) é que a dívida cresceu mais do nos 12 meses entre abril de 2016 e abril de 2017.
    Se se fizesse dívida para pagar dívida, esta aumentaria ou diminuiria apenas na exata medida da variação das respetivas taxas de juro, ou seja, nada de significativo.
    O problema é outro e tu, tal como muita gente, não o quer ver ou não o consegue enxergar. É a prestidigitação financeira; são as cativações e outras artes. É claro que houve um grande aumento das exportações e do crescimento do PIB, mas isso deve-se apenas ao aumento das vendas ao estrangeiro do nosso sol, das nossas praias, do nosso clima. Este aumento deve-se sobretudo ao Estado Islâmico que desviou a procura desses bens dos países do norte de África para os do sul da Europa. A exportação dos chamados bens transacionáveis (chapéus, sapatos, pecinhas para computadores) é ridícula, não tem peso naquilo que é importante, naquilo que, aparentemente, está a mudar. As nossas grandes exportações outras são os automóveis da Auto Europa e os combustíveis refinados em Sines, tudo assente nas importações.
    Um conselho/pedido: deixa a minha burrice em paz e concentra-te apenas nas coisas estúpidas que eu digo. Faz esse esforço e todos ganharemos. Obrigado.

  10. A vizinha Espanha cresce muito mais com um governo de direita, cheio de escândalos e após uma crise que levou a eleições, e como refere aqui e bem Vital Moreira, ainda nos leva a reboque.
    https://causa-nossa.blogspot.pt/2017/06/de-espanha-bons-ventos.html

    A análise por cá é tâo profunda e refinada que basta haver coincidência para se atribuir causalidade. Na verdade o que estes resultados demonstram é que nunca devíamos ter pedido ajuda externa, deviamos ter aceitado o acordo com BCE e A Alemanha e aguentar sem depauperar o interesse público. Mas como defender tal coisa se o espaço publico é constituido por cheerleaders do Costa e do Passos que só veiculam ideias chave de powerpoints de agencias de comunicação? No que resta o ambiente público é dominado pela agenda do MP que transformou o ambiente social numa autentica caça ás bruxas, só para aprovar a delação/colaboração premiada. Uma fétida sociedade conspirativa onde se vêem todos os dias comunicações privadas e escutas vertidas nos jornais enquanto o PM e o PR se riem e tiram selfies.

  11. Filotemis, agrada-me a ideia de não fazeres a mínima ideia do que penso acerca de Costa, pois tal prova que ocupas o teu tempo com algo bem diferente do estar ler o que tenho escrito a seu respeito. Excelente decisão. Só assim se explica que escrevas esta enormidade “Não compreendo o teu embevecimento político com A. Costa” e quejandos. A este respeito, tens de largar o vinho.

    Quanto ao tema da relação de Costa com Sócrates, sobre o qual já escrevi mais do que uma linha, a tua tese é interessante, até inevitável, dentro das abstracções da ciência política e das anedotas da História. Nesse sentido, é legítimo ponderar a possibilidade de haver múltiplas vantagens políticas para si no processo que arrasta Sócrates para uma condenação e linchamento em público. Porém, não a considero a hipótese mais interessante, apesar dos sinais que a favorecem (e que a poderão merecidamente justificar, no caso de Sócrates ser mesmo corrupto e Costa ter essa informação ou fundada suspeita).

  12. Valupi: seja o Sócrates corrupto ou não (não é isso que está em causa), tem direito a uma coisa que se chama processo justo, procedimentos judiciais que respeitem sempre a sua dignidade pessoal. Aliás, os direitos humanos são de todos os humanos, incluindo (sobretudo) dos criminosos e não apenas dos que são inocentes. A questão não é abstrata ou do foro das ciências sociais. É uma questão concreta que releva, judicialmente, do domínio dos direitos fundamentais e, politicamente, do domínio da solidariedade; sim, daquela solidariedade concreta de pessoas para pessoas; de pessoas que estão na mó de cima para pessoas que estão na mó de baixo. Sim, daquela solidariedade que o PS, o seu líder, os seus dirigentes, os seus militantes tanto proclamam em abstrato mas que não são capazes de manifestar para com um camarada que está a ser trucidado em público – em relação ao qual não fazem o mais leve gesto solidário. Só silêncio e sinais de apreço por quem promoveu essa estratégia. A cena com o J. Miguel Tavares surge apenas como apoio declarado ao ódio que ele destila no espaço público contra JS, do gênero: «continua que estás a fazer um bom trabalho!». Quem é que Costa nomeou para a pasta da Justiça? Uma magistrada do Ministério Público, claro. Da mesma corporação que tem flagelado impiedosamente Sócrates nos espaço judicial e no espaço mediático. Com quem é que Costa se aliou para formar governo? Com parte daqueles mesmos que derrubaram Sócrates em 2011 e o obrigaram a pedir o resgate. O que é que Costa deu ou prometeu ao PC e ao BE que Sócrates não dera em 2011? Tudo isto não é circunstancial; não são coincidências, mas sim o resultado de uma estratégia pessoal que passa pelo frio aniquilamento político e humano de um inimigo (JS), por parte de uma pessoa (A. Costa) sem princípios e sem escrúpulos, para quem os fins justificam sempre os meios, pois o lema da escola em que se tornou político é «em política, feio, feio, é perder». O silêncio de A. Costa, que foi ministro de estado de J. Sócrates, ou seja, que foi seu colaborador direto durante o período em que teriam sido cometidos os supostos crimes de que o acusam (mas dos quais não apresentam provas), só poder ser interpretado publicamente como o resultado da impossibilidade de defender o acusado. Do gênero. «eu sei o que se passou e por isso não quero abrir a boca porque se o fizer só poderia incrimina-lo ainda mais».

    Nota: Aprecio o teu estilo discursivo, mas, por muito pitorescamente agressivo ou agressivamente pitoresco que ele seja, às vezes, parece-me que o gongorismo que usas serve para ocultar ou diluir as empatias que, secretamente, tu e a esmagadora maioria do povo socialista, sobretudo, os socráticos que estão a ficar cansados de o ser e/ou incomodados por o ter sido, começam a nutrir pelos vencedores como A. Costa. A mim parece-me que tu estás a dar sinais de cansaço de o ser, enquanto outros que aqui comentam já mostram claramente o arrependimento de o ter sido. E isso, para mim é que é espantoso. Parafraseando o Eça: «longos são os caminhos da vida e curta a memória (a solidariedade) dos homens». A mim, que até estou de fora, choca-me, não apenas o silêncio da galáctica socialista, mas também o seu desprezo pela sorte do seu antigo líder. Choca-me, sobretudo a volúpia com que saboreiam as benesses do poder, ou seja, dos milhares de tachos/empregos que Costa lhes distribui. Nada melhor para esquecer o que não é conveniente lembrar. O que A. Costa fez e continua a fazer para chegar ao poder e mantê-lo é revelador daquilo que verdadeiramente o move e, por isso, ele é uma séria ameaça à Democracia. Com ele a Democracia vai apodrecer muito mais rapidamente do que qualquer um de nós podia pensar. O futuro em breve o vai mostrar aos que entretanto não cegarem.

  13. aeiou
    13 DE JUNHO DE 2017 ÀS 18:01
    O seu comentário aguarda moderação.

    Valupi, estás um bocadão baralhado. Duvido é que te passe.

    Valupi, larga o vinho.

    Nota. Diz aí ao Filotemis, cujo primeiro comentário só li depois, que ele politicamente é uma merda.

    1. A um ex-PM pode-se antever um futuro sorridente (Sampaio foi PM, Guterres foi ACNUR e hoje está à frente da ONU, Ferro Rodrigues é hoje o presidente da AR onde a solução governativa se realiza todos os dias). José Sócrates, com a justiça às costas durante um longo processo judicial, é completamente irrelevante no interior do PS porque o tempo não volta para trás e seria um suicídio (mais um!) de ordem de grandeza eleitoral inimaginável que o próprio e os seus “amigos” tivessem algumas expectativas. Em cem eleitores tens cinco, dez ou quinze que apostariam nesse cavalo cansado (eu fico de fora, claro!).

    2. Sobre a dívida pública, é surpreendente? Ná, é alguém que no Aspirina B que faz o papel politicamente s-u-j-o (objectivamente, nem o PSD/CDS se atrevem a tanto!).

    3. Mas há pior: alguém que escreve que «É isto que é António Costa: um homem sem escrúpulos e sem princípios que sabe utilizar como poucos o dinheiro que não é seu. Entretanto, já há sinais de que se começam a fazer negociatas. O cheiro a pimenta e a canela já se sente em alguns dos gabinetes próximos dos do PM.», num blogue que “defende” cegamente um PM indiciado por quatro crimes de corrupção – corrupção activa para titulares de cargos políticos, corrupção activa prevista no Código Penal, corrupção passiva para acto ilícito e corrupção passiva para acto licito – branqueamento de capitais, fraude fiscal e fraude fiscal qualificada. Um nojo esse tal amigalhaço de nome Filotemis, pois!

    4. E é pena, concordo, olha que é mesmo de ter pena de ti e da fauna caluniosa que se passeia livremente pelo Aspirina B.

  14. Sampaio foi PR (sendo SG do PS passou da CML directamente para inquilino do palácio de Belém), com erre da res publica.

  15. Filotemis, Sócrates foi detido em 21 de Novembro de 2014. Estamos em 14 de Junho de 2017, passaram quase 32 meses. Fazes alguma ideia de quantas vezes escrevi sobre o assunto e o que disse neste período? Pelo que tens deixado nesta caixa de comentários, não fazes a menor ideia. Mas não me estou a queixar, só a contextualizar.

    Por mais que Costa possa ser visto como alguém que optou por deixar Sócrates ser condenado em público (é só recordar a cena gaga da sua visita a Évora, arrastado por Soares, e o que disse à saída da prisão), tal é ainda assim compreensível à luz da sua responsabilidade eleitoral – ou, repito, à luz da sua eventual convicção de culpabilidade de Sócrates, algo que implicará sempre um afastamento radical por todas as razões e mais algumas. A detenção e prisão de Sócrates teve, fatalmente, influência nos resultados das legislativas de 2015. A única certeza que o PS tinha, quando tal se deu nas vésperas do congresso onde Costa seria entronizado e onde daria início ao ano eleitoral, era a de que o terreno passava a estar todo minado. O mínimo passo em falso seria explorado selvaticamente pelo Governo pafioso, sua maioria e seu aparelho na comunicação social. Esta lógica, que não enobrece Costa, tem pelo menos o mérito de ser pragmática: diminuir ao mínimo a toxicidade da prisão e do processo de Sócrates.

    Para mim, e para a mãe de Costa, a manifesta ostracização de Sócrates revela um político demasiado cínico. Não sou, e já não era antes da Operação Marquês, admirador de Costa. Não é líder em que tenha votado para as legislativas, só para as autárquicas. Porém, ele não se esgota nesta problemática e, justiça lhe seja feita, ele não pediu para suportar este fardo que consiste em estarmos há 13 anos sob um constante assassinato de carácter de Sócrates e correlativas golpadas judiciais e mediáticas. Infelizmente, havia fogo nessa fumarada e ainda não sabemos qual a sua gravidade penal. Apenas sabemos que é muito grave no plano moral e cívico; e disso, tens de aceitar, Costa não tem a mínima responsabilidade.

  16. Carta aberta a José Gomes Ferreira

    Meu caro,

    Foi com enorme pesar que assisti à entrevista que fez ao nosso querido líder. Como jornalista e investigadora na área da comunicação social, fiquei boquiaberta com a falta de isenção e parcialidade por si demonstradas. Apeteceu-me sugerir-lhe que se inspirasse nos versos do poeta seu homónimo e se suicidasse por seis meses; ou, de preferência, por mais algum tempo.
    Não sei se esta minha missiva adiantará alguma coisa; no entanto, quero poder dizer que tentei, como professora de jornalismo que também sou, ensiná-lo a conduzir uma entrevista equilibrada e imparcial a um chefe de Governo oriundo do PS, o único partido do mundo que, adaptando Almada Negreiros, consegue conciliar a presença de todas as qualidades com a ausência de todos os defeitos.
    Deixo-lhe por isso aqui as perguntas que deveria ter feito na passada quarta-feira:

    – Boa noite, Sr. Primeiro-Ministro. Após um ano e meio de intensa devolução de rendimentos começam a surgir relatos de pessoas, idosos principalmente, que aparecem mortas em casa, esmagadas pelo peso das notas e moedas que entretanto acumularam. Não acha que chegou o momento de abrandar o ritmo de enriquecimento dos portugueses?

    – Dr. António Costa, agora que as previsões de crescimento de 2,4% para 2016 inscritas no Plano Macroeconómico de Mário Centeno foram largamente ultrapassadas pelo crescimento de 1,4% efectivamente alcançado, não tem medo que as grandes potências económicas queiram contratar o seu Ministro das Finanças?

    – Ilustríssimo líder, depois de ter anunciado a aposta no consumo interno e no investimento público, verifica-se que foram afinal as exportações e o investimento privado a puxar pela economia. Quando é que se lembrou dessa ideia genial de enganar o crescimento com uma estratégia falsa para depois o apanhar desprevenido pelo outro lado?

    – Luz da pátria, pastor do povo, será que o Sr. Dijsselbloem, agora que passaram três meses da ameaça de demissão que lhe dirigiu, já consegue adormecer sem ansiolíticos?

    – Babush, o líder do PSD tem dito, com uma imensa lata, que o senhor anda a colher os frutos que ele plantou. Até quando é que os portugueses terão de aturar disparates da boca de um político que, tendo vencido as últimas eleições apenas por poucochinho, já tinha mais era que ter abandonado a vida pública?

    – Primeiro-Ministro-Sol, não lhe parece que, dado o estrondoso sucesso da parceria PS/PCP/BE, seria boa ideia avançar para uma revisão constitucional que ilegalizasse, para bem do povo, os partidos feios, porcos e maus da direita portuguesa?

    – Messias, a Presidente da CMVM afirmou que as cativações orçamentais estão a colocar em causa o funcionamento da instituição. Não estará na altura de organizar uma acção de formação para todos estes ignorantes que continuam a confundir os saudáveis instrumentos de rigor financeiro do seu executivo com os desumanos cortes austeritários do último governo?

    – António, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. An-tó-ni-o: os portugueses merecem-no?

    Certa de que não deixará de reflectir profundamente na fraca figura que fez diante de todos, dou por terminada esta epístola.

    Atentamente

    Estrela Serrano

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